Delúbio mantém tese do emprestimo
January 10, 2008 – 10:29 am | by Marcos V.Todos se lembram da tal “tese do empréstimo”, bolada por Márcio Thomaz Bastos para livrar os petistas da cadeia. A idéia era simples, negar que eram doações ilegais de campanha ou qualquer tipo de propina (o que poderia levar a cassação de mandatos, perda do registro do partido, etc… ) e alegar que os R$ 55 milhões foram empréstimos feitos para pagar dívidas de campanha e a festa popular promovida pelo PT na posse de Lula. Essa história foi mantida ontem pelo ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, em um interrogatório em São Paulo feito pelo juiz Fausto Martins De Sanctis, da 6a Vara Criminal Federal.
O que o ministério público investiga são as vantagens que podem ter sido obtidas pelos principais credores do PT. Por que o MP levanta a hipótese? Basta seguir a seqüência de fatos abaixo:
setembro de 2003 - MP 130 ; apenas nove meses depois de eleito, o presidente Lula assina a medida provisória n. 130 e envia ao congresso a sua regulamentação (decreto n. 4840). Resumidamente, isso acabava com as dúvidas a respeito do crédito consignado para aposentados.
2003 é o período dos “empréstimos” feitos ao PT. Só como Banco de Minas Gerais (BMG) o partido levantou a baguatela de R$ 26 milhões, com poucas ou nenhuma garantia. Sacomé, banco adora rasgar dinheiro.
maio de 2004 - O governo propõe mudança na lei do crédito consignado. Não seria mais a previdência a reter os pagamentos e enviar aos bancos, as próprias instituições financeiras fariam isso.
agosto de 2004 - O presidente assina o decreto n. 5180 permitindo que TODOS os bancos operassem o crédito consignado. Pela regulamentação anterior apenas bancos que faziam pagamento previdenciário podiam oferecer o produto. O BMG, que não fazia pagamentos previdenciários, passa a poder operar.
O resto da história já conhecemos, o governo usa sua máquina de propagando (oficial e não oficial) e convida cada aposentado do Brasil a se enforcar em juros que, na melhor das hipóteses, flutuavam pouco acima de absurdos 2% ao mês. O BMG e o Banco Rural, que ficariam excluidos de um dos melhores produtos do mercado financeiro na década, obtém pomposos lucros.
É bom não esquecermos e continuarmos a acompanhar o desenrolar dessa história.
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