economia, política e blog ‘n’ roll

A esposa de César e o secretário de Obama

Wednesday, February 4th, 2009

A famosa frase do ditador romano, “a esposa de César deve SER honesta e PARECER honesta” é uma das maiores aulas de política da história da humanidade. O presidente americano parece que entendeu essa lição.

Quem acompanha esse site sabe que nunca foi um grande fã de Obama, simplesmente porque ele não respondia às perguntas. Sua campanha foi uma série de promessas de mudanças, mas quais mudanças e de que forma nunca ficou muito claro. No entanto, ele acertou ao anunciar o fim de Guantánamo, mesmo que a prática seja um pouco diferente, e acertou com a declaração que deu ontem, sobre o escândalo envolvendo o nomeado para a secretária da saúde. Veja texto abaixo da BBC.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que fez “besteira” ao indicar Tom Daschle como secretário de Saúde. A entrevista foi divulgada pela rede americana CNN. “Eu assumo a responsabilidade por isso e vamos nos certificar que isso não vai acontecer de novo”, afirmou.

Obama concedeu uma série de entrevistas a cinco das maiores emissoras de TV dos EUA, direto do Salão Oval da Casa Branca, como parte de uma ofensiva de imprensa para esclarecer algumas questões de suas políticas de governo.

À NBC, Obama disse que “é importante deixar claro a mensagem de que não há dois tipos de regras, um para as pessoas comuns e outro para as personalidades”. “Sinto-me frustrado comigo mesmo e com minha equipe”, disse após admitir sua parte de responsabilidade no escândalo.

O ex-líder democrata no Senado Tom Daschle dava assessoria a Obama na área da saúde pública e havia sido encarregado para comandar a reforma no setor. Ele explicou que não gostaria de se tornar uma “distração” para o governo, depois de ter sido obrigado a pagar US$ 140 mil em impostos vencidos.

Tags: , ,

A diferença entre a justiça americana e a brasileira

Wednesday, January 28th, 2009

Reproduzirei aqui, espero que não fique chateado comigo, um texto do Blog do Fred, do jornalista Frederico Vasconcelos. Leia e preste atenção no desfecho, comentário de um magistrado. É o perfeito retrato da justiça no Brasil. É por essa única razão pela qual fulgurantes personagens da vida pública tupiniquim continuam a pavonear por aí. Como ouviu um petista de um senador nos tempos do mensalão: -Quando eu os conheci, os senhores compravam seus ternos na Casa Colombo, hoje só andam de Ricardo Almeida. Em tempo, Ricardo Almeida é um craque da alfaiataria e cobra o que vale seu produto. E vale um bocado.

Uma proposta de “acordo” para o piloto Castro Neves

De boa fonte nos Estados Unidos, o Blog recebeu a informação de que seria feita uma proposta de “acordo” para reduzir a eventual punição de Hélio Castro Neves, piloto brasileiro de Formula Indy, acusado de sonegação fiscal e evasão de divisas nos EUA. A proposta envolve a condenação a cinco anos de prisão, US$ 7,5 milhões de multa e confisco dos bens adquiridos a partir de 2002. O Estado da Flórida tem interesse no caso.

Em outubro, o bicampeão das 500 Milhas de Indianápolis foi processado sob acusação de fraudar o governo dos EUA em US$ $ 5,55 milhões (aproximadamente R$ 10,6 milhões) em impostos. Também são réus Katiucia Castro Neves, sua irmã, e seu advogado, Alan Miller. O piloto e a irmã ainda foram denunciados por outros seis crimes de evasão fiscal entre os anos de 1999 a 2004. Pela denúncia, os irmãos e Miller usavam uma offshore no Panamá, chamada Seven Promotions, para receber boa parte do salário de Castro Neves e driblar o fisco norte-americano.

A Folha informou, na ocasião: “Caso sejam condenados em todas as acusações, Castro Neves e Katiucia podem pegar até 35 anos de prisão –cinco pela tentativa de fraudar o governo dos EUA e cinco para cada um dos anos de evasão de divisas. Os dois são cidadãos americanos”.

