Archive for the ‘Gerais’ Category
Monday, October 27th, 2008
Uma série de políticos e articulistas que “colavam” as eleições municipais de 2008 à presidencial de 2010 parecem ter mudado de idéia. Estavam tão empolgados com a idéia que o messias de Garanhuns elegeria até um poste, que embarcaram nessa. E agora mudaram de idéia. Por que? Simples, o lulo-petismo foi derrotado nas eleições municipais.
-ahh, mas elegeu “montes” de prefeitos na G-79 (cidades com segundo turno)! É verdade, mas não nos locais importantes. Primeiro, perdeu a jóia da coroa, São Paulo. E só isso já bastaria para configurar sua derrota. Aliás, ter apostado na vitória em SP já foi mostra de excesso de fé. A cidade não é muito chegada a Lula, que nunca venceu por aqui. No RJ, não deu nem pro cheiro. Ficou fora do segundo turno. Aliás, participou do primeiro? Em BH, desistiu de concorrer à prefeitura embarcando no sonho aecista de PT+PSDB em 2010. Nessa, Aécio perdeu pouco, mas o PT mineiro perdeu muito! Porto Alegre, com quase 20 pontos de diferença!, ratificou o fora PT de 2004, depois de 16 anos no poder. Em Curitiba apostaram alto e veio a mais emblemática derrota do lulo-petismo, 80% a 20%!
Ganhou no Recife, e aí é a vitória desse grupo, sim. E não venceu em Fortaleza, como se sabe, Luizianne é quase uma candidatura pirata. Os caciques petistas não a queriam em 2004 e continuavam não querendo em 2008. Lula não teve nada a ver com essa vitória.
Portanto, saem derrotados os caciques gaúchos. Dilma Rousseff e Tarso Genro participaram da campanha e não evitaram o vexame. Não são capazes de transferir os votos que nunca tiveram ou não possuem mais.
Em SP, Marta sonhava em ir da cadeira de alcaide direto para o palácio do planato. Nos braços do povo paulistano seria páreo duro na briga com Dilma pela indicação da candidatura presidencial do PT. Ficou sem a primeira cadeiara e não deve nem ser cogitada para a segunda.
Em BH, Patrus Ananias perdeu antes da eleição começar: era contra a aliança tucano-petista. A aliança se deu e Patrus se deu mal. E Aécio? Bom, esse ganhou mas não levou. Deveria ter vitória esmagadora no estado, e não foi isso que se viu. O PSDB encolheu. Fica um pouco mais difícil lutar pela indicação tucana. Claro que no seu caminha sempre a possibilidade, agora um pouco mais improvável, de se mudar de mala e cuia para o PMDB.
Ciro Gomes investiu muito na candidatura da sua ex-mulher Patricia Saboya, não chegou sequer ao segundo turno do seu principal reduto eleitoral. Sai enfraquecido.
Vencedor mesmo foi Jose Serra. O PSDB cresceu ainda mais em SP, que detem praticamente 1/3 do colégio eleitoral do país, e seu aliado, Gilberto Kassab, venceu de forma esmagadora na capital. De quebra, Aécio enfraquecido e Alckmin fragorasamente derrotado, nesse momento, não fazem sombra ao governador.
Resumindo, eu nunca disse por aqui que seriam transferidos votos de 2008 direto para 2010, mas, como vimos, algumas candidaturas foram enterradas domingo. Mas não mudei de idéia só porque desejei, ops, “previ” errado, como fizeram alguns tantos.
Atualização: esqueci de mencionar o governador Jacques Wagner. Esse conseguiu o milagre, só poderia se dar na Bahia graça de tal monte, de unir Geddel e ACM neto. Pois bem, perdeu e viu seus créditos desabarem.
Tags: Aecio Neves, DEM, Dilma Rousseff, eleicoes, Jose Serra, Kassab, lula, Marta Suplicy, Patrus Ananias, PMDB, psdb, pt
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Friday, October 3rd, 2008
Introdução: se você ainda não entendeu toda essa confusão, leia esse texto e saiba em 20 linhas sobre o que é a crise no mercado financeiro.
O plano de recuperação da economia foi aprovado pelo congresso americano. Na opinião da maioria dos analistas, o plano não garante muita coisa, mas acalma correntistas e o mercado. Vamos a alguns dos principais pontos.
