economia, política e blog ‘n’ roll

Os candidatos a presidente e as eleições de 2008

Monday, October 27th, 2008

Uma série de políticos e articulistas que “colavam” as eleições municipais de 2008 à presidencial de 2010 parecem ter mudado de idéia. Estavam tão empolgados com a idéia que o messias de Garanhuns elegeria até um poste, que embarcaram nessa. E agora mudaram de idéia. Por que? Simples, o lulo-petismo foi derrotado nas eleições municipais.

-ahh, mas elegeu “montes” de prefeitos na G-79 (cidades com segundo turno)! É verdade, mas não nos locais importantes. Primeiro, perdeu a jóia da coroa, São Paulo. E só isso já bastaria para configurar sua derrota. Aliás, ter apostado na vitória em SP já foi mostra de excesso de fé. A cidade não é muito chegada a Lula, que nunca venceu por aqui. No RJ, não deu nem pro cheiro. Ficou fora do segundo turno. Aliás, participou do primeiro? Em BH, desistiu de concorrer à prefeitura embarcando no sonho aecista de PT+PSDB em 2010. Nessa, Aécio perdeu pouco, mas o PT mineiro perdeu muito! Porto Alegre, com quase 20 pontos de diferença!, ratificou o fora PT de 2004, depois de 16 anos no poder. Em Curitiba apostaram alto e veio a mais emblemática derrota do lulo-petismo, 80% a 20%!

Ganhou no Recife, e aí é a vitória desse grupo, sim. E não venceu em Fortaleza, como se sabe, Luizianne é quase uma candidatura pirata. Os caciques petistas não a queriam em 2004 e continuavam não querendo em 2008. Lula não teve nada a ver com essa vitória.

Portanto, saem derrotados os caciques gaúchos. Dilma Rousseff e Tarso Genro participaram da campanha e não evitaram o vexame. Não são capazes de transferir os votos que nunca tiveram ou não possuem mais.

Em SP, Marta sonhava em ir da cadeira de alcaide direto para o palácio do planato. Nos braços do povo paulistano seria páreo duro na briga com Dilma pela indicação da candidatura presidencial do PT. Ficou sem a primeira cadeiara e não deve nem ser cogitada para a segunda.

Em BH, Patrus Ananias perdeu antes da eleição começar: era contra a aliança tucano-petista. A aliança se deu e Patrus se deu mal. E Aécio? Bom, esse ganhou mas não levou. Deveria ter vitória esmagadora no estado, e não foi isso que se viu. O PSDB encolheu. Fica um pouco mais difícil lutar pela indicação tucana. Claro que no seu caminha sempre a possibilidade, agora um pouco mais improvável, de se mudar de mala e cuia para o PMDB.

Ciro Gomes investiu muito na candidatura da sua ex-mulher Patricia Saboya, não chegou sequer ao segundo turno do seu principal reduto eleitoral. Sai enfraquecido.

Vencedor mesmo foi Jose Serra. O PSDB cresceu ainda mais em SP, que detem praticamente 1/3 do colégio eleitoral do país, e seu aliado, Gilberto Kassab, venceu de forma esmagadora na capital. De quebra, Aécio enfraquecido e Alckmin fragorasamente derrotado, nesse momento, não fazem sombra ao governador.

Resumindo, eu nunca disse por aqui que seriam transferidos votos de 2008 direto para 2010, mas, como vimos, algumas candidaturas foram enterradas domingo. Mas não mudei de idéia só porque desejei, ops, “previ” errado, como fizeram alguns tantos.

Atualização: esqueci de mencionar o governador Jacques Wagner. Esse conseguiu o milagre, só poderia se dar na Bahia graça de tal monte, de unir Geddel e ACM neto. Pois bem, perdeu e viu seus créditos desabarem.

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Belo Horizone, Quintão é ducha de água fria em Lacerda

Monday, October 6th, 2008

Poucas apurações foram mais divertidas que a de Belo Horizonte. É sempre interessante ver como um candidato proclamado como amplo favorito vê o seu eleitorado “potencial” desabar.

Os números na capital mineira foram muito mais próximos que qualquer previsão. Lacerda (PSB) com 43% e Quintão (PMDB) com 41%.

