economia, política e blog ‘n’ roll

Archive for January, 2009

Bush, o pior presidente da história?

Monday, January 19th, 2009

Ao meu ver, a história é a ciência das gerações futuras, mas não custa tentar entendê-la por agora. Reproduzo trecho de um interessante artigo no blog do jornalista Pedro Doria. Ele era um dos que escrevia “No mínimo”, deliciosa rede de blogs de tempos idos.

Discordo de Doria (é com ou sem o agudo?) em boa parte do que escreve, mas ele  argumenta e ler bons argumentos é um vício que possuo. O trecho que reproduzo abaixo é uma prova de sua qualidade e, por que não?, se reproduzo aqui é por que concordo.

Virou clichê se referir a George W. Bush como o pior presidente da história dos EUA. Se é o pior, o segundo pior, ou o quinto, é uma decisão que fica para os historiadores.

A direita o elegeu. Um bom naco da direita, aqui nos EUA, é libertária ou liberal. Quer um Estado pequeno e respeito máximo aos direitos individuais. A estes seus eleitores, Bush virou as costas. Seu governo argumentou que não podia precisar de autorização judicial para investigar cidadãos, ouvir suas conversas, checar o que leem na biblioteca. Aumentou a autoridade do Poder Executivo. Aumentou o governo: pegou o dinheiro que pode e investiu em ongs religiosas. Quis que entidades religiosas assumissem funções governamentais. Quis, e muitas vezes conseguiu, impor valores religiosos nas decisões de governo.

Leia todo o artigo, vale a pena.

Repararam que Doria cita um tal pensamento libertário. O que é isso? Humm, é só prestar atenção na frase de Thoreau que enfeita o topo do blog: O governo, no melhor dos casos, nada mais é que um artifício conveniente; mas a maioria dos governos é por vezes uma inconveniência, e todo o governo algum dia acaba por ser inconveniente.

A nome da agência é Maior, já as idéias…

Saturday, January 17th, 2009

Existe uma tal de agência Carta Maior. Trata-se de uma agência de informações de esquerda, afiliada a coisas como “New Left Review”, que se propõe a “pensar” o mundo pelo viés canhoto.

Pois bem, sobre a questão palestina, publicam um texto do intelectual português Boaventura de Souza Santos. Boaventura é um dos heróis do Fórum Social Mundial (aquela reunião de gente de primeira como Chavez e as Farc) e busca analisar o mundo sob a perspectiva de uma “Sociologia das Emergências”. Por favor, caros leitores, não me perguntem o que é isso, até hoje só ouvi falar. Comento abaixo as pérolas.

Está ocorrendo na Palestina o mais recente e brutal massacre do povo palestino cometido pelas forças ocupantes de Israel com a cumplicidade do Ocidente, uma cumplicidade feita de silêncio, hipocrisia e manipulação grotesca da informação, que trivializa o horror e o sofrimento injusto e transforma ocupantes em ocupados, agressores em vítimas, provocação ofensiva em legítima defesa.
Como é? Manipulação grotesca da informação?! O que sugere Boaventura, que a mídia internacional só mostra material favorável a Israel? Não leio (quase) nada que sequer tente parecer imparcial. A mídia e seus pensadores de esquerda adotaram os terroristas do Hammas como vítimas, junto do povo palestino.

As razões próximas, apesar de omitidas pelos meios de comunicação ocidentais, são conhecidas.
Quem ocultou o quê? A esquerda é tão contra a livre circulação da informação que acusa os outros do que gostaria de fazer.

Em novembro passado a aviação israelense bombardeou a faixa de Gaza em violação das tréguas,
Está errado, o Hammas violou a trégua primeiro.

o Hamas propôs a renegociação do controle dos acessos à faixa de Gaza, Israel recusou e tudo começou.
Notaram como o Hammas fez todo o possível pela paz? O tal “controle dos acessos” é uma brandura da entrada e saída da faixa de gaza para que o grupo terrorista tivesse mais facilidade de contrabandear as armas utilizadas para atacar… Israel. A proposta é basicamente a seguinte: Você finge que não tá vendo nada, até que eu tenha armas o suficiente pra cair em cima de vocês!

