125º aniversário da morte de Wagner
Wednesday, February 13th, 2008A imbecilidade só vê ideologia mesmo com a beleza estampada à sua frente. Richard Wagner foi um dos grandes nomes da humanidade. A paspalhada viu nele um nazista, apesar de ter vivido antes do nazismo. Wagner era um romântico, e como tal, um nacionalista. Não permitia que ninguém se intrometesse no que considerava o âmago da cultura germânica. Não queria o que chamava de “judaísmo” na cultura pátria. Algo bem diferente de não gostar de judeus, como eram vários de seus amigos. Soma-se a isso o fato de não gostar (mesmo!) de um compositor judeu contemporâneos a ele: Felix Mendelssohn. Oras, Verdi também espinafrava os austro-húngaros, ainda que com um pouco mais de sutileza, e nem por isso é chamado de anti-germânico. Não fosse pelos crimes cometidos quase 60 anos após sua morte essas opiniões teriam sido esquecidas no tempo.
Ainda que os comentários em seus panfletos tenham sido de péssimo gosto (até para a época), não se deve confundir a obra e seu criador. A música de Wagner é um primor que a maior parte do público israelita compreende bem. Em 2001, o maestro Daniel Barenboim, à frente da Berlin Berlin Staatskapelle, deveria reger trechos de Tristão e Isolda em Jerusalem. Vários grupos locais protestaram contra o fato e o Barenboim aceitou mudar o programa. Arrependido, ao término do programa, anunciou que a orquestra e coral seguiriam com o programa e convidou os incomodados a se retirarem. Foi ovacionado por uma platéia civilizada e educada, ávida por boa arte.
Na Folha.
A cidade de Bayreuth, sede anual do festival de ópera com este nome, lembrou nesta quarta-feira o compositor Richard Wagner no 125º aniversário de sua morte com uma oferenda floral no cemitério no qual repousam seus restos.
O prefeito de Bayreuth, Michael Hohl, depositou em nome dos moradores desta pequena cidade, ligada como nenhuma outra ao sobrenome Wagner, uma coroa de flores no túmulo onde o famoso compositor foi enterrado junto à sua segunda mulher, Cosima.
Wagner e Cosima foram morar em Bayreuth em 1874. Wagner morreu em 13 de fevereiro de 1883 em Veneza aos 69 anos, deixando uma herança musical que 125 anos após sua morte segue despertando controvérsia e paixões.
“Triste, triste, triste. Wagner está morto”, escreveu Giuseppe Verdi a um conhecido editor musical da época ao saber da perda do compositor.
Woody Allen escolheu música de “Der fliegende Holländer” para seu filme “Manhattan”. Frank Capra optou por “Lohengrin” para “A Felicidade Não se Compra” e são fragmentos de “A Valquíria” que se ouvem na trilha sonora de “Apocalypse Now”, de Francis Ford Coppola, e “Forrest Gump - O Contador de Histórias”, de Robert Zemeckis.
O 125º aniversário da morte de Wagner chega a Bayreuth, em um período de luto pela morte da mulher do neto do compositor e diretor do Festival, Wolfgang Wagner, 88.
Gudrun Wagner morreu após uma intervenção cirúrgica aparentemente sem importância no último novembro, aos 63 anos.
Tags: Wagner




