Wednesday, May 21st, 2008
Não se pode dizer que o dia foi excepcional. Longe disso. Afinal, como esperado, Dilma e Erenice foram “inocentadas” pelo funcionário da casa cívil que depôs na CPI dos cartões corporativos. Também conhecida como a CPI da ida dos que não vieram.
Pobre CPI, nunca teve probabilidade alguma de não ser um fiasco.
Mas pelo menos a noite não foi um desperdício total: o curíntia perdeu do Botafogo. Apesar que é em jogos como esse que sinto falta da dupla derrota no futebol.
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Tuesday, May 20th, 2008
Geralmente ligo o rádio do carro para vir até o escritório. É rotina, um hábito duro de abandonar. Às vezes passo longos períodos só com a música. Longos e bons tempos. Mas eis que esse inato desejo humano pelo auto flagelo me faz voltar aos noticiários radiofônicos matinais.
E hoje o dia começou com pérola. Está decretado que no Reino do Surreal é permitido mentir. Sim, o funcionário da casa civíl, José Aparecido, que depõe hoje à natimorta CPI dos cartões corporativos, conseguiu um habias corpus preventivo. Entenderam os senhores jornalistas que o depoente está autorizado a mentir. Não é bem assim.
Todo o cidadão tem o direito de não se incriminar em um depoimento, ou seja, não é obrigado a responder perguntas que venham a “piorar” sua situação. Resumindo, pode se calar, mas não pode mentir. Felizmente, mentir em depoimento ainda constitue perjúrio. Até no reino surreal.
Assim, se Aparecido dissesse que recebeu ordens de Erenice Guerra, assessora direta de Dilma Rousseff, para confeccionar e/ou “distribuir” o dossiê banco de dados, mas afirmasse que Dilma de nada sabia, na hipótese de que estivesse ciente de um eventual conhecimento da ministra sobre a operação, terá cometido perjúrio. O que ele pode fazer é não responder às perguntas. Ou responder por linhas tortas, que se constitui na fina arte de falar muito sem dizer nada.
E a vida segue. E a CPI padece.
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Wednesday, February 27th, 2008
No Estadão, por Eugênia Lopes.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), anunciou nesta quarta-feira, 27, que a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) irá presidir a CPI mista que irá investigar o uso irregular dos cartões corporativos. O relator será o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ).
O acordo para o comando compartilhado da CPI entre governo e oposição foi anunciado no início da tarde pelo líder do governo no Senado, Romero Juca (PMDB-RR).
A discussão em torno do comando da comissão levou os líderes de partidos de oposição no Senado a protocolar na semana passada um novo pedido de criação de CPI, só com senadores, sobre o mesmo assunto. Os oposicionistas queriam, dessa forma, que o governo cedesse em lhes dar o comando da CPI Mista.Para Jucá, “não faz sentido” a criação de duas CPIs para investigar o mesmo caso.
Mais cedo, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) anunciou em plenário que recusou o convite do líder do PSDB, para presidir a CPI.
Marisa Serrano ganhou destaque no ano passado, quando participou do trio de relatores do primeiro processo contra o então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Junto a Renato Casagrande (PSB-ES), Marisa recomendou a cassação do senador, mas o texto foi derrotado no plenário e Renan, absolvido.
Tags: cartoes corporativos, CPI, Luiz Sergio, Marisa Serrano, psdb, pt
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Tuesday, February 19th, 2008
O atual governo possui folha corrida quando se trata de utilizar a máquina estatal contra os seus “inimigos”, basta lembrar do episódio caseiro x ministros, em que o ex-Ministro Pallocci e/ou seus assessores obtiveram informações sobra a conta corrento do caseiro Francelino. Sim, ele, o caseiro, fez a bobagem de contar o que sabia. Utilizei ministroS, no plural, porque houve a pena do ex-ministro da justiça, Márcio Thomas Bastos, na defesa.
Ao se apossar dos instrumentos do estado, um grupo político desenha uma linha sobre o que o cidadão comum pode ou não fazer, independente do que manda a constituição. Esse é o primeiro sintoma de um regime autoritário.
A base aliada se esforça para montar uma CPI que investigue o uso dos cartões corporativos e das contas tipo B no governo FHC. Como não há fato definido para a instalação da CPI, condição determinada pela constituição, começou o período de “achar provas independentemente da lei”. Que fique claro, que se investigue todos os indícios, mas que não se use o estado para fabrica-los ou achacar qualquer cidadão. Tempos perigosos esses.
No Estadão, por Vera Rosa.
Às vésperas da instalação da CPI dos Cartões, o Planalto vai distribuir aos líderes aliados um dossiê com informações detalhadas sobre os gastos com suprimentos de fundos nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso. No comando da operação de guerra, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) pediu aos 37 ministérios e principais repartições da administração direta que encontrem prestações de contas antigas, personagens, relatórios de fiscalização - com o respectivo “comprovante de saneamento” do erro, quando for constatada irregularidade -, além de estatísticas dos valores desembolsados desde 1998.
A idéia é desconstruir o discurso de adversários do PSDB e do DEM de que o governo Lula teria organizado uma cadeia de comando para promover a farra dos cartões corporativos. Com a identificação dos ordenadores de despesas, por exemplo, o Planalto quer mostrar que os responsáveis pela fiscalização dos gastos não integram a lista dos afilhados políticos: muitos são funcionários de carreira e trabalharam em outros governos.
No e-mail enviado aos ministérios, com um questionário de 13 perguntas, a Secom pede ajuda para localizar “personagens, documentos, cenários e estatísticas”. Quando solicita a identificação do “gestor”, ressalva: “De preferência, alguém que estava na função antes da instituição do cartão.” O objetivo é rastrear a movimentação de dinheiro no governo FHC, já que o cartão corporativo foi criado somente em 2001. Antes, os gastos eram feitos apenas por intermédio da conta tipo B, com operações em cheque ou dinheiro vivo. A conta tipo B existe até hoje, mas é usada em menor escala. Leia mais.
Tags: cartoes corporativos, CPI, DEM, FHC, lula, psdb
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Friday, February 8th, 2008
A idéia da oposição era “maltratar” o governo por mais uma ou duas semanas com os cartões corporativos e, então, pedir uma CPI. Seria um enorme desgaste para a situação tentar evitar sua instauração. O governo resolveu se antecipar e propor ele mesmo a abertura da Comissão Parlamentar de Inquerito, para não correr o risco de perder o controle de uma instalada pela oposição no senado. O senador Romero Jucá saiu à cata de assinaturas.
Ora, para colocar a CPI no ar o governo precisa do apóio do PMDB. Vale lembrar que o partido não ficou lá muito satisfeito com a distribuição de cargos feita por Lula. Isso sem citar a ingerência de Dilma Rousseff no ministério das Minas e Energias. Pois o partido já avisou, só assina se ficar com a relatoria. Ainda que a presidência de uma CPI seja mais visível, no fundo é o relator que controla o produto final da comissão. Assim sendo, é bom o governo se “comportar”.
E a vida segue.
Tags: cartoes corporativos, CPI, PMDB
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