Esta provocação premeditada teve objetivos de política interna e internacional bem definidos: recuperação eleitoral de uma coligação em risco; exército sedento de vingar a derrota do Líbano; vazio da transição política nos EUA e a necessidade de criar um facto consumado antes da investidura do presidente Obama. Tudo isto é óbvio mas não nos permite entender o ininteligível: o sacrifício de uma população civil inocente mediante a prática de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade cometidos com a certeza da impunidade.
1. Já expliquei que não foi provocação, foi “falta de burrice”. 2. O argumento da coligação é o menos pior, simplesmente porque toda coligação política está sempre em risco, mas não foi o caso. No máximo o argumento político pode ser utilizado para justificar um programa mais austero de defesa do território, mas sequer foi isso o que aconteceu. 3. Esse é outro ranço das esquerdas, nunca se esqueça de culpar as forças armadas de alguma coisa. exceto o exército vermelho, claro. A campanha no Líbano realmente não alcançou todos os objetivos, mas sobretudo porque não há como controlar a fronteira norte. Mas se fosse um fracasso por que o Hezbollah teria desmentido com tanta celeridade e ênfase sua participação nos ataques a partir daquela região que aconteceram essa semana? Fácil, porque ainda não se recuperaram totalmente do estrago feito. Já a companha na faixa de Gaza é completamente diferente. A única fronteira é com o Egito, que já demonstrou não querer que o contrabando de armas iranianas entre por suas terras.
E no final Boaventura apela para o estilo “nós somos os justos” que caracteriza as esquerdas : o sacrifício da população inocente. Em nenhum momento cita a barbaridade covarde de se utilizar civis como escudo humano.

É preciso recuar no tempo. Não ao tempo longínquo da bíblia hebraica, o mais violento e sangrento livro alguma vez escrito.
Se isso não é anti-semitismo então deve ser ignorância. A tal “bíblia hebraica, o mais violento e sangrento livro” é mais violento e sangrento do que o Mahabharata (o livro sagrado do hinduísmo) ou a maioria dos livros e mitos religiosos em quê? O ponto a ser deixado aqui por Boaventura (nada subliminar) é que os  Hebreus são violentos e sangrentos desde a sua origem, como esperar outra coisa deles então?

Basta recuar sessenta anos, à data da criação do Estado de Israel. Nas condições em que foi criado e depois apoiado pelo Ocidente, o Estado de Israel é o mais recente (certamente não o último) ato colonial da Europa. De um dia para o outro, 750.000 palestinos foram expulsos das suas terras ancestrais e condenados a uma ocupação sangrenta e racista para que a Europa expiasse o crime hediondo do Holocausto contra o povo judeu.
Para tirar um pouco da má impressão da frase anterior, Boaventura faz questão de frisar que considera o holocausto um crime hediondo. Isso é como dizer que a maça de Newton caiu pra baixo, é o óbvio ululante. Ainda culpa toda a Europa por vários crimes coloniais. Primeiro, seria interessante encontrar uma potência que não cometeu “crime” algum. Segundo, o que faz aqui é exercitar outro velho hábito da esquerda européia: quem não aceitou o socialismo bom sujeito não é. Como a maioria dessas população REFUTOU O COMUNISMO NO VOTO, na visão da esquerda, devem ser ruins da cabeça E doentes do pé.

Uma leitura atenta dos textos dos sionistas fundadores do Estado de Israel revela tudo aquilo que o Ocidente hipocritamente ainda hoje finge desconhecer: a criação de Israel é um ato de ocupação e como tal terá de enfrentar para sempre a resistência dos ocupados;
Aí parte-se da premissa que existia um estado palestino antes de Israel, o que não é verdade. A resolução da ONU era sobre a criação de DOIS ESTADOS, UM PALESTINO E UM JUDEU. Eu posso até concordar que o reassentamento foi mal planejado, mas colocar a culpa da não existência do estado palestino única e exclusivamente em Israel é esquecer que desde o começo os outros países da região foram contra a criação dos dois territórios.

