economia, política e blog ‘n’ roll

Como esvaziar a oposição 2: dividir para conquistar

Saturday, November 6th, 2010

Leia primeiro o post sobre Aécio na presidência do Senado.

O plano governista de dividir para conquistar a ausência de oposição no país parece estar indo de vento em popa. Independente de Aécio aceitar a jogada ou não, a cicatriz com a aparente falta de empenho do mineiro no segundo turno dessas eleições tende a se aprofundar. Veja o que vai no site do jornalista Bob Fernandes.

Serristas tentam esvaziar Aécio e manter controle do PSDB

Marcela Rocha

A ala do PSDB ligada ao ex-presidenciável José Serra se articula para ficar com a liderança na Câmara dos Deputados e assumir a linha de frente na oposição ao governo Dilma. Para isso, sabe que é preciso manter o poder do diretório de São Paulo na sigla. Os serristas esperam reduzir eventuais danos causados pela aproximação do ex-governador mineiro Aécio Neves à base governista para tentar concorrer à presidência do Senado.

Ao mesmo tempo, o grupo mais próximo a Serra busca uma forma de mantê-lo em evidência no cenário nacional. Uma das opções apontadas seria nomeá-lo para a presidência do Instituto Teotônio Vilela, órgão de estudos e formação política do PSDB.

Para tucanos paulistas, a movimentação do PSB junto à ala aecista do PSDB e do DEM seria apenas uma tentativa de pressionar Dilma e assim aumentar a influência deles na partilha do governo. Mostrando que tem diálogo com setores da oposição, o PSB aumentaria seu poder de barganha junto à petista, que precisa dividir os ministérios com o aval do PMDB.

Integrantes do PSDB de São Paulo dizem que o PMDB não permitirá Aécio na presidência do Senado, o que não significa que ele não se candidatará à vaga. Tucanos ligados a Serra esperam também que Aécio dispute a presidência do partido ou a liderança em uma das Casas, e já costuram de modo a garantir a liderança na Câmara.

Entre os nomes cogitados numa lista já preparada, estão os deputados eleitos Mendes Thame (SP), Luiz Carlos Hauly (PR) e César Colnago (ES), que coordenou a campanha de Serra em seu Estado. Os serristas defendem organizar esse foco de resistência a partir de São Paulo, contando com a reaproximação entre o ex-presidenciável e o governador eleito Geraldo Alckmin (SP).

Outra forma de ampliar o campo de influência de Serra no comando do partido seria, de acordo com aliados, defender a manutenção do senador Sérgio Guerra (PE) na presidência da sigla. Para eles, seria uma maneira de evitar a entrada de um aliado de Aécio, ou dele próprio.

Embora Serra tenha tido problemas com Guerra durante a campanha, ele aposta que o pernambucano adotaria uma linha mais crítica em relação ao governo Dilma no Congresso. Linha que, para os tucanos paulistas, seria evitada por aecistas.

Serra está na França e ainda não se sabe quando voltará. O tucano viajou acompanhado de seu filho e palestrou em um seminário sobre a Europa e a América Latina em Biarritz.

Leia a matéria aqui.

Tags: , , , , , , , , ,

Como esvaziar a oposição: Aécio e a presidência do senado

Saturday, November 6th, 2010

A situação sabe o que aconteceu esse ano: venceram as eleições presidenciais e, pela primeira vez desde o mensalão, o país voltou a ter oposição. Há dois líderes importantes muito bem instalados, Aécio Neves e Geraldo Alckmin.

Alckmin batalhou duro no segundo turno e ajudou Serra a abrir uma diferença que beirou os dez pontos percentuais em São Paulo, quase dois milhões de votos. Já Aécio, apesar de ter percorrido mais de 70 municípios mineiros, segundo sua assessoria, pareceu trabalhar mais na própria campanha para 2014, andando por regiões fora de sua principal área de influência.

Para esse governo, uma aproximação com Alckmin é mais complicada, as diferenças de estilo são muito grandes. Já com Aécio, vale tentar a sedução… e foi o que fez o governador do Ceará, Cid Gomes.

Texto apresentado no Estadão.

Cid Gomes defende Aécio na presidência do Senado

04 de novembro de 2010 | 13h 46

CAROL PIRES - Agência Estado

O governador reeleito do Ceará, Cid Gomes (PSB), defendeu hoje que a presidente eleita, Dilma Rousseff, acerte um pacto entre os partidos da base aliada para levar o tucano Aécio Neves, eleito senador por Minas Gerais, à presidência do Senado. “Seria um belo aceno”, disse Cid Gomes.

