economia, política e blog ‘n’ roll

Archive for the ‘Gerais’ Category

Arrecadação online de doações

Sunday, November 8th, 2009

No Brasil, a lei eleitoral exige que toda a doação seja identificada. Ou melhor, quase identificada. Por conta disso, os petistas estão espalhando que não será possível repetir aqui a enxurrada de doações da campanha de Barack Obama para a presidência. O melhor da história, tem tucano que acredita.

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Até onde as leis antifumo podem ir?

Thursday, April 2nd, 2009

Vou começar esse artigo com uma breve descrição minha. Não bebo álcool e não fumo. Na verdade, nem café eu tomo. E ainda corro 10km (quase) todos os dias. Não sou mais o atleta dos meus vinte e poucos anos, mas ainda posso ser considerado magro e saudável. Claro, nunca experimentei droga alguma. Sempre encontrei na lucidez o meu “barato”. Tentar compreender o que me cerca, todas as maravilhas e falhas do mundo, sempre foi a minha viagem. Isso posto, vamos ao texto.

O governador de São Paulo, José Serra, está empenhado em uma guerra contra o tabaco, pelo menos desde os seus tempos à frente do ministério da Saúde. Ainda nessa linha, propôs, já como governador, um projeto de lei que deve ir hoje à votação na assembléia legislativa de SP e que bane de forma quase completa o fumo em locais fechados públicos ou privados, mesmo que por apenas uma parede. Com isso acabam-se os “fumódromos” em shoppings, restaurantes, empresas privadas ou repartições públicas. Quem quiser fumar, que vá para a rua. Se alguém insistir em dar suas tragadas em lugar proibido, a polícia deverá ser acionada e o fumante preso. O dono do estabelecimento que se recusar a cumprir a lei, será multado. O projeto em si é bastante semelhante, ainda que mais rigoroso em relação à pessoa, às leis que regem o fumo em Londres , por exemplo. No caso paulista, algumas poucas exceções foram listadas, como  cultos religiosos envolvendo tabaco.

Alguns deputados tentam incluir a possibilidade dos fumódromos ou de exaustores, mas o governador e seus assessores são contra, pois os funcionários dos estabelecimentos estariam sujeitos à fumaça.

Já o governo federal, em seu plano para tentar reativar a economia, reduziu as aliquotas dos impostos para um série de produto, mas para evitar uma queda muito grande na arrecadação, aumentou fortemente a dos cigarros. A previsão é de arrecadar quase R$ 1 bi a mais em 2009.

A medida do governo federal só deve aumentar um problema já bastante grave: o contrabando de cigarros. Em qualquer centro de comércio popular das grandes cidades brasileiras há camelôs vendendo cigarros contrabandeados pela metade do preço dos estabelecimentos comerciais legais. Aumentar o imposto sobre o produto sem melhorar a (fraca) fiscalização das fronteiras é quase como prestar um favor aos criminosos.

Já a medida paulista vai pela linha da radicalização. Eu começo a ter dúvidas que isso funcione. A maioria dos fumantes se vicia ainda na adolescência porque é “legal” ser fumante, rebelde, etc… O que algumas campanhas conseguiram fazer foi desconectar a imagem do caubói solitário e “cool” à do cigarro. Funcionou, o fumo caiu entre os mais jovens e, conseqüentemente, a longo prazo cairá ainda mais entre a população adulta.

Nos países que há mais tempo combatem o fumo e sua propagando com leis mais duras (mas acho que nenhum com prisão), o número de fumantes está se equilibrando entre 15% a 20%. Se compararmos com outro vício (o álcool), segundo pesquisas médicas, de 10% a 20% da população pode ser considerada alcoólatra, boa parte deles também são fumantes. É bem provável que seja essa a parte da população propensa ao consumo dessas substâncias.

