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Carnaval não é tempo para carnaval

Sunday, February 22nd, 2009

Há um bom tempo eu decidi que o carnaval não iria me pegar. E não pegou, ao menos na TV, rádio, internet. Claro que nas conversas a coisa muda -Viu quem ganhou nos desfiles? Mas até que seguia bem em minha resolução. Sei que irão dizer que o carnaval é representação da cultura popular, e blá, blá, blá… mas pra mim é só uma música chata e igual. Nada mais das grandes marchinhas, aquelas que o duplo sentido era de fato um duplo sentido. Agora ficou tudo muito explícito e o explícito é bem menos divertido. O bom é o sorriso mateiro de ahh, entendi! Esse pra quê? Ficaria com estampa de imbecil, afinal, como não compreender o óbvio.

Enfim, seguia livre, leve e solto do carnaval. Éramos duas nações distintas. Sim, leitor, éramos. Agora sou pai de dois pequeninos. E ontem lá se foram irradiando felicidade pra escolinha: ela de princesa, ele de batman. E voltoram ainda mais solares. E eu, coruja e feliz já fui comprar os ingressos para a matinê do carnaval. Amanhã estarei a postos para levar “Branca de Neve” e “Peter Pan” ao bailinho. Doce ironia, minha esposa comprou uma fantasia de padre pra mim. E acho, não, na verdade eu sei que irei gostar muito de tudo, a cada confete e serpentina e  sorrisos nos rostinhos deles eu serei o maior folião da história. Ter filhos possui esse efeito de nos fazer virar a casaca. Minha ideologia são meus filhos. Minha regra é segui-los.

Carnaval não é tempo para carnaval, é época de paternidade.

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Viradouro e o carro proibido

Monday, February 4th, 2008

Carnaval não é para o meu bico. Simplesmente não me interessa. Mas vez ou outra aparece algo que chama a minha atenção. Dessa feita não foi o carro alegórico destratando o nazismo - o nazismo é/foi uma aberração e é, por isso mesmo, fato comum ser colocado no lamaçal de onde nunca deveria ter saído - ,mas a decisão de se vetar a exibição do carro.

Há duas coisas surpreendentes nessa história. A primeira e mais grave é a proibição em si da liberadade de expressão. Em nenhum momento o enredo ou o carro alegórico faria apologia à intolerância, ao contrário, o objetivo era mostrar como o ser humano pode ser horrível de “arrepiar”, tema do samba-enredo. Nada melhor do que o arquétipo da maldade, Hitler e seu nazismo.

A segunda aberração foi o postulante da proibição, a FIERJ (Federeção Israelita do Estado do Rio de Janeiro). Um dos méritos do judaísmo pós-guerra foi esclarecer que os crimes nazistas foram toda contra a humanidade - até se popularizou o termo “crimes contra a humanidade” - e não apenas judeus, ciganos, homossexuais. Aparentemente os integrantes dessa associação fluminense não compreenderam bem o conceito.

Ontem, a escola de samba substitui o carro por pessoas vestidas de branco e amordaçadas, impedidas de falar. E no lugar de Hitler, a figura de Tiradentes e o mote famoso: Liberade ainda que tardia.

Não foi sem motivo que coloquei esse post na categoria “educação”. Não mostrar e repetir e falar sobre esses crimes é o mesmo que permitir que voltem a acontecer. Educação se dá em todas as instâncias e momentos.

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