Segundo Cid Gomes, não se trata de “cooptar” a oposição, e sim de fazer um “pacto” pela governabilidade. “Não estou falando em cooptar a oposição, em trazer o DEM e o PSDB para o governo. Falo em fazer um pacto para que estruturas do Poder possam ser compartilhadas”, disse.

Gomes fala em discutir propostas que a oposição tenha para o Brasil e incluí-las - em parte ou totalmente - no projeto governista. Em contrapartida, a oposição ajudaria a aprovar projetos de interesse do governo. “Oposição por oposição, sinceramente não acho que tem que ter isso, não. Nós temos que ter propostas para o Brasil”, disse.

Para Cid Gomes, existem vários tipos de oposição, a raivosa, a ideológica, e a bem-intencionada. “Oposição sempre existirá, mas tem que estar num patamar abaixo das preocupações fundamentais com o País”. Cid Gomes e outros governadores eleitos pelo PSB participam hoje de reunião da Executiva Nacional do partido, em Brasília, para fazer um balanço das eleições.

Tags: , , , , ,

FHC 2014

Tuesday, November 2nd, 2010

Fui um crítico feroz de FHC, sobretudo no segundo mandato. Mas, digo com clareza, isso nunca me levou a apoiar o lulo-petismo. O discurso autoritário sempre esteve ali para os ouvidos atentos.

No entanto, é hora de retomar vários dos ideais e posturas públicas e privadas da “era FHC”, como gostam de dizer os analistas políticos. Além disso, falta andamento ao PSDB. Aécio é uma liderança com menos conteúdo que Serra,ainda que mais maleável. Alckmin, creio, ainda terá que esperar mais um ciclo antes de voltar a se candidatar à presidência.

Por isso mesmo, esse blog lança uma nova campanha:

FHC 2014!

A seguir, um resumo da entrevista concedida à folha e que fundamenta a posição.

FHC diz não endossar mais PSDB que não defenda a sua história

MARIA CRISTINA FRIAS
COLUNISTA DA FOLHA
VINICIUS MOTA
SECRETÁRIO DE REDAÇÃO

“Não estou mais disposto a dar endosso a um PSDB que não defenda a sua história”, disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), ontem, em entrevista no instituto que leva seu nome, no centro de SP.

Presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique defende que o partido anuncie dois anos antes das eleições presidenciais seu candidato. “O PSDB não pode ficar enrolando até o final para saber se é A, B, C ou D.”

O ex-presidente diz que Lula “desrespeitou a lei abundantemente” na campanha e que promove “um complexo sindical-burocrático-industrial, que escolhe vencedores, o que leva ao protecionismo”.

Para FHC, a tradição brasileira de “corporativismo estatizante está voltando”. Lula é uma “metamorfose ambulante que faz a mediação de tudo com tudo”. Leia mais.

Tags: , , , , ,

Serra e Alckmin dão passo importante rumo a 2010

Tuesday, January 20th, 2009

Eu já havia escrito mais de uma vez sobre essa tola competição fatricida entre José Serra e Geraldo Alckmin. Pois bem, FHC resolveu entrar pra valer no processo e salvar o partido, evitando o racha definitivo. E não haveria porque estarem em lados opostos o atual e o ex-governador de São Paulo. Serra quer ser o candidato a presidente, pra isso precisa de um nome forte disputando o governo do estado e Alckmin quer ser governador novamente. Como se diz, é juntar a fome com a vontade de comer.

Mas para Serra a vitória pode ser dupla, afinal isso enfraquece (um pouco mais) a posição de Aécio. O governador mineiro perdeu pontos com o desempenho de seus aliados nas eleições municipais de 2008, e agora deixa de ter o único aliado importante em terras paulistas.

Leia o que vai no Estadão:

Ao atrair o ex-governador Geraldo Alckmin para sua gestão, o governador José Serra unifica São Paulo em torno de seu projeto presidencial em 2010 e tira do governador de Minas, Aécio Neves, o único apoio que tinha nos arraiais tucanos paulistas. Se Serra pacificou o Estado em seu apoio, Alckmin, por seu lado, assume uma secretaria de visibilidade e comandará, em São Paulo, a luta contra a crise econômica. Se tiver êxito, terá percorrido boa parte do caminho para viabilizar sua volta ao governo estadual em 2010.

A Secretaria de Desenvolvimento tem sido a encarnação do discurso serrista para enfrentar a crise. Seu plano de trabalho tem o título de Os novos rumos da locomotiva. Nos últimos dois anos, o ex-secretário Alberto Goldman costurou ambiciosos projetos para catapultar o desenvolvimento paulista, uma área que representa para Serra - mais do que a busca do êxito administrativo - o teste para suas teses desenvolvimentistas e a alavanca de seu futuro discurso de candidato presidencial. Alckmin, ex-governador e ex-candidato à Presidência, dá densidade a esse discurso, dizem os aliados de Serra.

