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Kátia Abreu: pingos nos “i”s

Wednesday, November 10th, 2010

A senadora Kátia Abreu possui um mérito raro no cenário político brasileiro: defende suas posições. E, justamente por ter postura, foi uma voz quase solitária na oposição ao lulo-petismo. Como bem sabem os Mercadantes e Patruses Ananias da vida, quem adere ao lulismo abdica de possuir opinião própria. Não tenho dúvida que se houver de fato investigação dos acontecimentos desses últimos anos, os oposicionistas de fato colherão os frutos da sua coragem.

Vale muito a leitura da entrevista concedida pela senadora à Folha de São Paulo. Uma análise bastante clara da relação entre agronegócio e preservação ambiental, do cenário político e da interpretação dos fatos pela população.

Na Folha de São Paulo

Otimista com Dilma Rousseff, mas firme na oposição. Assim se descreve a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

Eduardo Anizelli/Folhapress

“Dilma passou por dissabores por não conseguir unir a burocracia ambiental à realização das obras do PAC”, afirma Abreu, 48.

Em entrevista, ela diz que o PT perdeu em várias regiões onde o agronegócio é forte “porque tivemos a maior insegurança jurídica nesses oito anos” e reclama que falta estratégia para deixar o campo mais produtivo, mas “sobra ideologia”. E afirma que a CNA não é contraponto ao MST. “O contraponto ao MST é a Constituição.”

DISSABORES DE DILMA

A presidente eleita Dilma Rousseff teve dissabores imensos com relação à questão ambiental na execução das obras do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]. Então, ela tem a experiência, além da teoria, ela conhece as mesmas dificuldades que temos no setor rural. Tanto eu, quanto a Dilma e todos os brasileiros se preocupam com o meio ambiente. Isso não é uma reserva de mercado e nem um patrimônio exclusivo da ex-ministra [do Meio Ambiente] Marina Silva. É o mesmo que discutir a Lei da Gravidade. Eu sou contra e você é a favor da Lei da Gravidade? Então, eu acredito que Dilma, por essas experiência negativa de não conseguir compatibilizar a preservação com a execução das obras, poderá trazer à luz um debate com mais bom senso e racionalidade e buscar, repito, a ciência.

FREIO À GASTANÇA

Espero que Dilma implemente uma política econômica de diminuição de gastos públicos. Ela tem a grande chance de dar uma freada na gastança pública.

Se nós estivéssemos promovendo uma gastança pública que trouxesse melhorias para a população, ninguém aqui precisava dizer nada.

A minha filha, que tem 22 anos, sempre me pergunta: mãe, por que o imposto no Brasil é tão caro e tudo é tão ruim?

A saúde não tem qualidade. Os patrões, apesar de pagarem seus impostos e os trabalhadores, quando adoecem se o patrão não der uma força, uma mão, passam dificuldade. Um exame de papanicolau, o mais simples possível, leva de oito meses a um ano para dar o resultado para uma mulher.

Educação está aí. O PNUD com os resultados terríveis com a mudança de cálculo. O PNUD colocou a educação no Brasil como o principal fator para a pobreza.

A Segurança está aí. Acabei de ver o “Tropa de Elite 2″, que demonstra bem a realidade brasileira. Então, os serviços essenciais são de baixa qualidade e uma taxa tributária alta. Isso só vai ter conserto se a gastança pública diminuir. Outra mágica não existe.

ARROCHO POPULAR

Espero que Dilma possa trazer um arrocho fiscal saudável para o Brasil, inclusive, com medidas populares. Nesse quesito quero dizer que votarei a favor. Votarei com ela. Porque eu não estarei votando no governo. Estarei votando pela preservação das instituições, de uma situação econômica regular e tranquila. Não tenho nenhuma dificuldade em estar junto numa votação dessa, ao mesmo tempo que não terei nenhuma dificuldade para votar contra a CPMF.

DEMÔNIOS

Agora, precisa dar praticidade e parar de demonizar essa situação. “Ou você pensa como nós ou você é um demônio.” “Ou você é contra a Amazônia ou você é contra o meio ambiente.” Essa ditadura ideológica precisa ter um fim. Meio ambiente é um assunto a ser discutido democraticamente. Claro que totalmente embasado na ciência. A gente não tem como fugir desse embasamento científico. Dá tranquilidade a todos nós.

