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Archive for the ‘educação’ Category

Viradouro e o carro proibido

Monday, February 4th, 2008

Carnaval não é para o meu bico. Simplesmente não me interessa. Mas vez ou outra aparece algo que chama a minha atenção. Dessa feita não foi o carro alegórico destratando o nazismo - o nazismo é/foi uma aberração e é, por isso mesmo, fato comum ser colocado no lamaçal de onde nunca deveria ter saído - ,mas a decisão de se vetar a exibição do carro.

Há duas coisas surpreendentes nessa história. A primeira e mais grave é a proibição em si da liberadade de expressão. Em nenhum momento o enredo ou o carro alegórico faria apologia à intolerância, ao contrário, o objetivo era mostrar como o ser humano pode ser horrível de “arrepiar”, tema do samba-enredo. Nada melhor do que o arquétipo da maldade, Hitler e seu nazismo.

A segunda aberração foi o postulante da proibição, a FIERJ (Federeção Israelita do Estado do Rio de Janeiro). Um dos méritos do judaísmo pós-guerra foi esclarecer que os crimes nazistas foram toda contra a humanidade - até se popularizou o termo “crimes contra a humanidade” - e não apenas judeus, ciganos, homossexuais. Aparentemente os integrantes dessa associação fluminense não compreenderam bem o conceito.

Ontem, a escola de samba substitui o carro por pessoas vestidas de branco e amordaçadas, impedidas de falar. E no lugar de Hitler, a figura de Tiradentes e o mote famoso: Liberade ainda que tardia.

Não foi sem motivo que coloquei esse post na categoria “educação”. Não mostrar e repetir e falar sobre esses crimes é o mesmo que permitir que voltem a acontecer. Educação se dá em todas as instâncias e momentos.

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Brasil tem 800mil jovens analfabetos

Monday, January 21st, 2008

Sempre considerei paranóia esquerdista aquela lenga-lenga de não se dar educação para a população afim de se manter um curral eleitoral. Claro que é possível um caso ou outro, mas em larga escala, no país inteiro, soa surreal demais. Fui obrigado a rever meus conceitos quando o governo Lula parou de verificar a contrapartida escolar ao oferecer benefícios (bolsa-família, bolsa-sei-lá-o-que, etc…) à população. Claro que não afirmo que esse quase milhão de analfabetos e o enorme contigente de estudantes com menos de 8 anos de ensino (e aqui não julgo a qualidade, apenas a quantidade) seja inteiramente culpa do atual governo. Mas além de não fazer nada de significativo para melhorar a situação, NADA, atrapalhou o que vinha sendo feito. O resultado: aumento da evasão escolhar e do trabalho infantil. As estatísticas comprovam o que digo.

Na Folha, por  Eduardo Scolese.

Um em cada cinco jovens entre 18 e 29 anos e que vivem na zona urbana abandonou a escola antes de completar o ensino fundamental, segundo trabalho feito pela Secretaria Geral da Presidência da República com base na Pnad 2006 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE.
Segundo o documento, dos 34 milhões dos chamados jovens urbanos do país, 7,4 milhões tiveram de um a sete anos de estudo -período insuficiente para concluir o ensino fundamental. Entre os jovens “excluídos”, há ainda um montante de 813,2 mil analfabetos.
No topo dessa lista de exclusão urbana, que leva em conta tanto os que não completaram o ensino fundamental como os analfabetos, estão cinco Estados do Nordeste. Assinante, leia mais.

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Ministra defende o criacionismo. E eu agüento?

Wednesday, January 16th, 2008

A ministra Marina Silva, do meio ambiente, é evangêlica da Assembléia de Deus. Eu não. Até aí pouco importa, são decisões de foro íntimo. Mas há uma diferença relevante entre nós: eu não sou um representante do estado brasileiro, que é laico. Por que digo isso? A ministra participou de um congresso criacionista, o que é de dar medo, e ao final concedeu uma entrevista ao blog eoqha.net, direcionado ao público jovem adventista. A certa altura dá se o seguinte diálogo:

entrevistador: A sra. participa de um simpósio criacionista. A sra., ministra, se considera criacionista?

