“É muito estranho atribuir um vazamento da Receita à minha campanha. Não há provas disso. Qualquer vazamento tem que ser apurado. Vejo uma tentativa de usar isso contra mim num processo eleitoral”.
Dilma Rousseff, achando muito estranho que não seja atribuído a José Serra o vazamento de informações sobre declarações de imposto de renda do vice-presidente do PSDB, incluídas num dossiê forjado por militantes do PT para deixar mal no retrato o candidato do PSDB,
Outro dia, fuçando em uma banca de revistas, vi uma publicação que atende pela singela designação de “Ração Humana”. Peguei para folhear bastante animado, na hora imaginei que fosse algo na linha de MAD ou da já falecida “Casseta Popular” (antiga publicação de parte do pessoal do Casseta & Planeta). Que nada, ledo engano.
Foi erro desculpável. “Ração Humana” só se justifica se for para transmitir a seguinte mensagem: vamos te tratar como um animal, mas dará boas risadas. O problema é que era realmente uma revista com “insumos para humanos”. Se é algum modismo extrangeiro tupiniquizado ou coisa que o valha, eu sei lá, mas faz sentido. Com tanto quadrúpede escrevendo (e tantos mais lendo!) bem sobre políticos que nunca tiveram e continuam não tendo nenhum compromisso com a democracia e seu bem mais valioso, a liberdade, é bom entuxar ração em todos.
No Brasil, a lei eleitoral exige que toda a doação seja identificada. Ou melhor, quase identificada. Por conta disso, os petistas estão espalhando que não será possível repetir aqui a enxurrada de doações da campanha de Barack Obama para a presidência. O melhor da história, tem tucano que acredita.
Vou começar esse artigo com uma breve descrição minha. Não bebo álcool e não fumo. Na verdade, nem café eu tomo. E ainda corro 10km (quase) todos os dias. Não sou mais o atleta dos meus vinte e poucos anos, mas ainda posso ser considerado magro e saudável. Claro, nunca experimentei droga alguma. Sempre encontrei na lucidez o meu “barato”. Tentar compreender o que me cerca, todas as maravilhas e falhas do mundo, sempre foi a minha viagem. Isso posto, vamos ao texto.
O governador de São Paulo, José Serra, está empenhado em uma guerra contra o tabaco, pelo menos desde os seus tempos à frente do ministério da Saúde. Ainda nessa linha, propôs, já como governador, um projeto de lei que deve ir hoje à votação na assembléia legislativa de SP e que bane de forma quase completa o fumo em locais fechados públicos ou privados, mesmo que por apenas uma parede. Com isso acabam-se os “fumódromos” em shoppings, restaurantes, empresas privadas ou repartições públicas. Quem quiser fumar, que vá para a rua. Se alguém insistir em dar suas tragadas em lugar proibido, a polícia deverá ser acionada e o fumante preso. O dono do estabelecimento que se recusar a cumprir a lei, será multado. O projeto em si é bastante semelhante, ainda que mais rigoroso em relação à pessoa, às leis que regem o fumo em Londres , por exemplo. No caso paulista, algumas poucas exceções foram listadas, como cultos religiosos envolvendo tabaco.
Alguns deputados tentam incluir a possibilidade dos fumódromos ou de exaustores, mas o governador e seus assessores são contra, pois os funcionários dos estabelecimentos estariam sujeitos à fumaça.
Já o governo federal, em seu plano para tentar reativar a economia, reduziu as aliquotas dos impostos para um série de produto, mas para evitar uma queda muito grande na arrecadação, aumentou fortemente a dos cigarros. A previsão é de arrecadar quase R$ 1 bi a mais em 2009.
A medida do governo federal só deve aumentar um problema já bastante grave: o contrabando de cigarros. Em qualquer centro de comércio popular das grandes cidades brasileiras há camelôs vendendo cigarros contrabandeados pela metade do preço dos estabelecimentos comerciais legais. Aumentar o imposto sobre o produto sem melhorar a (fraca) fiscalização das fronteiras é quase como prestar um favor aos criminosos.
Já a medida paulista vai pela linha da radicalização. Eu começo a ter dúvidas que isso funcione. A maioria dos fumantes se vicia ainda na adolescência porque é “legal” ser fumante, rebelde, etc… O que algumas campanhas conseguiram fazer foi desconectar a imagem do caubói solitário e “cool” à do cigarro. Funcionou, o fumo caiu entre os mais jovens e, conseqüentemente, a longo prazo cairá ainda mais entre a população adulta.
Nos países que há mais tempo combatem o fumo e sua propagando com leis mais duras (mas acho que nenhum com prisão), o número de fumantes está se equilibrando entre 15% a 20%. Se compararmos com outro vício (o álcool), segundo pesquisas médicas, de 10% a 20% da população pode ser considerada alcoólatra, boa parte deles também são fumantes. É bem provável que seja essa a parte da população propensa ao consumo dessas substâncias.
