economia, política e blog ‘n’ roll

Archive for October, 2008

Lula, o esquerdista

Wednesday, October 29th, 2008

Abaixo, trechos de reportagem da Folha enunciando declarações do messias. Meus comentários em azul.

Sem citar nomes ou instituições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar ontem os empresários que apostaram na especulação…
Não foi à toa que não citou nomes, com eles a imagem não ficaria tão bem caracterizada. Lula revive o bicho-papão dos esquerdistas, desde a revolução francesa é assim: o burguês (empresário) sanguinolento. Essa imagem está bem colada na cabeça da população, todos são capazes de imaginar esse mosquito da dengue atuando em seus bolsos.

e disse que chegou a hora de os políticos entrarem em ação para defender que o sistema financeiro ganhe dinheiro aplicando em coisas que gerem riquezas, produtos e empregos.
O que também impresssiona é a total incapacidade (ou seria intencional?) de compreender gestão financeira de uma empresa. Para quem foi presidente de um grande sindicato isso é quase impensável. O dinheiro não entra no caixa e vai para “investimentos produtivos”, seja lá o que for isso. Pode ser redirecionado para o custeio da empresa, para formar caixa vizando um investimento futuro, etc… E fazer o que durante todo esse tempo? Guardar embaixo do colchão? Ah, tenha a apócrifa paciência! (a paciência santa, como se sabe, é reservada ao messias) O dinheiro irá para o mercado (óbvio!), ganhando ou perdendo até chegar a hora de ser usado.

De acordo com o presidente, o Estado volta a ter um “papel extraordinário” em meio à crise econômica mundial. “Todas essas instituições, que passaram três décadas negando o papel do Estado, na hora que tem uma crise procuram o Estado em que não confiam para socorrê-las das crises provocadas por elas mesmas”, afirmou.
E lá vamos nós, de novo. Como se vê, a cada oportunidade surgida o petismo tenta “reforçar” o  estado e seu “papel extraordinário”. Parece até que os estados não são parte do sistema financeiro internacional. Fica-se com a impressão que os governos não investem o seu dinheiro em outros mercados. Quanto às empresas procurarem o estado, isso é uma meia-verdade. No caso do sistema financeiro o estado vai ao encontro porque é melhor gastar agora do que colher uma década de depressão econômica (leia a lição japonesa), o que representa menos impostos recolhidos.

“Não podemos permitir que alguém fique rico trocando apenas papéis. Às vezes, os papéis perpassam oito, nove, dez instituições, todas ficando ricas, sendo que poucas vezes se gerou a produção de um paletó”
Por partes. Ficar rico “trocando apenas papéis” é mais do legítimo, é necessário. Quando alguém compra papéis de uma empresa, na prática, financia essa empresa. Agora, eu também sou contra a farra dos derivativos, alguns desses papéis parecem simplesmente jogos de azar, mas dai a tentar controlar o fluxo dos papéis em geral é apenas uma tentativa de controlar o fluxo de capitais. Foi esse mesmo fluxo de capitais que nas últimas duas décadas, mas sobretudo na última, retiraram mais pessoas da miséria do que em toda a história da humanidade.

Em seguida, o presidente afirmou que o Brasil não precisaria sofrer com a crise e explicou por que o Brasil “vive sinais da crise”. “Porque alguns setores da economia brasileira resolveram investir numa coisa chamada derivativos. Não era fazer hedge [instrumento para se proteger de possíveis oscilações cambiais]. Resolveram ganhar um pouco mais, tentando construir um cassino após o hedge para ganhar com a especulação da desvalorização do dólar e da valorização do real. Portanto, quem foi para a jogatina perdeu”
Peraí, na semana passa apostavam contra o Real e agora apostavam a favor? Presidente, quem é seu consultor econômico, o Mantega? Mas enfim, decorou bem o discurso: quem foi pra jogatina perdeu ou ganhou, está na regra. E quem com sua perda coloca todo o sistema financeiro em risco deve ir pra cadeia, exatamente como no Proer que Lula e sua turma não cansaram de atacar, mas que nas últimas semanas citaram como exemplo do Brasil para o mundo. Ahh, sim, se banqueiros e gestores irresponsáveis da época do Proer ainda não estão, e talvez nunca estarão, atrás das grades, envie a conta para os partidos políticos, como o do presidente, que não votam leis penais mais severas. E olhe que eles são maioria no congresso há 6 anos.

