Ai recebo no MSN de um “muy” amigo (escrito dessa forma abreviada):
(amigo) -Vc ñ vai falar do PHA[1]?
(eu) -Falar o quê? Ele fez outra historinha com o Frota?
(amigo) -ñ seu lerdo! Ele q o impeachment do lula!
[1] Paulo Henrique Amorim
Ahh, assim não dá! Não é só por achar que o PHA deveria estar melhor preparado, mas quero saber quem foi que o convidou pra ser golpista! Sim, porque até a semana passada era Lula na Terra e (também) Lula no Céu! Todos que pediam apuração de lulinha corp, mensalão, cartões corporativos, etc.. eram do tal Partido da Imprensa Golpista. Eu não, quero deixar claro. Não sou da imprensa, só do PG. E agora, não mais que de repente, dá-lhe impeachment? Como isso foi acontecer é o melhor de tudo.
Resumo da resenha da ópera: PHA e o primeiro cavaleiro Nassif (aquele que não escreve na Folha, na Abril, no Estadão, no Globo…) acreditam que Lula e Dantas juntaram forças para que o caso dos grampos não seja apurado. Ohhh, Zeus nos acuda! Nosso messias salvador e extrato do lixo burguês nacional juntos contra o povinho oprimido em busca de justiça?! Como pôde?
A pergunta que mais me interessa no momento não é por que Lula parece não quer apurar os grampos, essa resposta é bastante óbvia. Mas os motivos da conversão de PHA e Nassif são mais obscuros. Será que viram a Luz ou alguém importante pra eles teve o interesse contrariado? Humm….
Enquanto isso PHA, por favor não contamine o “movimento”. Devolve o golpe que ele é meu!
Não se pode dizer que o dia foi excepcional. Longe disso. Afinal, como esperado, Dilma e Erenice foram “inocentadas” pelo funcionário da casa cívil que depôs na CPI dos cartões corporativos. Também conhecida como a CPI da ida dos que não vieram.
Pobre CPI, nunca teve probabilidade alguma de não ser um fiasco.
Mas pelo menos a noite não foi um desperdício total: o curíntia perdeu do Botafogo. Apesar que é em jogos como esse que sinto falta da dupla derrota no futebol.
Geralmente ligo o rádio do carro para vir até o escritório. É rotina, um hábito duro de abandonar. Às vezes passo longos períodos só com a música. Longos e bons tempos. Mas eis que esse inato desejo humano pelo auto flagelo me faz voltar aos noticiários radiofônicos matinais.
E hoje o dia começou com pérola. Está decretado que no Reino do Surreal é permitido mentir. Sim, o funcionário da casa civíl, José Aparecido, que depõe hoje à natimorta CPI dos cartões corporativos, conseguiu um habias corpus preventivo. Entenderam os senhores jornalistas que o depoente está autorizado a mentir. Não é bem assim.
Todo o cidadão tem o direito de não se incriminar em um depoimento, ou seja, não é obrigado a responder perguntas que venham a “piorar” sua situação. Resumindo, pode se calar, mas não pode mentir. Felizmente, mentir em depoimento ainda constitue perjúrio. Até no reino surreal.
Assim, se Aparecido dissesse que recebeu ordens de Erenice Guerra, assessora direta de Dilma Rousseff, para confeccionar e/ou “distribuir” o dossiê banco de dados, mas afirmasse que Dilma de nada sabia, na hipótese de que estivesse ciente de um eventual conhecimento da ministra sobre a operação, terá cometido perjúrio. O que ele pode fazer é não responder às perguntas. Ou responder por linhas tortas, que se constitui na fina arte de falar muito sem dizer nada.
O governo petista, o mesmo partido do eterno “Fora FHC”, vive acusando a oposição de tentar dar um golpe. A lógica chega a ser deliciosamente curiosa. Senão, vejamos:
mensalão: ninguém sabe, ninguém viu. Ou melhor apenas a oposição viu, aquilo nunca existiu. O dinheiro apareceu, claro, mas ninguém sabe de onde. Mas se uns milhõezinhos caem na sua mão, assim, vindos diretamente do céu congressual, quem em sã consciência irá recusar? E a oposição o que faz? Acusa o governo de estar por trás de tudo.
duda mendonça: estou quase convencido que se trata de um espectro do além. O (competente) marketeiro de Maluf, Lula e outros (gosto não se discute) admitiu em rede nacional de televisão ter recebido dinheiro no exterior pelo seu trabalho nas campanhas petistas. Para quem não se lembra, foi esse o motivo que levou ao impeachment de Collor, o novo aliado de Lula. O que fez a oposição? Brandou que a ética petista era uma lamaçal.
Dossiê Serra: Assessores do PT, partido de Aluízio Mercadante, preparam um dossiê com podres do então candidato a governador José Serra. Note que a impecável lógica petista acusa o próprio Serra, que estava disparado nas pesquisas, de preparar o dossiê que podia prejudar a ele próprio. É… faz muito sentido.
Dossiê Dilma: novamente um dossiê, vão gostar de relatórios assim lá longe! De preferência bem longe! Esse documento preparado pela equipe da ministra Dilma Rousseff mostraria apenas os gastos secretos (cartões corporativos) dos mandatos de FHC. Quem fajutoutudo e vazou para a imprensa. Claro, FHC e seus bicudos.
É por essas e outras que afirmo: a oposição deu um golpe no Brasil ao não lutar pelo impeachment de Lula imediatamente após o depoimento de Duda Mendonça. Tem razão o presidente quando diz que eles (a oposição) não querem o bem do país. Tem toda a razão, presidente.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), anunciou nesta quarta-feira, 27, que a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) irá presidir a CPI mista que irá investigar o uso irregular dos cartões corporativos. O relator será o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ).