Marina Silva: …é impossível crer em Deus se não crer que ele criou todas as coisa. Se nós não sabemos como explicar as coisas, não devemos ter a pretensão de dizer que elas não existem porque não sabemos como elas podem ser explicadas.

Só posso entender essa resposta como uma afirmativa ao criacionismo. Essa é uma teoria que eu considero desesperada, formulada por pessoas que não são capazes de ler livros religiosos como qualquer outra coisa que não a verdade absoluta. Quando a ministra afirma que não devemos não devemos negar a existência de algo por não sabermos como explicar, utiliza um argumento científico para descartar a ciência. Quem investiga e busca o conhecimento como forma de existir e prosseguir é a ciência. E o faz observando o meio, formulando hipóteses e comprovando-as.

O criacionismo e o design inteligente não podem ser nivelados com a ciência. Os primeiros admitem uma inteligência superior, que não pode ser comprovada, guiando o processo. A segunda guia-se pelo empírico e pelo experimental. A ciência convive bem com o desconhecido. É mesmo levada por essa curiosidade. Já o criacionismo possui uma explicação comum para tudo o que não entende.

Ainda durante a entrevista a ministra concorda com a tese de que se ensine as duas formas, o darwinismo e o criacionismo, seria um ensino mais “plural”. Absurdo. Essa praga criacionista tenta varrer os EUA e, com o avanço do fundamentalismo cristão no Brasil, começa a chegar por aqui. É o mesmo que igualar a astronomia à astrologia. A primeira é uma ciência, baseia-se no que se vê e experimenta, a segunda é uma crença, baseia-se no desejo de torna-la verdadeira.

Educar com responsabilidade é levar Mendel e Darwin aos nossos jovens. E se algum dia surgir uma explicação comprovável melhor do que essa, passar a ensina-la.

adendo: faltou anexar o vídeo. Ei-lo.

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Brasil: falta mão de obra qualificada

Wednesday, January 16th, 2008

No Estadão, por Paulo R. Zulino.

A mão-de-obra dos trabalhadores da indústria brasileira é comparável, em termos qualitativos, à de países desenvolvidos, como Estados Unidos e Alemanha. Por outro lado, o País apresenta forte escassez de mão-de-obra qualificada. Isso pode ser um fator determinante para que as multinacionais estrangeiras instaladas no Brasil optem por transferir ou criar centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D) em outros países considerados emergentes, como Índia e China.

Essa é uma das conclusões do Projeto Políticas de Desenvolvimento de Atividades Tecnológicas em Filiais Brasileiras de Multinacionais, concluído no fim do ano passado e coordenado pelo Departamento de Política Científica e Tecnológica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com a participação de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp). leia mais.

Tive a oportunidade de cursar uma ótima faculdade (eng. mecânica na Poli, USP) e pude sentir a diferença na qualidade da formação ao trabalhar com outros profissionais. Mas o ensino superior não parece ser o maior gargalo do Brasil. A absoluta falta de ensino profissionalizante no segundo grau (ou ensino médio ou sei lá qual o nome atual) é para o país um apagão educacional.

No governo FHC uma das metas importantes atingidas foi a universalização do ensino básico. Claro que era um ensino de má qualidade, não há professores bem formados para todos e em todas as regiões. São necessárias ao menos duas gerações para que a qualidade vá de péssima para regular. Com um esforço tremendo talvez chegue a boa, caso da Coréia do Sul. Infelizmente a inépcia e o assistencialismo lulista aumentaram a evasão e o trabalho infantil. O resultado vemos no texto do jornalista, o Brasil perde empregos para países, em geral, mais atrasados do que nós. É lamentável.

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