1. Aumento de US$ 100 mil para US$ 250 mil na garantia de depósitos dos clientes bancários
No jargão bancário, nenhuma instituição, por maior ou mais tradicional que seja, aguenta uma “corrida”. Por “corrida” entenda-se os clientes indo em massa ao banco sacar seus depósitos ou investimentos. Isso porque um banco, grosso modo, empresta mais do que possui. Portanto, se forem todos ao mesmo tempo, faltará dinheiro.
Ao aumentar o limite da garantia ficam coberta a maioria esmagadora das contas e os correntistas sentem-se mais seguros e não vão retirar o dinheiro da instituição no primeiro boato negativo.
2. Ampliação da isenção da “Taxa Mínima Alternativa”, o que acarreta menos impostos ao contribuinte
3. Vantagens fiscais e outros incentivos para empresas ou pessoas que invistam em energias renováveis (usinas solares ou compra de carros elétricos)
4. Isenções fiscais para empresas que investirem em pesquisa e para pequenas lojas e restaurantes que gastarem em melhorias
Os itens 2, 3 e 4 mandam uma mensagem ao consumidor e ao empreendedor: o estado não irá retirar dinheiro do consumo e também irá ajudar os pequenos empreendedores a investir em seus negócios.
É fundamental encontrar meios de incentivar o consumo, que é a base da economia americana. E também é importante oferecer crédito (e cortar impostos é uma forma de colocar mais dinheiro como investimento particular do que estatal) para as pequenas empresas, pois serão fortemente afetadas pela atual crise de crédito. Alguns bancos não cortaram o crédito de seus clientes, mas informam que os recursos só estarão disponíveis “dentro de algum tempo”. Em tempos de desconfiança mútua, os correntistas tentam se proteger das empresas do mercado financeiro e as empresas dos seus tomadores. “Quebrar o gelo” é fundamental.
5. Ganhos dos diretores das companhias participantes do programa serão limitados. Os dirigentes não poderão receber bônus milionários quando forem demitidos. Empresas que remunerem diretores com mais de US$ 500 mil ao ano pagarão mais imposto
Esse artigo é uma resposta à opinião pública. Ninguém compreende como um administrador leva uma empresa à beira do precipício e ainda recebe gordos salários e comissões. Pra dizer o mínimo, pega mal. Até agora o estado americano entendia que esse era um problema dos acionistas das empresas, mas com a ajuda governamental essas companhias passam a ter como “sócios” os contribuintes, por isso critérios políticos passam a contar mais.
6.A Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), entidade responsável por garantias de seguros, não terá limites para tomar recursos emprestados do Departamento do Tesouro para assegurar os pagamentos.
Não foi por acaso que a seguradora AIG foi a primeira a ser socorrida. Uma empresa como essa significa TRILHÕES de dólares em economias da vida inteira, previdências privadas, poupança para financiar faculdade dos filhos, etc… O pacote diz que agora não há limite para resguardar as empresas que operam esses investimentos. Qualquer um se acalma ao saber que, na pior das hipóteses, ao menos receberá o dinheiro do seguro.
É isso, o pacote certamente não resolve todos os problemas da crise, longe disso!, mas tranquiliza as pessoas o suficiente para que respirem e tomem decisões mais calmas.
Tags: crise, EUA, pacote
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Thursday, October 2nd, 2008
Imperdível a coluna de Demétrio Magnoli no Estadão. Começa traçando um paralelo entre a deportação dos pugilistas cubanos e a arapongagem federal e segue em frente mostrando como o messias de Garanhuns acredita que a imprensa deve agir em conjunto com o estado, ou seja, submissa a ele.
Eis um aperitivo:
Quando Tarso Genro ordenou a captura e deportação dos pugilistas cubanos, nos Jogos Pan-Americanos de 2007, converteu-se em herdeiro político legítimo de Alfredo Buzaid, seu antecessor no Ministério da Justiça nos tempos de Garrastazu Médici. Não há surpresa na sua iniciativa de suprimir do projeto de lei destinado a frear a farra dos grampos uma cláusula que protegia o direito jornalístico de divulgar o conteúdo de escutas vazadas de investigações policiais. Nem na sua negativa em admitir a intenção do governo de restringir a liberdade de informar. Afinal, ninguém esqueceu que o ministro do Arbítrio substituiu, ex post facto, o termo de deportação dos pugilistas por um documento de repatriamento. Leia mais.
