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Dilma e o medo de ser… Dilma

Saturday, June 19th, 2010

Lê-se no Estadão:

A candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, deixou claro nesta sexta-feira, 18, que não faz questão de participar de sabatinas organizadas com outros presidenciáveis. Em entrevista de 10 minutos concedida após o encontro com o presidente de governo da Espanha, José Luis Zapatero, em Madri, a petista menosprezou a importância dos debates com José Serra e Marina Silva, candidatos do PSDB e do PV, e rebateu as críticas de que esteja fugindo do debate eleitoral em sua viagem de cinco dias à Europa. “Eu tenho feito vários debates com jornalistas”, argumentou.

Para justificar sua ausência, a petista insinuou que sabatinas não são relevantes. “Não me consta que a sabatina da Folha seja um debate, a não ser um debate com jornalistas. Eu tenho feito vários debates com jornalistas, inclusive estou aqui diante de vocês.”

O comando da candidatura petista também já anunciou que Dilma não participará da sabatina promovida pela CNA (Confederação Nacional da Agricultura), marcada para 1º de Julho.

Faz sentido ela não comparecer a esses eventos. Dilma ficaria extremamente exposta ao maior temor dos engenheiros da sua campanha, o de que ela seja confundida com… Dilma Rousseff.

Há dois problemas sérios, caso a confusão aconteça. O primeiro é explicar ao eleitor mais simples que aquela mulher não é o Lula. Recentemente, escutando uma entrevista dela, ao ser motivada a mencionar alguém que admira Dilma não titubiou e citou a mãe do Lula! Chega ser digno de roteiro de filme pastelão o desespero em associar a figura da candidato ao do presidente. Claro que isso sempre acontece com candidatos fabricados, mas citar a mãe do outro deve ser inédito.

O segundo desafio é entender o que a candidata diz. Seu raciocínio pode ser classificado como “prolixo com reticências”*. Explico. Quando confrontada com uma pergunta tende a ir para explicações técnicas, que frequentemente de técnicas não possuem nada, e cheia de pausas, interrupções, apostos e reticências. Poderia ser transcrita como uma séria de ahh… ummm… ehhh… e por ai vai. A sequência sujeito-verbo-predicado parece ser um mistério não desvendado pela candidata. Sua fala torna-se naturalmente chata e extensa. Incompatível com televisão.

Dilma necessita de roteiro para existir como a “candidata do Lula”. Tanto para evitar as gafes mais cômicas, trocou o nome do prefeito de Olinda de “Renildo” para “Romildo”, quanto as mais sérias. Em Compenhangen se saiu com a maravilhosa “… o meio ambiente é uma ameaça para o futuro do nosso planeta…”

Como é impossível ensaiar uma sabatina de hora e meia, o melhor a fazer é minimizar o risco e simplesmente não comparecer. E torcer para que os debates, não será possível evitar todos, não representem um pesadelo.

 

* Note o leitor que resisti à piada de escrever “pro lixo, sem reticências”. Opss.

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