Archive for the ‘segurança’ Category
Wednesday, January 21st, 2009
Publico atrasado ótimo texto do blog da jornalista Sonia Racy sobre o caso do assassino Battisti.
É bem mais duro do que se imagina o texto da carta mandada pelo presidente italiano Giorgio Napolitano ao presidente Lula. A avaliação é do especialista Walter Maierovich, que diz ter recebido telefonema de uma alta figura daquele País, interessado em entender “de onde saiu” a decisão brasileira de dar refúgio a Cesare Battisti. Para a coluna, Maierovich ressaltou aspectos do caso pouco esclarecidos até agora do caso. Alguns deles:
A comparação do caso Battisti com o de Salvatore Cacciola, feita por Tarso Genro, não faz sentido. Cacciola tem cidadania italiana e, por lei, a Itália jamais extradita seus cidadãos.
A França nunca deu refúgio a Battisti. Ele apenas contou com a boa-vontade do governo Mitterrand para “ir ficando” no País. E fugiu para o Brasil quando a Justiça francesa, já no governo Jacques Chirac, aceitou o pedido da Itália para extraditá-lo.
O Tribunal Internacional Europeu, em Estrasburgo, rejeitou seu pedido de proteção, entendendo que era criminoso comum.
Os quatro assassinatos foram praticados em um país democrático, onde inúmeros partidos atuavam, havia eleições livres, parlamento funcionando e nenhuma ditadura ou lei de exceção.
Todos os outros 8 ou 10 extremistas do grupo de Battisti, detidos e condenados, já cumpriram pena e estão em liberdade.
Maierovich acusa Tarso de “contar as histórias pela metade” e de ter destratado não só a Justiça da Itália como a da França. E arremata: “Ele teria dificuldades de passar em um exame da OAB”.
Tags: Cesare Battisti, crime, Itália, Tarso Genro
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Monday, September 22nd, 2008
Lê-se em todos os jornais que a Polícia Federal (PF) está há dois meses e meio tentando desincriptar os 5 hard disks apreendidos na casa de Daniel Dantas. Segundo os policiais, nunca se viu uma encriptação desse nível no Brasil.
[Explicação breve e rasteira]Encriptar é utilizar uma chave (algo como uma senha) para tornar as informações ilegíveis. Apenas quem possuir a chave de desincriptação conseguirá ler as informações. É o que acontece quando se navega em um site para pagamento online, por exemplo, e aparece o famoso ícone do cadeado nos navegadores.[fim]
Essa é a minha área, e acho assustadora essa afirmação vindo (nunca antes neste país se viu tal encriptação…), supostamente, de policiais federais. Em TI (Tecnologia da Informação) e programação de computadores, não existe essa história de Brasil e exterior. O mundo é um só. A conferência BlackHat de hackers (onde são discutidas técnicas como essa) é aberta, qualquer um pode se inscrever e depois é fartamente comentada nos foruns de segurança e listas de discussão internet afora.
Não estou afirmando que a tarefa é fácil. Para se ter uma idéia, é possível criar uma chave de segurança que para ser quebrada por força bruta, que nada mais é que tentar uma infinidade de combinações possíveis, exigem TRIlhões de tentativas. Mesmo que um computador comum consiga chegar a milhões de senhas por segundo, isso exigiria BIlhões de segundos. Nesse caso, a razão entre a capacidade computacional e quantidade de combinações possíveis, pode ser medida em anos. É mais fácil acertar na Megasena com um jogo simples do que encontrar uma chave dessas.
Imagina-se, e é apenas suposição, que os grandes serviços de informação utilizem supercomputadores com capacidade vetorial de cálculo para fazer o serviço. Se a polícia federal anda de camburão velho pra prender traficante de drogas, é razoável supor que um equipamento desses esteja fora de cogitação.
Mas se o equipamento é tão caro, o que fazer? Cloud computing (computação em nuvem). Monta-se uma rede de computadores que realizam os cálculos nos momentos de baixo uso de CPU. Por exemplo, quando se navega pela internet, a maior parte do tempo o computador não faz nada. Carrega-se uma página, lê se algo (tempo inativo de CPU), outro clique, mais uma página (tempo inativo de CPU), etc… É justamente esse tempo inativo que é utilizado para ajudar no projeto genoma, estudar sinais de rádiotelescópios (projeto SETI) e tantas outras iniciativas científicas ao redor do mundo.
Cloud computing é extremamente barata, afinal são os computadores que já existem e fácil de ser implementada. Na faculdade, há mais de dez anos, um colega e eu fizemos isso com os nossos computadores para calcular fractais.