Tags: Demetrio Magnoli, estadao, lula, Medici, Tarso Genro
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Wednesday, September 10th, 2008
O Palácio do Planalto sancionou a lei que extende a licensa maternidade para 6 meses. Já há 11 estados que possuem legislação semelhante. Na prática, o governo federal seguiu a tendência ao estimular a licensa de 6 meses.
O mérito.
Os politicamente incorretos gostam de ser contra tudo e todos, por isso já ouvi algumas reclamações sobre a lei. Para ser contrário à licensa de 6 meses é necessária uma dose cavalar de ignorância.
Primeiro deve ser ignorante em pediatria. Até hoje, todos os pediatras que ouvi se manifestam a favor da amamentação, pelo menos, até os seis meses de idade. É melhor para o desenvolvimento da criança e representa um custo futuro menor com saúde. Esse gasto futuro reduzido implica em ser ignorante também do ponto de vista fiscal, pois a despesa estimada em R$ 800 milhões ao ano retornará como gasto menor.
As empresas negociarão com suas funcionárias os dois meses adicionais e poderão dedeuzir do imposto de renda devido a totalidade do benefício. Considero a melhor solução que a lei arbitre o menos possível sobre essas relações.
A falha.
Há no entanto alguns pontos do projeto sancionado que não ficaram bons. O principal deles foi um veto aplicado por Lula ao assinar a lei. A dedução do imposto foi vetado para empresas que se enquandram no simples, sob a ridícula argumentação que essas empresas já possuem isenções. Só poderia vir da fazenda algo desse calibre.
As empresas que se enquadram no simples são as micro e pequenas. São justamente essas empresas que mais precisariam da isenção. O raciocínio é simples até mesmo para a fazenda. Uma micro ou pequena empresa possue poucos funcionários, geralmente menos que 5, frequentemente apenas 1. E não é porque não gostam de empregar, mas porque é isso que o faturamento comporta. Portanto, quando há uma gravidez o empregador deve contratar outra pessoa para a tarefa e seus custos para a atividade dobram. Com a corda no pescoço, ou no bolso, o pequeno empresário trará sua funcionária de volta o quanto antes e poderá dispensar a “substituta”. Com os dois meses adicionais “custando”, a possibilidade da extensão de fato ocorrer é nenhuma.
A situação fica pior quando constatamos que a maioria das brasileiras trabalha para pequenas e micro empresas. Ou seja, o raciocínio fazendário, corroborado por Lula e pela Casa civil, excluiu a maior parte das mulheres.
Resumo da ópera: a novidade chega para uma minoria que trabalha em grandes empresas e, por isso mesmo, já possui vários benefícios.
Tags: leis, licensa maternidade
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Thursday, July 31st, 2008
Juca Ferreira é ministro interino da Cultura e o mais cotado para assumir de forma definitiva a vaga deixada por Gilberto Gil. Pois bem, na última terça-feira (29/07/2008) o ministro esteve no Encontro de Intelectuais e Artistas do Mundo pela Unidade e Soberania da Bolívia. Eu imagino se existem intelectuais e artistas contra a Bolívia. Eis o primeiro parágrafo do discurso de Juca.
Vivemos hoje, no nosso continente, tempos de mudança política, de retomada da democratização de nossos países e de integração regional. Após a superação dos delírios neoliberais que tão tragicamente marcaram os anos noventa, a região voltou a assistir neste início de século ao seu próprio crescimento econômico e à incorporação dos estratos mais marginalizados e oprimidos das sociedades sul-americanas. Vivemos, enfim, tempos de renovação da esperança; uma nova era na qual a cultura tem a prerrogativa de romper preconceitos e assumir toda a sua diversidade, abrindo os caminhos para o diálogo, a cooperação e o desenvolvimento sustentável.
Felizmente Juca é apenas ministro da Cultura e pode realizar pouco mais que essas manifestações.
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Thursday, July 31st, 2008
A leitora Laura escreveu um simpático comentário:
Teus textos são ótimos. Tu escreves de forma clara e sucinta, só achei que faltam argumentos para a tua opção de parcialidade total em alguns assuntos, mas como o objetivo é escrever sobre o que tu pensas, não há problema em ser parcial, não é?!