não haverá nunca paz, qualquer apaziguamento será sempre aparente, uma armadilha a ser desarmada (daí, que a seguir a cada tratado de paz se tenha de seguir um ato de violação que a desminta); para consolidar a ocupação, o povo judeu tem de se afirmar como um povo superior condenado a viver rodeado de povos racialmente inferiores, mesmo que isso contradiga a evidência de que árabes e judeus são todos povos semitas; com raças inferiores só é possível um relacionamento de tipo colonial, pelo que a solução dos dois Estados é impensável; em vez dela, a solução é a do apartheid, tanto na região, como no interior de Israel (daí, os colonatos e o tratamento dos árabes israelenses como cidadãos de segunda classe); a guerra é infinita e a solução final poderá implicar o extermínio de uma das partes, certamente a mais fraca.
Depois de todo esse discurso sobre a maldade imperial e preconceituosa de Israel, vale lembrar que foi assinado um acordo com Arafat, que determinava os dois estados, ficando a Cisjordânia e a Faixa de Gaza com controle palestino. E essa conversa que não haverá paz nunca é tentar resumir em um período de 60 anos uma história complexa. E já que Boaventura se dá ao luxo de ser Pitonisa e prever o futuro, farei o mesmo: não haverá extermínio de povo algum, mas a progressiva e gradual “fusão” (miscigenação) entre as duas etnias. Por quê? Simples, é sempre assim quando duas populações complexas e em grande número se encontram. Significa que seja simples e fácil? Não, geralmente é sangrento e doloroso, mas é sempre assim. Como sei disso? Explico. Um dos mistérios da ciência era a homogeneidade dos homo sapiens, somos todos muito parecidos, em qualquer lugar do mundo, e falo aqui da pré-história. O que se sabe hoje é que isso aconteceu pela enorme tendência de miscigenação. Há até indícios de mistura com outra espécie de humanóides, o homem de Neandertal.

O que se passou nos últimos sessenta anos confirma tudo isto mas vai muito para além disto. Nas duas últimas décadas, Israel procurou, com êxito, sequestrar a política norte-americana na região, servindo-se para isso do lobby judaico, dos neoconservadores e, como sempre, da corrupção dos líderes políticos árabes, reféns do petróleo e da ajuda financeira norte-americana.
Pronto, agora listou-se toda a maldade do mundo: judeus, americanos, neoconservadores, líderes árabes, etc, etc, etc… Não é bom ser de esquerda e poder apontar o dedo a torto e a direito, digo, a esquerdo.

A guerra do Iraque foi uma antecipação de Gaza: a lógica é a mesma, as operações são as mesmas, a desproporção da violência é a mesma;
Ligou Gaza com Iraque? A única semelhança entre elas é que as duas populações eram (os palestinos ainda são) governadas por tiranos.

até as imagens são as mesmas, sendo também de prever que o resultado seja o mesmo.
Como assim os resultados são os mesmos? Os americanos já sairam do Iraque? Que eu me lembre, ainda não. Portanto não há resultado, não há desfecho.

E não se foi mais longe porque Bush, entretanto, se debilitou. Não pediram os israelenses autorização aos EUA para bombardear as instalações nucleares do Irã?
Os israelenses CLARO QUE COMUNICARIAM AOS AMERICANOS UM ATAQUE AO IRÃ, mas pode apostar que, se considerassem necessário, atacariam à revelia. Felizmente, pois Israel é uma democracia e o Irá e controlado por um maníaco.

É hoje evidente que o verdadeiro objetivo de Israel, a solução final, é o extermínio do povo palestino.
Está errado. A única CERTEZA é que o Hammas declara que Israel deve ser riscado do mapa e não o contrário.

Terão os israelenses a noção de que a shoah com que o seu vice-ministro da defesa ameaçou os palestinianos poderá vir a vitimá-los também? Não temerão que muitos dos que defenderam a criação do Estado de Israel hoje se perguntem se nestas condições - e repito, nestas condições - o Estado de Israel tem direito de existir?
E finalmente a última frase vem com a solução final: O estado de Israel tem direito de existir? Mas claro que o professor não é anti-semita, apenas parece ter dificuldade com a existência do estado judeu. Claro.

O ministro sem graça e a colunista do balacobaco

Friday, January 16th, 2009

Leia o que vai no blog da Barbara Gancia. Postei um aperitivo aí embaixo, mas no final da coluna ela conta um pouco sobre as “relações” da sua família com as brigadas vermelhas, grupo terrorista italiano, na década de 1970. Imperdível.