Então qual o problema? O que me deixou um tanto encafifado foi uma pesquisa feita com estudantes americanos de “highschool”, o equivalente ao nosso ensino médio. Os pesquisadores queriam saber se o adolescente havia fumado ao menos um cigarro ou um baseado (maconha) nos últimos 30 dias. O resultado, surpreendente pra mim, foi que havia um número MAIOR de fumantes de maconha (13,8%) do que cigarros (12,3%) . Por que? Segundo os entrevistados, fumar não é coisa de gente “bacana”, causa câncer, é muito caro e precisa ter mais de 18 anos pra poder comprar. Já uma macoinha…  aí o sujeito é outsider. Além do quê, qualquer um consegue comprar e é mais barato.

Pois bem, até onde podemos ir com a guerra anti-tabaco sem torna-lo “bacana” novamente? Criminalizar o usuário (fumante) e tornar o produto legalizado excessivamente caro frente ao ilegal não é tornar por demais interessante a aventura adolescente de um cigarrinho?

Se há algo que a vida nos ensina é buscar o equilíbrio entre as coisas. No caso dos cigarros, espero que essa linha não esteja sendo cruzada.

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Errata, os cubanos têm família no Globo Esporte

Monday, March 2nd, 2009

Disse em outro post que um dos pugilistas cubanos que Tarso Genro atirou aos leões foi diplomático por ter família (filhos) em Cuba. Erro meu, aparentemente os dois possuem descendência na ilha.
O que se comenta é a declaração de Lara que concede entrevista ao Estado de São Paulo dizendo que não pediram o regresso a Cuba, a versão do ministro da justiça e, dias depois, aparece no Globo Esporte afirmando o contrário, que pediram sim para voltar para a ilha. O que seria estranhíssimo, pois pouco mais de 1 ano depois já estão os dois fugidos do “paraíso castrista”.
Parênteses: fica-se com a impressão que fugir de Cuba para o Mexico ou para a Flórida é como ir até a esquina comprar um pão. Não é. Os levantamentos sobre isso mostram em torno de 80.000 (oitenta mil!) mortos na tentativa. É sempre uma operação de risco.

Pois bem, comentando o caso do boxer que ora diz uma coisa, ora diz outra, com uma conhecida minha, que mantém um blog “pirata” desde Havana, recebi a seguinte resposta: “veja, até os brutus têm famílias.”

Para bom entendedor meia palavra basta, para pai, filho, irmão, etc… também.

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Carnaval não é tempo para carnaval

Sunday, February 22nd, 2009

Há um bom tempo eu decidi que o carnaval não iria me pegar. E não pegou, ao menos na TV, rádio, internet. Claro que nas conversas a coisa muda -Viu quem ganhou nos desfiles? Mas até que seguia bem em minha resolução. Sei que irão dizer que o carnaval é representação da cultura popular, e blá, blá, blá… mas pra mim é só uma música chata e igual. Nada mais das grandes marchinhas, aquelas que o duplo sentido era de fato um duplo sentido. Agora ficou tudo muito explícito e o explícito é bem menos divertido. O bom é o sorriso mateiro de ahh, entendi! Esse pra quê? Ficaria com estampa de imbecil, afinal, como não compreender o óbvio.

Enfim, seguia livre, leve e solto do carnaval. Éramos duas nações distintas. Sim, leitor, éramos. Agora sou pai de dois pequeninos. E ontem lá se foram irradiando felicidade pra escolinha: ela de princesa, ele de batman. E voltoram ainda mais solares. E eu, coruja e feliz já fui comprar os ingressos para a matinê do carnaval. Amanhã estarei a postos para levar “Branca de Neve” e “Peter Pan” ao bailinho. Doce ironia, minha esposa comprou uma fantasia de padre pra mim. E acho, não, na verdade eu sei que irei gostar muito de tudo, a cada confete e serpentina e  sorrisos nos rostinhos deles eu serei o maior folião da história. Ter filhos possui esse efeito de nos fazer virar a casaca. Minha ideologia são meus filhos. Minha regra é segui-los.

