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Caso Oi - Brasil Telecom, a quem interessa?

January 14, 2008 – 9:45 pm | by Marcos V.

falei aqui das relações de Lulinha com a Telemar (Oi), já foi noticiado pela imprensa que o maior doador individual do PT em 2006 foi a Andrade Gutierrez, com R$ 6,4 milhões e todo mundo sabe que o pessoal do governo não suporta o Daniel Dantas e quer toca-lo da Brasil Telecom. Pois bem, leia o texto abaixo, no Estadão, por Gerusa Marques.

O ouvidor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Aristóteles dos Santos, defendeu a criação de uma “empresa nacional” de telecomunicações, como a que poderá resultar de uma futura fusão - apoiada pelo governo - da Oi/Telemar com a Brasil Telecom (BrT). A defesa de Santos consta do relatório analítico da Ouvidoria da Anatel, apresentado hoje em entrevista coletiva à imprensa.

“Em muito boa hora o governo Lula toma a iniciativa de trazer ao debate público a instituição de uma empresa de telecomunicações de âmbito nacional para competir em igualdade de condições com os demais players”, afirmou. Na opinião de Santos, essa operadora terá condições de criar a competição que hoje não existe no setor de telefonia fixa.

O relatório do ouvidor não cita nomes de companhias, mas diz que o debate “busca uma empresa competitiva, economicamente forte e socialmente compromissada com o Brasil”. Santos previu que haverá reações contrárias a essa idéia, vindas, por exemplo, de empresas “que não querem a competição”. leia mais.

Vou me repetir, não consigo imaginar nenhum motivo pelo qual seria importante uma empresa de telefonia “nacional”, nenhum. Quem define o que as empresas devem ou não fazer é o governo nos leilões de concessão dos serviços. As empresas todas visam lucro, o que é legítimo, e não fariam mais por serem nacionais. Quero, aliás, que alguém me mostre um grande investimento em geração de novas tecnologias pelas empresas “nacionais” de telecomunicação. Não há. Investem o mesmo pouco que as “estrangeiras”.

Quanto a aumentar a competividade, também não faz muito sentido. Aumentaria, isso sim, o monopólio virtual da Oi em diversas regiões do país onde opera praticamente sozinha. E a empresa não poderia atuar no maior mercado do Brasil, o estado de São Paulo, com poucas exceções, entre as quais não se encontra o file mignon: a grande São Paulo. Já houve o leilão de empresa “espelho” em todas essas regiões, simplesmente não foram competentes para levantar e/ou gerenciar recursos e levar a briga.

Pois bem, desmistificado o argumento da “concorrência”, diz o ouvidor que haverá reação contrária dos “que não querem a competição”, entenda-se Telefônica e Embratel. O que dizer então dos que querem tanto? Quem serão os maiores favorecidos? O primeiro a sair ganhando é Daniel Dantas, que levará R$ 1 bi ou R$ 2bi, dependendo da fonte da notícia. Isso mesmo, o governo está fazendo uma ginástica danada e acabará por colocar uma dinheirama na mão do seu “inimigo”. Os outros favorecidos são os dois principais controladores da Oi, o grupo Andrade Gutierrez, o grande doador, e o grupo de Jereissati, que circula muito bem entre petistas.

Resumindo, o filho do presidente levou uma bolada da empresa questão; e Lulinha ainda foi flagrado fazendo lobby pela mudança da lei; o maior acionista é também o maior doador do partido do presidente; e tudo isso implica na mudança da regra do jogo.

E os não-patriotas são os outros. Haja…

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