Brasil produz célula-tronco sem embrião, mas cuidado com os fundamentalistas
January 24, 2009 – 2:24 pm | by Marcos V.Leia trecho de artigo da Agência Estado, comento em seguida.
Cientistas cariocas produziram pela primeira vez no Brasil uma linhagem de células-tronco de pluripotência induzida. Conhecidas pela sigla iPS - “induced pluripotent stem cells”, em inglês -, elas são idênticas às cobiçadas células-tronco embrionárias, com a vantagem de que não necessitam de embriões para sua obtenção. Em vez disso, a pluripotência (capacidade para se transformar em qualquer tecido do organismo) é induzida “artificialmente” em uma célula adulta, por meio da reprogramação de seu DNA.
A técnica, segundo o que os pesquisadores revelaram com exclusividade ao Estado, não reduz a importância do estudo das células embrionárias “autênticas”, mas diminui a necessidade de destruir embriões para a produção de novas linhagens pluripotentes. Além de facilitar imensamente a produção de células-tronco oriundas dos próprios pacientes, já que não há limite no número de células adultas que podem ser reprogramadas nem é preciso passar pelas complicações técnicas (e éticas) de fabricar ou clonar um embrião para pesquisa.
Há dois pontos importantíssimos a serem ressaltados.
1. Células-tronco iPS só existem por causa das pesquisas com células-tronco embrionárias.
Espere e certamente lerá em algum lugar algo como -Viu! Nós dissemos que a “vida humana” tinha que ser poupada e que proibir a pesquisa com células-tronco embrionárias não atrapalharia a ciência. Aguarde, você lerá isso em algum lugar. Então vamos esclarecer. Primeiro, só considera um embrião congelad (refugo de inseminação artificial) vida humana quem tem um entendimento torto sobre embriões E vida humana. Não é humano o que não se desenvolveu como tal (embrião congelado). Segundo, só há células-tronco iPS por que há pesquisas com células-tronco embrionárias. O entendimento necessário da pluripotência, a ponto de induzi-la, só pôde vir com estudo prolongado de como isso se dá na natureza. Esse é um dos métodos mais utilizados nas ciências biológicas, pelo menos desde a penicilina.
2. Células-tronco iPS não subsituem a pesquisa com células-tronco embrionárias
Assim como foi necessário o estudo com células-tronco embrionárias para induzir a pluripotência em células adultas, o prosseguimento das pesquisas com esse tecido, células-tronco embrionárias, continua necessário porque ainda há muito o que se compreender.
A pesquisa com células-tronco, muito provavelmente, encaminhará tratamentos para doenças degenerativas (mal de Parkinson, Alzheimer, etc…) e auto-imunes (diabetes tipo 1, lúpus, etc…), entre outras aplicações. Não querer aliviar o sofrimento de milhões de pessoas, sem causar mal a ninguém e, principalmente, SEM IMPEDIR O SURGIMENTO DE NOVA VIDA HUMANA, é de uma crueldade que deveria ser extraordinárias e que, infelizmente, se tornou comum em certo meios.
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