Com se vê, Lula volta ao discurso esquerdista de mais estado, mais estado e um pouco mais de estado. Claro, afinal, eles, os iluminados, é que nos dirão o que é certo ou errado. O que é investimento produtivo ou não. O que é hedge ou não. E no final, quando percebemos, o que pode ser escrito ou não.

Compulsório, juros, crédito e inflação

Tuesday, October 28th, 2008

O texto a seguir é um tanto longo, mas a sua leitura deverá trazer à luz uma série de conceitos. Assim espero.

Creio estar na hora de acabar com uma fábula corrente no noticiário econômico brasileiro, a de que a alta taxa de juros existe para controlar a inflação de mercado, aquela dos preços nas prateleiras dos supermercados. Ah, sim, existe pra isso também. Mas o principal fator para o exorbitante valor nominal do juro oficial no Brasil é o volume de dinheiro gasto pelo estado.

História recente dos gastos públicos
O primeiro mandato de FHC foi marcado pela consolidação do equilíbrio econômico. O país ainda era uma bagunça generalizada, vinha de três desastres consecutivos: Figueiredo, Sarney e Collor. A situação começa a melhorar quando Itamar delega o comando do país ao tucano, que monta a equipe responsável pelo plano Real, uma das mais bem sucedidas políticas de controle de inflação da história, criativa e ortodoxa ao mesmo tempo.Também foi nesse período que ocorreu o Proer, Programa de estímulo à reestruturação e ao fortalecimento do sistema financeiro nacional, que saneou o sistema bancário nacional.

Já no segundo mandato o principal ponto foi o equilíbrio fiscal, que entrou em vigor em maio de 2000. De forma resumida, o estado não pode gastar mais do que arrecada. A lei do equilíbrio fiscal cutuca a ferida, se for desobedecida o punido é o político e não o burocrata de carreira. Leis assim “pegam”. E mesmo com esse gargalo (necessário!) foi possível criar e ampliar os programas de assistencia social, esses mesmos que garantem a popularidade de Lula.

No entanto, o governo federal ainda gastava mais do arrecadava, sobretudo pela ineficiência da gestão e défict da previdência social. Esses problemas começaram a ser atacados na gestão FHC, mas necessitavam de continuidade. Não foi o que ocorreu. Vieram os anos do lulismo.

História recentíssima da gastança pública
Lula foi um deputado sem projetos de leis. Basicamente não fez nada. E depois desse único mandato nunca mais se candidatou ao legislativo. Diz que não é a dele. Provavelmente porque gosta de ser protagonista. A única coisa que realmente parece fazer sem titubear é campanha política e, em um dos poucos momentos que considero sincero nesses 6 anos, disse que a campanha começa no dia seguinte ao da posse. E é isso que tem feito, campanha política disfarçada de gestão, com o dinheiro do contribuinte.

Diz que ampliou os programas sociais de FHC, na verdade os transformou em assistencialismo. O governo não se empenha em cobrar as contrapartidas dos beneficiados (comprovar assiduidade escolar, requalificação profissional, etc…). E melhor entregar as beneces simplesmente porque se é bonzinho, o novo paizinho dos pobres.

Também tornou o governo a alegria dos companheiros. Sim, nuncaantesnessepaís foram criados tantos cargos de confiança. Tem pra todos os aliados, de primeira e de segunda hora. Esse tipo de coloção mina por demais a eficiência da gestão, e gasta-se muito e mal.