Tarso Genro vive no passado

Questionado, semanas atrás, sobre os motivos que o levaram a escolher o Brasil para se refugiar, o então fugitivo da Justiça italiana Cesare Battisti respondeu: “O Brasil, sem uma ditadura, era a imagem de um país sensível aos valores democráticos e de garantias dos direitos fundamentais”. Bonito, não? Se fosse menos bronco, Ronald Biggs teria dito a mesma coisa sobre o país que o recebeu de braços abertos -e que até hoje figura no imaginário do cinema como porto seguro para bandidos em fuga.
Para quem conhece o Brasil, a impressão é a de que o italiano condenado à prisão perpétua por assassinato estava falando da Suécia. Arrisco dizer que os dois atletas cubanos que buscaram asilo no país (depois do Pan no Rio) e acabaram deportados com violência inédita não seriam capazes de descrever o país com o lirismo usado por esse senhor que agora é um de nós.
Mesmo que fossem, duvido que compartilhem da visão de Cesare Battisti. Aliás, sou capaz de apostar um picolé de limão como os boxeadores Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux foram embora achando que o país não oferece garantia nenhuma de direitos. Infelizmente, não pudemos ouvi-los para saber o que pensavam, uma vez que, chegando a Cuba, eles foram imediatamente detidos, não é mesmo?

Leia a coluna toda

PS: para os mais novinhos que não sabem o que é balacobaco, segue o Houaiss: Substantivo Masculino; 1 qualidade ou beleza excepcionais

Brasil é o país da impunidade (também para os italianos)

Thursday, January 15th, 2009

Se perguntarmos nas ruas qual o maior problema do Brasil, provavelmente a resposta mais comum será uma variante de “impunidade”.

  • Alta criminalidade: está ligada à impunidade muito mais do que à miséria
  • Corrupção: alguém tem dúvida que é 100% impunidade?
  • etc…

Pois o ministro Tarso Genro resolveu estender o conceito a um assassino reconhecido por duas cortes. Cesare Battisti estava indignado com o rumo tomado pela Itália na década de 1970. Ora, era um direito que lhe cabia, a Itália era, e ainda é!, uma democracia. O que fez Battisti? Juntou-se a algum partido político que expressava idéias próximas às suas e disputou eleições? Não, ele se uniu a grupo de esquerda que tentava implementar o comunismo na Itália. Como ninguém é tolo de eleger comunistas (que realmente queiram implementar alguma forma de marxismo-leninismo), a única forma era a violência. E foi o que fizeram. Doce irônia, seu grupo era conhecido como PAC - Proletari Armati per il Comunismo (Trabalhadores Armados pelo Comunismo).
O “elemento” (sim, a linguagem policial é apropriada, como veremos) é acusado de quatro assassinatos, sendo que um deles (e talvez o mais famoso) foi o de Pierluigi Torregiani, um joalheiro italiano que era “acusado” de se defender contra um assalto promovido pelos terroristas. Basicamente, entraram armados e dispostos a tudo dentro da loja de Torregiani que se defendeu a acabou por matar um dos assaltantes. A vingança dos “justos” veio breve e ele foi assassinado na frente do filho de 13 anos, que também recebeu tiros mas sobreviveu.

A mesma história se deu com outra vítima, Lino Sabadin, dono de um açougue.

Battisti foi julgado na Itália por um tribunal comum, sendo um país que saíra do fascismo, os tribunais especiais forma extintos. Foi um processo penal como outro qualquer com uma condenação à prisão perpétua (não há pena de morte). O resultado seguiu, anos mais tarde, para uma corte européia que confirmou a sentença.

Assim, quando o ministro Tarso Genro utiliza o nome de todo o país para abrigar esse terrorista e assassino, ele não acusa apenas a democrática Itália de perseguição política, faz o mesmo com toda a comunidade européia.

Dilma nova x Dilma antiga

Wednesday, January 14th, 2009

Eu não vou aceitar as provocações pra achincalhar com a senhoura ministra da casa civil, que apareceu repaginada. Ela é um objeto político e se comporta como tal. FHC e Lula deram “um tapa” enquanto um ocupava e outro ainda ocupa a cadeira, por que não a pretendente?
-Ahh, está defendendo a Dilma?
Não, não estou. Nem sob tortura do Cão, apenas acho o assunto desimportante.
Mas, se alguém quiser entender melhor quais os procedimentos utilizados, sugiro que leiam sobre a plástica da Dilma.