PRAGAS E EROSÃO

Quem é que quer produzir arroz de altíssima qualidade, cometendo crime ambiental, sabendo que vai trazer prejuízos ao país e à sua propriedade rural? Não conheço ninguém que produz sem água. A erosão baixa a produtividade. Se você não tiver o equilíbrio na biodiversidade as pragas vêm arrasadoramente tanto na produção de grãos quanto nas doenças dos animais. Então, é muito engraçado colocar o produtor contra o meio ambiente, porque nós vivemos dele mais do que qualquer um, porque dói no bolso, que é o órgão mais sensível.

NOVO MINISTRO

A CNA [Conferação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil] nunca foi ouvida com relação a nenhum ministro em nenhum governo. E, ao mesmo tempo, sempre tivemos um ótimo relacionamento com todos os ministros, especialmente, no governo Lula. Roberto Rodrigues [da Agricultura] e Reinhold Stephanes [ex-ministro da pasta] frequentavam, como se diz na expressão popular, de dentro da nossa casa, nós trabalhávamos juntos, eles tiveram todo apoio da CNA. A única coisa que nós não gostaríamos de ver no Ministério da Agricultura é o óbvio, alguém que não defendesse a produção.

CHEFE DE TORCIDA

Na Inglaterra, o Ministério da Agricultura e do Meio Ambiente é um só, inclusive, com o mesmo ministro. Se aqui no Brasil nós pedíssemos uma situação dessas seria a execração total, imaginar que nós queríamos destruir o Ministério do Meio Ambiente e não o da Agricultura, com a união dos dois, mas para dizer que no ministério, em qualquer ministério do Brasil, nós não podemos permitir que tenha representante de classes nos ministérios.

Representantes de classe: não me roube meu papel, esse é meu. Assim como as pessoas que presidem as ONGs, as ambientalistas, representam uma ideia, representam uma bandeira, cada um na sua.

Ministro de Estado não pode ser chefe de torcida nem dos ruralista e nem dos ambientalistas. Ele precisa pensar no país, no Estado Brasileiro e fazer com que as coisas possam acontecer de forma republicana, vendo os interesses do país.

É impossível que o ministro do Meio Ambiente não conviva com o ministro da Agricultura. Os dois precisam pensar juntos o país. Por isso a Inglaterra colocou as duas ações num ministério só, porque não vê incompatibilidade. Como ficar fora o Ministério do Meio Ambiente sem discutir a produção?

Eu repito: nós queremos fazer as coisas corretas. Nós não queremos fazer nada errado pelo lucro e pelo plantio. Nós temos áreas de sobra para fazer produção no lugar certo e preservar o meio ambiente, onde for preciso nas áreas precisas.

CLAREZA DE MARINA

Não acredito que a votação de Marina Silva tenha sido por uma questão ambiental. A Marina teve, diferentemente dos outros candidatos, uma maior clareza nas suas ideias. Eu gosto muito de citar a primeira Carta de Paulo aos Coríntios, ele diz assim: “O som da flauta tem que ser de flauta e assim sucessivamente, dos outros instrumentos, da cítara, tem que ser de cítara”.

Então, a Marina teve o som da flauta, não teve ambiguidade no seu discurso. É o que eu procuro fazer: o som da minha flauta é de flauta. Eu toco flauta. Não toco cítara. Quem toca cítara é quem pensa diferente de mim.

Esta clareza é muito importante no debate político. Quando você leva para um debate político, você é de direita ou esquerda. É a soberba absoluta de candidatos que imaginam que a população vive em função dela ou em função de conceitos filosóficos.

A população sequer sabe ou compreende. É porque não quer entender. Se ela quisesse entender, ela entenderia. É porque não faz parte das suas vidas, não faz parte dos seus interesses, não faz parte da sua luta.