A conta não fecha
Como o governo gasta mais do que arrecada, precisa emitir dinheiro pra fechar a conta. Mas se colocasse as máquinas da casa da moeda a todo vapor, geraria uma tremenda inflação. A solução é captar dinheiro da iniciativa privada ou do exterior. Como faz isso? Emitindo títulos públicos. Basicamente é uma nota promissória. O governo se compromete a pagar um determinada valor em uma data futura.

Claro que quem precisa de muito precisa oferecer muito em troca, e faz isso aumentando a taxa básica de juros, a tal da Selic, Sistema especial de liquidação e de custódia. Com a Selic a 14%, por exemplo, o governo está dizendo: -Ei, empresta R$ 100,00 que em x de janeiro de 20yy eu te pago R$ 114,00

Como fica claro, esse dinheiro tem um custo, o juro, e é uma bola de neve: quanto maior o buraco, mais fundo ele será. A solução? Apenas uma, diminuir os gastos. Como vimos, o inverso do que fez o lulismo.

Controlando a inflação
Com essa altíssima taxa de juros, o governo absorve a maior parte dos recuros destinados a empréstimos, por isso, e também pela forma como os bancos se organizam, os empréstimos bancários são tão caros no Brasil.

Também há no país uma demanda reprimida muito grande. Ainda há muito geladeira ser comprada/trocada, automóvel novo a ser vendido, etc… As pessoas precisam se financiar pra isso, mas se todo o dinheiro circulante for parar nas ruas, a inflação sobe. Uma outra medida de controle da liquidez são os empréstimos compulsórios. O Banco Central determina que X% de tudo o que for depositado em um banco, até caderneta de poupança!, deverá ir para o caixa federal e será devolvido após determinado tempo.

Lembra-se do congelamento de contas correntes do plano Collor? Foi um empréstimo compulsório. O dinheiro, claro, quando foi devolvido havia sido corroído pela inflação, virou pó. A situação atual não é tão dramática, mas persiste.

Pois bem, a média mundial em paises com sistemas financeiros consolidades é de um compulsório de 10%, no Brasil pré-crise chegou a 55%! Então não venham me dizer que há excesso de consumo, a maior parte do dinheiro dos brasileiros está retida no caixa do governo e não pode voltar na forma de financiamento.

Agora, com a crise mundial de crédito, o BC liberou uma fatia dos compulsórios. Disse aos bancos -peguem esse dinheiro e emprestem para as empresas montarem capital de giro. Como ninguém tem confiança sobre quem conseguirá honrar ou não os pagamentos, o que fizeram os bancos? Deram uma bela banana aos empresários e botaram a dinheirama em títulos do governo. Tinham tudo parado e agora receberam de brinde 7% de taxa real ao ano. Quer saber, estão certos. O governo não pára de gastar dinheiro, porque teriam de ser os bancos os bonzinhos da história?

Resumo da ópera
A taxa Selic é alta, os empréstimos compulsórios altíssimos e o juro praticado nos bancos é exorbitante. Todos tem uma causa comum: o estado brasileiro gasta mais do que pode. E o governo Lula, ao invés de aproveitar o momento mágico da economia mundial para terminar a arrumação da casa, só fez crescer o buraco.

Apertem os cintos, o piloto sumiu e há uma tempestade à frente.

Os candidatos a presidente e as eleições de 2008

Monday, October 27th, 2008

Uma série de políticos e articulistas que “colavam” as eleições municipais de 2008 à presidencial de 2010 parecem ter mudado de idéia. Estavam tão empolgados com a idéia que o messias de Garanhuns elegeria até um poste, que embarcaram nessa. E agora mudaram de idéia. Por que? Simples, o lulo-petismo foi derrotado nas eleições municipais.