Carnaval não é tempo para carnaval, é época de paternidade.

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Inspeção veicular em SP, pra quê?

Wednesday, February 4th, 2009

Nós, moradores da cidade de São Paulo, vivemos reclamando do trânsito, do tempo que perdemos dentro dos carros, da violência dos motoristas e tantas outras mazelas que uma cidade gigantesca e com transporte público que ainda deixa muito a desejar, apesar de ter melhorado nos últimos anos.

E agora inventam mais uma, a tal “inspeção veicular”. -É morador da capital e possui um veículo com 5 anos ou menos? Então queremos saber se o seu carro polui muito ou não. E sabe o quê? Tem que pagar! Oras, eu já pago uma infinidade de impostos e IPVA e agora tenho que embarcar em mais essa? E sabe o pior? Os carros mais antigos, aqueles que poluem mais, não são obrigados a passar pelo teste da fumaça. Com tudo isso posso dizer: eu sou a favor da inspeção veicular. Claro que explico.

1. a poluição emitida por um veículo deve estar de acordo com as normas existentes na data do primeiro licensiamento. Como até meados da década de 1990 podia-se poluir muito, a redução possível para esses automóveis é menor do que aquela comparada aos carros mais novos. Bom, esse é o argumento técnico, e faz sentido, mas mesmo assim houve um período de quatro anos de preparação para o início da medição, poderiam ter se programado para toda a frota.

2. Reproduzo um texto do site da SPTrans sobre poluição atmosférica:

Segundo pesquisas do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP, estima-se que cerca de 10% das mortes de idosos, 7% da mortandade infantil e de 15 a 20% das internações de crianças por doenças respiratórias estejam relacionadas com as variações da poluição atmosférica.

Em dias de grande contaminação do ar o risco de morte por doenças do pulmão e do coração aumenta em até 12%. Habitantes de São Paulo vivem em média um ano e meio a menos do que pessoas que moram em cidades de ar mais limpo.

3. Sou pedestre e ciclista. Desde o segundo semestre do ano passado que dou preferência ao “pé” e à “magrela” para vir ao trabalho. Este ano consegui arrumar minha agenda de compromissos pessoais para não precisar do carro mais do que uma vez durante a semana de trabalho (segunda a sexta), com o objetivo de caminhar 60km por semana. Posso dizer que tem sido uma maravilha, exceção feita aos cruzamentos das avenidas, onde a fumaça quase me mata.

4. O munícipe que não possui dívidas com a prefeitura e tem o carro licenciado, terá a devolução da taxa paga. Claro que o melhor seria apresentar um atestado negativo e não desembolsar nada, mas com o tempo espero que melhore.

Resumindo, não há melhora de vida da população se não fizermos um esforço coletivo de melhora, e parte disso envolve ser responsável na manutenção dos veículos.

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Ricardo Reis para Evo Morales

Monday, January 26th, 2009

Àquelas pessoas que de tão boas, embaladas em ideologias, gozam estrebuchando sempre que alguma liberdade individual é solapada por proto-ditador, vou de Ricardo Reis (Fernando Pessoa):

Nada Fica

Nada fica de nada.Nada somos.
Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos
Da irrespirável treva que nos pese
Da humilde terra imposta,
Cadáveres adiados que procriam.
Leis feitas, estátuas vistas, odes findas —
Tudo tem cova sua. Se nós, carnes
A que um íntimo sol dá sangue, temos
Poente, por que não elas?
Somos contos contando contos, nada.

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Brasil produz célula-tronco sem embrião, mas cuidado com os fundamentalistas

Saturday, January 24th, 2009

Leia trecho de artigo da Agência Estado, comento em seguida.