Está correta quando diz que sou parcial sobre os assuntos tratados aqui. Esse não é um espaço para minhas dúvidas existenciais. Está mais para um depósito de indignações.
Algumas das poucas regras a que me submeto são as óbvias:
- não afirmo o que não tenho certeza.
- bato em cachorros e cadelas. Mas apenas os vivos.
- miro no poder, simplesmente porque o poder no Brasil está sempre muito confortável.
- não aplico lógica infantil.
- não escrevo teses ou bíblias.
Vou me prolongar um pouco nos dois últimos.
Não aplico lógica infantil. Há um exemplo clássico de lógica infantil. Proponha a uma criança de 3 a 5 anos a seguinte questão.
Joãozinho estava com raiva porque não queria comer, tirou o prato da mesa e jogou ao chão. O prato, claro, quebrou.
Mariazinha quis ajudar a mamãe a arrumar a mesa para o almoço e pegou cinco pratos. No entanto, ela tropeçou e, ao cair, os pratos quebraram.
Quem merece um castigo maior?
Claro que a lógica adulta nos diz que apenas o Joãozinho merece ficar de castigo. No entanto, para uma criança não interessam as circustâncias, apenas o fato. E o fato é que Mariazinha quebrou mais pratos que Joãozinho e, portanto, merece um castigo maior.
Não escrevo testes ou bíblias. Claro que em determinados artigos eu poderia enumerar mais e/ou desenvolver melhor os meus argumentos. Mas ficariam muito longos. Sinceramente, quem aí quer ler o Deuterônimo?
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Friday, May 30th, 2008
Nesse mundo de internet, a rejeição por parte do Supremo à ação de inconstitucionalidade contra a lei de biossegurança já é notícia velha. Mas nunca é desimportante sublinhar que a maioria dos ministros votou a favor da vida dos vivos.
Os religiosos contrários às pesquisas com células-tronco embrionárias afirmam que a vida começa na fecundação, ali já haveria “alma”. Pois bem, alguém aí tem prova para a existência da alma? É, suspeitei que não. Então utilizam um “credo” não comprovável e que não é universal como argumento para castrar o direito alheio.
Eu não acredito em alma. Não acredito que possuam almas fetos, adultos, sapos ou pedras. Acredito apenas que fetos não são adultos e sapos não são pedras. Portanto, se alguém me disser que um sapo é apenas uma manifestação pererecante de um mineral karmicamente evoluido, vou no máximo pensar com meus botões: ai meu Zeus! Ninguém me verá adorando um sapo do papo vermelho no brejo de Piraropoca.
E, por favor, não creia que estou ridicularizando credos. Afinal, o que pensa o sr. leitor quando é informando que em regiões da Índia se morre de fome mas não se matam as vacas porque são consideradas sagradas? É o mesmo caso para mim com relação a fetos “almados”.
E, desalmado como me acredito, vejo em cada portador de doenças auto-imunes, neurológicas, cardiacas, etc… uma esperança. Vejo, nesses que são vivos e manifestados, a possibilidade de continuação da vida ou de uma vida melhor. Claro que não será pra já, mas se não começarmos as pesquisas, será pra nunca.
Sobre o maniqueísmo
Houaiis
Maniqueísmo: 2 Derivação: por extensão de sentido. Qualquer visão do mundo que o divide em poderes opostos e incompatíveis
Agora derrotados, há nos blogs religiosos lembranças sobre a importância da religião na formação de nossa sociedade. Especificamente sobre valores, que julgam esses autores, cristãos: amor ao próximo, caridade, etc… E acusam a ciência de taxa-los de obscurantistas e, portanto, de maniqueísmo.
Pelos textos, parecem acreditar que indivíduos que não compartilham da mesma fé são incapazes de resolver de forma ética. Ora, não é maniqueísta se querer monopólio dos bons valores? Convenhamos, a ciência, do ponto de vista histórico, errou muito menos por presunção do que a religião. E não por ter um tempo de vida mais curto, mas principalmente porque a ciência não possui verdade, apenas conhecimento. Um cientista quando erra, erra no ato e/ou no mérito. Um religioso prefere sempre acreditar que errou apenas no ato, pois o mérito é divino.