Alckmin x Serra, enésimo round

Tuesday, January 13th, 2009
luvas de box

O ex-governador Geraldo Alckmin já mandou espalhar a notícia que não sairá candidato ao senado (e muito menos à câmara federal), seu objetivo para 2010 é ocupar novamente o Palácio dos Bandeirantes, uma vez que a cadeira deve “vagar” caso se confirme a candidatura de Serra à presidência.

Alguns serristas já ventilavam o nome de Aluysio Ferreira Nunes para o governo de São Paulo, com Quércia e Afif candidatos ao senado. E os kassabistas já espalham ao ventos que após uma vitória contudente para a prefeitura da capital, Gilberto Kassab passa a ser nome natural para concorrer a governador.

Apesar de mais uma vez alckmistas e serristas não se entenderem (e dos depois jurarem amores pela décima milésima vez), agora a razão está com Alckmin. O ex-governador é nome muito forte (favoritíssimo) para derrotar qualquer candidato petista. E uma boa vitória em SP sempre trará benefícios à candidatura presidencial. Está na hora dos tucanos decidirem o que realmente desejam, tirar o PT do planalto ou continar com xiliques.

Nos EUA não!

Monday, January 12th, 2009
prisao guantanamo

prisao em guantanamo

George W. Bush concedeu uma entrevista ao lado do pai, o ex-presidente George Bush, e falou sobre Guantanamo e as técnicas de interrogatório. Defendeu a existência dessa “zona sem lei” e o uso da “asfixia simulada”, uma técnica que induz a sensação de asfixia e leva o prisioneiro a pensar que está morrendo.

Sou radicalmente contra a prisão de Guantanamo. os EUA são, sem dúvida, a principal democracia do mundo, e se Guantanamo não chega a iguala-los aos seus inimigos do terror, longe disso, também não ajuda a deixar clara como deve ser a linha divisória.

As emissoras de TV americanas estão sempre produzindo toneladas de séries sobre investigações policiais. Desde Columbo, e seu fabuloso “faro” para crimes”, até as técnicas científicas de CSI. E fazem isso porque é uma representação boa da democracia e do estado de direito. Todo cidadão possui direitos básicos que não podem ser alienados. Não se pode torturar para obter informações de um criminoso, isso deve ser feito com inteligência.

A tortura como técnica de interrogatório faz um estrago enorme à sociedade e possui eficácia discutível, uma vez que os interrogados tendem a dizer o que os torturadores querem ouvir, como forma de encerrar o sofrimento.

Quem sequestra, tortura e mata em frente das câmeras de TV são os terroristas. Os EUA, no combate ao terror, devem representar o oposto. Guantanamo foi o maior erro da administração Bush. Do ponto de vista histórico, creio que será um episódio comparável a um outro atendado à democracia americana, o Macarthismo. Senão em dimensão, ao menos em espécie. E tal qual se deu cabo da perseguição promovida pelo então senador Joseph McCarthy, a estrutura de Guantanamo será eventualmente desmontada. Ao menos é o que garante Obama.

Os que defendem a democracia e o estado de direito ao redor do mundo agradecem.

Vá grunhir em outras bandas!

Sunday, January 11th, 2009

Infelizmente 90% dos comentários feitos nesse blog são rejeitados por não obedecer a algumas das regras básicas, a principal delas fere o princípio do uso de palavreado apropriado.

A maior parte das mensagens de ódio são enviadas por evangélicos e petistas. Algumas contém tanto ódio em seus coraçoezinhos digitais que imagino serem de evangélicos-petistas. Os evangélicos que me odeiam (sim, há nesse mundão de meu Zeus evangélicos que gostam de mim) não conseguiram entender minhas posições sobre ensino e religião. E os petistas me detesteam porque eu detesto governos inaptos e afundados em denúncias de corrupção por todos os lados.

Mas um merece notoriedade anônima (não, energúmeno, não vou divulgar seu site, seu vídeo, seu diabo a quatro). O sujeito enviou um link para um vídeo (supostamente engraçado) mostrando como é um anti-petista na internet. Até aí tudo bem, diferentemente deles, convivo bem com os contrários. O que chamou a atenção é que ele indica o védeo, assim mesmo, com acento e tudo ahahahahah, como se vê, trata-se de um çabio, esse tal de Dr Maurício.