Para responder ao processo em liberdade, Castro Neves pagou US$ 2 milhões de fiança e, ainda assim, chegou ao tribunal algemado, com corrente nas pernas e de uniforme laranja.

Em entrevista à revista “Veja”, na edição desta semana, Castro Neves comentou o impacto da prisão: “Foi um baque muito grande. Fiquei lá das 8 da manhã às 4 da tarde. Eu só pensava na minha irmã, que também foi presa. No fim, ela foi muito forte. Eu é que fui mais fraco. Fui algemado nas mãos e nas pernas. Foi muita humilhação”.

“Em março, vou provar que sou inocente e voltar aos treinos”, afirmou o piloto à revista.

Em outubro, o site de Castro Neves (*) publicou a seguinte mensagem: “Hélio gostaria de agradecer a todos que têm ligado e escrito com seu apoio. Esse carinho e apoio significam muito pra ele. Desde os seus 12 anos de idade ele é um piloto de corridas, e vai enfrentar esse caso como se fosse mais uma difícil corrida. Hélio não entende das leis de impostos dos EUA, por isso tem ao seu lado advogados e contadores experientes. Ele tem fé que vencerá esse caso, pois sabe que não é culpado”.

(*) http://heliocastroneves.com/blog/2008/10/06/helio-on-indictment-case/

A Justiça dos EUA –ao contrário do que ocorre no Brasil– trata com rigor as denúncias de sonegação.

“Usar offshores para evadir divisas é crime”, afirmou em outubro Doug Shulman, agente do IRS (a Receita Federal dos EUA). “Contribuintes, grandes ou pequenos, famosos ou não, precisam saber das severas consequências de usar offshores, como ir para a prisão, devolver todos os impostos e serem taxados de criminosos pelo resto da vida”, disse, na ocasião, Nathan Hochman, assistente da Promotoria.

Comentário de um magistrado brasileiro, leitor do Blog: “Se fosse no Pindorama, o piloto deixava o processo correr e, se não desse prescrição, pagava o tributo para extinguir a punibilidade“. Leia o texto no Blog do Fred.

Tags: , , , ,

E sobre a posso do Obama? Oras, nada!

Wednesday, January 21st, 2009

Um conhecido me perguntou se não vou escrever nada sobre a posse de Obama. Pra quê? O Obama que venceu as eleições já está canonizado pela mídia e a maior parte do público.

Alguns dizem que é por ser negro, outros pelas idéias que defende. Bom, eu tenho opinião cientificamente formada que melanina não interfere na capacidade intelectual, e suas idéias (as poucas das quais ele fala com clareza!) são iguais às de tantos outros políticos. -Ahh, mas é o primeiro negro presidente dos EUA! Tá, mas se ele não representar os principais valores da democracia americana isso não vale nada. Então é isso, a posse não vale nada, o que me interessa são as ações.

Torço muito para que seu governo seja bem sucedido, com a mesma (falta de) intensidade que o faria por McCain, só que tenho expectativas mais baixas do que a maioria. Não por Obama ser negro ou branco, alto ou baixo, fumante ou maratonista, mas simplesmente por ser político e, como tal, irá “compor” com aliados e oposição suas prioridades.

E pelo menos começou com um acerto, foi anunciada a suspensão dos processos em Guantánamo. Os interrogatórios fora do braço da lei eram uma afronta ao estado de direito, muitíssimo bem estabelecido nos EUA.

Tags: ,

Bush, o pior presidente da história?

Monday, January 19th, 2009

Ao meu ver, a história é a ciência das gerações futuras, mas não custa tentar entendê-la por agora. Reproduzo trecho de um interessante artigo no blog do jornalista Pedro Doria. Ele era um dos que escrevia “No mínimo”, deliciosa rede de blogs de tempos idos.

Discordo de Doria (é com ou sem o agudo?) em boa parte do que escreve, mas ele  argumenta e ler bons argumentos é um vício que possuo. O trecho que reproduzo abaixo é uma prova de sua qualidade e, por que não?, se reproduzo aqui é por que concordo.

Virou clichê se referir a George W. Bush como o pior presidente da história dos EUA. Se é o pior, o segundo pior, ou o quinto, é uma decisão que fica para os historiadores.

