economia, política e blog ‘n’ roll

Archive for the ‘negócios’ Category

Empresas adaptam logotipos à crise

Friday, February 13th, 2009

Essa eu vi no excelente blog Obvious, veja as adaptações dos logotipos à crise. Clique na imagem abaixo para ver mais.

logotipo das empresas

logotipo das empresas

Bancos públicos se preparam para super-calote

Friday, February 13th, 2009

O governo federal quer utilizar os bancos públicos para abastecer o mercado com o crédito que os bancos privados mantem embaixo do colchão, com receio de liberar. A contrapartida disso é esperar por uma grande inadimplência. O mercado certamente tem que receber esse dinheiro, mas que os critérios sejam responsáveis. O mundo acabou de entrar em uma crise de créditos podres, o crédito fornecido sem critério e que o tomador não tem como pagar. Abaixo, notícia da Folha Online.

dinheiro embaixo do colchão

dinheiro embaixo do colchão

O medo do crescimento do calote em 2009 com a retração econômica fez os dois principais bancos públicos comerciais, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, elevarem em R$ 2,335 bilhões a reserva adicional para cobrir calotes no final do ano passado. É o que mostra reportagem de Sheila D’Amorim publicada na Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal)

A decisão de separar uma quantia de recursos além do normal –o equivalente a todo o gasto do governo com compra de merenda escolar e livros didáticos em 2008– para proteger as instituições de calotes reduz o lucro dos bancos e tem se mostrado uma tendência no sistema financeiro.

No caso específico dos bancos públicos, essa reserva extra é feita num momento em que as instituições são usadas pelo governo como instrumento para tentar minimizar a crise de crédito no Brasil e evitar uma desaceleração mais forte. Desde o final de setembro, Caixa Econômica e BB têm comprado carteiras de bancos em dificuldade de caixa e elevado a concessão de crédito.

A ideia do governo era suprir a restrição imposta pelos bancos privados, que colocaram o pé no freio nos financiamentos e se mostraram mais conservadores diante da turbulência.

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Crise: zona do euro desaba

Thursday, February 12th, 2009

Enquanto o governo brinca de tudo bem no reino de Lulinha Paz e Amor e Dilma Barbie o resto do mundo sofre com a crise. Notícia da Reuters que circula pelos jornais e sites de hoje:

A produção industrial da zona do euro registrou uma queda recorde em dezembro, mostraram dados nesta quinta-feira, apontando para um aprofundamento da recessão na região e aumentando os argumentos favoráveis a um corte mais forte da taxa de juro pelo Banco Central Europeu (BCE) no próximo mês.

A produção das indústrias nos 15 países que usam o euro como moeda teve uma queda mensal em dezembro de 2,6% e um tombo de 12% na comparação anual, a queda mais acentuada desde que os dados começaram a ser coletados em 1990, informou a a agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat.

Economistas consultados pela Reuters esperava uma queda mensal de 2,1% e um recuo anual de 8,9%. Leia mais .

Se não for o suficiente, a Espanha entra oficialmente em recessão:

O PIB (Produto Interno Bruto) da Espanha registrou queda de 1% no quarto trimestre de 2008 em relação ao período anterior, na segunda baixa consecutiva, o que faz o país entrar oficialmente em recessão pela primeira vez desde 1993, segundo estimativas do INE (Instituto Nacional de Estatísticas) divulgadas nesta quinta-feira.

O PIB do quarto trimestre caiu 0,7% na comparação com o mesmo período de 2007, segundo o INE.

“A queda do índice acontece em consequência de uma contribuição negativa da demanda nacional que foi compensada, em parte, pelo aporte positivo do setor externo”, explicou o instituto em um comunicado.

A queda do PIB no terceiro trimestre foi de 0,2% em relação ao segundo trimestre. Dois trimestres de contração do PIB (Produto Interno Bruto) definem uma economia em recessão, segundo economistas.

Os dados do quarto trimestre deixam o crescimento econômico espanhol no conjunto de 2008 em 1,2%, contra 3,7% registrados em 2007, que foi o maior em muitos anos, acima da média da zona do euro.

