(Não) mentirás! no reino surreal
May 20, 2008 – 3:49 pm | by Marcos V.Geralmente ligo o rádio do carro para vir até o escritório. É rotina, um hábito duro de abandonar. Às vezes passo longos períodos só com a música. Longos e bons tempos. Mas eis que esse inato desejo humano pelo auto flagelo me faz voltar aos noticiários radiofônicos matinais.
E hoje o dia começou com pérola. Está decretado que no Reino do Surreal é permitido mentir. Sim, o funcionário da casa civíl, José Aparecido, que depõe hoje à natimorta CPI dos cartões corporativos, conseguiu um habias corpus preventivo. Entenderam os senhores jornalistas que o depoente está autorizado a mentir. Não é bem assim.
Todo o cidadão tem o direito de não se incriminar em um depoimento, ou seja, não é obrigado a responder perguntas que venham a “piorar” sua situação. Resumindo, pode se calar, mas não pode mentir. Felizmente, mentir em depoimento ainda constitue perjúrio. Até no reino surreal.
Assim, se Aparecido dissesse que recebeu ordens de Erenice Guerra, assessora direta de Dilma Rousseff, para confeccionar e/ou “distribuir” o dossiê banco de dados, mas afirmasse que Dilma de nada sabia, na hipótese de que estivesse ciente de um eventual conhecimento da ministra sobre a operação, terá cometido perjúrio. O que ele pode fazer é não responder às perguntas. Ou responder por linhas tortas, que se constitui na fina arte de falar muito sem dizer nada.
E a vida segue. E a CPI padece.
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