Cientistas cariocas produziram pela primeira vez no Brasil uma linhagem de células-tronco de pluripotência induzida. Conhecidas pela sigla iPS - “induced pluripotent stem cells”, em inglês -, elas são idênticas às cobiçadas células-tronco embrionárias, com a vantagem de que não necessitam de embriões para sua obtenção. Em vez disso, a pluripotência (capacidade para se transformar em qualquer tecido do organismo) é induzida “artificialmente” em uma célula adulta, por meio da reprogramação de seu DNA.

A técnica, segundo o que os pesquisadores revelaram com exclusividade ao Estado, não reduz a importância do estudo das células embrionárias “autênticas”, mas diminui a necessidade de destruir embriões para a produção de novas linhagens pluripotentes. Além de facilitar imensamente a produção de células-tronco oriundas dos próprios pacientes, já que não há limite no número de células adultas que podem ser reprogramadas nem é preciso passar pelas complicações técnicas (e éticas) de fabricar ou clonar um embrião para pesquisa.

Há dois pontos importantíssimos a serem ressaltados.

1. Células-tronco iPS só existem por causa das pesquisas com células-tronco embrionárias.
Espere e certamente lerá em algum lugar algo como -Viu! Nós dissemos que a “vida humana”  tinha que ser poupada e que proibir a pesquisa com células-tronco embrionárias não atrapalharia a ciência. Aguarde, você lerá isso em algum lugar. Então vamos esclarecer. Primeiro, só considera um embrião congelad (refugo de inseminação artificial) vida humana quem tem um entendimento torto sobre embriões E vida humana.  Não é humano o que não se desenvolveu como tal (embrião congelado). Segundo, só há células-tronco iPS por que há pesquisas com células-tronco embrionárias. O entendimento necessário da pluripotência, a ponto de induzi-la, só pôde vir com estudo prolongado de como isso se dá na natureza. Esse é um dos métodos mais utilizados nas ciências biológicas, pelo menos desde a penicilina.

2. Células-tronco iPS não subsituem a pesquisa com células-tronco embrionárias
Assim como foi necessário o estudo com células-tronco embrionárias para induzir a pluripotência em células adultas, o prosseguimento das pesquisas com esse tecido, células-tronco embrionárias, continua necessário porque ainda há muito o que se compreender.

A pesquisa com células-tronco, muito provavelmente, encaminhará tratamentos para doenças degenerativas (mal de Parkinson, Alzheimer, etc…) e auto-imunes (diabetes tipo 1, lúpus, etc…), entre outras aplicações. Não querer aliviar o sofrimento de milhões de pessoas, sem causar mal a ninguém e, principalmente, SEM IMPEDIR O SURGIMENTO DE NOVA VIDA HUMANA, é de uma crueldade que deveria ser extraordinárias e que, infelizmente, se tornou comum em certo meios.

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A nome da agência é Maior, já as idéias…

Saturday, January 17th, 2009

Existe uma tal de agência Carta Maior. Trata-se de uma agência de informações de esquerda, afiliada a coisas como “New Left Review”, que se propõe a “pensar” o mundo pelo viés canhoto.

Pois bem, sobre a questão palestina, publicam um texto do intelectual português Boaventura de Souza Santos. Boaventura é um dos heróis do Fórum Social Mundial (aquela reunião de gente de primeira como Chavez e as Farc) e busca analisar o mundo sob a perspectiva de uma “Sociologia das Emergências”. Por favor, caros leitores, não me perguntem o que é isso, até hoje só ouvi falar. Comento abaixo as pérolas.

Está ocorrendo na Palestina o mais recente e brutal massacre do povo palestino cometido pelas forças ocupantes de Israel com a cumplicidade do Ocidente, uma cumplicidade feita de silêncio, hipocrisia e manipulação grotesca da informação, que trivializa o horror e o sofrimento injusto e transforma ocupantes em ocupados, agressores em vítimas, provocação ofensiva em legítima defesa.
Como é? Manipulação grotesca da informação?! O que sugere Boaventura, que a mídia internacional só mostra material favorável a Israel? Não leio (quase) nada que sequer tente parecer imparcial. A mídia e seus pensadores de esquerda adotaram os terroristas do Hammas como vítimas, junto do povo palestino.

