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Crise nos EUA: o plano não garante nada, mas acalma

October 3, 2008 – 5:06 pm | by Marcos V.

Introdução: se você ainda não entendeu toda essa confusão, leia esse texto e saiba em 20 linhas sobre o que é a crise no mercado financeiro.

O plano de recuperação da economia foi aprovado pelo congresso americano. Na opinião da maioria dos analistas, o plano não garante muita coisa, mas acalma correntistas e o mercado. Vamos a alguns dos principais pontos.

1. Aumento de US$ 100 mil para US$ 250 mil na garantia de depósitos dos clientes bancários
No jargão bancário, nenhuma instituição, por maior ou mais tradicional que seja, aguenta uma “corrida”. Por “corrida” entenda-se os clientes indo em massa ao banco sacar seus depósitos ou investimentos. Isso porque um banco, grosso modo, empresta mais do que possui. Portanto, se forem todos ao mesmo tempo, faltará dinheiro.
Ao aumentar o limite da garantia ficam coberta a maioria esmagadora das contas e os correntistas sentem-se mais seguros e não vão retirar o dinheiro da instituição no primeiro boato negativo.

2. Ampliação da isenção da “Taxa Mínima Alternativa”, o que acarreta menos impostos ao contribuinte

3. Vantagens fiscais e outros incentivos para empresas ou pessoas que invistam em energias renováveis (usinas solares ou compra de carros elétricos)

4. Isenções fiscais para empresas que investirem em pesquisa e para pequenas lojas e restaurantes que gastarem em melhorias

Os itens 2, 3 e 4 mandam uma mensagem ao consumidor e ao empreendedor: o estado não irá retirar dinheiro do consumo e também irá ajudar os pequenos empreendedores a investir em seus negócios.
É fundamental encontrar meios de incentivar o consumo, que é a base da economia americana. E também é importante oferecer crédito (e cortar impostos é uma forma de colocar mais dinheiro como investimento particular do que estatal) para as pequenas empresas, pois serão fortemente afetadas pela atual crise de crédito. Alguns bancos não cortaram o crédito de seus clientes, mas informam que os recursos só estarão disponíveis “dentro de algum tempo”. Em tempos de desconfiança mútua, os correntistas tentam se proteger das empresas do mercado financeiro e as empresas dos seus tomadores. “Quebrar o gelo” é fundamental.

5. Ganhos dos diretores das companhias participantes do programa serão limitados. Os dirigentes não poderão receber bônus milionários quando forem demitidos. Empresas que remunerem diretores com mais de US$ 500 mil ao ano pagarão mais imposto
Esse artigo é uma resposta à opinião pública. Ninguém compreende como um administrador leva uma empresa à beira do precipício e ainda recebe gordos salários e comissões. Pra dizer o mínimo, pega mal. Até agora o estado americano entendia que esse era um problema dos acionistas das empresas, mas com a ajuda governamental essas companhias passam a ter como “sócios” os contribuintes, por isso critérios políticos passam a contar mais.

6.A Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), entidade responsável por garantias de seguros,  não terá limites para tomar recursos emprestados do Departamento do Tesouro para assegurar os pagamentos.
Não foi por acaso que a seguradora AIG foi a primeira a ser socorrida. Uma empresa como essa significa TRILHÕES de dólares em economias da vida inteira, previdências privadas, poupança para financiar faculdade dos filhos, etc… O pacote diz que agora não há limite para resguardar as empresas que operam esses investimentos. Qualquer um se acalma ao saber que, na pior das hipóteses, ao menos receberá o dinheiro do seguro.

É isso, o pacote certamente não resolve todos os problemas da crise, longe disso!, mas tranquiliza as pessoas o suficiente para que respirem e tomem decisões mais calmas.

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