Por que SP ofereceu a NossaCaixa ao Banco do Brasil?
May 26, 2008 – 10:06 am | by Marcos V.O mercado de ações sofreu um rebuliço na última quarta-feira com a notícia sobre uma possível compra da Nossa Caixa, banco do governo do estado de São Paulo, pelo Banco do Brasil. As ações do banco paulista subiram mais de 30%. A CVM, comissão de valores mobiliários -entidade que controla o mercao de ações, já informou que irá investigar se houve alguma manipulação.
Pois bem, duas perguntas ficaram no ar:1. Por que vender a Nossa Caixa? 2. Por que o o governo de SP ofereceu a Nossa Caixa ao Banco do Brasil ao invés de anunciar um leilão?
A primeira pergunta tem uma reposta mais fácil. Os governos estaduais não podem mais quebrar seus bancos de fomento. É simples assim. No próprio estado de SP isso já aconteceu e o falecido governador Mário Covas ficou com um abacaxi monstruoso nas mãos, um Banespa quebrado, herdado das administrações anteriores. Banespa que acabou privatizado, vendido ao grupo espanhol Santander. Como a utilização do banco para fomento é muito limitada, o melhor é se desfazer dele mesmo.
A segunda tem uma resposta um pouco mais complexa. Há no Superior Tribunal de Justiça um entendimento que apenas bancos estatais podem receber depósitos judiciais. Em poucas palavras, quando se discute na justiça o valor de um pagamento, faz-se o depósito judicial, o credor não recebe, mas o dinheiro fica retido até que a justiça decida valores, méritos, etc… Isso evita o “nome-sujo” na praça.
Como uma parte significativa dos ativos da Nossa Caixa está em depósitos judiciais, se um banco privado a levasse perderia esse montante, que iria de graça para, provavelmente, o próprio Banco do Brasil. Mas também há um mérito a ser julgado sobre a validade ou não dessa regra que apenas bancos estatais pode receber tais depósitos. Há muita confiança no mercado que a limitação será derrubada, afinal não cabe ao judiciário duvidar do trabalho do Banco Central no gerenciamento do sistema financeiro.
Resumidamente, o governo de SP consultou o hoje único possível comprador, o Banco do Brasil, e perguntou quanto ele está disposto a pagar pela instituição. Obteve um valor em torno de R$ 8 bilhões. Agora espera a decisão sobre o destino dos depósitos judiciais, tem muita confiança que a limitação cairá e deverá anunciar um leilão com preço mínimo igual ao que o BB ofereceu. Foi uma bela jogada.
Em tempo, o governo federal ficou ouriçadíssimo com a notícia. Primeiro porque adoram controlar qualquer coisa, está no DNA soviético de muitos por lá. Segundo por ser a Nossa Caixa um possível cabideiro de empregos tamanho-família. Como se sabe, há muito companheiro necessitado por aí.
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