Oi (Telemar) deve anunciar compra da Brasil Telecom
Thursday, January 10th, 2008O dia está corrido, por motivos alheios ao blog, mas não queria deixar passar essa. Não dá. Segundo todos os grandes jornais a Oi (antiga Telemar) adquiriu a Brasil Telecom. Ou quase isso. Mas os indícios são grandes. Até informe à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) informando uma possível compra, sem determinar o alvo, já foi feito.
Pois bem, há um problema : a lei não permite. O que fazer nesse caso? Muda-se a lei. Simples, não? Afinal estamos no Brasil. O presidente Lula é mais do que a favor que a lei seja alterada. A justificativa do Palácio do Planalto, inclua-se a casa civil, é criar uma empresa nacional capaz de competir com as gigantes estrangeiras Telefônica+Vivo (espanhola) e Claro+Embratel (mexicana). Até ai tudo bem, meu mantra é: mais competidores, consumidor mais feliz. Mas o que levanta suspeição é como a Telemar vai conseguindo rapidinho as coisas em Brasília. Vamos fazer um pequeno exercício de memória pra lembrar de alguns eventos.
Quantas vezes alguém já viu uma grande empresa colocar milhões (R$ 5 milhões, para ser mais exato) em uma empresa de um jovem empreendedor. Bom, muitas. Mas e quando essa empresa NUNCA produziu nada de significativo? Fica mais difícil, mas quem sabe, com alguém que já fez fama no mercado em que atua. Peraí, não é o caso. O jovem empreendedor, que acabara de entrar na sociedade, era apenas um jovem “monitor de zoológico”. É o famoso caso da GameCorp, a empresa que o filho do presidente Lula e Kalil Bitar, filho de Jorge Bitar, fizeram se expandir a taxa de BigBang. Apenas após o PT chegar ao poder.
Segundo Veja (25/10/2006), Lulinha estaria sendo recompensado não por sua estupenda capacidade empresarial, mas por seus serviços de lobista:
Pouco ou nada se sabe dos hábitos dos filhos de Lula antes ou depois de o pai receber a faixa presidencial. Mas a trajetória profissional de Fábio Luís mudou e muito. Foi só depois da posse que seus dons fenomenais começaram a se expressar – e com tal intensidade a ponto de o pai ver nele um Ronaldinho dos negócios. Ele mostrou talento para as comunicações e, como se lerá nesta reportagem de VEJA, para a atividade de lobista junto ao governo. A reportagem revela que o filho do presidente associou-se ao lobista Alexandre Paes dos Santos, um personagem explosivo, que responde a três inquéritos da Polícia Federal, por suspeitas de corrupção, contrabando e tráfico de influência. Esse dom do filho do presidente se revelaria ainda no episódio de sua associação com a Telemar.
A gamecorp também consegui arrendar com a Rede Bandeirantes de televisão o canal 21 (UHF) e passou a produzir a programação do canal, basicamente patrocinada pela Telemar. Temos um caso interessante, o presidente pretende alterar uma lei que beneficia (e muito) a empresa que é sócia do seu filho. Antigamente, a isso se dava o nome de conflito de interesses. Qual a verdadeira motivação do presidente Lula, a livre competição ou a “carreira” do filho? A pergunta é justa e correta, e podemos ir mais além. É realmente necessário que o governo ajude a criar uma mega-corporação nacional de telecomunicações? Qual a vantagem que o país terá com isso? Vale lembrar que a esmagadora maioria da tecnologia utilizada em teleco já é estrangeira, os países de origem dos outros competidores são amigáveis ao Brasil e parte dos controladores da Telemar (os fundos de pensão) são dominados por figuras do movimento sindical muito ligadas aos petistas. Assim, só por lembrar.




