Monday, January 19th, 2009
Ao meu ver, a história é a ciência das gerações futuras, mas não custa tentar entendê-la por agora. Reproduzo trecho de um interessante artigo no blog do jornalista Pedro Doria. Ele era um dos que escrevia “No mínimo”, deliciosa rede de blogs de tempos idos.
Discordo de Doria (é com ou sem o agudo?) em boa parte do que escreve, mas ele argumenta e ler bons argumentos é um vício que possuo. O trecho que reproduzo abaixo é uma prova de sua qualidade e, por que não?, se reproduzo aqui é por que concordo.
Virou clichê se referir a George W. Bush como o pior presidente da história dos EUA. Se é o pior, o segundo pior, ou o quinto, é uma decisão que fica para os historiadores.
A direita o elegeu. Um bom naco da direita, aqui nos EUA, é libertária ou liberal. Quer um Estado pequeno e respeito máximo aos direitos individuais. A estes seus eleitores, Bush virou as costas. Seu governo argumentou que não podia precisar de autorização judicial para investigar cidadãos, ouvir suas conversas, checar o que leem na biblioteca. Aumentou a autoridade do Poder Executivo. Aumentou o governo: pegou o dinheiro que pode e investiu em ongs religiosas. Quis que entidades religiosas assumissem funções governamentais. Quis, e muitas vezes conseguiu, impor valores religiosos nas decisões de governo.
Leia todo o artigo, vale a pena.
Repararam que Doria cita um tal pensamento libertário. O que é isso? Humm, é só prestar atenção na frase de Thoreau que enfeita o topo do blog: O governo, no melhor dos casos, nada mais é que um artifício conveniente; mas a maioria dos governos é por vezes uma inconveniência, e todo o governo algum dia acaba por ser inconveniente.
Tags: Bush, EUA, Pedro Doria
Posted in internacional, política | No Comments »
Tuesday, December 23rd, 2008
O que era ruim ficou pior para a General Motors. Pelo menos é essa a leitura dos investidores americanos. Ontem as açoes da empresa despencaram 21%. Isso indica que parte do mercado aposta na concordata da gigante automobilística, mesmo após o anúncio de socorro de US$ 9,4 bilhões que o governo Bush preparou para ajudar a companhia. Outro indicativo, ontem a S&P rebaixou (novamente) a classificação de risco da empresa: está 11 níveis abaixo de grau de investimento. Pela escala utilizada, o próximo degra é a falência.
A leitura que se faz é que o dinheiro do pacote não daria nem pra começar a tapar o rombo da GM. Mas o curioso é que Obama já declarou que não deixará as gigantes automobilísticas quebrarem. Há quem justifique que a quantia oferecida não é para tirar a empresa do buraco, mas para que ela aguente até o pacote do governo democrata ser anunciado.
Quem viver, verá.
Tags: Bush, GM, Obama
Posted in negócios | No Comments »
Monday, February 4th, 2008
Ao contrário do Brasil, que quase sempre começa o ano fiscal sem orçamento aprovado, nos EUA isso é feito com grande antecedência. O presidente Bush acabou de enviar ao congresso a proposta de orçamento para a vigência que tem início em 1 de outubro. O valor é recorde na história, pela primeira vez uma proposta de orçamento ultrapassa a casa dos US$ 3 trilhões.
Como em quase todos os discursos republicanos, o presidente afirmou que pretende deixar tanto dinheiro quanto possível no bolso dos contribuintes. E também comentou sobre o deficit.
“Graças ao trabalho duro do povo americano e à disciplina fiscal em Whasington, estamos agora no caminho para atingir o equilíbrio [fiscal] do orçamento em 2012… Nossa fórmula para atingir o equilíbrio é simples: criar condições para o crescimento econômico, manter os impostos baixos e gastar com sabedoria cada dólar dos impostos, ou então não gastar nada.”
“Thanks to the hard work of the American people and spending discipline in Washington, we are now on a path to balance the budget by 2012,” the president said in an introductory message. “Our formula for achieving a balanced budget is simple: Create the conditions for economic growth, keep taxes low, and spend taxpayer dollars wisely or not at all.”
Alguns números do orçamento chamam a atenção, como os gastos militares, US$ 514,4 bilhões. Se corrigido pela inflação do período, é o maior desde o fim da segunda guerra mundial.
O presidente ainda precisa enfrentar uma batalha dura no congresso, as duas casas possuem maioria democrata, o que deve causar alguns “transtornos”. A reação da oposição ao orçamento foi forte, segundo o senador Harry Reid, Nevada, a proposta é “fiscalmente irresponsável e muito enganadora, escondendo os custos da guerra no Iraque e aumentando ainda mais o já astronômico deficit.
O senador baseia sua argumento no fato de que, mesmo com esse volume de dinheiro, a previsão é de um deficit de US$ 410 bilhões no ano corrente e US$ 407 bilhões no ano fiscal que começa em 1 de outubro. Com isso, quando Bush encerrar seu mandato, o deficit federal total alcançará a marca de US$ 5,4 trilhões.
Tags: Bush, EUA, impostos
Posted in internacional | No Comments »