Hillary, a candidate 50/50
February 19, 2008 – 9:23 am | by Marcos V.Boa parte da imprensa brasileira está presa a arquétipos e preconceitos tão arraigados que se esquece de apurar as notícias. Até mesmo as que não precisam de apuração.
Tenho lido com frequência alarmante insinuações de que na disputa Hillary x Obama, o senador negro representaria as minorias, a massa oprimida e outras descrições heróicas. Claro que, por contraponto, Hillary Clinton seria a figura dos poderosos: senadora por um estado rico (Nova York), rica ela mesma e ex-primeira dama. Humm, as delícias das meia-verdades.
A grande imprensa america chama Hillary de a candidata 50/50, significando que só vota nela quem ganha menos de US$ 50 mil/ano (um salário de operário) ou tem mais de 50 anos, os aposentados ou aqueles já de olho na aposentadoria. Além disso, conta com o apóio da maioria dos latinos, que também cabem no 50/50. Já Obama leva a preferência dos ricos e dos grandes industriais e, claro, dos negros. O grande capital (bancos), como em todo lugar do mundo, joga nas duas frentes.
Essa preferência dos mais endinheirados por Obama explica o sucesso do senador nos estados menores. Em distritos pequenos as prévias são realizadas por aclamação, como em reuniões de condomínio. O boca-a-boca da hora do voto faz muita diferença, é muito mais “gostoso” seguir com a maré. Na maior parte dos EUA são os ricos que participam mais desse tipo de reunião e fazem a cabeça dos votantes.
A senadora vence nos grandes estados com o voto da massa da classe média e classe média baixa, o que explica o seu novo pacote econômico, voltado, segundo ela e seus assessores, para os trabalhadores americanos e não para os ricos e grandes empresas.
No Estadão.
Hillary Clinton, pré-candidata do Partido Democrata às eleições presidenciais nos EUA, divulgou na segunda-feira um novo “Plano Econômico” com medidas para ajudar a classe trabalhadora do país em meio a seus esforços para ultrapassar o também pré-candidato Barack Obama, que se tornou o líder da corrida pela vaga democrata.
O pacote retoma idéias já apresentadas por Hillary, tais como declarar uma moratória de 90 dias para a execução de hipotecas de alto risco, cancelar os benefícios fiscais dados a empresas de petróleo para investir esse dinheiro em programas de energia limpa e impor limites às empresas de cartão de crédito, incluindo um piso máximo para os juros.
“Nos últimos sete anos, as grandes empresas e alguns grupos específicos receberam um passe livre para lucrarem, geralmente às custas do trabalhador norte-americano”, afirmou o panfleto de Hillary.
“Como presidente, Hillary elegerá como prioridade cancelar benefícios e subsídios especiais dados a essas empresas e aplicar esses recursos para trabalharem novamente a favor de nossa economia.”
O panfleto deve ser distribuído nos eventos de campanha enquanto a pré-candidata tenta conquistar a vaga do Partido Democrata para as eleições de novembro. Leia mais.
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