A impressão que fica é que não faltam apenas recursos, por certo que há escassez, mas também há um mal uso do pouco que se tem. É possível fazer mais com menos. Sempre. Será que a sociedade reagiria bem se a PF lançasse um programa que ajuda a combater o crime no tempo inativo dos computadores pessoais? Bastaria instalar um salva-telas e pronto, você estaria combatendo o crime. Tenho certeza que MUITOS se cadastrariam. Ou ainda, utilizar uma fração das dezenas de milhares de computadores do serviço público federal.
O que é mais assustador nesse vazamento, é que os policiais acabaram de informar à bandidagem,que basta utilizar um bom hash MD5, uma chave de 2048 bits (que qualquer computador encripta em frações de segundo) e eles nunca terão acesso aos dados.
Tags: daniel dantas, policia federal
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Thursday, September 11th, 2008
Essa é uma notícia que só pode ser veiculada pelos jornais da RFS (República Federativa do Surreal). Na quarta, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por unanimidade soltar um grupo de dez presos. Até aí, nada de mais. O problema é que esse “grupo”, é formado por membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) em parceria com o Comando Vermelho (CV) que em 2004 tentaram resgatar presos do presídio de Franco da Rocha. O plano consistia em liberar os 1.279 presos, pois entre eles econtrava-se o sequestrador Jorge de Souza, o Carioca, integrante do CV. Não, você não leu errado, eles iam “liberar” todo um presídio para criar confusão o suficiente para o resgate.
O problema é que até o presente momento, o inquerito não passou das fases iniciais. Sobretudo porque não foram realizadas as oitivas e por um dos co-réus não possuir defensor.
Os depoimentos em frente ao juíz não aconteceram por falta de escolta. Isso mesmo, ninguém tirou os presos da cadeia para serem ouvidos. Claro, que cabe à justiça determinar que isso se dê. E também cabe à justiça indicar um defensor público para o réu que, por qualquer motivo, não possua um.
O mais impressionante é que o ministério público acha que está tudo bem. Nesses quatro anos não foi possível concluir as investigações devido à complexidade do caso. A afirmação não é minha, não, é do subprocurador-geral da República Edson Oliveira de Almeida.
Com isso, os dez estão livres, leves e soltos! Serelepes da vida por aí.
Então fica combinado assim, caro leitor/a. Se for cometer um crime, escolha um bem complexo. Sacomé, dá um trabalho investigar…
Em tempo. Não critico a decisão do STF, afinal ninguém pode ficar tanto tempo preso sem o processo caminhar, mas os juízes do caso e o ministério público.
Tags: crime, CV, PCC, STF
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Thursday, January 24th, 2008
No Estadão, por João Domingos e Carlos Orsi.
A ministra do meio Ambiente, Marina Silva, informa que houve na Amazônia, em novembro e dezembro, um “desmatamento nunca visto”. Ela informou que comunicou o fato ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na reunião ministerial desta quarta, e que ele convocou para amanhã uma reunião de emergência para discutir o assunto. Segundo os dados levantados por satélite nos últimos meses, se nada for feito para conter a devastação, o desmatamento, no período 2007-2008, poderá chegar a 15.000 km2, cerca de 30% a mais que o registrado entre 2006-2007. Leia mais.
E há quem desdenhe do presidente quando ele diz “nunca antes nesse país”. Que má vontade.
Tags: amazonia, desmatamento, marina silva
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Monday, January 21st, 2008
Os jogos Counter-Strike e Everquest foram proibidos com a determinação registrada na 17a Vara da Seção Judiciária de Minas Gerais, afirmando que no jogo CS “traficantes do Rio de Janeiro seqüestram e levam para um morro três representantes da Organização das Nações Unidas”.
Voltamos à velha discussão se jogos incitam a violência dos jovens ou não. Quero deixar claro que não sou usuário desses softwares, o único jogo de computador que realmente gosto é o bom e velho tetris, portanto essa não é uma opinião pacional. Muito bem, até que se apresentem estudos multi-cêntricos, randomizados, etc, etc, etc…, tudo de acordo com o aceito pela comunidade científica, qualquer opinião é achómetro. Na verdade, já vi um estudo relatando o contrário, que estes jogos trazem ao jovem uma noção mais exata da conseqüência dos seus atos, porque no jogo seu personagem morre. Oposto ao argumento lugar-comum que afirma que esta capacidade de ressureição acabaria com a noção de conseqüência dos atos.
Mas o que mais causa estranheza na decisão é o fato de não estar encaixada nos argumentos que a lei permitiria vetar uma divulgação, como intolerância, por exemplo. Há um outro agravante, o jogo foi proibido por algo que se quer faz parte do pacote original do jogo, trata-se do mapa cs_rio, que pode ser baixado gratuitamente na internet. A empresa autora do jogo foi punida pela utilização do software e não por ser o programe o que ele realmente é.