A direita o elegeu. Um bom naco da direita, aqui nos EUA, é libertária ou liberal. Quer um Estado pequeno e respeito máximo aos direitos individuais. A estes seus eleitores, Bush virou as costas. Seu governo argumentou que não podia precisar de autorização judicial para investigar cidadãos, ouvir suas conversas, checar o que leem na biblioteca. Aumentou a autoridade do Poder Executivo. Aumentou o governo: pegou o dinheiro que pode e investiu em ongs religiosas. Quis que entidades religiosas assumissem funções governamentais. Quis, e muitas vezes conseguiu, impor valores religiosos nas decisões de governo.

Leia todo o artigo, vale a pena.

Repararam que Doria cita um tal pensamento libertário. O que é isso? Humm, é só prestar atenção na frase de Thoreau que enfeita o topo do blog: O governo, no melhor dos casos, nada mais é que um artifício conveniente; mas a maioria dos governos é por vezes uma inconveniência, e todo o governo algum dia acaba por ser inconveniente.

Tags: , ,

Nos EUA não!

Monday, January 12th, 2009
prisao guantanamo

prisao em guantanamo

George W. Bush concedeu uma entrevista ao lado do pai, o ex-presidente George Bush, e falou sobre Guantanamo e as técnicas de interrogatório. Defendeu a existência dessa “zona sem lei” e o uso da “asfixia simulada”, uma técnica que induz a sensação de asfixia e leva o prisioneiro a pensar que está morrendo.

Sou radicalmente contra a prisão de Guantanamo. os EUA são, sem dúvida, a principal democracia do mundo, e se Guantanamo não chega a iguala-los aos seus inimigos do terror, longe disso, também não ajuda a deixar clara como deve ser a linha divisória.

As emissoras de TV americanas estão sempre produzindo toneladas de séries sobre investigações policiais. Desde Columbo, e seu fabuloso “faro” para crimes”, até as técnicas científicas de CSI. E fazem isso porque é uma representação boa da democracia e do estado de direito. Todo cidadão possui direitos básicos que não podem ser alienados. Não se pode torturar para obter informações de um criminoso, isso deve ser feito com inteligência.

A tortura como técnica de interrogatório faz um estrago enorme à sociedade e possui eficácia discutível, uma vez que os interrogados tendem a dizer o que os torturadores querem ouvir, como forma de encerrar o sofrimento.

Quem sequestra, tortura e mata em frente das câmeras de TV são os terroristas. Os EUA, no combate ao terror, devem representar o oposto. Guantanamo foi o maior erro da administração Bush. Do ponto de vista histórico, creio que será um episódio comparável a um outro atendado à democracia americana, o Macarthismo. Senão em dimensão, ao menos em espécie. E tal qual se deu cabo da perseguição promovida pelo então senador Joseph McCarthy, a estrutura de Guantanamo será eventualmente desmontada. Ao menos é o que garante Obama.

Os que defendem a democracia e o estado de direito ao redor do mundo agradecem.

Tags: , , ,

Crise: a lição japonesa

Thursday, October 9th, 2008

Na década de 1990, o sistema bancário japonês estava podre por dentro. Má gestão levou os bancos do país a uma situação calamitosa. O resultado foi uma quebradeira de várias instituições financeiras, alguns suicídios e uma década de recessão.

Pouco depois, foi a vez do Brasil. Também por culpa da má gestão, algumas instituições (o caso mais famoso é o do Banco Nacional) estavam super-alavancadas (grosso modo, deviam mais do que podiam) e certamente iriam quebrar. A solução brasileira foi evitar a crise sistêmica e a descofiança no sistema financeiro. Para isso foi criado o PROER. Consistia basicamente em utilizar dinheiro do contribuinte para evitar quebras e “corrida” (todos os correntistas querendo sacar seu dinheiro ao mesmo tempo). Algumas instituições foram “estimuladas” a absorver outras, caso do Unibanco que ficou com o Nacional. Deu certo, o Brasil escapou do tsunami japonês e em poucos anos já possuia um sistema financeiro novamente saudável. Condição que se mantem até hoje.