A sua luta é a luz e a água no final do mês, é a escola do seu filho paga, é ter saúde decente. Está lá preocupada o que é esquerda, o que é direita. Quem do eleitorado brasileiro perguntou isso? Qual eleitor perguntou para o candidato: candidato Serra o senhor é direita ou esquerda? E isso virou uma polêmica, como se fosse a coisa mais importante do Brasil. Ou você é liberal ou neoliberal?

Chega a ser ridículo esses conceitos. A Marina saiu de tudo isso dando um exemplo, ela falou tudo isso. Não significa que tudo o que ela defende é o que eu defendo, mas eu tenho que reconhecer que ela teve clareza, principalmente, em princípios que a população brasileira acredita.

MARINA CONSERVADORA

A população brasileira é religiosa. A sua grande maioria é católica, se não for católica é evangélica, se não for evangélica é espírita. E, normalmente, as pessoas que possuem religião, são pessoas controladoras em seus princípios. Não significa que não mude com a evolução da humanidade, da ciência, mas aquilo que é, aquilo que faz parte e fundamenta os seus princípios.

A Marina se mostrou apesar de dita de esquerda, com princípios conservadores e isso agradou a população. Então, a presidente Dilma, em alguns momentos ou em vários momentos, tentou contradizer pontos que ela tinha dito no passado, como o caso do aborto, como o caso da invasão de terra. O Serra, em muitos momentos, não teve clareza com relação a esses princípios e a essas ideias, que virou pauta, ninguém tem culpa disso, virou uma pauta de eleição. Filosoficamente, pode estar errado, o conteúdo programático pode estar errado, a população quer saber, ela tem o direito de ouvir.

DIREITA/ESQUERDA

Tanto o candidato Serra quanto a candidata Dilma discutiram assuntos que não dizem respeito à sociedade. A sociedade não estava interessada em direita, esquerda, neoliberal. Faça pesquisa popular para ver se alguém se interessa por esses temas, do que é liberal ou neoliberal. O que é direita, o que é esquerda.

RURAL VS. URBANO

Não pode persistir um direito à prioridade urbana, mas um não direito à propriedade rural. O direito à propriedade é um só, está na Constituição e precisa ser respeitado. Há concentração no setor de supermercados, há no setor de bancos, mas parece que só a grande propriedade rural é vilã.

BNDES

Não é a escolha de grandes conglomerados de carnes que vai deixar a economia mais competitiva e nisso sou crítica [o banco injetou recursos em frigoríficos como Marfrig e JBS para financiar aquisições]. É o investimento em pesquisa e em tecnologia que vai nos dar mais produtividade. Quando vejo o anúncio desses grandes créditos, sempre penso como foi a escolha dos preferidos e quem são os excluídos de quem tem acesso ao crédito. Quando comparo os investimentos em educação e pesquisa de China e Coreia com os do Brasil, vemos o quanto precisávamos investir nessa área.

REFORMA AGRÁRIA

Não podemos debater o crime, que são as invasões. Podemos discutir o que é melhor, aonde há produtividade, porque os assentamentos são pouco produtivos. O menor não é o melhor. Você precisa ter renda alta, você não transfere renda com patrimônio.

Estamos concluindo um estudo com a FGV que demonstra que 70% do valor bruto da produção no país está em 4,5% das propriedades rurais. Só que o Censo Agropecuário de 2006 demorou quatro anos para ser divulgado e, como o IBGE foi aparelhado, querem fazer crer que é a pequena propriedade a mais produtiva. A grande massa das propridades rurais, 1,5 milhão delas no país, não tem renda nenhuma.

POLÍTICA AGRÍCOLA

O que precisamos é de portos, estradas, trens e aeroportos eficientes, qualificação da mão de obra. As grandes propriedades rurais se autoprotegem e conseguem financiamento da iniciativa privada. As propriedades menores precisam de acesso ao crédito, logística.

Uma propriedade grande vai vender uma caixa de laranjas a US$ 3 porque teve acesso aos melhores defensivos, adubos, técnicas; a propriedade menor, no mesmo espaço, só vai conseguir vender essa caixa a US$ 5.

