Marina Silva e o criacionismo: depende de quem ouve

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Sabe essas pessoas que falam uma língua própria que ninguém entende patavinas? Esse jeito “Gilberto Gil” de se expressar? O autor de Drão que me perdoe, mas no quesito “vou falar muito sem dizer nada” ele perde feio para Marina Silva.

Este blog postou em 16/01/2008, quando Marina era ministra (do governo Lula!), um vídeo de uma entrevista sua para a juventude adventista, que foi retirado do ar pouco tempo depois, em que se dá o seguinte diálogo:

entrevistador: A sra. participa de um simpósio criacionista. A sra., ministra, se considera criacionista?

Marina Silva: …é impossível crer em Deus se não crer que ele criou todas as coisa. Se nós não sabemos como explicar as coisas, não devemos ter a pretensão de dizer que elas não existem porque não sabemos como elas podem ser explicadas.

A resposta que deu “é impossível crer em Deus se não crer que ele criou todas as coisas” cabe dentro do criacionismo? Sim, perfeitamente. Marina disse com todas as letras “eu sou criacionista”? Não disse. Mas ela estava em um congresso criacionista? Sim, estava.

Ora, para os jovens criacionistas da juventude adventista ela dá a entender que acredita e no vídeo ainda defende que sejam ensinadas as “duas formas”. Tudo o que eles queriam ouvir. Já em entrevista para a Folha de São Paulo e seu público leitor majoritariamente deísta/teísta e evolucionista, como a maior parte da população, publicada em 16/01/2016, lê-se o seguinte diálogo:

FSP: Sobre o tema do criacionismo e da influência da religião: na sua atuação a sra. sempre desvinculou convicções religiosas da prática política. Isso não frustra a expectativa de eleitores evangélicos e tira votos da Rede?

Marina Silva: Essa história de criacionismo é uma mentira. Eu nunca defendi a tese criacionista porque eu não preciso dela para justificar a minha fé. Eu fui perguntada por um jovem e defendi, numa escola confessional [adventista], que também ali se ensinasse a teoria evolucionista, e isso foi transformado em defesa do criacionismo.

Primeiro ponto: defendi, numa escola confessional [adventista], que também ali se ensinasse a teoria evolucionista”Repare no também, que não é chamado de advérbio de inclusão à toa. Marina, como disse acima, defende que se emparelhe evolucionismo e criacionismo no ensino. Hoje ensina-se o evolucionismo, logo, evolucionistas não precisam mudar nada, correto? Conclui-se que o “também” só cabe a um criacionista que quer adicionar algo à grade curricular. 

Segundo ponto: Eu nunca defendi a tese criacionista porque eu não preciso dela para justificar a minha fé”.  Tentativa de transformar o que ela mesmo disse em perseguição religiosa. Faça-me o favor!

Marina precisa entender que qualquer pessoa será questionada enquanto formular sua opinião de acordo com a audiência, seja formada por religiosos, agnósticos ou ateus. E ainda bem que é assim.

o autor

Entre trabalhar muito e não fazer nada, encaixei mais uma atividade: escrever esses textos que tanto agradam quanto enfurecem.

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