Ministra defende o criacionismo. E eu agüento?
January 16, 2008 – 1:50 pm | by Marcos V.A ministra Marina Silva, do meio ambiente, é evangêlica da Assembléia de Deus. Eu não. Até aí pouco importa, são decisões de foro íntimo. Mas há uma diferença relevante entre nós: eu não sou um representante do estado brasileiro, que é laico. Por que digo isso? A ministra participou de um congresso criacionista, o que é de dar medo, e ao final concedeu uma entrevista ao blog eoqha.net, direcionado ao público jovem adventista. A certa altura dá se o seguinte diálogo:
entrevistador: A sra. participa de um simpósio criacionista. A sra., ministra, se considera criacionista?
Marina Silva: …é impossível crer em Deus se não crer que ele criou todas as coisa. Se nós não sabemos como explicar as coisas, não devemos ter a pretensão de dizer que elas não existem porque não sabemos como elas podem ser explicadas.
Só posso entender essa resposta como uma afirmativa ao criacionismo. Essa é uma teoria que eu considero desesperada, formulada por pessoas que não são capazes de ler livros religiosos como qualquer outra coisa que não a verdade absoluta. Quando a ministra afirma que não devemos não devemos negar a existência de algo por não sabermos como explicar, utiliza um argumento científico para descartar a ciência. Quem investiga e busca o conhecimento como forma de existir e prosseguir é a ciência. E o faz observando o meio, formulando hipóteses e comprovando-as.
O criacionismo e o design inteligente não podem ser nivelados com a ciência. Os primeiros admitem uma inteligência superior, que não pode ser comprovada, guiando o processo. A segunda guia-se pelo empírico e pelo experimental. A ciência convive bem com o desconhecido. É mesmo levada por essa curiosidade. Já o criacionismo possui uma explicação comum para tudo o que não entende.
Ainda durante a entrevista a ministra concorda com a tese de que se ensine as duas formas, o darwinismo e o criacionismo, seria um ensino mais “plural”. Absurdo. Essa praga criacionista tenta varrer os EUA e, com o avanço do fundamentalismo cristão no Brasil, começa a chegar por aqui. É o mesmo que igualar a astronomia à astrologia. A primeira é uma ciência, baseia-se no que se vê e experimenta, a segunda é uma crença, baseia-se no desejo de torna-la verdadeira.
Educar com responsabilidade é levar Mendel e Darwin aos nossos jovens. E se algum dia surgir uma explicação comprovável melhor do que essa, passar a ensina-la.
adendo: faltou anexar o vídeo. Ei-lo.
Tags: criacionismo, darwinismo, educação, marina silva





4 comentários to “Ministra defende o criacionismo. E eu agüento?”
By Vitor Bravo on Jan 22, 2008 | Reply
Amigo, para início de conversa, se o criacionismo não é cintífico, o evolucionismo é? A teoria evolucionista é que é uma teoria desesperada, sem nenhuma base científica capaz de prova-la. Me diga, o que o evolucionismo “científico” já conseguiu provar? O anti-criacionismo que você está pregando o faz ser exatamente aquilo que você condena em seu texto. Um fundamentalista. OK, creio que você seja uma pessoa estudada, que realmente, depois de ler sobre as duas teorias, decobriu que os organismos complexos deste planeta surgiram por acaso e escolheu crer no evolucionismo. Até ai, é uma liberdade sua, agora você não pode impôr sua opinião ao outros como a única opção, tirando a liberdade de outros terem suas próprias e fazerem suas próprias escolhas. O que se tenta é impôr o evolucionismo nas escolas, como se fosse a mais cristalina verdade, e o pior, como se fosse algo PROVADO pela ciência, o que não é. Aprenda a respeitar opiniões contrárias as suas.
By Marcos V. on Jan 23, 2008 | Reply
Vitor,
seus comentários mereceram não um, mas dois artigos. O que é o metodo cientifico e Evolucionismo x criacionismo.
Imagino que para você não farão a menor diferença, mas espero que elucidem jovens que caiam por acaso nessas páginas.
Como você parece crer, boa sorte.