As razões próximas, apesar de omitidas pelos meios de comunicação ocidentais, são conhecidas.
Quem ocultou o quê? A esquerda é tão contra a livre circulação da informação que acusa os outros do que gostaria de fazer.

Em novembro passado a aviação israelense bombardeou a faixa de Gaza em violação das tréguas,
Está errado, o Hammas violou a trégua primeiro.

o Hamas propôs a renegociação do controle dos acessos à faixa de Gaza, Israel recusou e tudo começou.
Notaram como o Hammas fez todo o possível pela paz? O tal “controle dos acessos” é uma brandura da entrada e saída da faixa de gaza para que o grupo terrorista tivesse mais facilidade de contrabandear as armas utilizadas para atacar… Israel. A proposta é basicamente a seguinte: Você finge que não tá vendo nada, até que eu tenha armas o suficiente pra cair em cima de vocês!

Esta provocação premeditada teve objetivos de política interna e internacional bem definidos: recuperação eleitoral de uma coligação em risco; exército sedento de vingar a derrota do Líbano; vazio da transição política nos EUA e a necessidade de criar um facto consumado antes da investidura do presidente Obama. Tudo isto é óbvio mas não nos permite entender o ininteligível: o sacrifício de uma população civil inocente mediante a prática de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade cometidos com a certeza da impunidade.
1. Já expliquei que não foi provocação, foi “falta de burrice”. 2. O argumento da coligação é o menos pior, simplesmente porque toda coligação política está sempre em risco, mas não foi o caso. No máximo o argumento político pode ser utilizado para justificar um programa mais austero de defesa do território, mas sequer foi isso o que aconteceu. 3. Esse é outro ranço das esquerdas, nunca se esqueça de culpar as forças armadas de alguma coisa. exceto o exército vermelho, claro. A campanha no Líbano realmente não alcançou todos os objetivos, mas sobretudo porque não há como controlar a fronteira norte. Mas se fosse um fracasso por que o Hezbollah teria desmentido com tanta celeridade e ênfase sua participação nos ataques a partir daquela região que aconteceram essa semana? Fácil, porque ainda não se recuperaram totalmente do estrago feito. Já a companha na faixa de Gaza é completamente diferente. A única fronteira é com o Egito, que já demonstrou não querer que o contrabando de armas iranianas entre por suas terras.
E no final Boaventura apela para o estilo “nós somos os justos” que caracteriza as esquerdas : o sacrifício da população inocente. Em nenhum momento cita a barbaridade covarde de se utilizar civis como escudo humano.

É preciso recuar no tempo. Não ao tempo longínquo da bíblia hebraica, o mais violento e sangrento livro alguma vez escrito.
Se isso não é anti-semitismo então deve ser ignorância. A tal “bíblia hebraica, o mais violento e sangrento livro” é mais violento e sangrento do que o Mahabharata (o livro sagrado do hinduísmo) ou a maioria dos livros e mitos religiosos em quê? O ponto a ser deixado aqui por Boaventura (nada subliminar) é que os  Hebreus são violentos e sangrentos desde a sua origem, como esperar outra coisa deles então?

Basta recuar sessenta anos, à data da criação do Estado de Israel. Nas condições em que foi criado e depois apoiado pelo Ocidente, o Estado de Israel é o mais recente (certamente não o último) ato colonial da Europa. De um dia para o outro, 750.000 palestinos foram expulsos das suas terras ancestrais e condenados a uma ocupação sangrenta e racista para que a Europa expiasse o crime hediondo do Holocausto contra o povo judeu.
Para tirar um pouco da má impressão da frase anterior, Boaventura faz questão de frisar que considera o holocausto um crime hediondo. Isso é como dizer que a maça de Newton caiu pra baixo, é o óbvio ululante. Ainda culpa toda a Europa por vários crimes coloniais. Primeiro, seria interessante encontrar uma potência que não cometeu “crime” algum. Segundo, o que faz aqui é exercitar outro velho hábito da esquerda européia: quem não aceitou o socialismo bom sujeito não é. Como a maioria dessas população REFUTOU O COMUNISMO NO VOTO, na visão da esquerda, devem ser ruins da cabeça E doentes do pé.

