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Marcos Valério põe José Dirceu em gelada

Friday, February 1st, 2008

pinocchio.jpgO publicitário Marcos Valério, o tal “operador” do mensalão, prestou depoimento ao juiz Alexandre Buck Medrado Sampaio, da 4ª Vara Criminal Federal de Belo Horizonte. E voltou a afirmar que José Dirceu, a quem disse admirar muito, sabia dos empréstimos feitos nos bancos Rural e BMG. Segundo ele, o próprio Silvinho Pereira, então secretário geral do PT, confirmou que informava tudo ao chefe. Também afirmou que José Genuíno, outro da turma do “ninguém sabe, ninguém viu”, era mantido atualizado por Delúbio Soares sobre todas as transações.

Mais uma vez, disse que intermediou uma reunião entre Dirceu, que ocupava a casa civil, e o presidente e diretores do banco Rural. Conforme já escrevi, não muito tempo após essa reunião o Rural e o BMG  passaram a operar os empréstimos consignados para aposentados, um filé-mignon para qualquer instituição financeira.

José Dirceu já reitorou várias vezes que nunca tratou de tais assuntos com essas instituições. Resta tentar descobrir quem mente.

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Delúbio mantém tese do emprestimo

Thursday, January 10th, 2008

Todos se lembram da tal “tese do empréstimo”, bolada por Márcio Thomaz Bastos para livrar os petistas da cadeia. A idéia era simples, negar que eram doações ilegais de campanha ou qualquer tipo de propina (o que poderia levar a cassação de mandatos, perda do registro do partido, etc… ) e alegar que os R$ 55 milhões foram empréstimos feitos para pagar dívidas de campanha e a festa popular promovida pelo PT na posse de Lula. Essa história foi mantida ontem pelo ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, em um interrogatório em São Paulo feito pelo juiz Fausto Martins De Sanctis, da 6a Vara Criminal Federal.

O que o ministério público investiga são as vantagens que podem ter sido obtidas pelos principais credores do PT. Por que o MP levanta a hipótese? Basta seguir a seqüência de fatos abaixo:

setembro de 2003 - MP 130 ; apenas nove meses depois de eleito, o presidente Lula assina a medida provisória n. 130 e envia ao congresso a sua regulamentação (decreto n. 4840). Resumidamente, isso acabava com as dúvidas a respeito do crédito consignado para aposentados.

2003 é o período dos “empréstimos” feitos ao PT. Só como Banco de Minas Gerais (BMG) o partido levantou a baguatela de R$ 26 milhões, com poucas ou nenhuma garantia. Sacomé, banco adora rasgar dinheiro.

maio de 2004 - O governo propõe mudança na lei do crédito consignado. Não seria mais a previdência a reter os pagamentos e enviar aos bancos, as próprias instituições financeiras fariam isso.

agosto de 2004 - O presidente assina o decreto n. 5180 permitindo que TODOS os bancos operassem o crédito consignado. Pela regulamentação anterior apenas bancos que faziam pagamento previdenciário podiam oferecer o produto. O BMG, que não fazia pagamentos previdenciários, passa a poder operar.

O resto da história já conhecemos, o governo usa sua máquina de propagando (oficial e não oficial) e convida cada aposentado do Brasil a se enforcar em juros que, na melhor das hipóteses, flutuavam pouco acima de absurdos 2% ao mês. O BMG e o Banco Rural, que ficariam excluidos de um dos melhores produtos do mercado financeiro na década, obtém pomposos lucros.

É bom não esquecermos e continuarmos a acompanhar o desenrolar dessa história.

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