GERGELIM LUCRATIVO

O Brasil precisa importar 80% do gergelim que consome e é um produto de nicho, com margem de lucro alto. A pequena propriedade rural deveria se dedicar a esses produtos de nicho, a partir de pesquisa de mercado. Se você produzir soja em 50 hectares, você dificilmente terá lucro. Comida de pobre tem que ser produzida por rico, com muita terra; o pobre, se produzir comida de rico, lucra.

ITAMARATY

Nossa diplomacia tem sua competência, mas faltou prioridade para se promover o produto brasileiro no exterior. Crescemos na Ásia e minguamos na Europa. Por que não conseguimos manter os dois mercados grandes? Depois de dez anos de promessas, as embaixadas brasileiras receberam adidos agrícolas, mas eles são tratados como a quinta categoria das embaixadas, sem a menor importância, quando deveriam ser os juízes de pequenas causas que socorrem exportadores e desembaraçam a burocracia.

LEIS RELATIVIZADAS

O governo brasileiro deveria ter uma legislação mais clara quanto ao chamado trabalho escravo. No mundo, há o conceito de “trabalho forçado”, aqui aumentamos e há a relativização das leis disfarçada de bandeira social. Elas não servem apenas para defender o trabalhador, mas para também punir o patrão rural. É ideológico. Por que não tem trabalho escravo na pequena propriedade?

VOTO RURAL

José Serra venceu em vários Estados e regiões onde o agronegócio é mais forte. Não somos apenas arroz e feijão, há uma cadeia grande de produção que viveu na maior insegurança jurídica da história nos últimos oito anos. A CNA não é contraponto ao MST. O contraponto ao MST é a Constituição.

TERRA PARA ESTRANGEIRO

Não dá para barrar chinês que quiser comprar terras no Brasil. Tem contrato de gaveta, laranjas, a lei pode ser burlada. O que precisamos saber é o que eles farão aqui e se podemos competir com eles. É o que acompanha as discussões sobre o conteúdo nacional. Por que não damos condições ao produtor local para competir? Geramos empregos lá fora porque aqui cobramos 40% de carga tributária. Se o brasileiro fizer um produto pior ou não conseguir competir, tudo bem, mas as condições têm quer similares.

CÂMBIO

O câmbio afeta muito a agricultura. Os Estados Unidos não têm outra opção a não ser despejar dólares para reanimar sua economia, e o Brasil apoia a China, que mantém sua moeda desvalorizada artificialmente. A indústria brasileira e também o produtor primário sofrem com essa competição chinesa. Mas a única maneira de reduzirmos os juros para que menos dólares venham para cá é com uma política fiscal mais austera, com um forte corte no gasto público.

OPOSIÇÃO FIRME

Resultado das urnas para mim é missão. O político tem o risco de ganhar e perder. Eu adoro ser política, amo isso, e a oposição precisa aguentar firme, fazer o seu papel. O Serra excluiu os aliados, não teve lideranças do DEM, não teve o Bornhausen [Jorge Bornhausen, ex-senador e ex-presidente do DEM], ele tentou fazer tudo sozinho. E como você vai criar ilusões sozinho? O DEM precisa ter candidato próprio em 2014.

Leia mais.

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Os candidatos a presidente e as eleições de 2008

Monday, October 27th, 2008

Uma série de políticos e articulistas que “colavam” as eleições municipais de 2008 à presidencial de 2010 parecem ter mudado de idéia. Estavam tão empolgados com a idéia que o messias de Garanhuns elegeria até um poste, que embarcaram nessa. E agora mudaram de idéia. Por que? Simples, o lulo-petismo foi derrotado nas eleições municipais.

-ahh, mas elegeu “montes” de prefeitos na G-79 (cidades com segundo turno)! É verdade, mas não nos locais importantes. Primeiro, perdeu a jóia da coroa, São Paulo. E só isso já bastaria para configurar sua derrota. Aliás, ter apostado na vitória em SP já foi mostra de excesso de fé. A cidade não é muito chegada a Lula, que nunca venceu por aqui. No RJ, não deu nem pro cheiro. Ficou fora do segundo turno. Aliás, participou do primeiro? Em BH, desistiu de concorrer à prefeitura embarcando no sonho aecista de PT+PSDB em 2010. Nessa, Aécio perdeu pouco, mas o PT mineiro perdeu muito! Porto Alegre, com quase 20 pontos de diferença!, ratificou o fora PT de 2004, depois de 16 anos no poder. Em Curitiba apostaram alto e veio a mais emblemática derrota do lulo-petismo, 80% a 20%!