Uma leitura atenta dos textos dos sionistas fundadores do Estado de Israel revela tudo aquilo que o Ocidente hipocritamente ainda hoje finge desconhecer: a criação de Israel é um ato de ocupação e como tal terá de enfrentar para sempre a resistência dos ocupados;
Aí parte-se da premissa que existia um estado palestino antes de Israel, o que não é verdade. A resolução da ONU era sobre a criação de DOIS ESTADOS, UM PALESTINO E UM JUDEU. Eu posso até concordar que o reassentamento foi mal planejado, mas colocar a culpa da não existência do estado palestino única e exclusivamente em Israel é esquecer que desde o começo os outros países da região foram contra a criação dos dois territórios.

não haverá nunca paz, qualquer apaziguamento será sempre aparente, uma armadilha a ser desarmada (daí, que a seguir a cada tratado de paz se tenha de seguir um ato de violação que a desminta); para consolidar a ocupação, o povo judeu tem de se afirmar como um povo superior condenado a viver rodeado de povos racialmente inferiores, mesmo que isso contradiga a evidência de que árabes e judeus são todos povos semitas; com raças inferiores só é possível um relacionamento de tipo colonial, pelo que a solução dos dois Estados é impensável; em vez dela, a solução é a do apartheid, tanto na região, como no interior de Israel (daí, os colonatos e o tratamento dos árabes israelenses como cidadãos de segunda classe); a guerra é infinita e a solução final poderá implicar o extermínio de uma das partes, certamente a mais fraca.
Depois de todo esse discurso sobre a maldade imperial e preconceituosa de Israel, vale lembrar que foi assinado um acordo com Arafat, que determinava os dois estados, ficando a Cisjordânia e a Faixa de Gaza com controle palestino. E essa conversa que não haverá paz nunca é tentar resumir em um período de 60 anos uma história complexa. E já que Boaventura se dá ao luxo de ser Pitonisa e prever o futuro, farei o mesmo: não haverá extermínio de povo algum, mas a progressiva e gradual “fusão” (miscigenação) entre as duas etnias. Por quê? Simples, é sempre assim quando duas populações complexas e em grande número se encontram. Significa que seja simples e fácil? Não, geralmente é sangrento e doloroso, mas é sempre assim. Como sei disso? Explico. Um dos mistérios da ciência era a homogeneidade dos homo sapiens, somos todos muito parecidos, em qualquer lugar do mundo, e falo aqui da pré-história. O que se sabe hoje é que isso aconteceu pela enorme tendência de miscigenação. Há até indícios de mistura com outra espécie de humanóides, o homem de Neandertal.

O que se passou nos últimos sessenta anos confirma tudo isto mas vai muito para além disto. Nas duas últimas décadas, Israel procurou, com êxito, sequestrar a política norte-americana na região, servindo-se para isso do lobby judaico, dos neoconservadores e, como sempre, da corrupção dos líderes políticos árabes, reféns do petróleo e da ajuda financeira norte-americana.
Pronto, agora listou-se toda a maldade do mundo: judeus, americanos, neoconservadores, líderes árabes, etc, etc, etc… Não é bom ser de esquerda e poder apontar o dedo a torto e a direito, digo, a esquerdo.