No último dia 28, o Banco da Espanha (BC do país) já havia informado que a economia espanhola entrou em recessão, com uma contração de 1,1% no trimestre passado, na comparação com o terceiro –quando também houve queda, de 0,2%, em relação a um trimestre antes.

Para este ano, o FMI (Fundo Monetário Internacional) prevê que a economia da Espanha sofrerá uma contração de ao menos 1%. Para o Fundo, a recuperação do país depende da aplicação de reformas profundas. Em novembro, Zapatero anunciou que o governo destinará 11 bilhões de euros para obras e equipamentos públicos como intuito de criar postos de trabalho e recuperar a economia.

No mês passado, o número de desempregados na Espanha subiu em 198.838 pessoas e agora está na marca recorde de 3.327.801 pessoas, segundo o Ministério do Trabalho e Imigração. Desde janeiro de 2008, o desemprego subiu 47,12%, enquanto de dezembro de 2008 até o mês passado teve alta de 6,35% no país.

E a oposição, de olho em 2010 não fala da crise sobre o tamanho que tem. Por quê? Oras, ninguém gosta de notícia ruim, então ficaria a oposição falando de crise e o Lula de bonança. Além do que, Lula é adepto do bushismo tupiniquim: os que estão contra mim estão contra o Brasil. E a oposição deixa que ele venda esse discurso autoritário. Eu realmente não entendo essa gente.

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O governo Lula é do Cacex

Tuesday, January 27th, 2009

O Brasil só pode crescer se participar mais do comércio mundial. Claro que é preciso manter as contas em dia, mas burocratizar não é, e nunca foi, a solução.

Além do quê cômico: dois ministros, como é padrão no governo do messias de Garanhuns, se desentendem em público. Como diria aquele comentarista de futebol: -Ahh, que beleza!

GUILHERME BARROS
COLUNISTA DA FOLHA

Em uma decisão que pegou de surpresa as empresas de comércio exterior, o governo passou a adotar desde ontem uma série de barreiras não-tarifárias ao ingresso da grande maioria de produtos importados. Na prática, a medida significa a volta do sistema de controle das importações adotado pelo país nas décadas de 70 e 80, quando o Brasil era um pequeno exportador e importava 80% do petróleo que consumia.
O que mais chamou a atenção foi a forma com que o governo comunicou a decisão ao setor. Em vez de uma portaria ou uma comunicação formal, o Ministério do Desenvolvimento anunciou a nova medida por meio de uma nota publicada na sexta-feira passada no Siscomex, o sistema usado para controlar o comércio exterior.
A nota no Siscomex informa que será exigida a partir da data de ontem a apresentação da licença de importação prévia, a chamada LI, para quase todos os produtos que entram no país. A lista é ampla e abrange praticamente toda a pauta de importações do país: produtos de moagem (trigo), plásticos, cobre, alumínio, ferro, bens de capital, material eletroeletrônico, autopeças, automóveis e material de transporte em geral, entre outros.
A exigência da LI tinha sido abolida no país nos últimos anos. A importação era praticamente automática. A única exigência era de uma declaração de importação (DI), que era feita pelo próprio importador, apenas para efeitos estatísticos.
Já as LIs podem demorar até 60 dias para serem concedidas pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior) e se assemelham muito às guias de importação da época da Cacex (Carteira de Comércio Exterior), o órgão que era responsável pelo controle da entrada de produtos no país nas décadas de 70 e 80. A Cacex foi extinta em 1990 e, desde então, o Brasil sempre tem atuado no sentido de liberalizar o comércio exterior.
De acordo com o que a Folha apurou, a medida adotada pelo Ministério do Desenvolvimento não conta com o apoio dos técnicos da Fazenda. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, irá se reunir hoje com o ministro interino do Desenvolvimento, Ivan Ramalho, para discutir a decisão.
No início da noite de ontem, a assessoria do Ministério do Desenvolvimento ligou à Folha para informar que o objetivo da medida foi fazer um “acompanhamento estatístico” de uma série de produtos importados pelo país, e as importações barradas ontem seriam liberadas rapidamente. Leia mais.