-ahh, mas elegeu “montes” de prefeitos na G-79 (cidades com segundo turno)! É verdade, mas não nos locais importantes. Primeiro, perdeu a jóia da coroa, São Paulo. E só isso já bastaria para configurar sua derrota. Aliás, ter apostado na vitória em SP já foi mostra de excesso de fé. A cidade não é muito chegada a Lula, que nunca venceu por aqui. No RJ, não deu nem pro cheiro. Ficou fora do segundo turno. Aliás, participou do primeiro? Em BH, desistiu de concorrer à prefeitura embarcando no sonho aecista de PT+PSDB em 2010. Nessa, Aécio perdeu pouco, mas o PT mineiro perdeu muito! Porto Alegre, com quase 20 pontos de diferença!, ratificou o fora PT de 2004, depois de 16 anos no poder. Em Curitiba apostaram alto e veio a mais emblemática derrota do lulo-petismo, 80% a 20%!

Ganhou no Recife, e aí é a vitória desse grupo, sim. E não venceu em Fortaleza, como se sabe, Luizianne é quase uma candidatura pirata. Os caciques petistas não a queriam em 2004 e continuavam não querendo em 2008. Lula não teve nada a ver com essa vitória.

Portanto, saem derrotados os caciques gaúchos. Dilma Rousseff e Tarso Genro participaram da campanha e não evitaram o vexame. Não são capazes de transferir os votos que nunca tiveram ou não possuem mais.

Em SP, Marta sonhava em ir da cadeira de alcaide direto para o palácio do planato. Nos braços do povo paulistano seria páreo duro na briga com Dilma pela indicação da candidatura presidencial do PT. Ficou sem a primeira cadeiara e não deve nem ser cogitada para a segunda.

Em BH, Patrus Ananias perdeu antes da eleição começar: era contra a aliança tucano-petista. A aliança se deu e Patrus se deu mal. E Aécio? Bom, esse ganhou mas não levou. Deveria ter vitória esmagadora no estado, e não foi isso que se viu. O PSDB encolheu. Fica um pouco mais difícil lutar pela indicação tucana. Claro que no seu caminha sempre a possibilidade, agora um pouco mais improvável, de se mudar de mala e cuia para o PMDB.

Ciro Gomes investiu muito na candidatura da sua ex-mulher Patricia Saboya, não chegou sequer ao segundo turno do seu principal reduto eleitoral. Sai enfraquecido.

Vencedor mesmo foi Jose Serra. O PSDB cresceu ainda mais em SP, que detem praticamente 1/3 do colégio eleitoral do país, e seu aliado, Gilberto Kassab, venceu de forma esmagadora na capital. De quebra, Aécio enfraquecido e Alckmin fragorasamente derrotado, nesse momento, não fazem sombra ao governador.

Resumindo, eu nunca disse por aqui que seriam transferidos votos de 2008 direto para 2010, mas, como vimos, algumas candidaturas foram enterradas domingo. Mas não mudei de idéia só porque desejei, ops, “previ” errado, como fizeram alguns tantos.

Atualização: esqueci de mencionar o governador Jacques Wagner. Esse conseguiu o milagre, só poderia se dar na Bahia graça de tal monte, de unir Geddel e ACM neto. Pois bem, perdeu e viu seus créditos desabarem.

O Sul/Sudeste que sai das urnas

Sunday, October 26th, 2008

Lugar comum o título desse post, não? Não sai país algum dessas urnas, apenas reflete o que já é. Vejamos.

O PT não elegeu nenhuma capital na região sul e no sudeste ficou apenas com Vitória. E melhor que ninguém queira colocar Lacerda na conta petista, ou vai arranjar briga com Patrus Ananías, Ricardo Berzoíni e outras sumidades “estreladas”. Levou uma sova tamanha em Porto Alegre que chega quase a ser uma deselegância comentar. Mas o fato que é que nem a junção de olhos multicolores da candidata e de Chico Buarque fez a diferença.

