Recebi essa por email, naquelas correntes em que um envia pro outro, que envia pra fulano, que remete pra… e assim vai, até que ninguém mais sabe a origem. Uma pena, adoraria dar crédito ao gênio que escreveu o texto abaixo.
É assim ó:
O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça “na caderneta” aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados.
Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito).
O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia.
Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CCB, CDO, CDL, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.
Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, LME, NYSE, CBOT cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu).
Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.
Até que alguém descobre que os bêubo da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência.
O Brasil já testemunhou os mais hilários e absurdos hits eleitorais. Só pra lembrar alguns dos que já faleceram: varre, varre vasourinha de Jânio Quadros, “Rouba mas faz” de Adhemar de Barros e “Meu nome é Éneas!” do próprio Enéas.
Agora surgiu um viral de internet, o Gordinho de Itu. Deve ser uma nova fase da política tupiniquim, o come mas faz. A desgraça maior é que o jingle gruda na cabeça como chiclete em cabelo de criança.
Ai recebo no MSN de um “muy” amigo (escrito dessa forma abreviada):
(amigo) -Vc ñ vai falar do PHA[1]?
(eu) -Falar o quê? Ele fez outra historinha com o Frota?
(amigo) -ñ seu lerdo! Ele q o impeachment do lula!
[1] Paulo Henrique Amorim
Ahh, assim não dá! Não é só por achar que o PHA deveria estar melhor preparado, mas quero saber quem foi que o convidou pra ser golpista! Sim, porque até a semana passada era Lula na Terra e (também) Lula no Céu! Todos que pediam apuração de lulinha corp, mensalão, cartões corporativos, etc.. eram do tal Partido da Imprensa Golpista. Eu não, quero deixar claro. Não sou da imprensa, só do PG. E agora, não mais que de repente, dá-lhe impeachment? Como isso foi acontecer é o melhor de tudo.
Resumo da resenha da ópera: PHA e o primeiro cavaleiro Nassif (aquele que não escreve na Folha, na Abril, no Estadão, no Globo…) acreditam que Lula e Dantas juntaram forças para que o caso dos grampos não seja apurado. Ohhh, Zeus nos acuda! Nosso messias salvador e extrato do lixo burguês nacional juntos contra o povinho oprimido em busca de justiça?! Como pôde?
A pergunta que mais me interessa no momento não é por que Lula parece não quer apurar os grampos, essa resposta é bastante óbvia. Mas os motivos da conversão de PHA e Nassif são mais obscuros. Será que viram a Luz ou alguém importante pra eles teve o interesse contrariado? Humm….
Enquanto isso PHA, por favor não contamine o “movimento”. Devolve o golpe que ele é meu!
Nos últimos dias as bolsas operaram em baixa o dólar em alta no mercado brasileiro por conta da crise financeira nos países ricos. Vários investidores tiraram o seu dinheiro do Brasil vendendo suas ações e outras posições. Como essa enxurrada de venda aumentou a oferta, o preço por ação na bolsa caiu. Após a venda, esses investidores são obrigados a ir ao mercado de câmbio trocar seus reais pela moeda americana, o que provoca um aumento da demanda e a consequente alta do dólar.
Isso se deu no mercado financeiro. A economia real, não gosto muito dessa expressão, opera de forma diferente. Nesse caso, as mercadorias e serviços possuem um valor que pode ser mensurado mais facilmente. Além disso, o resultado é medido efetivamente por vendas, é necessário vender. E com a crise de crédito na Europa e EUA, os BRIC (Brasil, Russia, Índia e China) ficam ainda mais atraentes.
Um exemplo disso é a montadora coreana Hyundai, que anunciou a intenção de construir uma fábrica no Brasil, perto de São Paulo. A capacidade estimada será de 100 mil veículos/ano, e visa principalmente os mercados brasileiro e sulamericano.
Interessante o fenômeno que ocorre, após um forte crescimento dos BRICs (se bem que eu deixo o Brasil de fora do “forte”) alimentando EUA, Europa e Japão, chegou a vez de suprir uma população interna que obteve um aumento real de renda e pode consumir mais. É bem provável que os quatro ajudem o sistema financeiro internacional se “curar” de forma mais rápida, ou menos lenta.
Sou só eu ou alguém mais acha Alckmin e Potter parecidos?