Então qual o problema? O que me deixou um tanto encafifado foi uma pesquisa feita com estudantes americanos de “highschool”, o equivalente ao nosso ensino médio. Os pesquisadores queriam saber se o adolescente havia fumado ao menos um cigarro ou um baseado (maconha) nos últimos 30 dias. O resultado, surpreendente pra mim, foi que havia um número MAIOR de fumantes de maconha (13,8%) do que cigarros (12,3%) . Por que? Segundo os entrevistados, fumar não é coisa de gente “bacana”, causa câncer, é muito caro e precisa ter mais de 18 anos pra poder comprar. Já uma macoinha… aí o sujeito é outsider. Além do quê, qualquer um consegue comprar e é mais barato.
Pois bem, até onde podemos ir com a guerra anti-tabaco sem torna-lo “bacana” novamente? Criminalizar o usuário (fumante) e tornar o produto legalizado excessivamente caro frente ao ilegal não é tornar por demais interessante a aventura adolescente de um cigarrinho?
Se há algo que a vida nos ensina é buscar o equilíbrio entre as coisas. No caso dos cigarros, espero que essa linha não esteja sendo cruzada.
Disse em outro post que um dos pugilistas cubanos que Tarso Genro atirou aos leões foi diplomático por ter família (filhos) em Cuba. Erro meu, aparentemente os dois possuem descendência na ilha.
O que se comenta é a declaração de Lara que concede entrevista ao Estado de São Paulo dizendo que não pediram o regresso a Cuba, a versão do ministro da justiça e, dias depois, aparece no Globo Esporte afirmando o contrário, que pediram sim para voltar para a ilha. O que seria estranhíssimo, pois pouco mais de 1 ano depois já estão os dois fugidos do “paraíso castrista”.
Parênteses: fica-se com a impressão que fugir de Cuba para o Mexico ou para a Flórida é como ir até a esquina comprar um pão. Não é. Os levantamentos sobre isso mostram em torno de 80.000 (oitenta mil!) mortos na tentativa. É sempre uma operação de risco.
Pois bem, comentando o caso do boxer que ora diz uma coisa, ora diz outra, com uma conhecida minha, que mantém um blog “pirata” desde Havana, recebi a seguinte resposta: “veja, até os brutus têm famílias.”
Para bom entendedor meia palavra basta, para pai, filho, irmão, etc… também.
Há um bom tempo eu decidi que o carnaval não iria me pegar. E não pegou, ao menos na TV, rádio, internet. Claro que nas conversas a coisa muda -Viu quem ganhou nos desfiles? Mas até que seguia bem em minha resolução. Sei que irão dizer que o carnaval é representação da cultura popular, e blá, blá, blá… mas pra mim é só uma música chata e igual. Nada mais das grandes marchinhas, aquelas que o duplo sentido era de fato um duplo sentido. Agora ficou tudo muito explícito e o explícito é bem menos divertido. O bom é o sorriso mateiro de ahh, entendi! Esse pra quê? Ficaria com estampa de imbecil, afinal, como não compreender o óbvio.
Enfim, seguia livre, leve e solto do carnaval. Éramos duas nações distintas. Sim, leitor, éramos. Agora sou pai de dois pequeninos. E ontem lá se foram irradiando felicidade pra escolinha: ela de princesa, ele de batman. E voltoram ainda mais solares. E eu, coruja e feliz já fui comprar os ingressos para a matinê do carnaval. Amanhã estarei a postos para levar “Branca de Neve” e “Peter Pan” ao bailinho. Doce ironia, minha esposa comprou uma fantasia de padre pra mim. E acho, não, na verdade eu sei que irei gostar muito de tudo, a cada confete e serpentina e sorrisos nos rostinhos deles eu serei o maior folião da história. Ter filhos possui esse efeito de nos fazer virar a casaca. Minha ideologia são meus filhos. Minha regra é segui-los.
Carnaval não é tempo para carnaval, é época de paternidade.
Nós, moradores da cidade de São Paulo, vivemos reclamando do trânsito, do tempo que perdemos dentro dos carros, da violência dos motoristas e tantas outras mazelas que uma cidade gigantesca e com transporte público que ainda deixa muito a desejar, apesar de ter melhorado nos últimos anos.
E agora inventam mais uma, a tal “inspeção veicular”. -É morador da capital e possui um veículo com 5 anos ou menos? Então queremos saber se o seu carro polui muito ou não. E sabe o quê? Tem que pagar! Oras, eu já pago uma infinidade de impostos e IPVA e agora tenho que embarcar em mais essa? E sabe o pior? Os carros mais antigos, aqueles que poluem mais, não são obrigados a passar pelo teste da fumaça. Com tudo isso posso dizer: eu sou a favor da inspeção veicular. Claro que explico.
1. a poluição emitida por um veículo deve estar de acordo com as normas existentes na data do primeiro licensiamento. Como até meados da década de 1990 podia-se poluir muito, a redução possível para esses automóveis é menor do que aquela comparada aos carros mais novos. Bom, esse é o argumento técnico, e faz sentido, mas mesmo assim houve um período de quatro anos de preparação para o início da medição, poderiam ter se programado para toda a frota.
