Brasil é o país da impunidade (também para os italianos)
January 15, 2009 – 9:47 am | by Marcos V.Se perguntarmos nas ruas qual o maior problema do Brasil, provavelmente a resposta mais comum será uma variante de “impunidade”.
- Alta criminalidade: está ligada à impunidade muito mais do que à miséria
- Corrupção: alguém tem dúvida que é 100% impunidade?
- etc…
Pois o ministro Tarso Genro resolveu estender o conceito a um assassino reconhecido por duas cortes. Cesare Battisti estava indignado com o rumo tomado pela Itália na década de 1970. Ora, era um direito que lhe cabia, a Itália era, e ainda é!, uma democracia. O que fez Battisti? Juntou-se a algum partido político que expressava idéias próximas às suas e disputou eleições? Não, ele se uniu a grupo de esquerda que tentava implementar o comunismo na Itália. Como ninguém é tolo de eleger comunistas (que realmente queiram implementar alguma forma de marxismo-leninismo), a única forma era a violência. E foi o que fizeram. Doce irônia, seu grupo era conhecido como PAC - Proletari Armati per il Comunismo (Trabalhadores Armados pelo Comunismo).
O “elemento” (sim, a linguagem policial é apropriada, como veremos) é acusado de quatro assassinatos, sendo que um deles (e talvez o mais famoso) foi o de Pierluigi Torregiani, um joalheiro italiano que era “acusado” de se defender contra um assalto promovido pelos terroristas. Basicamente, entraram armados e dispostos a tudo dentro da loja de Torregiani que se defendeu a acabou por matar um dos assaltantes. A vingança dos “justos” veio breve e ele foi assassinado na frente do filho de 13 anos, que também recebeu tiros mas sobreviveu.
A mesma história se deu com outra vítima, Lino Sabadin, dono de um açougue.
Battisti foi julgado na Itália por um tribunal comum, sendo um país que saíra do fascismo, os tribunais especiais forma extintos. Foi um processo penal como outro qualquer com uma condenação à prisão perpétua (não há pena de morte). O resultado seguiu, anos mais tarde, para uma corte européia que confirmou a sentença.
Assim, quando o ministro Tarso Genro utiliza o nome de todo o país para abrigar esse terrorista e assassino, ele não acusa apenas a democrática Itália de perseguição política, faz o mesmo com toda a comunidade européia.
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