A primeira conversa foi no dia 23 de dezembro, quando Serra disse a Alckmin que precisava dele para ocupar a Secretaria do Desenvolvimento e dar vigor à luta contra a crise. Atendia, então, a conselhos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, arquiteto de um entendimento em São Paulo. Do lado de Serra, apenas os secretários Aloysio Nunes Ferreira e Goldman foram notificados do convite. Do lado de Alckmin, ninguém soube, a não ser na semana passada, quando tudo já estava sacramentado.

Parceiros dos dois lados contaram que o acerto entre os dois não teve condicionantes. Serra não cobrou o apoio antecipado de Alckmin a sua candidatura presidencial nem Alckmin disse que almeja voltar ao governo estadual. Mas os dois lados admitem que esses serão desdobramentos “naturais” da aproximação. Leia mais.

Tags: , , , , , ,

Os candidatos a presidente e as eleições de 2008

Monday, October 27th, 2008

Uma série de políticos e articulistas que “colavam” as eleições municipais de 2008 à presidencial de 2010 parecem ter mudado de idéia. Estavam tão empolgados com a idéia que o messias de Garanhuns elegeria até um poste, que embarcaram nessa. E agora mudaram de idéia. Por que? Simples, o lulo-petismo foi derrotado nas eleições municipais.

-ahh, mas elegeu “montes” de prefeitos na G-79 (cidades com segundo turno)! É verdade, mas não nos locais importantes. Primeiro, perdeu a jóia da coroa, São Paulo. E só isso já bastaria para configurar sua derrota. Aliás, ter apostado na vitória em SP já foi mostra de excesso de fé. A cidade não é muito chegada a Lula, que nunca venceu por aqui. No RJ, não deu nem pro cheiro. Ficou fora do segundo turno. Aliás, participou do primeiro? Em BH, desistiu de concorrer à prefeitura embarcando no sonho aecista de PT+PSDB em 2010. Nessa, Aécio perdeu pouco, mas o PT mineiro perdeu muito! Porto Alegre, com quase 20 pontos de diferença!, ratificou o fora PT de 2004, depois de 16 anos no poder. Em Curitiba apostaram alto e veio a mais emblemática derrota do lulo-petismo, 80% a 20%!

Ganhou no Recife, e aí é a vitória desse grupo, sim. E não venceu em Fortaleza, como se sabe, Luizianne é quase uma candidatura pirata. Os caciques petistas não a queriam em 2004 e continuavam não querendo em 2008. Lula não teve nada a ver com essa vitória.

Portanto, saem derrotados os caciques gaúchos. Dilma Rousseff e Tarso Genro participaram da campanha e não evitaram o vexame. Não são capazes de transferir os votos que nunca tiveram ou não possuem mais.

Em SP, Marta sonhava em ir da cadeira de alcaide direto para o palácio do planato. Nos braços do povo paulistano seria páreo duro na briga com Dilma pela indicação da candidatura presidencial do PT. Ficou sem a primeira cadeiara e não deve nem ser cogitada para a segunda.

Em BH, Patrus Ananias perdeu antes da eleição começar: era contra a aliança tucano-petista. A aliança se deu e Patrus se deu mal. E Aécio? Bom, esse ganhou mas não levou. Deveria ter vitória esmagadora no estado, e não foi isso que se viu. O PSDB encolheu. Fica um pouco mais difícil lutar pela indicação tucana. Claro que no seu caminha sempre a possibilidade, agora um pouco mais improvável, de se mudar de mala e cuia para o PMDB.

Ciro Gomes investiu muito na candidatura da sua ex-mulher Patricia Saboya, não chegou sequer ao segundo turno do seu principal reduto eleitoral. Sai enfraquecido.

Vencedor mesmo foi Jose Serra. O PSDB cresceu ainda mais em SP, que detem praticamente 1/3 do colégio eleitoral do país, e seu aliado, Gilberto Kassab, venceu de forma esmagadora na capital. De quebra, Aécio enfraquecido e Alckmin fragorasamente derrotado, nesse momento, não fazem sombra ao governador.

Resumindo, eu nunca disse por aqui que seriam transferidos votos de 2008 direto para 2010, mas, como vimos, algumas candidaturas foram enterradas domingo. Mas não mudei de idéia só porque desejei, ops, “previ” errado, como fizeram alguns tantos.

Atualização: esqueci de mencionar o governador Jacques Wagner. Esse conseguiu o milagre, só poderia se dar na Bahia graça de tal monte, de unir Geddel e ACM neto. Pois bem, perdeu e viu seus créditos desabarem.