Só não foi pior que a situação de Gleise Hoffman, esposa de Bernardo Cabral, ministro do planejamento, montada em uma das campanhas mais caras do país, quase R$ 30,00/voto. E o que se viu foi a vitória acachapante de Beto Richa (PSDB), um dos políticos mais bem avaliados do país. A petista, diga-se, utilizou a lógica inversa para justificar sua derrota. Segundo ela, a boa avaliação do presidente Lula teria ajudado os candidatos a reeleição. Claro, faz todo o sentido, o messias de Garanhuns não consegue utilizar seu toque divinal para eleger petistas, mas faz isso com tucanos. Melhor deixar pra lá…

O PMDB ficou com Florianópolis, mas ninguém coloque esse crédito também na conta do governo federal, o PMDB é o apóio a si mesmo e parte integrante e fundamental de qualquer base para o governo federal. Hoje é o PT, amanhã será outro e PMDB estará lá.

Tucanos que não levaram mais nenhuma capital das regiões sul e sudeste, apesar de manterem o controle do estado de São Paulo, o que já garante uma base grande para as próximas pretensões, seja o próprio governo estadual ou a presidência. Afinal, falamos de 1/3 do eleitorado nacional.

O DEM perde o Rio, mas fica com jóia da coroa entre as cidades, São Paulo e seu terceiro maior orçamento do país, atrás apenas do federal e o do próprio estado de São Paulo. E é uma vitória muito expressiva, vem com uma nova liderança e sem a imagem rançosa do PFL. Kassab soube se alavancar com a popularidade do governador José Serra, mas também mostrou ter capacidade de seguir sozinho.

Um episódio: neste segundo turno as principais rádios de SP fizeram entrevistas com os candidatos. Marta Suplicy sente-se “prejudicada” pela CBN pois alguns de seus articulistas disseram que algumas ações mal executadas ou planejadas da sua gestão foram… mal executadas ou planejadas. E mais, chamaram três especialistas em internet para comentar o projeto da candidata de oferecer internet grátis em toda a cidade, e várias falhas foram apontadas. Pois Marta, política experiente, fez um tremendo de um chororô ao vivo, reclamando do tratamento desigual. Sinceramente, no começo foi divertido (adoro ver políticos pagando um mico), mas depois chegou a ser constrangedor de se ouvir.

Por outro lado, Gilberto Kassab vinha enfrentando críticas duras na rádio Bandeirantes. O principal motivo é que o secretário Andrea Matarazzo exige que o jornal gratuito Metro, publicado pelo grupo Bandeirantes, montasse um esquema para recolhimento do lixo que é gerado quando as pessoas se desefazem do periódico, e chegou mesmo a proibir sua distribuição. Pois bem, Kassab tirou a entrevista de letra, foi simpático e fez tudo o que se espera de um político com “boa imagem”.

O PSB fica com Belo Horizonte. Lacerda leva mas é dificil olhar pra ele e ver o surgimento de uma nova liderança. E apesar do ser do PSB, da base de apóio de Lula, foi muito mais o candidato do governador Aécio Neves (PSDB) que do prefeito Pimentel (PT). PT mineiro que sai sangrando dessa campanha, como apontei no início.

E finalmente o Rio. O camaleônico Eduardo Paes (PMDB) levou a fatura. Uma campanha paralela fez o que pode e o que não pode para desacreditar Gabeira (PV). Paes, aprendendo a lição de seu novo guru, sempre afirmou desconhecer a violência ou os folhetos apócrifos contra o candidato verde. A maioria dos cariocas aceitou essa versão, ou ficou com “medo” de Gabeira.

Eduardo Paes, o candidato que não é após ter sido

Wednesday, October 22nd, 2008

Eduardo Paes, o candidato que não é após ter sido (oposição a Lula), agora é o candidato que não sabe. Afirma desconhecer as violências cometidas por seus correligionários. Verifique no excelente texto de Ricardo Noblat sobre o atual estado da eleição carioca.

Jornalistas da Folha de S. Paulo flagraram, ontem, partidários de Paes na Zona Oeste apedrejando carros da pequena carreata promovida por Gabeira. Não, não foi um ato de vandalismo espontâneo. Foi estimulado por um dos chefes da campanha de Paes na Zona Oeste.