Sou contra qualquer tipo de proibição de manifestação de idéias, até mesmo por parte de imbecis intolerantes. O que se deve coibir é a prática intolerante. Mas o que fará o judiciário com filmes que mostram violência? Devo entender que uma peça de ficção na qual representantes da ONU são sequestrados e levados para um morro não poderá ser exibida? Ora, a lei possui outra forma de lidar com isso, a recomendação de faixa etária. Se o sr. juiz acredita que o software é impróprio para menores de uma determinada idade, que se proiba a venda ou locação para esse público. Proibir de forma total e genérica não faz sentido algum. Além, é claro, de se prejudicar a empresa autora do software
Tags: censura, CS, jogos
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Sunday, January 20th, 2008
No Brasil da esquerda politicamente correta, com suas estatísticas vindas sabe Zeus de onde, tudo é culpa da pobreza. A miséria é sem dúvida responsável por números alarmantes em várias áreas das nossas vidas, mas não por tudo. Um discurso muito comum é atribuir a violência à disparidade de rendas entre as classes. Claro que já acreditei nisso, mas comecei a mudar de idéia quando, na universidade, fiz trabalhos em favelas. A maioria esmagadora dos moradores é muito ignorante (do ponto de vista formal), mas não rouba nem passe de ônibus. E daria tudo para se ver livre dos bandidos que cercam suas vidas.
No Estadão, por Wilson Tosta.
Quando completar 30 anos, no fim de 2008, a mais antiga e confiável base de dados sobre mortes do Brasil, o DataSUS, do Ministério da Saúde, iniciada em 1979, apontará um número de homicídios acumulado nessas três décadas bem próximo - um pouco maior, um pouco menor - de 1 milhão. A conta é comparável à de países em conflito bélico. Angola levou 27 anos para atingi-la, mas estava oficialmente em guerra civil.
Os números são apresentados por um estudioso do fenômeno da violência, o economista Daniel Cerqueira, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), para chamar a atenção para a “tragédia anunciada” da segurança pública brasileira. “A questão social não seria unicamente responsável se a gente tivesse um sistema coercitivo que funcionasse. Temos um sistema de segurança pública falido. A violência é como um barco à deriva desses problemas sociais, socioeconômicos”, diz. leia mais.
Tags: homicidios, segurança, violencia
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Monday, January 7th, 2008
Zero Hora, por Carlos Etchichury.
Em menos de uma década, Porto Alegre tornou-se mais violenta do que São Paulo e Nova York.
Proporcionalmente à população, mata-se mais na Capital do que em duas das principais metrópoles do mundo.
No ano passado, 430 pessoas foram assassinadas em Porto Alegre (29,86 para cada grupo de 100 mil, de acordo a Secretaria da Segurança Pública). Foi o mais violento da década no município. O quadro pode ser mais grave ainda. Cálculos da Delegacia de Homicídios apontam para mais de 500 assassinatos, número questionado pela secretaria.
Pesquisadores consultados por ZH alertam: o momento de agir é agora.
Os homicídios se intensificam de forma homeopática desde 2000. Naquele ano, com 285 assassinatos (20,95 para 100 mil), a situação era considerada sob controle. No mesmo período, São Paulo despertava a atenção com 51,33 mortes por 100 mil. Desde lá, as duas capitais protagonizam situações antagônicas. Investimentos do Estado e da prefeitura da capital paulista em segurança, articulados com ações de ONGs, reduziram em mais da metade os índices de assassinatos. O último dado disponível, de 2006, revela que 18,39 pessoas foram assassinadas para cada grupo de 100 mil - fenômeno semelhante ocorre no Estado paulista.
Vejam os números, Porto Alegre com 29,86/100.000 e São Paulo com 18,39/100.000. Não sou especilista, mas é claro que para combater a violência precisa-se de polícia. Educação é fundamental, bom momento econômico também, mas sem punição a bandidagem não se retrai. Em SP, tão imporante quanto a ampliação do policiamento de rua, foi a construção de novos presídios. Ainda há carência de vagas e o crime organizado atua fortemente no sistema prisional paulista, mas um número maior de marginais fica mais tempo na cadeia. Mesmo mandando no pedaço, cadeia é cadeia.
O executivo tem que cumprir a sua parte, pena que o legislativo não faz a reforma do judiciário pra que se vá pra cadeia de forma mais rápida.
Tags: cadeia, policia, prisao, seguranca publica
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