Não importa muito qual o resultado final dessa eleição, foi uma derrota significativa para o governador Aécio Neves (PSDB) e o prefeito Fernando Pimentel (PT), aliados de Lacerda.

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Pimentel “oficializa” aliança com Aécio em café da manhã

Wednesday, February 13th, 2008

Quer entender mais do vai abaixo? Leia esse texto sobre Aécio Neves.

Na Folha, por Paulo Peixoto.

O prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), “oficializou” a sua tentativa de fazer de Márcio Lacerda (PSB), secretário de Desenvolvimento Econômico do governador Aécio Neves (PSDB), o candidato comum de petistas e tucanos à Prefeitura de Belo Horizonte, que está sob controle do PT por quase 16 anos.

A espécie de oficialização da aliança se deu na forma de um café da manhã na casa de Lacerda, ontem. Pimentel levou ao encontro alguns secretários da prefeitura e lideranças do partido na Câmara Municipal, Assembléia Legislativa e Câmara dos Deputados. A intenção foi apresentar o secretário de Aécio aos petistas.

Durante as conversas, não foi colocado pelo prefeito que Lacerda seria o nome defendido por ele para disputar a sua sucessão com o apoio do PT. Discutiu-se apenas a manutenção da aliança do PSB com o PT, embora o simples gesto de Pimentel de levar os petistas tenha deixado a posição clara, no relato de alguns participantes do encontro à Folha.

A união de PT e PSDB em Belo Horizonte interessa a Pimentel, que fortaleceria sua pré-candidatura ao governo de Minas em 2010, até com o apoio de Aécio. E interessa a Aécio porque ele buscaria reforçar a sua pré-candidatura à Presidência em 2010 passando a imagem de que é capaz de angariar apoios até no PT para um eventual governo nacional. Leia mais.

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Aécio + PT: jogando em duas frentes

Friday, January 25th, 2008

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, anunciou seu apóio a uma aliança PT-PSDB para concorrer à prefeitura de Belo Horizonte. Como o prefeito Fernando Pimentel não pode mais ser candidato, e para evitar o acirramento de ânimos tanto na militância petista como na tucana, procura-se um nome externo aos dois partidos. Um dos mais cotados é Mário Lacerda (PSB) que atualmente é secretário de Desenvolvimento Econômico de Aécio e trabalhou no ministério da Integração Nacional no primeiro governo Lula. Como se vê, transita bem entre as duas “casas”.

Aécio possui uma aceitação tão grande em MG que é difícil acreditar que um candidato com o seu apóio, qualquer candidato, não se tornasse um páreo duro. Pois bem, então o que pretende o governador?

Por um lado vai metendo o bedelho na eleição paulistana, quer a todo custo que Alckmin seja o candidato do partido. Isso, quase inevitável, precipitará no fim da aliança DEM-PSDB em São Paulo, dificultando a vida do governador José Serra. Não custa lembrar que Serra é hoje o nome preferido dentro do PSDB para disputar a presidência em 2010. Aécio tenta, então, enfraquecer a posição de Serra e, conseqüentemente, fortalecer seu nome para ser o candidato do partido.

Neste outro movimento, de aproximação com o PT, vende a mensagem que a distância entre os dois partidos existe apenas em São Paulo, o que não é verdade, tenta seduzir Lula, os dois se dão muito bem, e manda um recado ao PSDB, algo como: se eu não for o candidato por aqui, posso ser por lá. Devemos lembrar que não vem de hoje o boato de uma enventual transferência de Aécio para algum partido da base aliada, provavelmente o PMDB, para concorrer à presidência. Claro que Lula ainda sonha com Dilma presidente, mas a prioridade, certamente, será manter o maior número possível de companheiros nos cargos. Após oito anos aparelhando o estado, não se pode deixar tudo ir para o ralo tão facilmente. E qualquer desestabilização nos adversários é sempre boa, principalmente quando cai no colo de grátis.

Até agora, Aécio é quem tem movimentado melhor as peças no tabuleiro tucano. Resta saber se os principais nomes do partido se deixarão manobrar de forma tão infantil. Gosto pelo jardim da infância sabemos que têm, basta lembrar a postura no caso do mensalão e o tipo de oposição que se fez a Lula, até a vitória do fim da CPMF.

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