Tags: celulas-tronco, ciencia, religiao, STF
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Thursday, May 29th, 2008
Antes de mais nada, quero firmar minha posição sobre o assunto: sou a favor da pesquisa com células-tronco embrionárias.
Segundo o Aurélio:
sofisma: argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa.
Correndo o risco de parecer generalista, irei consolidar grupo dos “contra” nos religiosos. Farei isso por dois motivos. O primeiro é que não encontrei nenhum ateu contra, e o segundo é que os únicos contrários que conheci são religiosos praticantes. Ou seja, freqüentam alguma igreja/templo/etc…
O que são as células-tronco embrionárias? Células-tronco são células sem definição de tecido, podem assumir qualquer função no corpo, diferenciando-se em tecido cardíaco, pele, neurônios, etc… No entanto, células-tronco de indivíduos já formados, mesmo bebês, possuem uma capacidade de diferenciação um pouco limitada. O mesmo não ocorre com as embrionárias (fetos). Vale lembrar que todos começamos como apenas uma célula, que se dividiu uma infinidade de vezes, e a cada momento essas novas células foram se diferenciando nos vários tecidos do corpo. É essa capacidade sem fim que interessa à ciência. Saber como isso funciona pode levar ao tratamento de inúmeras doenças cardíacas (isso já começou!), lesões e doenças degenerativas neurológicas (paralisia, alzheimer, etc…). Para pesquisa, são utilizados embriões inviáveis de clínicas de fertilização in-vitro (bebês de proveta). O destino desses embriões, se não for a pesquisa, será a lata de lixo. E isso não é figura de linguagem!
O que temos visto, enquanto o supremo decide sobre a inconstitucionalidade ou não dessas pesquisas, são manifestações de grupos religiosos (e não apenas católicos) lutando veementemente contra a continuidade dos trabalhos científicos. Um dos argumentos mais comuns é que se trata de aborto. Tolice, como explico agora.
Para um nascimento são necessárias a fecundação, a gestação e o parto. Aborto é a interrupção de uma gestação. Um embrião congelado nunca iniciou o processo da gestação. Nunca esteve no útero de uma mulher. E após três anos o protocolo não recomenda seu uso, ou seja, nunca será utilizado. Não há interrupção de gestação, apenas a fecundação seguida de congelamento. Há apenas má-fé nesse argumento que compara fecundação com gestação. Há a intenção de enganar e confundir. Sofisma. Ou então é falta de inteligência, mesmo.
Mas se for assim, o que incomoda tanto os religiosos nas pesquisas com células-tronco? Por que desde Galileu que não batem de forma tão firme na ciência?
Freud disse que o ego do ser humano foi ferido três vezes: 1. com Copérnico (e Galileu), quando a Terra, e conseqüentemente o homem deixou de ser o centro do universo. 2. com Darwin, quando ficou claro que somos fruto da evolução acidental, e não o plano perfeito de um ser superior. 3. com o próprio Freud (psicanálise), quando percebemos que não somos sempre “donos” de nossas ações.
As igrejas, sendo novamente generalista, combateram todas as três teorias acima e, no final, acabaram por ceder a cada uma delas, adaptando-as às suas verdades. E quase sempre utilizando o mesmo argumento: o milagre inexplicável da vida.
Estudando células-tronco e o porque do seu dedo ser um dedo, sua orelha ser uma orelha, seu rim ser um rim, etc… a humanidade desmistifica o “milagre” e o torna um conjunto de conhecimentos.
Os religiosos literais lutarão contra esses dados científicos e perderão suas batalhas. E no final virão com algum argumento que demonstra como esses novos conhecimentos, que antes eram malditos, apenas reforçam sua fé.
Já a ciência deve acumular novos conhecimentos e lidar com seus erros e acertos, sem possibilidade de perdão divino.
Tags: celulas-tronco, ciencia, religiao
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Tuesday, May 27th, 2008
Não bebo nem café. Não fumo. Não cheiro nem meia usada. Adoro correr, ainda que meus joelhos nem tanto, e pedalar. Enfim, sou um produto da geração saúde.
Sendo assim, pode imaginar o leitor que achei ótimo quando o governo anunciou a proibição da venda de bebidas alcoólicas às margens das rodovias federais. Grande notícia no país campeão de mortes automobilísticas. Mas infelizmente foi proposta do governo Lula, e o carro patinou, aquaplanou (ou seria alcoolplanou?) e escorregou na curva. Uma barbeiragem mesmo e lá se foi a boa intenção.