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o Fórum Social Mundial não é o anti Davos

Friday, January 23rd, 2009

De vez em quando leio por aí que o Fórum Social Mundial é uma reação à reunião das grandes economias em Davos. Quanta besteira! Primeiro, não vou me ater ao conteúdo, mas à repercussão de cada um. Simplesmente não há comparação possível. Davos, principalmente nesse ano de forte crise, é acompanhado de perto e com e com extrema atenção pelo mundo inteiro. O FSM é de uma divulgação muito menor. Sai um pouco no Brasil e no máximo ganha algum destaque em jornais de esquerda aqui e acolá mundo afora.

Agora sim, quanto à qualidade do discurso, em Davos as estrelas são os grandes nomes que pensam os rumos financeiros e comerciais do mundo, no FSM há figuras do “porte” de Boaventura de Souza Santos, e esse ano, fino da bossa, homenagerão o assassino Cesare Battiste, aquele que mandou matar o pai e alejou o filho, e Sancho Pança Tarso Genro, ao mesmo tempo que pedem a abertura dos processos por tortura no Brasil, ou fim da anistia.

Eu já me manifestei sobre a anistia feita no Brasil, foi muito mal conduzida. Os crimes do período, para os dois lados, deveriam expirar a partir da confissão. Não declarou seus atos até tal data, fique à merce da justiça comum. Mas repare que não é isso o que propõem os belos e justos do FSM, não eles querem que sejam julgados os “direitistas”, apenas seus inimigos. Isso sim é tribunal de exceção.  Como se vê, a esquerda que matou os libertários assim que tomou o poder não mudou muito em 100 anos. Na hora agá, toda a lei para o inimigo, toda a anistia para eles.

É basicamente por isso que o FSM não é um anti-Davos, não possui estofo (moral ou técnico) para isso.

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Mercado não dá um tostão furado pela GM

Tuesday, December 23rd, 2008

O que era ruim ficou pior para a General Motors. Pelo menos é essa a leitura dos investidores americanos. Ontem as açoes da empresa despencaram 21%. Isso indica que parte do mercado aposta na concordata da gigante automobilística, mesmo após o anúncio de socorro de US$ 9,4 bilhões que o governo Bush preparou para ajudar a companhia. Outro indicativo, ontem a S&P rebaixou (novamente) a classificação de risco da empresa: está 11 níveis abaixo de grau de investimento. Pela escala utilizada, o próximo degra é a falência.

A leitura que se faz é que o dinheiro do pacote não daria nem pra começar a tapar o rombo da GM. Mas o curioso é que Obama já declarou que não deixará as gigantes automobilísticas quebrarem. Há quem justifique que a quantia oferecida não é para tirar a empresa do buraco, mas para que ela aguente até o pacote do governo democrata ser anunciado.

Quem viver, verá.

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Itaú/Unibanco: Serra rindo à toa

Tuesday, November 4th, 2008

Se eu fosse o governador José Serra estaria rindo à toa. Explico. Serra quer se livrar do banco estadual paulista, a Nossa Caixa, Nosso Banco. Até agora, o único comprador forte do mercado era o Banco do Brasil, até por uma questão legal. Mas se tem algo em que acredito é na tendência humana de repetir comportamentos.

Estude um indivíduo ou grupo de indivíduos por um tempo razoável e será capaz de “prever seus movimentos” com 90% de acerto. Pois bem, Itaú e Bradesco estão há tanto tempo travando uma batalha particular para ser a maior instituição financeira privada do Brasil que é difícil imaginar que o banco sediado em Osasco (na grande São Paulo) deixará a fusão Itaú/Unibanco passar batida. Minha aposta nesse momento é que o interesse deles pela Nossa Caixa, Nosso Banco certamente aumentou um bocado. E como se sabe, se há dois compradores e apenas um produto o preço tende a aumentar.

Como disse no início, Serra deve estar rindo à toa.

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Itaú e Unibanco anunciam fusão

Monday, November 3rd, 2008

Ainda não deu pra saber os detalhes do negócio, como as trocas de ações, mas está anunciado.

atualizado às 11h10, do valor econômico:

A relação de troca prevista é de 1,7391 unit do Unibanco para uma ação da nova instituição. Para a ação ON do Unibanco e do Unibanco Holdings, a relação é de 1,1797 para uma ação do Itaú Unibanco Holding S.A. Quanto ao papel PN do Unibanco, a proporção é de 3,4782 por uma ação do Itaú Unibanco Holding, mesma relação válida para PN Unibanco Holdings.