Ganhou no Recife, e aí é a vitória desse grupo, sim. E não venceu em Fortaleza, como se sabe, Luizianne é quase uma candidatura pirata. Os caciques petistas não a queriam em 2004 e continuavam não querendo em 2008. Lula não teve nada a ver com essa vitória.

Portanto, saem derrotados os caciques gaúchos. Dilma Rousseff e Tarso Genro participaram da campanha e não evitaram o vexame. Não são capazes de transferir os votos que nunca tiveram ou não possuem mais.

Em SP, Marta sonhava em ir da cadeira de alcaide direto para o palácio do planato. Nos braços do povo paulistano seria páreo duro na briga com Dilma pela indicação da candidatura presidencial do PT. Ficou sem a primeira cadeiara e não deve nem ser cogitada para a segunda.

Em BH, Patrus Ananias perdeu antes da eleição começar: era contra a aliança tucano-petista. A aliança se deu e Patrus se deu mal. E Aécio? Bom, esse ganhou mas não levou. Deveria ter vitória esmagadora no estado, e não foi isso que se viu. O PSDB encolheu. Fica um pouco mais difícil lutar pela indicação tucana. Claro que no seu caminha sempre a possibilidade, agora um pouco mais improvável, de se mudar de mala e cuia para o PMDB.

Ciro Gomes investiu muito na candidatura da sua ex-mulher Patricia Saboya, não chegou sequer ao segundo turno do seu principal reduto eleitoral. Sai enfraquecido.

Vencedor mesmo foi Jose Serra. O PSDB cresceu ainda mais em SP, que detem praticamente 1/3 do colégio eleitoral do país, e seu aliado, Gilberto Kassab, venceu de forma esmagadora na capital. De quebra, Aécio enfraquecido e Alckmin fragorasamente derrotado, nesse momento, não fazem sombra ao governador.

Resumindo, eu nunca disse por aqui que seriam transferidos votos de 2008 direto para 2010, mas, como vimos, algumas candidaturas foram enterradas domingo. Mas não mudei de idéia só porque desejei, ops, “previ” errado, como fizeram alguns tantos.

Atualização: esqueci de mencionar o governador Jacques Wagner. Esse conseguiu o milagre, só poderia se dar na Bahia graça de tal monte, de unir Geddel e ACM neto. Pois bem, perdeu e viu seus créditos desabarem.

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O Sul/Sudeste que sai das urnas

Sunday, October 26th, 2008

Lugar comum o título desse post, não? Não sai país algum dessas urnas, apenas reflete o que já é. Vejamos.

O PT não elegeu nenhuma capital na região sul e no sudeste ficou apenas com Vitória. E melhor que ninguém queira colocar Lacerda na conta petista, ou vai arranjar briga com Patrus Ananías, Ricardo Berzoíni e outras sumidades “estreladas”. Levou uma sova tamanha em Porto Alegre que chega quase a ser uma deselegância comentar. Mas o fato que é que nem a junção de olhos multicolores da candidata e de Chico Buarque fez a diferença.

Só não foi pior que a situação de Gleise Hoffman, esposa de Bernardo Cabral, ministro do planejamento, montada em uma das campanhas mais caras do país, quase R$ 30,00/voto. E o que se viu foi a vitória acachapante de Beto Richa (PSDB), um dos políticos mais bem avaliados do país. A petista, diga-se, utilizou a lógica inversa para justificar sua derrota. Segundo ela, a boa avaliação do presidente Lula teria ajudado os candidatos a reeleição. Claro, faz todo o sentido, o messias de Garanhuns não consegue utilizar seu toque divinal para eleger petistas, mas faz isso com tucanos. Melhor deixar pra lá…

O PMDB ficou com Florianópolis, mas ninguém coloque esse crédito também na conta do governo federal, o PMDB é o apóio a si mesmo e parte integrante e fundamental de qualquer base para o governo federal. Hoje é o PT, amanhã será outro e PMDB estará lá.