Agora a mesma situação está nos EUA e Europa. Cada país, de forma diferente, faz o seu “proer”. Alguns, como Alemanha e Irlanda, garantem a totalidade dos depósitos bancários (estancam a corrida). Outros, como a Inglaterra, compram ações ordinárias dos bancos, que na pratica equivale a capitalizar essas instituições, dando fôlego e margem de manobra a elas.  Em todos, instituições à beira do abismo são repassadas, de uma forma ou de outra, para grupos mais sólidos.

Ao contrário do que acreditam alguns esquerdistas pós-adolescentes, crise no sistema bancário não é bom para ninguém. Nem é divertido.

Tags: , , , ,

Crise nos EUA: o plano não garante nada, mas acalma

Friday, October 3rd, 2008

Introdução: se você ainda não entendeu toda essa confusão, leia esse texto e saiba em 20 linhas sobre o que é a crise no mercado financeiro.

O plano de recuperação da economia foi aprovado pelo congresso americano. Na opinião da maioria dos analistas, o plano não garante muita coisa, mas acalma correntistas e o mercado. Vamos a alguns dos principais pontos.

1. Aumento de US$ 100 mil para US$ 250 mil na garantia de depósitos dos clientes bancários
No jargão bancário, nenhuma instituição, por maior ou mais tradicional que seja, aguenta uma “corrida”. Por “corrida” entenda-se os clientes indo em massa ao banco sacar seus depósitos ou investimentos. Isso porque um banco, grosso modo, empresta mais do que possui. Portanto, se forem todos ao mesmo tempo, faltará dinheiro.
Ao aumentar o limite da garantia ficam coberta a maioria esmagadora das contas e os correntistas sentem-se mais seguros e não vão retirar o dinheiro da instituição no primeiro boato negativo.

2. Ampliação da isenção da “Taxa Mínima Alternativa”, o que acarreta menos impostos ao contribuinte

3. Vantagens fiscais e outros incentivos para empresas ou pessoas que invistam em energias renováveis (usinas solares ou compra de carros elétricos)

4. Isenções fiscais para empresas que investirem em pesquisa e para pequenas lojas e restaurantes que gastarem em melhorias

Os itens 2, 3 e 4 mandam uma mensagem ao consumidor e ao empreendedor: o estado não irá retirar dinheiro do consumo e também irá ajudar os pequenos empreendedores a investir em seus negócios.
É fundamental encontrar meios de incentivar o consumo, que é a base da economia americana. E também é importante oferecer crédito (e cortar impostos é uma forma de colocar mais dinheiro como investimento particular do que estatal) para as pequenas empresas, pois serão fortemente afetadas pela atual crise de crédito. Alguns bancos não cortaram o crédito de seus clientes, mas informam que os recursos só estarão disponíveis “dentro de algum tempo”. Em tempos de desconfiança mútua, os correntistas tentam se proteger das empresas do mercado financeiro e as empresas dos seus tomadores. “Quebrar o gelo” é fundamental.

5. Ganhos dos diretores das companhias participantes do programa serão limitados. Os dirigentes não poderão receber bônus milionários quando forem demitidos. Empresas que remunerem diretores com mais de US$ 500 mil ao ano pagarão mais imposto
Esse artigo é uma resposta à opinião pública. Ninguém compreende como um administrador leva uma empresa à beira do precipício e ainda recebe gordos salários e comissões. Pra dizer o mínimo, pega mal. Até agora o estado americano entendia que esse era um problema dos acionistas das empresas, mas com a ajuda governamental essas companhias passam a ter como “sócios” os contribuintes, por isso critérios políticos passam a contar mais.

6.A Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), entidade responsável por garantias de seguros,  não terá limites para tomar recursos emprestados do Departamento do Tesouro para assegurar os pagamentos.
Não foi por acaso que a seguradora AIG foi a primeira a ser socorrida. Uma empresa como essa significa TRILHÕES de dólares em economias da vida inteira, previdências privadas, poupança para financiar faculdade dos filhos, etc… O pacote diz que agora não há limite para resguardar as empresas que operam esses investimentos. Qualquer um se acalma ao saber que, na pior das hipóteses, ao menos receberá o dinheiro do seguro.