Tags: , , , , , , , , , , ,

Belo Horizone, Quintão é ducha de água fria em Lacerda

Monday, October 6th, 2008

Poucas apurações foram mais divertidas que a de Belo Horizonte. É sempre interessante ver como um candidato proclamado como amplo favorito vê o seu eleitorado “potencial” desabar.

Os números na capital mineira foram muito mais próximos que qualquer previsão. Lacerda (PSB) com 43% e Quintão (PMDB) com 41%.

Não importa muito qual o resultado final dessa eleição, foi uma derrota significativa para o governador Aécio Neves (PSDB) e o prefeito Fernando Pimentel (PT), aliados de Lacerda.

Tags: , , , , , , , ,

Pimentel “oficializa” aliança com Aécio em café da manhã

Wednesday, February 13th, 2008

Quer entender mais do vai abaixo? Leia esse texto sobre Aécio Neves.

Na Folha, por Paulo Peixoto.

O prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), “oficializou” a sua tentativa de fazer de Márcio Lacerda (PSB), secretário de Desenvolvimento Econômico do governador Aécio Neves (PSDB), o candidato comum de petistas e tucanos à Prefeitura de Belo Horizonte, que está sob controle do PT por quase 16 anos.

A espécie de oficialização da aliança se deu na forma de um café da manhã na casa de Lacerda, ontem. Pimentel levou ao encontro alguns secretários da prefeitura e lideranças do partido na Câmara Municipal, Assembléia Legislativa e Câmara dos Deputados. A intenção foi apresentar o secretário de Aécio aos petistas.

Durante as conversas, não foi colocado pelo prefeito que Lacerda seria o nome defendido por ele para disputar a sua sucessão com o apoio do PT. Discutiu-se apenas a manutenção da aliança do PSB com o PT, embora o simples gesto de Pimentel de levar os petistas tenha deixado a posição clara, no relato de alguns participantes do encontro à Folha.

A união de PT e PSDB em Belo Horizonte interessa a Pimentel, que fortaleceria sua pré-candidatura ao governo de Minas em 2010, até com o apoio de Aécio. E interessa a Aécio porque ele buscaria reforçar a sua pré-candidatura à Presidência em 2010 passando a imagem de que é capaz de angariar apoios até no PT para um eventual governo nacional. Leia mais.

Tags: , , , ,

Aécio + PT: jogando em duas frentes

Friday, January 25th, 2008

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, anunciou seu apóio a uma aliança PT-PSDB para concorrer à prefeitura de Belo Horizonte. Como o prefeito Fernando Pimentel não pode mais ser candidato, e para evitar o acirramento de ânimos tanto na militância petista como na tucana, procura-se um nome externo aos dois partidos. Um dos mais cotados é Mário Lacerda (PSB) que atualmente é secretário de Desenvolvimento Econômico de Aécio e trabalhou no ministério da Integração Nacional no primeiro governo Lula. Como se vê, transita bem entre as duas “casas”.

Aécio possui uma aceitação tão grande em MG que é difícil acreditar que um candidato com o seu apóio, qualquer candidato, não se tornasse um páreo duro. Pois bem, então o que pretende o governador?

Por um lado vai metendo o bedelho na eleição paulistana, quer a todo custo que Alckmin seja o candidato do partido. Isso, quase inevitável, precipitará no fim da aliança DEM-PSDB em São Paulo, dificultando a vida do governador José Serra. Não custa lembrar que Serra é hoje o nome preferido dentro do PSDB para disputar a presidência em 2010. Aécio tenta, então, enfraquecer a posição de Serra e, conseqüentemente, fortalecer seu nome para ser o candidato do partido.

Neste outro movimento, de aproximação com o PT, vende a mensagem que a distância entre os dois partidos existe apenas em São Paulo, o que não é verdade, tenta seduzir Lula, os dois se dão muito bem, e manda um recado ao PSDB, algo como: se eu não for o candidato por aqui, posso ser por lá. Devemos lembrar que não vem de hoje o boato de uma enventual transferência de Aécio para algum partido da base aliada, provavelmente o PMDB, para concorrer à presidência. Claro que Lula ainda sonha com Dilma presidente, mas a prioridade, certamente, será manter o maior número possível de companheiros nos cargos. Após oito anos aparelhando o estado, não se pode deixar tudo ir para o ralo tão facilmente. E qualquer desestabilização nos adversários é sempre boa, principalmente quando cai no colo de grátis.

Até agora, Aécio é quem tem movimentado melhor as peças no tabuleiro tucano. Resta saber se os principais nomes do partido se deixarão manobrar de forma tão infantil. Gosto pelo jardim da infância sabemos que têm, basta lembrar a postura no caso do mensalão e o tipo de oposição que se fez a Lula, até a vitória do fim da CPMF.

Tags: , , , ,