Na Folha Online:

A Itaúsa –empresa de participações do grupo Itaú– e o Unibanco anunciaram nesta segunda-feira que irão fundir as operações financeiras entre ambas, o que formará o maior banco do país e o maior grupo financeiro do Hemisfério Sul, segundo comunicado divulgado pelos bancos.

“Os controladores da Itaúsa e da Unibanco Holdings comunicam ao mercado que assinaram nesta data contrato de associação visando à unificação das operações financeiras do Itaú e do Unibanco de modo a formar o maior conglomerado financeiro privado do Hemisfério Sul, cujo valor de mercado fará com que ele fique situado entre os 20 maiores do mundo. Trata-se de uma instituição financeira com a capacidade de competir no cenário internacional com os grandes bancos mundiais”, informaram as duas empresas em comunicado ao mercado.

Segundo as duas instituições, o total de ativos combinado é de mais de R$ 575 bilhões –contra R$ 403,5 bilhões do Banco do Brasil, e R$ 348,4 bilhões do Bradesco, segundo dados de junho do Banco Central.Leia mais.

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Lula, o esquerdista

Wednesday, October 29th, 2008

Abaixo, trechos de reportagem da Folha enunciando declarações do messias. Meus comentários em azul.

Sem citar nomes ou instituições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar ontem os empresários que apostaram na especulação…
Não foi à toa que não citou nomes, com eles a imagem não ficaria tão bem caracterizada. Lula revive o bicho-papão dos esquerdistas, desde a revolução francesa é assim: o burguês (empresário) sanguinolento. Essa imagem está bem colada na cabeça da população, todos são capazes de imaginar esse mosquito da dengue atuando em seus bolsos.

e disse que chegou a hora de os políticos entrarem em ação para defender que o sistema financeiro ganhe dinheiro aplicando em coisas que gerem riquezas, produtos e empregos.
O que também impresssiona é a total incapacidade (ou seria intencional?) de compreender gestão financeira de uma empresa. Para quem foi presidente de um grande sindicato isso é quase impensável. O dinheiro não entra no caixa e vai para “investimentos produtivos”, seja lá o que for isso. Pode ser redirecionado para o custeio da empresa, para formar caixa vizando um investimento futuro, etc… E fazer o que durante todo esse tempo? Guardar embaixo do colchão? Ah, tenha a apócrifa paciência! (a paciência santa, como se sabe, é reservada ao messias) O dinheiro irá para o mercado (óbvio!), ganhando ou perdendo até chegar a hora de ser usado.

De acordo com o presidente, o Estado volta a ter um “papel extraordinário” em meio à crise econômica mundial. “Todas essas instituições, que passaram três décadas negando o papel do Estado, na hora que tem uma crise procuram o Estado em que não confiam para socorrê-las das crises provocadas por elas mesmas”, afirmou.
E lá vamos nós, de novo. Como se vê, a cada oportunidade surgida o petismo tenta “reforçar” o  estado e seu “papel extraordinário”. Parece até que os estados não são parte do sistema financeiro internacional. Fica-se com a impressão que os governos não investem o seu dinheiro em outros mercados. Quanto às empresas procurarem o estado, isso é uma meia-verdade. No caso do sistema financeiro o estado vai ao encontro porque é melhor gastar agora do que colher uma década de depressão econômica (leia a lição japonesa), o que representa menos impostos recolhidos.

“Não podemos permitir que alguém fique rico trocando apenas papéis. Às vezes, os papéis perpassam oito, nove, dez instituições, todas ficando ricas, sendo que poucas vezes se gerou a produção de um paletó”
Por partes. Ficar rico “trocando apenas papéis” é mais do legítimo, é necessário. Quando alguém compra papéis de uma empresa, na prática, financia essa empresa. Agora, eu também sou contra a farra dos derivativos, alguns desses papéis parecem simplesmente jogos de azar, mas dai a tentar controlar o fluxo dos papéis em geral é apenas uma tentativa de controlar o fluxo de capitais. Foi esse mesmo fluxo de capitais que nas últimas duas décadas, mas sobretudo na última, retiraram mais pessoas da miséria do que em toda a história da humanidade.

