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O PT tenta igualar os desiguais: nem todos comem tapioca

February 8, 2008 – 11:53 pm | by Marcos V.

O PT resolveu mandar bala em José Serra. O governador de São Paulo, como se sabe, é o mais forte candidato da oposição ao Palácio do Planalto. Por isso, o partido invocou sua capacidade de pautar a imprensa (até Estadão e Folha!) e criou uma nova “notícia”: os cartões corporativos do governo do Estado de São Paulo.

Primeiro um fato, o governo de São Paulo, como todos os outros governos estaduais, possui cartões. Mas, diferentemente do governo federal, são cartões de débito e não são entregues a secretários, mas a funcionários de cada pasta. Ouvi hoje, em entrevista a Carlos Alberto Sardemberg, na rádio CBN, o ministro Paulo Bernardo, do planejamento, defender que apenas servidores concursados possam utilizar os cartões corporativos do governo federal. Como se vê, o governo estadual faz o que pretende fazer o federal. Prossigo.

Defende o ministro que apenas algo entre 25% a 30% do limite de gasto possa ser sacado na boca do caixa. No caso de SP, esse valor é de 20%. Portanto, mais rigoroso do que querem os petistas. E não acabou.

No caso paulista, a despesa deve ser pré-aprovada, e o recurso fica disponível por um prazo determinado. Ainda, os cartões só podem ser utilizados para os seus fins devidos. Um cartão para combustível não será aceito em um farmácia. Esse rigor sequer está nos planos do ministério.

Ainda não sabemos se há irregularidades nos cartões paulistas, mas, se existem, são certamente inferiores às dos cartões corporativos do governo federal. Cabe agora não permitir que se igualem os desiguais, não cair no truque banal do PT. Que o efeito Azeredo não mais se repita.

A integra do comunicado do Governo de São Paulo.

NOTA À IMPRENSA
O Governo do Estado de São Paulo tem total interesse em esclarecer toda e qualquer dúvida relacionada às despesas efetuadas pelos órgãos da administração pagos pelo sistema de pagamento eletrônico via cartões de débito, que existe desde 2001. Note-se que o Governo de São Paulo, diferentemente do Governo Federal, não utiliza cartão de crédito corporativo.

Porém, para um adequado atendimento das demandas por informação, é preciso cautela e responsabilidade no tratamento e observação das operações de compras a fim de evitar alarmismos e erros de interpretação desastrosos.

Para exemplificar, temos o caso das despesas efetuadas em uma churrascaria em Campos de Jordão, que foram interpretadas equivocadamente como um possível desperdício de dinheiro público. São despesas absolutamente normais, realizadas pelo Batalhão da Policia Militar de Taubaté, que deslocou efetivo para Campos de Jordão em período de alta de turismo. Foram servidas, nesse restaurante, refeições para centenas de policiais militares, por R$ 8,00 (oito reais) cada.

Outro caso de distorção refere-se à compra de carnes em açougue da cidade de São Paulo, que se tentou demonstrar como sendo uma despesa indevida. Na verdade, foi utilizada na alimentação das 70 crianças da creche dos filhos dos funcionários do Palácio dos Bandeirantes, onde trabalham cerca de 1.500 pessoas, em quatro secretarias. Ou, ainda, a despesa realizada pela Polícia Militar em Campinas, em loja de brinquedos, para compra de 12 kits de maquiagem como parte de uma ação cívica social da PM com crianças da favela Parque Oziel, localizada naquela cidade.

Para cada pedido de informação, é necessário examinar o processo administrativo respectivo, sob guarda da unidade administrativa contratante. Para entender à complexidade dessas verificações, é preciso esclarecer que, em 2007, foram realizadas compras em cerca de 55.000 estabelecimentos comerciais no estado, executados por cerca de 20.000 servidores públicos em todos os 645 municípios paulistas.

Por último, refutamos com veemência a tentativa do Partido dos Trabalhadores de São Paulo de criar confusão na opinião pública, tratando questões diferentes como se fossem iguais. É a estratégia típica desse partido: tentar justificar seus abusos com a idéia de que os outros partidos também os cometem. Com a idéia de que, na política brasileira, “é tudo farinha do mesmo saco”. Mas não é não, felizmente.

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