O que ninguém sabe e eu conto agora: as duas filhas de Gabeira, ambas na faixa dos 20 anos, começaram a ser seguidas por gente estranha. Foram então aconselhadas por oficiais do BOPE a ficar em casa até o fim da eleição. Oficiais do BOPE se ofereceram para cuidar da segurança delas.

Paes parece levar ao pé da letra uma antiga lição de Agamenon Magalhães, ex-interventor e ex-governador de Pernambuco na metade do século passado: “Feio é perder”. Paes está empenhado em ganhar a qualquer preço.

Leia mais.

Kassab escapa de arapuca

Wednesday, October 22nd, 2008

O prefeito-candidato Gilberto Kassab (DEM) escapou ontem uma bela arapuca, como se lê em reportagem do Estadão, comento em seguida.

As obras atrasadas do Centro Educacional Unificado (CEU) Formosa, na zona leste, motivo de bate-boca entre o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e a candidata do PT, Marta Suplicy, no debate de domingo na TV Record, voltaram ontem a ser o foco dos ataques na disputa paulistana.

Kassab cancelou a vistoria que havia prometido à imprensa em frente às câmeras para ontem e preferiu um monitoramento de longe da construção. Na porta da futura escola, um protesto de moradores o aguardava pela manhã.

Junto aos manifestantes estava também uma equipe de filmagem da campanha de Marta para registrar a recepção nada amistosa que o prefeito teria. O material seria usado em seu programa no horário eleitoral. Com a ausência do adversário, a candidata decidiu ir pessoalmente ao canteiro de obras à tarde. Recebida com abraços pelos moradores, Marta fez uma visita relâmpago - 12 minutos. Impedida de entrar na obra, ela discursou para os manifestantes - a maioria cabos eleitorais que chegaram em kombis da campanha da petista - e cobrou do prefeito “pedido de desculpas” por dizer “mentiras” sobre o prazo de entrega da obra. Tudo registrado por sua equipe de TV.

“Saio tranqüilo dessa vistoria porque o próprio CEU Formosa, que é o mais atrasado, não tenho nenhuma dúvida em afirmar que em fevereiro ele estará com as atividades escolares iniciadas”, afirmou Kassab, após a “vistoria eletrônica”. Em um telão como imagens projetadas de um computador, o prefeito mostrou à imprensa fotos feitas no fim de setembro para provar que a terraplenagem e a fundação já foram executadas.

Mais tarde, ao saber da visita de Marta , ele prometeu conferir os trabalhos no local amanhã. Kassab negou que tenha recuado da vistoria por causa do protesto e sugeriu uma ação orquestrada da adversária. “Se ela armou, cabe à opinião pública julgar.” Pela manhã, dois carros da prefeitura foram vistos passando em frente à obra. Leia mais.

Eu já disse antes que não existe campanha “limpa”, isso é conversa para acalentar bovinos. E nenhum partido monta melhor essas arapucas do que o PT. A capacidade de mobilizar seus “militantes” para azucrinar a vida dos adversários TEM que ser levada em conta na hora de enfrentá-los, e a campanha de Kassab tem se saído bem nessa matéria. Note que no texto é informado que os “manifestantes” chegaram nas kombis da candidata petista (parece que não era uma mobilização de “moradores inconformados, afinal) e que a visita dela durou apenas 12 minutos. Por que tão ligeira? Para evitar qualquer tempo de reação.

O que mais me agrada nessa eleição paulistana é que o PT, o partido que tenta “maquinar” o estado brasileiro, encontrou em Serra e Kassab adversários preparados para a briga. Além do fato de fazerem uma gestão muito melhor à frente da prefeitura.

