Viradouro e o carro proibido
February 4, 2008 – 12:39 pm | by Marcos V.Carnaval não é para o meu bico. Simplesmente não me interessa. Mas vez ou outra aparece algo que chama a minha atenção. Dessa feita não foi o carro alegórico destratando o nazismo - o nazismo é/foi uma aberração e é, por isso mesmo, fato comum ser colocado no lamaçal de onde nunca deveria ter saído - ,mas a decisão de se vetar a exibição do carro.
Há duas coisas surpreendentes nessa história. A primeira e mais grave é a proibição em si da liberadade de expressão. Em nenhum momento o enredo ou o carro alegórico faria apologia à intolerância, ao contrário, o objetivo era mostrar como o ser humano pode ser horrível de “arrepiar”, tema do samba-enredo. Nada melhor do que o arquétipo da maldade, Hitler e seu nazismo.
A segunda aberração foi o postulante da proibição, a FIERJ (Federeção Israelita do Estado do Rio de Janeiro). Um dos méritos do judaísmo pós-guerra foi esclarecer que os crimes nazistas foram toda contra a humanidade - até se popularizou o termo “crimes contra a humanidade” - e não apenas judeus, ciganos, homossexuais. Aparentemente os integrantes dessa associação fluminense não compreenderam bem o conceito.
Ontem, a escola de samba substitui o carro por pessoas vestidas de branco e amordaçadas, impedidas de falar. E no lugar de Hitler, a figura de Tiradentes e o mote famoso: Liberade ainda que tardia.
Não foi sem motivo que coloquei esse post na categoria “educação”. Não mostrar e repetir e falar sobre esses crimes é o mesmo que permitir que voltem a acontecer. Educação se dá em todas as instâncias e momentos.