Harry potter e sua coruja
As pesquisas não tem sido generosas com a campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) à prefeitura de São Paulo. Depois de se afastar da líder Marta Suplicy (PT), o tucano foi alcançado por Gilberto Kassab (DEM). Apesar da situação de empate técnico, Kassab apresenta curva de crescimento e Alckmin está estável com viés de baixa, portanto é razoável pensar que foi ultrapassado.
Por conta disso promoveu-se uma revolução entre os publicitários da campanha Alckmista, que parecem ter encontrado a Pedra Filosofal (a obsessão dos alquimistas medievais, um artefato que poderia transmutar qualquer metal em ouro). No caso, o ouro é o segundo turno e o metal inferior é dar pancada no atual prefeito, Gilberto Kassab.
Não é a primeira vez que os marqueteiros de Alckmin erram na dose do porrete. Na campanha presidencial de 2006, quando começou a bater em Lula, o tucano encostou e levou a eleição a um improvável segundo turno. Eis que, não mais que de repente, aparece um Geraldinho paz e amor. E o resultado todo mundo conhece, ele foi pior no segundo turno que no primeiro. A razão (e sei que é confortável minha posição de “prever o passado”) é que esse discurso autista-angelical de “não sei o que acontece ao meu redor, mas gosto de todos” só cola no Lula.
Pois bem, “Geraldo” (alguém se lembra que ele se lançou à presidência como Geraldo e não Alckmin?) recomeçou a campanha em “alto-nível”, traduzindo: autismo-angelical. Percebendo que a vaca trotava em direção ao brejo, e certamente não querendo cometer o mesmo erro, começaram a bater, mas no Kassab! No candidato do DEM, eterno aliado dos tucanos e parceiro do governador José Serra (PSDB). Sou eu ou enlouqueceram?
os DEMocratas desde o início da campanha se colocaram como antítese de Marta Suplicy e PT. Ignoraram completamente a campanha tucana. A candidata petista, obviamente, revidou. Por um momento, parecia que Alckmin não existia no pleito. Provavelmente pensaram, “deixe que eles se matem e nos vamos crescendo”. Não foi o que aconteceu, tudo se polarizou entre PT e DEM.
Ao bater em Kassab, Alckmin deve perder mais pontos porque é claro que dividem boa parte do mesmo eleitorado, que ficará bastante descontente se perceber um crescimento de Marta. Ei, tucanos, vai aqui um conselho grátis: se quiserem ganhar a eleição, polarizem com o PT. Evidenciem as diferenças e não batam nos aliados. Deixem a magia de lado.
Essa é uma notícia que só pode ser veiculada pelos jornais da RFS (República Federativa do Surreal). Na quarta, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por unanimidade soltar um grupo de dez presos. Até aí, nada de mais. O problema é que esse “grupo”, é formado por membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) em parceria com o Comando Vermelho (CV) que em 2004 tentaram resgatar presos do presídio de Franco da Rocha. O plano consistia em liberar os 1.279 presos, pois entre eles econtrava-se o sequestrador Jorge de Souza, o Carioca, integrante do CV. Não, você não leu errado, eles iam “liberar” todo um presídio para criar confusão o suficiente para o resgate.
O problema é que até o presente momento, o inquerito não passou das fases iniciais. Sobretudo porque não foram realizadas as oitivas e por um dos co-réus não possuir defensor.
Os depoimentos em frente ao juíz não aconteceram por falta de escolta. Isso mesmo, ninguém tirou os presos da cadeia para serem ouvidos. Claro, que cabe à justiça determinar que isso se dê. E também cabe à justiça indicar um defensor público para o réu que, por qualquer motivo, não possua um.
O mais impressionante é que o ministério público acha que está tudo bem. Nesses quatro anos não foi possível concluir as investigações devido à complexidade do caso. A afirmação não é minha, não, é do subprocurador-geral da República Edson Oliveira de Almeida.
Com isso, os dez estão livres, leves e soltos! Serelepes da vida por aí.
Então fica combinado assim, caro leitor/a. Se for cometer um crime, escolha um bem complexo. Sacomé, dá um trabalho investigar…
Em tempo. Não critico a decisão do STF, afinal ninguém pode ficar tanto tempo preso sem o processo caminhar, mas os juízes do caso e o ministério público.
O Palácio do Planalto sancionou a lei que extende a licença maternidade para 6 meses. Já há 11 estados que possuem legislação semelhante. Na prática, o governo federal seguiu a tendência ao estimular a licença de 6 meses.
O mérito.
Os politicamente incorretos gostam de ser contra tudo e todos, por isso já ouvi algumas reclamações sobre a lei. Para ser contrário à licença de 6 meses é necessária uma dose cavalar de ignorância.