Para ditadores, democracia só é boa quando se vence

Monday, October 20th, 2008

Um ditador é, substancialmente, aquele que sabe o que é “melhor para o povo”. Faz uma licitação ilícita aqui, prende uns baderneiros aqui, fuzila uns outros tantos acolá. Mas sempre no melhor interesse do “povo”. População que tão bem representada pelo seu déspota esclarecido sequer precisa votar em outros. Que bem faria? Vai que o populacho escolhe errado, né não?

Pois bem, o psol do Maranhão mostrou a sua cara. O partido recomendou aos seus eleitores que votem nulo no segundo turno. Basicamente isso: olha, nós é que sabemos o que é melhor pra vocês, mas como já erraram, é melhor não escolher outro. Agora sim haverá uma revolução, já imaginou se TODOS OS 0,53% resolvem votar nulo? E não, eu não errei a posição da vírgula, o número é ZERO vírgula cinquenta e três porcento.

Felizmente a população brasileira já começou a podar os que tentam surrupiar a democracia. Por isso que o messias de garanhuns retirou a proposta de terceiro mandato, mesmo a bordo da sua popularidade de trocentos pontos nos ibopes e census da vida.

Pena que ainda não percebemos o aparelhamento de estado. Mas chegaremos lá.

Sobre as pesquisas Ibope

Wednesday, October 15th, 2008

Ontem o DataMavit previu o resultado de algumas pesquisas. Em tempo, não eram as do Ibope. Como sabem os leitores daqui, não é o meu instituto favorito. Além do que, convenhamos, antecipar resultados do Ibope não exige jornalismo investigativo. E eu não sou jornalista nem investigador.

Nos próximos dias virão resultados de outro instituto. Aí sim, podem me cobrar.

Em tempo, o instituto continua apontando Gabeira tecnicamente empatado com Eduardo Paes, ainda que três pontos à frente. Vale lembrar que no primeiro turno, de acordo com o Ibope, o candidato verde cresceu 90% em uma semana, portanto, estar três pontos à frente  parece bastante promissor.

SP: Juiz erra e acerta ao proibir pergunta sobre Kassab

Wednesday, October 15th, 2008

No Estadão:

O juiz Marco Antonio Martin Vargas, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, proibiu a candidata à Prefeitura Marta Suplicy (PT) de transmitir, novamente, na publicidade eleitoral gratuita na televisão e rádio, “expressões com questionamentos vagos, fugindo do direito de crítica político-administrativa”, e deu ao prefeito Gilberto Kassab(DEM) um minuto de direito de resposta no rádio.

O juiz acertou ao conceder o direito de resposta. A campanha martaxista deixou uma pergunta no ar e Kassab tem o direito de responde-la. Ponto.

E errou feio ao proibir a veiculação da pergunta. Claro que a intenção petista era “ofender a honra subjetiva” de Kassab, como afirmou o magistrado. Mas isso não é, nem pode ser, crime. Deve ser tratado no âmbito civil ou eleitoral. Que o DEMocrata leve outro minutinho da petista a cada inserção da propaganda.

Os juizes brasileiros estão com essa “mania” de proibir liberdade de opinião. Cada um que diga o que quiser, quem se sentir ofendido que busque os seus direitos, como se diz por aí.

De qualquer forma, a maior punição a Marta foi a pá de cal que ela mesma jogou em sua campanha. Suas chances de vencer eram mínimas, hoje são praticamente nulas.

DataMavit: Kassab (SP) dispara; Quintão (BH) ultrapassa

Tuesday, October 14th, 2008

O DataMavit antecipa o resultado das pesquisas dos próximos dias (tá, eu sei que ainda não fecharam, mas eis o que irá aparecer).

Em SP, Kassab (DEM) dispara e abre ainda mais de Marta Suplicy (PT). Aliás, se a campanha martaxista não tomar jeito corre o risco de repetir a façanha alckimista de 2006 e terminar o segundo turno com uma votação menor que a do primeiro.

Em BH, Quintão (PMDB) já aparecerá à frente de Lacerda (PSB). E com folga.

Podem cobrar.