Tucanos que não levaram mais nenhuma capital das regiões sul e sudeste, apesar de manterem o controle do estado de São Paulo, o que já garante uma base grande para as próximas pretensões, seja o próprio governo estadual ou a presidência. Afinal, falamos de 1/3 do eleitorado nacional.

O DEM perde o Rio, mas fica com jóia da coroa entre as cidades, São Paulo e seu terceiro maior orçamento do país, atrás apenas do federal e o do próprio estado de São Paulo. E é uma vitória muito expressiva, vem com uma nova liderança e sem a imagem rançosa do PFL. Kassab soube se alavancar com a popularidade do governador José Serra, mas também mostrou ter capacidade de seguir sozinho.

Um episódio: neste segundo turno as principais rádios de SP fizeram entrevistas com os candidatos. Marta Suplicy sente-se “prejudicada” pela CBN pois alguns de seus articulistas disseram que algumas ações mal executadas ou planejadas da sua gestão foram… mal executadas ou planejadas. E mais, chamaram três especialistas em internet para comentar o projeto da candidata de oferecer internet grátis em toda a cidade, e várias falhas foram apontadas. Pois Marta, política experiente, fez um tremendo de um chororô ao vivo, reclamando do tratamento desigual. Sinceramente, no começo foi divertido (adoro ver políticos pagando um mico), mas depois chegou a ser constrangedor de se ouvir.

Por outro lado, Gilberto Kassab vinha enfrentando críticas duras na rádio Bandeirantes. O principal motivo é que o secretário Andrea Matarazzo exige que o jornal gratuito Metro, publicado pelo grupo Bandeirantes, montasse um esquema para recolhimento do lixo que é gerado quando as pessoas se desefazem do periódico, e chegou mesmo a proibir sua distribuição. Pois bem, Kassab tirou a entrevista de letra, foi simpático e fez tudo o que se espera de um político com “boa imagem”.

O PSB fica com Belo Horizonte. Lacerda leva mas é dificil olhar pra ele e ver o surgimento de uma nova liderança. E apesar do ser do PSB, da base de apóio de Lula, foi muito mais o candidato do governador Aécio Neves (PSDB) que do prefeito Pimentel (PT). PT mineiro que sai sangrando dessa campanha, como apontei no início.

E finalmente o Rio. O camaleônico Eduardo Paes (PMDB) levou a fatura. Uma campanha paralela fez o que pode e o que não pode para desacreditar Gabeira (PV). Paes, aprendendo a lição de seu novo guru, sempre afirmou desconhecer a violência ou os folhetos apócrifos contra o candidato verde. A maioria dos cariocas aceitou essa versão, ou ficou com “medo” de Gabeira.

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Kassab escapa de arapuca

Wednesday, October 22nd, 2008

O prefeito-candidato Gilberto Kassab (DEM) escapou ontem uma bela arapuca, como se lê em reportagem do Estadão, comento em seguida.

As obras atrasadas do Centro Educacional Unificado (CEU) Formosa, na zona leste, motivo de bate-boca entre o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e a candidata do PT, Marta Suplicy, no debate de domingo na TV Record, voltaram ontem a ser o foco dos ataques na disputa paulistana.

Kassab cancelou a vistoria que havia prometido à imprensa em frente às câmeras para ontem e preferiu um monitoramento de longe da construção. Na porta da futura escola, um protesto de moradores o aguardava pela manhã.

Junto aos manifestantes estava também uma equipe de filmagem da campanha de Marta para registrar a recepção nada amistosa que o prefeito teria. O material seria usado em seu programa no horário eleitoral. Com a ausência do adversário, a candidata decidiu ir pessoalmente ao canteiro de obras à tarde. Recebida com abraços pelos moradores, Marta fez uma visita relâmpago - 12 minutos. Impedida de entrar na obra, ela discursou para os manifestantes - a maioria cabos eleitorais que chegaram em kombis da campanha da petista - e cobrou do prefeito “pedido de desculpas” por dizer “mentiras” sobre o prazo de entrega da obra. Tudo registrado por sua equipe de TV.

