economia, política e blog ‘n’ roll

Governo não sabe contar bois

Thursday, February 7th, 2008

happy_cow_large.jpgSei, sei… é uma chatice ficar se citando, mas fazer o quê? Eu já havia dito aqui que o erro no caso dos bois não era da União Européia. O Brasil se comprometou a fazer algo e não cumpriu. Agora sabemos que a lista é muito pior do que se imaginava: nem os dados do proprietário da fazenda constavam nela. Tentar dar uma de “joão-sem-braço” no comércio internacional é de doer. E chega de gírias.

No Estadão, por Fabíola Salvador.

O governo admitiu ontem a existência de falhas na primeira lista de fazendas consideradas aptas a exportar carne para a União Européia (UE) e reduziu a relação de 2.681 para 600 propriedades. A nova listagem será submetida à UE no dia 14, informou o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.

As 2.081 fazendas cortadas da primeira lista, encaminhada a Bruxelas no mês passado, apresentavam, segundo o ministro, deficiências burocráticas, classificadas por ele como “pequenas falhas, erros ou detalhes”. A listagem foi rejeitada pela UE, o que provocou a suspensão das exportações de carne brasileira para o mercado europeu desde o dia 1º.

Entre as deficiências admitidas pelo ministro, estão a ausência de documentos sobre a importação de animais, a inexistência de notas fiscais e a falta do número do Cadastro de Pessoa Física (CPF) dos donos de alguns rebanhos. Leia mais.

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Carne brasileira na Europa: prometeu tem que cumprir

Thursday, January 31st, 2008

boi.jpgMuito se fala do embargo que a União Européia fez à carne brasileira. O real motivo é o desespero dos criadores europeus, sobretudo na irlanda e frança, incapazes de competir com o produto brasileiro. A desculpa foi a falta de compromisso das autoridades e produtores brasileiros. A conseqüência será dada pelo consumidor.

O motivo: Lá, na Europa, pela falta de terra, a gado é criado de forma intensiva e o custo final chega a ser até 8 vezes maior que o da carne produzida no Brasil, Uruguai ou Argentina. Como o produto brasileiro corresponde a 65,9% do volume das importações, tirar o produtor brasileiro da concorrência já alivia bem. A carne local é fortemente subsidiada, seja na forma de incentivos, seja com tributação do produto importado.

A conseqüência: com essa diminuição na oferta, o preço de 1kg de contra-filé, na Inglaterra, foi de algo em torno de R$ 55,00 para quase R$ 80,00. Para efeito de comparação, nas grandes redes de supermercados brasileiras, o preço não chega a R$ 12,00. Esse forte impacto no preço final deve gerar alguma pressão por parte dos consumidores.

A desculpa: Em 2005 o Brasil, fragilizado pelas crises de aftosa, se comprometeu a identificar a origem de cada peça de carne vendida, até o boi original. Isso se dá por meio de um brinco com um código que é colocado em cada animal, apesar de haver outros sistemas. Em 2007 o compromisso foi reiterado e começou uma inspeção dos produtores e frigoríficos. No final de 2007 saiu a lista com mais de 2.000 propriedades já inspecionadas e aprovadas.

Desconfiados de tanta eficiência, os europeus enviaram uma comissão que veio investigar o assunto e visitou vários estabelecimentos. Segundo eles, com o tempo e efetivo de que dispunham as autoridades brasileiras, apenas 300 propriedades poderiam ter sido investigadas. Conclusão: ou não investigaram nada ou não utilizaram os critérios acertados nas negociações anteriores.

Era a desculpa que o lobby da carne européia precisava. E nós entregamos de bandeja. Se foram acertados e prometidos vários itens na negociação, têm que ser cumpridos. Caso contrário, o erro foi todo nosso.

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Petrobras, Vale e Embraer lideram exportações

Tuesday, January 29th, 2008

No Estadão, por Paula Puliti.

O perfil das exportações brasileiras pouco se alterou no ano passado, segundo os resultados consolidados da balança comercial de 2007 divulgados nesta terça-feira, 29, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Os resultados mais expressivos continuaram com as maiores empresas do País, algumas das quais também grandes importadoras. E a fatia delas na balança também aumentou em 2007, mostrando novamente que o comércio exterior brasileiro é concentrado em um número pequeno de empresas. Os destaques na lista divulgada nesta terça são Petrobras, Vale, Embraer, Bunge Alimentos e Volkswagen do Brasil. Exceto a Vale, todas as outras são também fortes importadoras. leia mais.

Ainda segundo a matéria, A Petrobras encabeça a lista com vendas externas de US$ 13,6 bilhões, alta de 22,9% sobre 2006. Seguida pela Vale, com US$ 7,9 bilhões, alta de 31,6%, e Embraer com US$ 4,7 bilhões, alta de 44,4% ante 2006.

Algumas coisas a destacar.

Primeiro, não há nada de excepcional em ver a Petrobras liderar o ranking. Ela não possui mais o monopólio legal, mas é dona de um monopólio na prática, do principal ativo energético do mundo. E, pelas características do petróleo extraído no Brasil, é grande exportadora de materiais pesados, como revestimento asfáltico. Uma curiosidade, é justamente asfalto o principal item exportador do Brasil para os Emirados Árabes Unidos. O petróleo obtido por lá é mais leve (melhor para óleo combustível como gasolina e diesel) e contem pouco desse material.

Segundo, são empresas criadas em épocas não-democráticas. A Petrobras por Getúlio e Vale e Embraer pelos militares. Os governos democráticos do Brasil ainda não aprenderam a planejar a longo prazo. Isso se deve a um único motivo: a população não cobra essa tarefa.

Terceiro, são também grandes importadores. Os movimentos do capital sempre buscam uma forma equilibrada. Para as empresas internacionalizadas, o que vale é o resultado final, considerando-se todas as operações em todos os lugares do mundo.

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