Em seguida, o presidente afirmou que o Brasil não precisaria sofrer com a crise e explicou por que o Brasil “vive sinais da crise”. “Porque alguns setores da economia brasileira resolveram investir numa coisa chamada derivativos. Não era fazer hedge [instrumento para se proteger de possíveis oscilações cambiais]. Resolveram ganhar um pouco mais, tentando construir um cassino após o hedge para ganhar com a especulação da desvalorização do dólar e da valorização do real. Portanto, quem foi para a jogatina perdeu”
Peraí, na semana passa apostavam contra o Real e agora apostavam a favor? Presidente, quem é seu consultor econômico, o Mantega? Mas enfim, decorou bem o discurso: quem foi pra jogatina perdeu ou ganhou, está na regra. E quem com sua perda coloca todo o sistema financeiro em risco deve ir pra cadeia, exatamente como no Proer que Lula e sua turma não cansaram de atacar, mas que nas últimas semanas citaram como exemplo do Brasil para o mundo. Ahh, sim, se banqueiros e gestores irresponsáveis da época do Proer ainda não estão, e talvez nunca estarão, atrás das grades, envie a conta para os partidos políticos, como o do presidente, que não votam leis penais mais severas. E olhe que eles são maioria no congresso há 6 anos.

Com se vê, Lula volta ao discurso esquerdista de mais estado, mais estado e um pouco mais de estado. Claro, afinal, eles, os iluminados, é que nos dirão o que é certo ou errado. O que é investimento produtivo ou não. O que é hedge ou não. E no final, quando percebemos, o que pode ser escrito ou não.

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Compulsório, juros, crédito e inflação

Tuesday, October 28th, 2008

O texto a seguir é um tanto longo, mas a sua leitura deverá trazer à luz uma série de conceitos. Assim espero.

Creio estar na hora de acabar com uma fábula corrente no noticiário econômico brasileiro, a de que a alta taxa de juros existe para controlar a inflação de mercado, aquela dos preços nas prateleiras dos supermercados. Ah, sim, existe pra isso também. Mas o principal fator para o exorbitante valor nominal do juro oficial no Brasil é o volume de dinheiro gasto pelo estado.

História recente dos gastos públicos
O primeiro mandato de FHC foi marcado pela consolidação do equilíbrio econômico. O país ainda era uma bagunça generalizada, vinha de três desastres consecutivos: Figueiredo, Sarney e Collor. A situação começa a melhorar quando Itamar delega o comando do país ao tucano, que monta a equipe responsável pelo plano Real, uma das mais bem sucedidas políticas de controle de inflação da história, criativa e ortodoxa ao mesmo tempo.Também foi nesse período que ocorreu o Proer, Programa de estímulo à reestruturação e ao fortalecimento do sistema financeiro nacional, que saneou o sistema bancário nacional.

Já no segundo mandato o principal ponto foi o equilíbrio fiscal, que entrou em vigor em maio de 2000. De forma resumida, o estado não pode gastar mais do que arrecada. A lei do equilíbrio fiscal cutuca a ferida, se for desobedecida o punido é o político e não o burocrata de carreira. Leis assim “pegam”. E mesmo com esse gargalo (necessário!) foi possível criar e ampliar os programas de assistencia social, esses mesmos que garantem a popularidade de Lula.

No entanto, o governo federal ainda gastava mais do arrecadava, sobretudo pela ineficiência da gestão e défict da previdência social. Esses problemas começaram a ser atacados na gestão FHC, mas necessitavam de continuidade. Não foi o que ocorreu. Vieram os anos do lulismo.

História recentíssima da gastança pública
Lula foi um deputado sem projetos de leis. Basicamente não fez nada. E depois desse único mandato nunca mais se candidatou ao legislativo. Diz que não é a dele. Provavelmente porque gosta de ser protagonista. A única coisa que realmente parece fazer sem titubear é campanha política e, em um dos poucos momentos que considero sincero nesses 6 anos, disse que a campanha começa no dia seguinte ao da posse. E é isso que tem feito, campanha política disfarçada de gestão, com o dinheiro do contribuinte.