“Saio tranqüilo dessa vistoria porque o próprio CEU Formosa, que é o mais atrasado, não tenho nenhuma dúvida em afirmar que em fevereiro ele estará com as atividades escolares iniciadas”, afirmou Kassab, após a “vistoria eletrônica”. Em um telão como imagens projetadas de um computador, o prefeito mostrou à imprensa fotos feitas no fim de setembro para provar que a terraplenagem e a fundação já foram executadas.

Mais tarde, ao saber da visita de Marta , ele prometeu conferir os trabalhos no local amanhã. Kassab negou que tenha recuado da vistoria por causa do protesto e sugeriu uma ação orquestrada da adversária. “Se ela armou, cabe à opinião pública julgar.” Pela manhã, dois carros da prefeitura foram vistos passando em frente à obra. Leia mais.

Eu já disse antes que não existe campanha “limpa”, isso é conversa para acalentar bovinos. E nenhum partido monta melhor essas arapucas do que o PT. A capacidade de mobilizar seus “militantes” para azucrinar a vida dos adversários TEM que ser levada em conta na hora de enfrentá-los, e a campanha de Kassab tem se saído bem nessa matéria. Note que no texto é informado que os “manifestantes” chegaram nas kombis da candidata petista (parece que não era uma mobilização de “moradores inconformados, afinal) e que a visita dela durou apenas 12 minutos. Por que tão ligeira? Para evitar qualquer tempo de reação.

O que mais me agrada nessa eleição paulistana é que o PT, o partido que tenta “maquinar” o estado brasileiro, encontrou em Serra e Kassab adversários preparados para a briga. Além do fato de fazerem uma gestão muito melhor à frente da prefeitura.

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SP: Juiz erra e acerta ao proibir pergunta sobre Kassab

Wednesday, October 15th, 2008

No Estadão:

O juiz Marco Antonio Martin Vargas, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, proibiu a candidata à Prefeitura Marta Suplicy (PT) de transmitir, novamente, na publicidade eleitoral gratuita na televisão e rádio, “expressões com questionamentos vagos, fugindo do direito de crítica político-administrativa”, e deu ao prefeito Gilberto Kassab(DEM) um minuto de direito de resposta no rádio.

O juiz acertou ao conceder o direito de resposta. A campanha martaxista deixou uma pergunta no ar e Kassab tem o direito de responde-la. Ponto.

E errou feio ao proibir a veiculação da pergunta. Claro que a intenção petista era “ofender a honra subjetiva” de Kassab, como afirmou o magistrado. Mas isso não é, nem pode ser, crime. Deve ser tratado no âmbito civil ou eleitoral. Que o DEMocrata leve outro minutinho da petista a cada inserção da propaganda.

Os juizes brasileiros estão com essa “mania” de proibir liberdade de opinião. Cada um que diga o que quiser, quem se sentir ofendido que busque os seus direitos, como se diz por aí.

De qualquer forma, a maior punição a Marta foi a pá de cal que ela mesma jogou em sua campanha. Suas chances de vencer eram mínimas, hoje são praticamente nulas.

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Onda Gabeira: candidato verde lidera no RJ

Thursday, October 9th, 2008

A tal “Onda Gabeira” ainda está provocando estragos nas candidaturas alheias. Depois de Jandira Feghali (PCdoB) e Marcelo Crivella (PRB), chegou a vez de Eduardo Paes (PMDB). A primeira pesquisa de intenções de voto para o segundo turno mostra Gabeira com 43% e Paes com 41%. Como a margem de erro é de 3%, eles estão tecnicamente empatados.

Gabeira herdou a maior parte dos votos de Feghali e Solange Amaral (DEM). Já Paes ficou com boa parcela do eleitorado de Crivella, mas a vantagem nesse caso foi de apenas 8%, 54% para Paes e 46% para Gabeira. Certamente abaixo do que esperava o comando da candidatura pmdebista.

É interessante notar que Gabeira entre para o grupo dos políticos que começam a se desvencilhar da classificação entre esquerda e direita. Ter os votos que foram de Feghali e Amaral evidencia isso. Paes, nesse campo, luta com a dificuldade de já ter militado no PFL e possuir maior rejeição entre os eleitores esquerdistas.