2. Reproduzo um texto do site da SPTrans sobre poluição atmosférica:
Segundo pesquisas do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP, estima-se que cerca de 10% das mortes de idosos, 7% da mortandade infantil e de 15 a 20% das internações de crianças por doenças respiratórias estejam relacionadas com as variações da poluição atmosférica.
Em dias de grande contaminação do ar o risco de morte por doenças do pulmão e do coração aumenta em até 12%. Habitantes de São Paulo vivem em média um ano e meio a menos do que pessoas que moram em cidades de ar mais limpo.
3. Sou pedestre e ciclista. Desde o segundo semestre do ano passado que dou preferência ao “pé” e à “magrela” para vir ao trabalho. Este ano consegui arrumar minha agenda de compromissos pessoais para não precisar do carro mais do que uma vez durante a semana de trabalho (segunda a sexta), com o objetivo de caminhar 60km por semana. Posso dizer que tem sido uma maravilha, exceção feita aos cruzamentos das avenidas, onde a fumaça quase me mata.
4. O munícipe que não possui dívidas com a prefeitura e tem o carro licenciado, terá a devolução da taxa paga. Claro que o melhor seria apresentar um atestado negativo e não desembolsar nada, mas com o tempo espero que melhore.
Resumindo, não há melhora de vida da população se não fizermos um esforço coletivo de melhora, e parte disso envolve ser responsável na manutenção dos veículos.
Àquelas pessoas que de tão boas, embaladas em ideologias, gozam estrebuchando sempre que alguma liberdade individual é solapada por proto-ditador, vou de Ricardo Reis (Fernando Pessoa):
Nada Fica
Nada fica de nada.Nada somos.
Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos
Da irrespirável treva que nos pese
Da humilde terra imposta,
Cadáveres adiados que procriam.
Leis feitas, estátuas vistas, odes findas —
Tudo tem cova sua. Se nós, carnes
A que um íntimo sol dá sangue, temos
Poente, por que não elas?
Somos contos contando contos, nada.
Leia trecho de artigo da Agência Estado, comento em seguida.
Cientistas cariocas produziram pela primeira vez no Brasil uma linhagem de células-tronco de pluripotência induzida. Conhecidas pela sigla iPS - “induced pluripotent stem cells”, em inglês -, elas são idênticas às cobiçadas células-tronco embrionárias, com a vantagem de que não necessitam de embriões para sua obtenção. Em vez disso, a pluripotência (capacidade para se transformar em qualquer tecido do organismo) é induzida “artificialmente” em uma célula adulta, por meio da reprogramação de seu DNA.
A técnica, segundo o que os pesquisadores revelaram com exclusividade ao Estado, não reduz a importância do estudo das células embrionárias “autênticas”, mas diminui a necessidade de destruir embriões para a produção de novas linhagens pluripotentes. Além de facilitar imensamente a produção de células-tronco oriundas dos próprios pacientes, já que não há limite no número de células adultas que podem ser reprogramadas nem é preciso passar pelas complicações técnicas (e éticas) de fabricar ou clonar um embrião para pesquisa.
Há dois pontos importantíssimos a serem ressaltados.
1. Células-tronco iPS só existem por causa das pesquisas com células-tronco embrionárias.
Espere e certamente lerá em algum lugar algo como -Viu! Nós dissemos que a “vida humana” tinha que ser poupada e que proibir a pesquisa com células-tronco embrionárias não atrapalharia a ciência. Aguarde, você lerá isso em algum lugar. Então vamos esclarecer. Primeiro, só considera um embrião congelad (refugo de inseminação artificial) vida humana quem tem um entendimento torto sobre embriões E vida humana. Não é humano o que não se desenvolveu como tal (embrião congelado). Segundo, só há células-tronco iPS por que há pesquisas com células-tronco embrionárias. O entendimento necessário da pluripotência, a ponto de induzi-la, só pôde vir com estudo prolongado de como isso se dá na natureza. Esse é um dos métodos mais utilizados nas ciências biológicas, pelo menos desde a penicilina.
2. Células-tronco iPS não subsituem a pesquisa com células-tronco embrionárias Assim como foi necessário o estudo com células-tronco embrionárias para induzir a pluripotência em células adultas, o prosseguimento das pesquisas com esse tecido, células-tronco embrionárias, continua necessário porque ainda há muito o que se compreender.
A pesquisa com células-tronco, muito provavelmente, encaminhará tratamentos para doenças degenerativas (mal de Parkinson, Alzheimer, etc…) e auto-imunes (diabetes tipo 1, lúpus, etc…), entre outras aplicações. Não querer aliviar o sofrimento de milhões de pessoas, sem causar mal a ninguém e, principalmente, SEM IMPEDIR O SURGIMENTO DE NOVA VIDA HUMANA, é de uma crueldade que deveria ser extraordinárias e que, infelizmente, se tornou comum em certo meios.