Primeiro deve ser ignorante em pediatria. Até hoje, todos os pediatras que ouvi se manifestam a favor da amamentação, pelo menos, até os seis meses de idade. É melhor para o desenvolvimento da criança e representa um custo futuro menor com saúde. Esse gasto futuro reduzido implica em ser ignorante também do ponto de vista fiscal, pois a despesa estimada em R$ 800 milhões ao ano retornará como gasto menor.
As empresas negociarão com suas funcionárias os dois meses adicionais e poderão dedeuzir do imposto de renda devido a totalidade do benefício. Considero a melhor solução que a lei arbitre o menos possível sobre essas relações.
A falha.
Há no entanto alguns pontos do projeto sancionado que não ficaram bons. O principal deles foi um veto aplicado por Lula ao assinar a lei. A dedução do imposto foi vetado para empresas que se enquandram no simples, sob a ridícula argumentação que essas empresas já possuem isenções. Só poderia vir da fazenda algo desse calibre.
As empresas que se enquadram no simples são as micro e pequenas. São justamente essas empresas que mais precisariam da isenção. O raciocínio é simples até mesmo para a fazenda. Uma micro ou pequena empresa possue poucos funcionários, geralmente menos que 5, frequentemente apenas 1. E não é porque não gostam de empregar, mas porque é isso que o faturamento comporta. Portanto, quando há uma gravidez o empregador deve contratar outra pessoa para a tarefa e seus custos para a atividade dobram. Com a corda no pescoço, ou no bolso, o pequeno empresário trará sua funcionária de volta o quanto antes e poderá dispensar a “substituta”. Com os dois meses adicionais “custando”, a possibilidade da extensão de fato ocorrer é nenhuma.
A situação fica pior quando constatamos que a maioria das brasileiras trabalha para pequenas e micro empresas. Ou seja, o raciocínio fazendário, corroborado por Lula e pela Casa civil, excluiu a maior parte das mulheres.
Resumo da ópera: a novidade chega para uma minoria que trabalha em grandes empresas e, por isso mesmo, já possui vários benefícios.
PS [atualização]: um leitor chamou a atenção para um erro grave, licença estava escrito de forma errada (e justamente no título!). Grato pela correção.
Acabo de ler que o primeiro-ministro tailandês, Samak Sundaravej, foi declarado culpado de violar a constituição por apresentar um programa culinário na TV. Não é que os pratos fossem assim tão ruins, mas pela lei do país um membro do poder executivo não pode trabalhar para a iniciativa privada. Resultado, Sundaravej terá que deixar o governo. Seu mandato foi pro beleléu
Mas pensando bem, podiam instalar uma câmera na cozinha do Palácio do Planalto, né não?
Será que Lula se desincompatibilizou e é candidato a prefeitura de SP? Aparentemente a candidata do PT à prefeitura da capital paulista ainda é Marta Suplicy. Digo aparentemente porque acabei de ouvir o horário eleitoral gratuito e no programa do PT só se diz que “Lula e Marta farão…”, “Lula e Marta trarão…”, “Lula e Marta…”, “Lula e Marta…”,… Sempre com o nome do presidente à frente.
Marta Suplicy sabe da enorme rejeição que possui. É a prefeita das taxas, a ministra do “relaxa e goza” e de tantas gafes ao longo da vida pública. Ao tentar se valer da popularidade de Lula faz uma aposta arriscada. O presidente nunca venceu uma eleição em SP. Até Jânio “bebo porque é líquido” Quadros deu-lhe de lavada. Mas, nesses tempos de hipocrisia do eleitor (que reclama da corrupção e aplaude o presidente do partido do mensalão, dos cartões corporativos, da quebra do sigilo bancário de um cidadão, dos grampos telefônicos, dossiês, e outras cositas más) a jogada parece render bons frutos para o PT.
Digo parece porque Marta leva grande vantagem no primeiro turno, mas não no segundo. Os 40% que atingiu podem ser o seu teto, daí não passa. Precisaria inverter a rejeição de alguns setores da sociedade. E tenho a impressão que os mesmos grupos que a rejeitam são os que se recusam a aplaudir Lula.
Nas camadas mais pobres sua luta também está difícil. Seus concorrentes estão fortemente ligados à construção de moradia popular e programas de melhoria da educação, Alckmin e Kassab, respectivamente.
A mim parece que Lula, digo Marta, irá perder mais uma eleição em SP.