economia, política e blog ‘n’ roll

Archive for June, 2010

O público alvo da ração humana

Wednesday, June 23rd, 2010

Outro dia, fuçando em uma banca de revistas, vi uma publicação que atende pela singela designação de “Ração Humana”. Peguei para folhear bastante animado, na hora imaginei que fosse algo na linha de MAD ou da já falecida “Casseta Popular” (antiga publicação de parte do pessoal do Casseta & Planeta). Que nada, ledo engano.

Foi erro desculpável. “Ração Humana” só se justifica se for para transmitir a seguinte mensagem: vamos te tratar como um animal, mas dará boas risadas. O problema é que era realmente uma revista com “insumos para humanos”. Se é algum modismo extrangeiro tupiniquizado ou coisa que o valha, eu sei lá, mas faz sentido. Com tanto quadrúpede escrevendo (e tantos mais lendo!) bem sobre políticos que nunca tiveram e continuam não tendo nenhum compromisso com a democracia e seu bem mais valioso, a liberdade, é bom entuxar ração em todos.

E a romaria segue.

Dilma e o medo de ser… Dilma

Saturday, June 19th, 2010

Lê-se no Estadão:

A candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, deixou claro nesta sexta-feira, 18, que não faz questão de participar de sabatinas organizadas com outros presidenciáveis. Em entrevista de 10 minutos concedida após o encontro com o presidente de governo da Espanha, José Luis Zapatero, em Madri, a petista menosprezou a importância dos debates com José Serra e Marina Silva, candidatos do PSDB e do PV, e rebateu as críticas de que esteja fugindo do debate eleitoral em sua viagem de cinco dias à Europa. “Eu tenho feito vários debates com jornalistas”, argumentou.

Para justificar sua ausência, a petista insinuou que sabatinas não são relevantes. “Não me consta que a sabatina da Folha seja um debate, a não ser um debate com jornalistas. Eu tenho feito vários debates com jornalistas, inclusive estou aqui diante de vocês.”

O comando da candidatura petista também já anunciou que Dilma não participará da sabatina promovida pela CNA (Confederação Nacional da Agricultura), marcada para 1º de Julho.

Faz sentido ela não comparecer a esses eventos. Dilma ficaria extremamente exposta ao maior temor dos engenheiros da sua campanha, o de que ela seja confundida com… Dilma Rousseff.

Há dois problemas sérios, caso a confusão aconteça. O primeiro é explicar ao eleitor mais simples que aquela mulher não é o Lula. Recentemente, escutando uma entrevista dela, ao ser motivada a mencionar alguém que admira Dilma não titubiou e citou a mãe do Lula! Chega ser digno de roteiro de filme pastelão o desespero em associar a figura da candidato ao do presidente. Claro que isso sempre acontece com candidatos fabricados, mas citar a mãe do outro deve ser inédito.

O segundo desafio é entender o que a candidata diz. Seu raciocínio pode ser classificado como “prolixo com reticências”*. Explico. Quando confrontada com uma pergunta tende a ir para explicações técnicas, que frequentemente de técnicas não possuem nada, e cheia de pausas, interrupções, apostos e reticências. Poderia ser transcrita como uma séria de ahh… ummm… ehhh… e por ai vai. A sequência sujeito-verbo-predicado parece ser um mistério não desvendado pela candidata. Sua fala torna-se naturalmente chata e extensa. Incompatível com televisão.

Dilma necessita de roteiro para existir como a “candidata do Lula”. Tanto para evitar as gafes mais cômicas, trocou o nome do prefeito de Olinda de “Renildo” para “Romildo”, quanto as mais sérias. Em Compenhangen se saiu com a maravilhosa “… o meio ambiente é uma ameaça para o futuro do nosso planeta…”

Como é impossível ensaiar uma sabatina de hora e meia, o melhor a fazer é minimizar o risco e simplesmente não comparecer. E torcer para que os debates, não será possível evitar todos, não representem um pesadelo.

 

* Note o leitor que resisti à piada de escrever “pro lixo, sem reticências”. Opss.