Wednesday, February 18th, 2009

Hugo Chávez
Há uma característica intrínsica à democracia: seu maior defeito é também sua maor virtude. Um regime com eleições livres e diretas SEMPRE estará aberto àqueles que tentam dilapidá-lo.
Hugo Chávez venceu. Não direi que a democracia venezuelana perdeu, isso já se deu a muito tempo, apenas a mandaram definitivamente para o exílio, como a fugitiva de uma catástrofe natural. No caso, não foi um terremoto ou furacão, mas incompetência das oposições venezuelanas.
O discurso vazio
Segundo o próprio “coronel” Chávez, a alternância de poder, supostamente “imposta” pelos imperialistas yankes, impede a construção de um projeto de longo prazo. Vejamos, a nação que comandou o século XIX como grande potência, o Reino Unido, manteve continuamente a alternância de poder, pelo sistema parlamentarista. O país hegemônico do século XX, os EUA, também mantiveram a alternância continuamente, pelo sistema presidencialista. Já a contrapartida a isso, a União Soviética, com seu sistema personalista de comandar, naufragou. Ai poderia dizer o não democrático, -mas afundou por conta do socialismo!. Não, foi a pique porque o autoritarismo é intrínsico ao marxismo, que desde o começo se auto-intitulou “DITADURA do proletariado”. E no autoritarismo, claro, não há alternância de poder. Se houver é um jogo com cartas marcadas e portanto falso.
E o que Chávez alega ser o seu “projeto bolivariano”? Nada menos que o socialismo do século XXI. Como se vê começou a carácter, perpetuando-se no poder. -peraí, mas ele pode ser reeleito indefinidamente, a palavra final ainda é da população! Isso é tão verdadeiro quanto papai-noel e coelhinho da páscoa. Nessa eleição do referendo 1/3 da população não foi votar. Há na Venezuela medo de retaliação contra quem não votar em Chávez e a população não confia que o voto seja realmente secreto. Também foi amplamente noticiado que as manifestações da oposição foram reprimidas. Em um regime autoritário NUNCA há igualdade de oportunidades em uma eleição.
Um por todos…
O maior erro que podemos cometer é acreditar que o atentado à democracia foi um fenômeno isolado na Venezuela. A américa latina foi (novamente) varrida pelo populismo, o que pode ser visto com clareza no Brasil, Equador, Bolívia e Nicarágua. O caso brasileiro é um pouco (apenas um pouco!) menos grave porque as instituições estão mais bem estabelecidas. O problema é que, a exemplo da Venezuela, a oposição por aqui também é infinitamente incompetente, caso contrário, Lula não teria sobrevivido ao depoimento de Duda Mendonça na CPI dos correios. Se for “um por todos” (populismo paternalista) e “nenhum contra o um”, a democracia perde. Sempre.
Tags: Brasil, eleicoes, hugo chavez, lula, referendo, venezuela
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Friday, January 9th, 2009
parte 1. Há um tempo pensava que o Irã poderia se tornar um ponto de luz no oriente médio, quem sabe uma versão política (para a região) do que foi o Zoroastrismo. Ingenuidade minha, o caminho se tornou muito mais espinhoso. Os velhos aiatolás, tementes das mudanças que ameaçavam tolher seus poderes, forçaram a eleição de um grupo fundamentalista. Um atraso de, na mais otimista das hipóteses, no mínimo duas décadas na abertura do país. Ou muito provavelmente um caminho perigosíssimo para uma nova guerra.
parte 2. Pergunta rápida aos leitores, quem fornece a maioria das armas ao Hammas e ao Hezbollah para que esses grupos ataquem Israel? Resposta fácil: o Irã e seu alucinado comandante, Mahmoud Ahmadinejad. Trata-se de um plano de longo prazo para que o Irã se torne a suprema força da região, desbancando os sauditas, aliados americanos. Não há dúvida quanto as intenções de utilizar o povo palestino como massa de manobra nem a “riscar Israel do mapa”, como já declarou várias vezes Ahmadinejad.
parte 3. No final do século XIX havia enorme tensão na região que hoje constitui o estado do Acre. Apesar de ser território boliviano, a maioria da população era de brasileiros, que acabaram por se revoltar com o controle de La Paz. Para por fim à questão, foi assinado um tratado que anexou o Acre ao Brasil em troca de dois milhões de libras esterlinas (isso era muito dinheiro em 1903!) e, pouca gente menciona, parte do território mato-grossense passou para a Bolívia. Além da construção de uma estrada de ferro fundamental para a ligação da Bolívia com exterior.