A proposta deveria ser simples: proibida a venda de bebidas alcoólicas às margens das rodovias federais, excetuando-se os trechos dentro dos perímetros urbanos. Claro que a eficiência governamental esqueceu da última frase e, de forma melancólica, a medida foi derrubada. Lobby dos bares e restaurantes, produtores e distribuidores de bebidas e etc…? Evidente que sim, mas isso foi apenas a gota d’álcool. A medida foi embora tal qual carro sem freio porque não foi estudada de forma adequada.
Mas vou insistir no tema para culpar também o congresso. Veja o histórico da medida provisória MPV-451/2008: 1- Apresentada pelo executivo em 22/01/2008. 2- em 23/04/2008 a câmara aprovou a medida liberando a venda em trechos urbanos. Algo razoável. 3- em 21/05/2008 o senado aprovou a venda nos trechos rurais, ou seja, no resto.
De forma resumida, está proibida a venda de bebidas às marges das rodovias federais, excetuando-se todo o seu trajeto.
Pelo menos algo de positivo restou. Acabou a dose pequena ou grande: está proibido beber antes de dirigir. Pode-se até ter o carro apreendido e ir preso. Como o governo fez tudo errado, pelo menos o congresso tratou de devolver ao cidadão a responsabilidade pelos seus atos. Ainda que de forma torta.
Um brinde.
Tags: acidentes, alcool, camara, governo, lula, senado
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Monday, May 26th, 2008
O mercado de ações sofreu um rebuliço na última quarta-feira com a notícia sobre uma possível compra da Nossa Caixa, banco do governo do estado de São Paulo, pelo Banco do Brasil. As ações do banco paulista subiram mais de 30%. A CVM, comissão de valores mobiliários -entidade que controla o mercao de ações, já informou que irá investigar se houve alguma manipulação.
Pois bem, duas perguntas ficaram no ar:1. Por que vender a Nossa Caixa? 2. Por que o o governo de SP ofereceu a Nossa Caixa ao Banco do Brasil ao invés de anunciar um leilão?
A primeira pergunta tem uma reposta mais fácil. Os governos estaduais não podem mais quebrar seus bancos de fomento. É simples assim. No próprio estado de SP isso já aconteceu e o falecido governador Mário Covas ficou com um abacaxi monstruoso nas mãos, um Banespa quebrado, herdado das administrações anteriores. Banespa que acabou privatizado, vendido ao grupo espanhol Santander. Como a utilização do banco para fomento é muito limitada, o melhor é se desfazer dele mesmo.
A segunda tem uma resposta um pouco mais complexa. Há no Superior Tribunal de Justiça um entendimento que apenas bancos estatais podem receber depósitos judiciais. Em poucas palavras, quando se discute na justiça o valor de um pagamento, faz-se o depósito judicial, o credor não recebe, mas o dinheiro fica retido até que a justiça decida valores, méritos, etc… Isso evita o “nome-sujo” na praça.
Como uma parte significativa dos ativos da Nossa Caixa está em depósitos judiciais, se um banco privado a levasse perderia esse montante, que iria de graça para, provavelmente, o próprio Banco do Brasil. Mas também há um mérito a ser julgado sobre a validade ou não dessa regra que apenas bancos estatais pode receber tais depósitos. Há muita confiança no mercado que a limitação será derrubada, afinal não cabe ao judiciário duvidar do trabalho do Banco Central no gerenciamento do sistema financeiro.
Resumidamente, o governo de SP consultou o hoje único possível comprador, o Banco do Brasil, e perguntou quanto ele está disposto a pagar pela instituição. Obteve um valor em torno de R$ 8 bilhões. Agora espera a decisão sobre o destino dos depósitos judiciais, tem muita confiança que a limitação cairá e deverá anunciar um leilão com preço mínimo igual ao que o BB ofereceu. Foi uma bela jogada.
Em tempo, o governo federal ficou ouriçadíssimo com a notícia. Primeiro porque adoram controlar qualquer coisa, está no DNA soviético de muitos por lá. Segundo por ser a Nossa Caixa um possível cabideiro de empregos tamanho-família. Como se sabe, há muito companheiro necessitado por aí.
Tags: banco do brasil, nossa caixa, SP
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