É isso, o pacote certamente não resolve todos os problemas da crise, longe disso!, mas tranquiliza as pessoas o suficiente para que respirem e tomem decisões mais calmas.

Tags: , ,

Entenda a crise americana

Friday, September 19th, 2008

Recebi essa por email, naquelas correntes em que um envia pro outro, que envia pra fulano, que remete pra… e assim vai, até que ninguém mais sabe a origem. Uma pena, adoraria dar crédito ao gênio que escreveu o texto abaixo.

É assim ó:

O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça “na caderneta” aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados.

Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito).

O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia.

Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CCB, CDO, CDL, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.

Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, LME, NYSE, CBOT cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu).

Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.

Até que alguém descobre que os bêubo da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência.

E toda a cadeia sifu.

Tags: ,

Crise mundial traz investimentos da Hyundai para o Brasil

Wednesday, September 17th, 2008
Cifrao e dolar

Cifrao e dolar

Nos últimos dias as bolsas operaram em baixa o dólar em alta no mercado brasileiro por conta da crise financeira nos países ricos. Vários investidores tiraram o seu dinheiro do Brasil vendendo suas ações e outras posições. Como essa enxurrada de venda aumentou a oferta, o preço por ação na bolsa caiu. Após a venda, esses investidores são obrigados a ir ao mercado de câmbio trocar seus reais pela moeda americana, o que provoca um aumento da demanda e a consequente alta do dólar.

Isso se deu no mercado financeiro. A economia real, não gosto muito dessa expressão, opera de forma diferente. Nesse caso, as mercadorias e serviços possuem um valor que pode ser mensurado mais facilmente. Além disso, o resultado é medido efetivamente por vendas, é necessário vender. E com a crise de crédito na Europa e EUA, os BRIC (Brasil, Russia, Índia e China) ficam ainda mais atraentes.

Um exemplo disso é a montadora coreana Hyundai, que anunciou a intenção de construir uma fábrica no Brasil, perto de São Paulo. A capacidade estimada será de 100 mil veículos/ano, e visa principalmente os mercados brasileiro e sulamericano.

Interessante o fenômeno que ocorre, após um forte crescimento dos BRICs (se bem que eu deixo o Brasil de fora do “forte”) alimentando EUA, Europa e Japão, chegou a vez de suprir uma população interna que obteve um aumento real de renda e pode consumir mais. É bem provável que os quatro ajudem o sistema financeiro internacional se “curar” de forma mais rápida, ou menos lenta.

Tags: , , , , , , , , , ,

Presidente do Fed apóia redução de tarifas sobre álcool

Thursday, February 28th, 2008

Na Folha.

O presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, disse nesta quinta-feira que é favorável a uma redução de tarifas sobre o álcool importado, para ajudar a aliviar a pressão sobre os preços dos alimentos. O fim da tarifa poderia favorecer o Brasil.

“Como vocês sabem, eu sou favorável ao comércio livre e acredito que [o fim da tarifa sobre] o álcool, por exemplo, reduziria os custos [dos alimentos] nos EUA”, disse Bernanke, no segundo dia de seu testemunho semestral diante do Congresso.

Ele disse ser difícil quantificar quanto da atual pressão sobre os alimentos vem da demanda maior por álcool, “mas é fato que uma parte significativa da safra de milho está sendo dirigida à produção de álcool, o que eleva os preços do milho”, disse.

“E há alguns reflexos. Por exemplo, parte da área de cultivo de soja foi transferida para a produção de milho, o que provavelmente terá algum efeito sobre os preços do grão de soja”, afirmou.

Os EUA são o maior produtor do combustível, seguidos pelo Brasil, mas o custo do produto brasileiro é inferior –nos EUA, a matéria-prima é o milho, enquanto no Brasil é a cana-de-açúcar. As vendas brasileiras de álcool para o exterior tiveram uma queda de 14% no ano passado na comparação com 2006, para 3,6 bilhões de litros, segundo a Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar). Leia mais.

Tags: , ,