Recentemente Evo Morales afirmou que o Acre pertence à Bolívia. Ora, imaginemos então que uma fração dos partidários de Morales começasse a lançar pequenos mísseis contra a população do Acre, causando destruição e vítimas fatais. O que faria a população brasileira? 1. rezaria para o Lula não ser mais o presidente (ou tudo ficaria no blá, blá, blá); 2. exigiria medidas que acabassem com os ataques.
parte 4. Não bastasse todo o enrodo, a presidente Kirchner, da Argentina, resolve “armar” a Bolívia baseada no fato que o Brasil não tem direito a existência pois os territórios a oeste estão além da linha do… tratado de Tordesilhas (ou qualquer outro argumento perdido na linha do tempo da história). Só que uma guerra entre Brasil e Argentina seria algo “feio”, envolvendo duas potência militares (lembre-se, é ficção, as duas forças armadas estão caindo aos pedaços). Então o Brasil retalia contra a Bolívia (que de fato fez os ataques!) enviando uma mensagem a Buenos Aires: não ponha as manguinhas de fora, mesmo que o Obama se mostre um fracote e não nos apóie, temos força o suficiente pra acabar com vocês.
parte 5. Israel ataca o Hammas porque o Hammas é quem de fato tem atacado o território israelense, mas fica claro, para o bem da democracia, que a mensagem também chegou a Teerã. Se os iranianos insistirem em construir uma bomba atômica, os israelenses irão atacar preventivamente, mesmo que sozinhos e, de forma maniqueísta, tratados como demônios pela imprensa mundial.
Tags: Argentinha, Brasil, guerra, Hammas, Hezbollah, Israel, palestina
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Thursday, October 9th, 2008
Na década de 1990, o sistema bancário japonês estava podre por dentro. Má gestão levou os bancos do país a uma situação calamitosa. O resultado foi uma quebradeira de várias instituições financeiras, alguns suicídios e uma década de recessão.
Pouco depois, foi a vez do Brasil. Também por culpa da má gestão, algumas instituições (o caso mais famoso é o do Banco Nacional) estavam super-alavancadas (grosso modo, deviam mais do que podiam) e certamente iriam quebrar. A solução brasileira foi evitar a crise sistêmica e a descofiança no sistema financeiro. Para isso foi criado o PROER. Consistia basicamente em utilizar dinheiro do contribuinte para evitar quebras e “corrida” (todos os correntistas querendo sacar seu dinheiro ao mesmo tempo). Algumas instituições foram “estimuladas” a absorver outras, caso do Unibanco que ficou com o Nacional. Deu certo, o Brasil escapou do tsunami japonês e em poucos anos já possuia um sistema financeiro novamente saudável. Condição que se mantem até hoje.
Agora a mesma situação está nos EUA e Europa. Cada país, de forma diferente, faz o seu “proer”. Alguns, como Alemanha e Irlanda, garantem a totalidade dos depósitos bancários (estancam a corrida). Outros, como a Inglaterra, compram ações ordinárias dos bancos, que na pratica equivale a capitalizar essas instituições, dando fôlego e margem de manobra a elas. Em todos, instituições à beira do abismo são repassadas, de uma forma ou de outra, para grupos mais sólidos.
Ao contrário do que acreditam alguns esquerdistas pós-adolescentes, crise no sistema bancário não é bom para ninguém. Nem é divertido.
Tags: Brasil, crise, EUA, europa, Japao
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Wednesday, September 17th, 2008

Cifrao e dolar
Nos últimos dias as bolsas operaram em baixa o dólar em alta no mercado brasileiro por conta da crise financeira nos países ricos. Vários investidores tiraram o seu dinheiro do Brasil vendendo suas ações e outras posições. Como essa enxurrada de venda aumentou a oferta, o preço por ação na bolsa caiu. Após a venda, esses investidores são obrigados a ir ao mercado de câmbio trocar seus reais pela moeda americana, o que provoca um aumento da demanda e a consequente alta do dólar.
Isso se deu no mercado financeiro. A economia real, não gosto muito dessa expressão, opera de forma diferente. Nesse caso, as mercadorias e serviços possuem um valor que pode ser mensurado mais facilmente. Além disso, o resultado é medido efetivamente por vendas, é necessário vender. E com a crise de crédito na Europa e EUA, os BRIC (Brasil, Russia, Índia e China) ficam ainda mais atraentes.
Um exemplo disso é a montadora coreana Hyundai, que anunciou a intenção de construir uma fábrica no Brasil, perto de São Paulo. A capacidade estimada será de 100 mil veículos/ano, e visa principalmente os mercados brasileiro e sulamericano.
Interessante o fenômeno que ocorre, após um forte crescimento dos BRICs (se bem que eu deixo o Brasil de fora do “forte”) alimentando EUA, Europa e Japão, chegou a vez de suprir uma população interna que obteve um aumento real de renda e pode consumir mais. É bem provável que os quatro ajudem o sistema financeiro internacional se “curar” de forma mais rápida, ou menos lenta.
Tags: bolsas, Brasil, BRIC, china, crise, dolar, EUA, europa, india, Japao, Russia
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