A bomba atômica iraniana e as bombas do Hammas

Friday, January 9th, 2009

parte 1. Há um tempo pensava que o Irã poderia se tornar um ponto de luz no oriente médio, quem sabe uma versão política (para a região) do que foi o Zoroastrismo. Ingenuidade minha, o caminho se tornou muito mais espinhoso. Os velhos aiatolás, tementes das mudanças que ameaçavam tolher seus poderes, forçaram a eleição de um grupo fundamentalista. Um atraso de, na mais otimista das hipóteses, no mínimo duas décadas na abertura do país. Ou muito provavelmente um caminho perigosíssimo para uma nova guerra.

parte 2. Pergunta rápida aos leitores, quem fornece a maioria das armas ao Hammas e ao Hezbollah para que esses grupos ataquem Israel? Resposta fácil: o Irã e seu alucinado comandante, Mahmoud Ahmadinejad. Trata-se de um plano de longo prazo para que o Irã se torne a suprema força da região, desbancando os sauditas, aliados americanos. Não há dúvida quanto as intenções de utilizar o povo palestino como massa de manobra nem a “riscar Israel do mapa”, como já declarou várias vezes Ahmadinejad.

parte 3. No final do século XIX havia enorme tensão na região que hoje constitui o estado do Acre. Apesar de ser território boliviano, a maioria da população era de brasileiros, que acabaram por se revoltar com o controle de La Paz. Para por fim à questão, foi assinado um tratado que anexou o Acre ao Brasil em troca de dois milhões de libras esterlinas (isso era muito dinheiro em 1903!) e, pouca gente menciona, parte do território mato-grossense passou para a Bolívia. Além da construção de uma estrada de ferro fundamental para a ligação da Bolívia com exterior.

Recentemente Evo Morales afirmou que o Acre pertence à Bolívia. Ora, imaginemos então que uma fração dos partidários de Morales começasse a lançar pequenos mísseis contra a população do Acre, causando destruição e vítimas fatais. O que faria a população brasileira? 1. rezaria para o Lula não ser mais o presidente (ou tudo ficaria no blá, blá, blá); 2. exigiria medidas que acabassem com os ataques.

parte 4. Não bastasse todo o enrodo, a presidente Kirchner, da Argentina, resolve “armar” a Bolívia baseada no fato que o Brasil não tem direito a existência pois os territórios a oeste estão além da linha do… tratado de Tordesilhas (ou qualquer outro argumento perdido na linha do tempo da história). Só que uma guerra entre Brasil e Argentina seria algo “feio”, envolvendo duas potência militares (lembre-se, é ficção, as duas forças armadas estão caindo aos pedaços). Então o Brasil retalia contra a Bolívia (que de fato fez os ataques!) enviando uma mensagem a Buenos Aires: não ponha as manguinhas de fora, mesmo que o Obama se mostre um fracote e não nos apóie, temos força o suficiente pra acabar com vocês.

parte 5. Israel ataca o Hammas porque o Hammas é quem de fato tem atacado o território israelense, mas fica claro, para o bem da democracia, que a mensagem também chegou a Teerã. Se os iranianos insistirem em construir uma bomba atômica, os israelenses irão atacar preventivamente, mesmo que sozinhos e, de forma maniqueísta, tratados como demônios pela imprensa mundial.

Celso Amorim poderia ser Celso Tamborim

Friday, January 9th, 2009

Acabo de ler que o ministro das relações exteriores, Celso Amorim, segue com pompa e circustância rumo a Gaza. Sim, o das causas nobres e prejuízo à nação, irá defender o cessar-fogo e novas conversações de paz.

Plagiando Tutty Vazques,  sabe qual o significado disso? Nada, absolutamente nada!

O governo do PT já tomou partido, decidiu que Israel comete atos de pura maldade contra palestinos inocentes. Como pode então querer representar papel neutro em uma conversação? E pior, nunca abriu a boca para acusar o Hammas de fuzilar os opositores (há vários vídeos desses no youtube, não linko aqui porque, sensível que sou, quase vomitei quando assisti trecho de um) ou lançar 3.000 foguetes contra território israelense durante a vigência do cessar-fogo.

Portanto, conclui-se que o sr. ministro de estado segue é pra fazer barulho, repercutir na imprensa local. Ora, quem faz barulho é bateria de escola de samba, por isso defendo o rebatismo: que agora seja Celso Tamborim!