A guerra do Iraque foi uma antecipação de Gaza: a lógica é a mesma, as operações são as mesmas, a desproporção da violência é a mesma;
Ligou Gaza com Iraque? A única semelhança entre elas é que as duas populações eram (os palestinos ainda são) governadas por tiranos.

até as imagens são as mesmas, sendo também de prever que o resultado seja o mesmo.
Como assim os resultados são os mesmos? Os americanos já sairam do Iraque? Que eu me lembre, ainda não. Portanto não há resultado, não há desfecho.

E não se foi mais longe porque Bush, entretanto, se debilitou. Não pediram os israelenses autorização aos EUA para bombardear as instalações nucleares do Irã?
Os israelenses CLARO QUE COMUNICARIAM AOS AMERICANOS UM ATAQUE AO IRÃ, mas pode apostar que, se considerassem necessário, atacariam à revelia. Felizmente, pois Israel é uma democracia e o Irá e controlado por um maníaco.

É hoje evidente que o verdadeiro objetivo de Israel, a solução final, é o extermínio do povo palestino.
Está errado. A única CERTEZA é que o Hammas declara que Israel deve ser riscado do mapa e não o contrário.

Terão os israelenses a noção de que a shoah com que o seu vice-ministro da defesa ameaçou os palestinianos poderá vir a vitimá-los também? Não temerão que muitos dos que defenderam a criação do Estado de Israel hoje se perguntem se nestas condições - e repito, nestas condições - o Estado de Israel tem direito de existir?
E finalmente a última frase vem com a solução final: O estado de Israel tem direito de existir? Mas claro que o professor não é anti-semita, apenas parece ter dificuldade com a existência do estado judeu. Claro.

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O ministro sem graça e a colunista do balacobaco

Friday, January 16th, 2009

Leia o que vai no blog da Barbara Gancia. Postei um aperitivo aí embaixo, mas no final da coluna ela conta um pouco sobre as “relações” da sua família com as brigadas vermelhas, grupo terrorista italiano, na década de 1970. Imperdível.

Tarso Genro vive no passado

Questionado, semanas atrás, sobre os motivos que o levaram a escolher o Brasil para se refugiar, o então fugitivo da Justiça italiana Cesare Battisti respondeu: “O Brasil, sem uma ditadura, era a imagem de um país sensível aos valores democráticos e de garantias dos direitos fundamentais”. Bonito, não? Se fosse menos bronco, Ronald Biggs teria dito a mesma coisa sobre o país que o recebeu de braços abertos -e que até hoje figura no imaginário do cinema como porto seguro para bandidos em fuga.
Para quem conhece o Brasil, a impressão é a de que o italiano condenado à prisão perpétua por assassinato estava falando da Suécia. Arrisco dizer que os dois atletas cubanos que buscaram asilo no país (depois do Pan no Rio) e acabaram deportados com violência inédita não seriam capazes de descrever o país com o lirismo usado por esse senhor que agora é um de nós.
Mesmo que fossem, duvido que compartilhem da visão de Cesare Battisti. Aliás, sou capaz de apostar um picolé de limão como os boxeadores Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux foram embora achando que o país não oferece garantia nenhuma de direitos. Infelizmente, não pudemos ouvi-los para saber o que pensavam, uma vez que, chegando a Cuba, eles foram imediatamente detidos, não é mesmo?

Leia a coluna toda

PS: para os mais novinhos que não sabem o que é balacobaco, segue o Houaiss: Substantivo Masculino; 1 qualidade ou beleza excepcionais

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Dilma nova x Dilma antiga

Wednesday, January 14th, 2009

Eu não vou aceitar as provocações pra achincalhar com a senhoura ministra da casa civil, que apareceu repaginada. Ela é um objeto político e se comporta como tal. FHC e Lula deram “um tapa” enquanto um ocupava e outro ainda ocupa a cadeira, por que não a pretendente?
-Ahh, está defendendo a Dilma?
Não, não estou. Nem sob tortura do Cão, apenas acho o assunto desimportante.
Mas, se alguém quiser entender melhor quais os procedimentos utilizados, sugiro que leiam sobre a plástica da Dilma.

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