Gabeira também consegue transitar bem em quase todas as religiões. Possui ainda rejeição forte entre os evangêlicos pentecostais (60% para Paes e 40% para Gabeira), sobretudo porque defende as liberdades pessoais (sexualidade, religião, etc…). Mas entre os não-pentecostais, a diferença cai para dez pontos.

Os próximos dias devem ser interessantes, a eleição carioca está totalmente aberta.

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Kassab abre 17 pontos sobre Marta

Thursday, October 9th, 2008

Gilberto Kassab (DEM) abriu 17 pontos de vantagem sobre Marta Suplicy (PT) segundo a última pesquisa Datafolha.

A candidata petista deve partir forte para o ataque pois não possui outra opção. Como a soma de brancos/nulos e indecisos dá 8%, insuficiente para sequer um empate técnico, Marta tem que “roubar” votos de Kassab. O curioso é que 2% dos que votaram em Kassab no primeiro turno declaram ter intenção de votar em Marta no segundo, mas 5% dos que votaram em Marta dizem que agora preferem Kassab.

A vantagem óbvia é a soma dos votos de Kassab e Alckmin (PSDB). Seria muito pouco provável que Marta conseguisse parcela expressiva dos votos tucanos, mas o que impressiona é que ela praticamente não conseguiu nada até agora. Está “tecnicamente empatada” com a votação do primeiro turno.

O DEMocrata lidera em quase todas as regiões da cidade e em quase todas as faixas de renda. Só perde nos extremos sul e leste, regiões mais pobres, onde vive boa parte das famílias com renda até dois salários mínimos, única faixa em que Marta leva vantagem.

O PT só venceu em SP duas vezes, e acredito que só conseguiu o feito porque o adversário era Paulo Maluf (PP), o único que possui rejeição maior que os petistas. Portanto, a não ser que Marta e seu MartaKeteiros consigam “colar” Kassab a Pitta e Maluf, bau-bau.

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Natal, Agripino e Micarla saem pra dançar e deixam Lula com o cabide

Monday, October 6th, 2008

Lula se entregou de corpo e alma em algumas campanhas, e não levou NENHUMA delas. Natal era um dos pontos de honra, afinal Agripino Maia é provavelmente a principal voz de oposição no país. E na capital potiguar quem venceu foi Micarla de Souza (PV), apoiada por Agripino.

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O mapa das prefeituras no Brasil

Monday, October 6th, 2008

Capilaridade
Tanto se fala do poder eleitoral de Lula. Oras, o PT foi bem nas capitais do norte e nordeste, onde a penetração do bolsa-família é maior. Mas nem isso garantiu a capilaridade do partido do presidente. O gráfico abaixo representa o número de prefeituras por partido (conquistadas no primeiro turno) e reflete, em sua maioria, as pequenas cidades.

Repare que o PT, sob esse critério, é menor até que o PP e apenas pouco maior que o DEM, seguide de perto pelo PTB. Os três são os partidos mais à direita do espectro político brasileiro e ainda que PP e PTB sejam da base governista no plano nacional, atrevo-me a dizer que votarão com o próximo presidente, seja ele quem for. Em resumo, não contam como tendência pró ou anti-lula.

Já o DEM o PSDB são a oposição. Como também é parte, ainda que pequena, do PMDB. Em termos de prefeituras a disputa em 2010 começa razoavelmente igual.

Mais tarde farei um mapa das capitais

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Em SP, Kassab se isola em 2o e já mira Marta

Wednesday, October 1st, 2008

O Datafolha divulgou hoje uma nova pesquisa para a prefeitura de SP. Marta (PT) perdeu mais pontos e aparece com 35%, Kassab (DEM) se isola em segundo e agora tem 29%. Quem estancou foi Alckmin (PSDB), com 19%.

No segundo turno, como na última pesquisa, o DEMocrata lidera contra a petista, 49% a 44%. Os mesmos números também daria a vitória ao tucano Alckmin sobre Marta.

Enfim, como já escrevi antes, fica cada vez mais provável uma derrota deles.

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