Diz que ampliou os programas sociais de FHC, na verdade os transformou em assistencialismo. O governo não se empenha em cobrar as contrapartidas dos beneficiados (comprovar assiduidade escolar, requalificação profissional, etc…). E melhor entregar as beneces simplesmente porque se é bonzinho, o novo paizinho dos pobres.

Também tornou o governo a alegria dos companheiros. Sim, nuncaantesnessepaís foram criados tantos cargos de confiança. Tem pra todos os aliados, de primeira e de segunda hora. Esse tipo de coloção mina por demais a eficiência da gestão, e gasta-se muito e mal.

A conta não fecha
Como o governo gasta mais do que arrecada, precisa emitir dinheiro pra fechar a conta. Mas se colocasse as máquinas da casa da moeda a todo vapor, geraria uma tremenda inflação. A solução é captar dinheiro da iniciativa privada ou do exterior. Como faz isso? Emitindo títulos públicos. Basicamente é uma nota promissória. O governo se compromete a pagar um determinada valor em uma data futura.

Claro que quem precisa de muito precisa oferecer muito em troca, e faz isso aumentando a taxa básica de juros, a tal da Selic, Sistema especial de liquidação e de custódia. Com a Selic a 14%, por exemplo, o governo está dizendo: -Ei, empresta R$ 100,00 que em x de janeiro de 20yy eu te pago R$ 114,00

Como fica claro, esse dinheiro tem um custo, o juro, e é uma bola de neve: quanto maior o buraco, mais fundo ele será. A solução? Apenas uma, diminuir os gastos. Como vimos, o inverso do que fez o lulismo.

Controlando a inflação
Com essa altíssima taxa de juros, o governo absorve a maior parte dos recuros destinados a empréstimos, por isso, e também pela forma como os bancos se organizam, os empréstimos bancários são tão caros no Brasil.

Também há no país uma demanda reprimida muito grande. Ainda há muito geladeira ser comprada/trocada, automóvel novo a ser vendido, etc… As pessoas precisam se financiar pra isso, mas se todo o dinheiro circulante for parar nas ruas, a inflação sobe. Uma outra medida de controle da liquidez são os empréstimos compulsórios. O Banco Central determina que X% de tudo o que for depositado em um banco, até caderneta de poupança!, deverá ir para o caixa federal e será devolvido após determinado tempo.

Lembra-se do congelamento de contas correntes do plano Collor? Foi um empréstimo compulsório. O dinheiro, claro, quando foi devolvido havia sido corroído pela inflação, virou pó. A situação atual não é tão dramática, mas persiste.

Pois bem, a média mundial em paises com sistemas financeiros consolidades é de um compulsório de 10%, no Brasil pré-crise chegou a 55%! Então não venham me dizer que há excesso de consumo, a maior parte do dinheiro dos brasileiros está retida no caixa do governo e não pode voltar na forma de financiamento.

Agora, com a crise mundial de crédito, o BC liberou uma fatia dos compulsórios. Disse aos bancos -peguem esse dinheiro e emprestem para as empresas montarem capital de giro. Como ninguém tem confiança sobre quem conseguirá honrar ou não os pagamentos, o que fizeram os bancos? Deram uma bela banana aos empresários e botaram a dinheirama em títulos do governo. Tinham tudo parado e agora receberam de brinde 7% de taxa real ao ano. Quer saber, estão certos. O governo não pára de gastar dinheiro, porque teriam de ser os bancos os bonzinhos da história?

Resumo da ópera
A taxa Selic é alta, os empréstimos compulsórios altíssimos e o juro praticado nos bancos é exorbitante. Todos tem uma causa comum: o estado brasileiro gasta mais do que pode. E o governo Lula, ao invés de aproveitar o momento mágico da economia mundial para terminar a arrumação da casa, só fez crescer o buraco.

Apertem os cintos, o piloto sumiu e há uma tempestade à frente.

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