economia, política e blog ‘n’ roll

Os lutadores cubanos, o assassino italiano e Genro, o carniceiro

Tuesday, February 24th, 2009

Como se adjetiva alguém que manda a força policial ir atrás de duas pessoas cujo único crime é tentar fugir de uma ditadura? E mais, com a possibilidade de oferecer liberdade a essas pessoas, oferece suas cabeças de bandeja a um regime que informa OFICIALMENTE já ter enviado mais de 3.000 pessoas ao paredón, a maioria por crimes de consciência, que se traduz por discordar do regime autoritário do país. Essa é a história de dois boxeadores cubanos, Guillermo Rigoundeau e Erislandy Lara, e do ministro da (in)justiça, Tarso Genro.

O primeiro lutador, Lara, já havia fugido para o México, de onde seguiu para Hamburgo, na Alemanha, e hoje vive em Miami e segue carreira de lutador profissional. Agora lemos que Rigoundeau também escapou da tirania castrista fazendo um percurso parecido, que começa no México e terminou em Miami. Lara havia sido discreto em suas declarações, dizendo que gostou muito do Brasil e da sua gente e que um dia poderia voltar. Tudo muito diplomático, sem nunca responder diretamente se foi pediu pra voltar a Cuba ou não.  Rigoundeau resolveu falar. Conta que NUNCA PEDIU PRA VOLTAR PRA CUBA, foi enfiado a força em um camburão da polícia e, sem chance de defesa, atirado de volta nas garras dos irmãos Castro. Na ilha caribenha a vida dos dois se tornou um inferno e sua carreira de esportista foi interrompida.

Aí pode perguntar o leitor porque o primeiro lutador deu declarações “diplomáticas” e o segundo foi na “veia”? Simples, Lara tem filhos em Cuba e sabe que deve tomar cuidado com o que diz. Rigoundeau tem a coragem dos solteiros.

Para nós brasileiros essa declaração é importante para descobrirmos que é Tarso Genro, esse senhor que possa de humanista ao abrigar o assassino CONDENADO por um tribunal italiano e com pena confirmada por uma corte européia. Na opinião desse senhor, a Cuba castrista é um regime justo, mas a Itália e a Europa são regimes autoritários que não oferecem justas possibilidades de defesa. Como Genro não é um idiota para acreditar nessa bobagem que suas ações contam, deve achar que somos um bando de imbecis. Aqui não, ministro!

Tags: , , , ,

Caso Battisti: quando a coerência é desnecessária

Sunday, February 15th, 2009

Está na capa do Uol uma entrevista com o filósofo italiano Toni Negri, que se posiciona a favor da decisão do ministro Tarso Genro em  conceder asilo político a Cessare Battisti. Entre seus argumentos está a absoluta falta de coerência. Como se sabe, isso (manter a coerência) é desnecessário quando se é um esquerdista defensor de tudo que é bom, belo e justo.

Negri defende que a Itália vivia na década de 1970 um estado de exceção, baseado no fato que a prisão preventiva poderia ser feita a qualquer momento e durar anos. Esquece de informar que se tratava de prisão preventiva exclusivamente para combater o terror. Note que Negri também “esquece” de informar que a regra ajudou a acabar com o terrorismo de esquerda, de direita e com a máfia.

Mas por que incoerente? Sim, vamos a isso. Negri foi preso, fugiu para a França, foi julgado, retornou a Itália e cumpriu sua pena. Hoje é professor universitário em Florença e defende que os julgamentos (dele, Battisti e outros) não foram justos. Mas o que é o ato falho. Lá pelas tantas, para mostrar que não é um monstro,  diz que, entre outras coisas, foi acusado de participar do sequestro e assassinato de Aldo Moro e que FOI INOCENTADO DA ACUSAÇÃO. Por quem? Pelo mesmo sistema jurídico que ele acusa de injusto. Não é lindo, o sujeito é filósofo e não consegue manter uma linha de raciocínio em uma conversa que não deve ter demorado mais que 15 ou 30 minutos.

Bem, sua incoerência não é linda, não. Negri participou de grupos que atentaram contra a democracia italiana e pagou um preso (cadeia) por isso. Foi julgado, com TODO o direito de defesa, e condenado em um tribunal COMUM, exatamente como Battisti. A beleza está em conseguir combater a violência com leis. Houve exageros por parte de autoridades italianas? É claro que sim, mas foram episódios e não regra. Querer recontar a história para transformar crimes em atos heróicos e um ato de pura mesquinharia intelectual.

Tags: , ,

STF PODE rever decisão sobre Battisti

Thursday, February 5th, 2009

Os amigos do Genro, uma nova classe político-imprensista surgida, defendem que o STF não pode rever a decisão do ministro sobre a guarida ao assassino Battisti. Há importantes vozes contrárias à tese. Leia texto que vai no Estadão, por Mariângela Gallucci:

O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, disse ontem que não haverá incoerência se o tribunal mudar a sua jurisprudência e decidir julgar a extradição do extremista italiano Cesare Battisti, apesar de ele ter obtido refúgio graças a uma decisão do ministro da Justiça, Tarso Genro. A atual jurisprudência sobre o assunto é totalmente favorável a Battisti: em 2007, a corte concluiu que a concessão do refúgio impedia o julgamento da extradição.

