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O “erro” dos que são contra as células-tronco

May 29, 2008 – 12:15 am | by Marcos V.

Antes de mais nada, quero firmar minha posição sobre o assunto: sou a favor da pesquisa com células-tronco embrionárias.

Segundo o Aurélio:
sofisma: argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa.

Correndo o risco de parecer generalista, irei consolidar grupo dos “contra” nos religiosos. Farei isso por dois motivos. O primeiro é que não encontrei nenhum ateu contra, e o segundo é que os únicos contrários que conheci são religiosos praticantes. Ou seja, freqüentam alguma igreja/templo/etc…

O que são as células-tronco embrionárias? Células-tronco são células sem definição de tecido, podem assumir qualquer função no corpo, diferenciando-se em tecido cardíaco, pele, neurônios, etc… No entanto, células-tronco de indivíduos já formados, mesmo bebês, possuem uma capacidade de diferenciação um pouco limitada. O mesmo não ocorre com as embrionárias (fetos). Vale lembrar que todos começamos como apenas uma célula, que se dividiu uma infinidade de vezes, e a cada momento essas novas células foram se diferenciando nos vários tecidos do corpo. É essa capacidade sem fim que interessa à ciência. Saber como isso funciona pode levar ao tratamento de inúmeras doenças cardíacas (isso já começou!), lesões e doenças degenerativas neurológicas (paralisia, alzheimer, etc…). Para pesquisa, são utilizados embriões inviáveis de clínicas de fertilização in-vitro (bebês de proveta). O destino desses embriões, se não for a pesquisa, será a lata de lixo. E isso não é figura de linguagem!

O que temos visto, enquanto o supremo decide sobre a inconstitucionalidade ou não dessas pesquisas, são manifestações de grupos religiosos (e não apenas católicos) lutando veementemente contra a continuidade dos trabalhos científicos. Um dos argumentos mais comuns é que se trata de aborto. Tolice, como explico agora.

Para um nascimento são necessárias a fecundação, a gestação e o parto. Aborto é a interrupção de uma gestação. Um embrião congelado nunca iniciou o processo da gestação. Nunca esteve no útero de uma mulher. E após três anos o protocolo não recomenda seu uso, ou seja, nunca será utilizado. Não há interrupção de gestação, apenas a fecundação seguida de congelamento. Há apenas má-fé nesse argumento que compara fecundação com gestação. Há a intenção de enganar e confundir. Sofisma. Ou então é falta de inteligência, mesmo.

Mas se for assim, o que incomoda tanto os religiosos nas pesquisas com células-tronco? Por que desde Galileu que não batem de forma tão firme na ciência?

Freud disse que o ego do ser humano foi ferido três vezes: 1. com Copérnico (e Galileu), quando a Terra, e conseqüentemente o homem deixou de ser o centro do universo. 2. com Darwin, quando ficou claro que somos fruto da evolução acidental, e não o plano perfeito de um ser superior. 3. com o próprio Freud (psicanálise), quando percebemos que não somos sempre “donos” de nossas ações.

As igrejas, sendo novamente generalista, combateram todas as três teorias acima e, no final, acabaram por ceder a cada uma delas, adaptando-as às suas verdades. E quase sempre utilizando o mesmo argumento: o milagre inexplicável da vida.

Estudando células-tronco e o porque do seu dedo ser um dedo, sua orelha ser uma orelha, seu rim ser um rim, etc… a humanidade desmistifica o “milagre” e o torna um conjunto de conhecimentos.

Os religiosos literais lutarão contra esses dados científicos e perderão suas batalhas. E no final virão com algum argumento que demonstra como esses novos conhecimentos, que antes eram malditos, apenas reforçam sua fé.

Já a ciência deve acumular novos conhecimentos e lidar com seus erros e acertos, sem possibilidade de perdão divino.

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  1. 2 comentários to “O “erro” dos que são contra as células-tronco”

  2. By Laura on Jun 17, 2008 | Reply

    Teus textos são ótimos. Tu escreves de forma clara e sucinta, só achei que faltam argumentos para a tua opção de parcialidade total em alguns assuntos, mas como o objetivo é escrever sobre o que tu pensas, não há problema em ser parcial, não é?!
    Boa continuidade nos teus textos :)

    Laura,
    Grato pelo elogio e pela consideração. Escrevi um texto em resposta ao seu argumento.
    Sem muro no blog
    []s
  1. 1 Trackback(s)

  2. Oct 10, 2008: Evolucionismo=ciência; criacionismo=crença | MaVit

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