Friday, April 3rd, 2009
O deputado Clodovil Hernandes (creio que seu último partido foi o PR) possuía uma proposta interessante, queria diminuir o número de deputados federais pela metade. Hoje nenhum estado possui menos de 8 deputados e a maior bancada (paulista) é formada por 70 deputados. A proposta de emenda constitucional (PEC) apresentada por Clodovil reduzia esse número para um mínimo de 4 deputados e um máximo de 35, procurando manter a proporcionalidade. Na proposta inicial SP manteria os 70 representantes, mas isso foi alterado depois.
Qual era a chance de uma PEC como essa passar? Bem, se houvesse número negativo em probabilidade, poderíamos dizer que era de menos 1. Mas eu considero uma boa proposta. Para um poder incapaz de propor qualquer coisa, que vive de aprovar medidas provisórias, está eternamente ligado a escândalos e, só de passagem aérea custa mais de R$ 252 mil reais por ano por deputado, acho que o número proposto foi até bem razoável.
O parlamento brasileiro (câmara E senado) há tempos vem corroendo a democracia. As seguidas denúncias de corrupção, pioradas pela cara de pau das votações secretas nos processos de cassação , que desaguam na impunidade parlamentar, levam ao total descredito do poder legislativo e a uma confusão de afazeres. Critica-se o judiciário de legislar, mas como não fazê-lo se o congresso não cumpre seus papeis constitucionais?
250 deputados e, acrescento, 2 senadores por estado. E olha que já tá de bom tamanho.
Tags: clodovil, congresso, PEC
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Thursday, January 24th, 2008
Acompanhei esta semana a estarrecedora pesquisa de intenção de votos para prefeito da cidade do Rio de Janeiro, liderada pelo deputado estadual Wagner Montes (PDT), aquele que era jurado dos calouros do Sílvio Santos, apresentador de programa mundo-cão e sei lá quantas outras qualificações curriculares. Segundo o deputado “o Rio não precisa de prefeito, o Rio precisa de xerife!”.
Eu não sou a favor de bondades com bandido, defendo a prisão e cumprimento de pena, na maioria dos casos, integral. E ponto. Mas também não sou prefeito de um “país” como o RJ. Todo o candidato a executivo que se elege com um discurso único tende a ser um mal gestor público. Talvez nem por má vontade ou má fé, simplesmente porque organismos complexos como uma metrópole não podem ser resumidos a um ou dois pontos. Isso sem mencionar que a maior parte da atividade policial é função do governador, não do alcaide.
Agora, pior que intenção de voto é voto na urna pra certa turma. Vejamos a última eleição pra deputado federal em São Paulo. Os mais votados foram Paulo Maluf, Clodovil Hernandez e Celso Russomano.
Paulo Maluf é, e já era na época, acusado de desvio de centenas de milhões de reais. Eu não disse vinte contos, mas centenas de milhões de reais. É investigado por quatro países (Brasil, Suíça, Grã-Bretanha e EUA) que sustentam ter boas provas. Claro que não pode ser considerado culpado até julgado como tal, mas é de bom tom votar em alguém com tantas… complicações?
E o neófito Clodovil. Ao invés de agulhadas nos tecidos ou em celebridades, resolveu ir para Brasília. Seu discurso de campanha era algo como “eu não entendo nada de política, mas vou contar tudo”. Só o que precisamos para ter uma Brasil melhor é Dona Cotinha na câmara. Ahh, agora vai!
O que dizer então de Celso Russomano. Eu me lembro dele apresentando bailes eróticos de carnaval na TV. Foi bem na época da abertura, segunda metade dos anos 80, acho, e ele se entusiasmava com moças desinibidas e fantasias (quando havia) mínimas. Hoje é o “deputado do consumidor”. Apresenta um programa na TV onde atua muito mais como atendente do PROCOM do que como legislador federal.
E ai vem o papo de “O Lula foi eleito com os votos dos grotões”. Bom, não há tantos grotões assim e, mesmo que houvesse, essa é uma nação urbana, a maioria reside em grandes centros. Lula foi eleito ou com o voto de cada um de nós ou dos nossos vizinhos ou de alguém com quem falamos todos os dias. Lula, o presidente que vai à TV dizer que é normal usar dinheiro ilegal em campanha, e que foi vencedor ou quase na maioria das grandes cidades do país, serviu, ao menos, para nos mostrar que o grotão político é logo ali, na esquina da minha rua.
Tags: celso russomano, clodovil, deputados, eleicoes, maluf
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