“Não há incoerência. O STF tem procedido a uma ampla reavaliação de sua jurisprudência em diversas matérias e dado passos significativos no sentido de alterar. O processo extradicional, como qualquer processo, tem conteúdo eminentemente dialético. Então, há teses em conflito e caberá ao Supremo analisá-las”, afirmou o ministro. Por motivos pessoais, ele não participará do julgamento.

Há um movimento no STF, capitaneado pelo presidente do tribunal, Gilmar Mendes, para que seja mudada a jurisprudência, permitindo a análise dos pedidos de extradição mesmo quando o estrangeiro obtiver o status de refugiado. Ganha corpo a tese de que o refúgio foi fixado por lei e a competência do STF para julgar extradições está na Constituição, texto superior hierarquicamente às leis.

No julgamento de 2007 em que foi fixada a jurisprudência favorável a Battisti, Mendes ficou sozinho. Por 9 votos a 1, o tribunal concluiu que o fato de o colombiano Olivério Medina ter obtido o refúgio era determinante para a extinção do processo de extradição. Medina, acusado de integrar a Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), se livrou da extradição.

Se o entendimento do tribunal for modificado, desfavoravelmente a Battisti, o Supremo poderá analisar o pedido de extradição apresentado pela Itália, onde ele foi condenado à prisão perpétua, acusado de envolvimento com quatro assassinatos na década de 70.

No caso de haver julgamento no STF, Celso de Mello explicou que o tribunal terá de decidir se os crimes foram políticos. Se forem políticos, o italiano não será extraditado. Mas, se o tribunal concluir que foram atos de terrorismo, Battisti deverá ser entregue ao governo italiano. Leia mais.

Tags: , ,

Do blog da Sonia Racy, sobre o assassino Battisti

Wednesday, January 21st, 2009

Publico atrasado ótimo texto do blog da jornalista Sonia Racy sobre o caso do assassino Battisti.

É bem mais duro do que se imagina o texto da carta mandada pelo presidente italiano Giorgio Napolitano ao presidente Lula. A avaliação é do especialista Walter Maierovich, que diz ter recebido telefonema de uma alta figura daquele País, interessado em entender “de onde saiu” a decisão brasileira de dar refúgio a Cesare Battisti. Para a coluna, Maierovich ressaltou aspectos do caso pouco esclarecidos até agora do caso. Alguns deles:

A comparação do caso Battisti com o de Salvatore Cacciola, feita por Tarso Genro, não faz sentido. Cacciola tem cidadania italiana e, por lei, a Itália jamais extradita seus cidadãos.

A França nunca deu refúgio a Battisti. Ele apenas contou com a boa-vontade do governo Mitterrand para “ir ficando” no País. E fugiu para o Brasil quando a Justiça francesa, já no governo Jacques Chirac, aceitou o pedido da Itália para extraditá-lo.

O Tribunal Internacional Europeu, em Estrasburgo, rejeitou seu pedido de proteção, entendendo que era criminoso comum.

Os quatro assassinatos foram praticados em um país democrático, onde inúmeros partidos atuavam, havia eleições livres, parlamento funcionando e nenhuma ditadura ou lei de exceção.

Todos os outros 8 ou 10 extremistas do grupo de Battisti, detidos e condenados, já cumpriram pena e estão em liberdade.

Maierovich acusa Tarso de “contar as histórias pela metade” e de ter destratado não só a Justiça da Itália como a da França. E arremata: “Ele teria dificuldades de passar em um exame da OAB”.

Tags: , , ,

O ministro sem graça e a colunista do balacobaco

Friday, January 16th, 2009

Leia o que vai no blog da Barbara Gancia. Postei um aperitivo aí embaixo, mas no final da coluna ela conta um pouco sobre as “relações” da sua família com as brigadas vermelhas, grupo terrorista italiano, na década de 1970. Imperdível.

Tarso Genro vive no passado

Questionado, semanas atrás, sobre os motivos que o levaram a escolher o Brasil para se refugiar, o então fugitivo da Justiça italiana Cesare Battisti respondeu: “O Brasil, sem uma ditadura, era a imagem de um país sensível aos valores democráticos e de garantias dos direitos fundamentais”. Bonito, não? Se fosse menos bronco, Ronald Biggs teria dito a mesma coisa sobre o país que o recebeu de braços abertos -e que até hoje figura no imaginário do cinema como porto seguro para bandidos em fuga.
Para quem conhece o Brasil, a impressão é a de que o italiano condenado à prisão perpétua por assassinato estava falando da Suécia. Arrisco dizer que os dois atletas cubanos que buscaram asilo no país (depois do Pan no Rio) e acabaram deportados com violência inédita não seriam capazes de descrever o país com o lirismo usado por esse senhor que agora é um de nós.
Mesmo que fossem, duvido que compartilhem da visão de Cesare Battisti. Aliás, sou capaz de apostar um picolé de limão como os boxeadores Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux foram embora achando que o país não oferece garantia nenhuma de direitos. Infelizmente, não pudemos ouvi-los para saber o que pensavam, uma vez que, chegando a Cuba, eles foram imediatamente detidos, não é mesmo?

Leia a coluna toda

PS: para os mais novinhos que não sabem o que é balacobaco, segue o Houaiss: Substantivo Masculino; 1 qualidade ou beleza excepcionais

Tags: , , ,