O acordo para o comando compartilhado da CPI entre governo e oposição foi anunciado no início da tarde pelo líder do governo no Senado, Romero Juca (PMDB-RR).
A discussão em torno do comando da comissão levou os líderes de partidos de oposição no Senado a protocolar na semana passada um novo pedido de criação de CPI, só com senadores, sobre o mesmo assunto. Os oposicionistas queriam, dessa forma, que o governo cedesse em lhes dar o comando da CPI Mista.Para Jucá, “não faz sentido” a criação de duas CPIs para investigar o mesmo caso.
Mais cedo, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) anunciou em plenário que recusou o convite do líder do PSDB, para presidir a CPI.
Marisa Serrano ganhou destaque no ano passado, quando participou do trio de relatores do primeiro processo contra o então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Junto a Renato Casagrande (PSB-ES), Marisa recomendou a cassação do senador, mas o texto foi derrotado no plenário e Renan, absolvido.
O atual governo possui folha corrida quando se trata de utilizar a máquina estatal contra os seus “inimigos”, basta lembrar do episódio caseiro x ministros, em que o ex-Ministro Pallocci e/ou seus assessores obtiveram informações sobra a conta corrento do caseiro Francelino. Sim, ele, o caseiro, fez a bobagem de contar o que sabia. Utilizei ministroS, no plural, porque houve a pena do ex-ministro da justiça, Márcio Thomas Bastos, na defesa.
Ao se apossar dos instrumentos do estado, um grupo político desenha uma linha sobre o que o cidadão comum pode ou não fazer, independente do que manda a constituição. Esse é o primeiro sintoma de um regime autoritário.
A base aliada se esforça para montar uma CPI que investigue o uso dos cartões corporativos e das contas tipo B no governo FHC. Como não há fato definido para a instalação da CPI, condição determinada pela constituição, começou o período de “achar provas independentemente da lei”. Que fique claro, que se investigue todos os indícios, mas que não se use o estado para fabrica-los ou achacar qualquer cidadão. Tempos perigosos esses.
No Estadão, por Vera Rosa.
Às vésperas da instalação da CPI dos Cartões, o Planalto vai distribuir aos líderes aliados um dossiê com informações detalhadas sobre os gastos com suprimentos de fundos nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso. No comando da operação de guerra, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) pediu aos 37 ministérios e principais repartições da administração direta que encontrem prestações de contas antigas, personagens, relatórios de fiscalização - com o respectivo “comprovante de saneamento” do erro, quando for constatada irregularidade -, além de estatísticas dos valores desembolsados desde 1998.
A idéia é desconstruir o discurso de adversários do PSDB e do DEM de que o governo Lula teria organizado uma cadeia de comando para promover a farra dos cartões corporativos. Com a identificação dos ordenadores de despesas, por exemplo, o Planalto quer mostrar que os responsáveis pela fiscalização dos gastos não integram a lista dos afilhados políticos: muitos são funcionários de carreira e trabalharam em outros governos.
No e-mail enviado aos ministérios, com um questionário de 13 perguntas, a Secom pede ajuda para localizar “personagens, documentos, cenários e estatísticas”. Quando solicita a identificação do “gestor”, ressalva: “De preferência, alguém que estava na função antes da instituição do cartão.” O objetivo é rastrear a movimentação de dinheiro no governo FHC, já que o cartão corporativo foi criado somente em 2001. Antes, os gastos eram feitos apenas por intermédio da conta tipo B, com operações em cheque ou dinheiro vivo. A conta tipo B existe até hoje, mas é usada em menor escala. Leia mais.
A vitória da oposição impedindo a prorrogação da CPMF animou o senador Arthur Virgílio, que até já sonha com a presidência da República. Delírios a parte, seu trabalho de hoje foi bem feito, conseguiu protocolar um requerimento “ininvalidável” (neologismo à moda de Brasília). Com isso, retirou da boca do governo a mentira sobre o desejo de investigar os cartões corporativos. E mais, deixou claro que a base governista tentar tomar de assalto o comando da CPI, relatoria e presidência, o senador tem “bala na agulha” para montar uma CPI exclusiva no senado e, nesse caso, disputar os cargos.
Continuo a não acreditar nos resultados dessa CPI, mas a oposição precisa cravar suas vitórias. Foi a falta de um contraponto eficiente que permitiu a escalada do lulo-petismo e seus infindáveis escândalos.
Na Folha, por Gabriela Guerreiro.
A oposição protocolou nesta quinta-feira na Mesa Diretora do Congresso, pela segunda vez no dia, o requerimento com pedido de instalação da CPI mista dos Cartões Corporativos. O líder do PSDB na Casa, Arthur Virgílio (PSDB-AM), fez uma corrida em busca de assinaturas para garantir a entrega do requerimento –depois que o primeiro texto foi considerado sem validade pelo presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN).
Virgílio conseguiu a assinatura de 28 senadores ao requerimento. O tucano percorreu, por mais de uma hora, gabinetes de parlamentares e dependências do Senado na busca por assinaturas para a CPI mista (com deputados e senadores). O líder também mobilizou assessores para a coleta. Leia mais.
Eu afirmei mais de uma vez que o governador José Serra deveria agir com rapidez e disponibilizar a integralidade de todos os gastos com os cartões de débito do governo de SP. Pois bem, os gastos já estão disponíveis (clique aqui para ver).
Agora começa o pente-fino da imprensa, mas tão importante quanto, é tirar da boca dos petistas federais o discurso de que são todos iguais.
Afinal, no que gastaram os “seguranças” dos Lulas da Silva?