Wednesday, March 5th, 2008
Abaixo trecho de uma notícia veiculda pela rádio Colombiana RCN. É bastante esclarecedor sobre a intensa mobilização que Chavez ordenou às forças armadas venezuelanas após a ação militar que matou Raúl Reyes, o segundo na hierarquia da organização narco-terrorista FARC.
“Uma chamada que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, fez ao chefe guerrilheiro das FARC, Raúl Reyes, permitiu ao exército colombiano localizar o acampamento onde se encotrava o líder insurgente na zona fronteiriça com o Equador, onde foi morto junto com outros 20 rebeldes no último sábado. Isso foi o que revelou à RCN um alto oficial do Exército, o qual precisou, ainda, que Manuel Marulanda Vélez [conhecido como Tirofijo], chefe máximo das FARC, se encontra em território venezuelano.”
Acreditar que esse tipo de “vazamento” ocorreu espontaneamente seria ingenuidade. O alto comando colombiano está enviando um recado a Chavéz e Marulanda: sabemos onde você está. E parecem conhecer detalhadamente a posição, segundo outra fonte da RCN “Nosso [colombianos] serviços de inteligência estabeleceram que Marulanda está doente e se refugia em um sítio venezuelano situado do outro lado da frontera com Norte de Santander”. O termo que traduzi como “sítio” é “finca”, que designa pequena propriedade rural. Pelo visto eles sabem até o CEP do lugar.
Eu já disse antes aqui no blog que acredito em intensa ajuda da inteligência americana ao exército colombiano. Claro que a Colômbia em si possui os meios para interceptar esse tipo de ligação, mas que seria muito mais fácil com uma mãozinha americana, isso seria. Ou foi.
Apenas como informação adicional, o telefonema que Chávez fez era para comemorar o acordo para a libertação de quatro prisioneiros das FARC, segundo o encenamento que fazem para engrandecer a posição do proto-ditador venezuelano.
Tags: FARC, hugo chavez, Marulanda Velez
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Monday, March 3rd, 2008
É improvável que a iniciativa Colombiana de “caçar” líderes das FARC em território equatoriano leve à guerra, e por algumas boas razões.

Primeiro, os comandantes rebeldes agora sabem que não adianta cruzar a fronteira e fazer careta para os soldados colombianos. Eles terão permissão de Bogotá para atacar no outro lado da fronteira. Principalmente se essa fronteira for com o fraco Equador. Quito também está ciente do fato e talvez reveja alguns conceitos, apesar que esperar tal lucidez de Correa seja um pouco de mais.
Segundo, a Venezuela não pode se dar ao luxo de um conflito com a Colômbia. O falido socialismo bolivariano de Chavez não consegue colocar alimentos suficientes nas prateleiras dos supermercados. A situação só não é pior justamente pelas importações de produtos colombianos. Se diminuir ainda mais a oferta desses itens, Chavez começara a ver ameaçada sua base de apoio entre as camadas mais pobres da população, justamente o que lhe mantem no poder.
Terceiro, apesar da compra de aviões de guerra russos, o exército venezuelano, e qualquer outro do continente, não é páreo para as forças armadas colombianas, constamente aparelhadas, treinadas em combate real na selva e com apóio americano em logística e inteligência.
Quarto e mais importante: é a vontade do homem que leva a feitos. Tanto Chavez quanto Correa sabem que o presidente colombiano Álvaro Uribe continua firme e decidido em sua iniciativa de acabar com a narco-guerrilha e possui maciço apoio popular.
No Estadão.
Na segunda-feira, a Venezuela, o Equador e a Colômbia saíram em busca de apoio internacional em meio à crise que provocou temores sobre o início de uma guerra depois de os governos venezuelano e equatoriano ordenarem o envio de soldados à fronteira colombiana.
A crise iniciou-se quando a Colômbia, no fim de semana, realizou com helicópteros e soldados um ataque contra uma área do Equador matando um líder rebelde colombiano, em uma ação que representou um pesado golpe contra a mais antiga guerrilha da América Latina.
Governos de vários países, da França ao Brasil, tentaram debelar a crise nos Andes, onde o presidente colombiano, Alvaro Uribe, um fiel aliado dos EUA, enfrenta dois dirigentes esquerdistas ferozmente avessos às propostas norte-americanos de liberalização da economia.
O trânsito de veículos fluía normalmente em San Antonio, principal posto da fronteira entre a Venezuela e a Colômbia. E, apesar de os governos venezuelano e equatoriano terem anunciado que enviariam mais soldados para a fronteira, não houve por enquanto qualquer sinal das manobras militares.
A Colômbia afirmou que não deslocaria um contingente suplementar de soldados para as fronteiras com a Venezuela e o Equador.
O governo colombiano tentou nesta segunda-feira justificar sua operação, afirmando que as leis internacionais permitem ações do tipo contra “terroristas” e acusando o Equador de permitir que os rebeldes da guerrilha esquerdista Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) se refugiassem em seu território.
“Nunca fomos um país propenso a tomar atitudes aventureiras no campo da política ou no campo militar”, afirmou o vice-presidente colombiano, Francisco Santos, em Genebra.
Mas o Equador, aliado da Venezuela, disse que a Colômbia tinha violado deliberadamente sua soberania e conclamou os demais países da América Latina a pressionarem os dirigentes colombianos a fim de que não se repita essa “agressão”.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, prometeu retaliar militarmente, usando jatos de fabricação russa, caso a Colômbia realize uma operação do tipo dentro do seu país. Leia mais.
Tags: Alvaro Uribe, colombia, equador, FARC, guerra, hugo chavez, Rafael Correa, venezuela
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Sunday, January 27th, 2008
Eu já havia dito aqui sobre a redução no contigente das FARC, agora o governo colombiano divulga novos números. Ainda que não sejam precisos ou totalmente confiáveis, indicam a tendência inequívoca do fim desses terroristas.
Segundo as autoridades colombianas, as FARC começaram a década com aproximadamente 17.000 combatentes e perderam algo em torno de 10.000, desde o início do governo de Alvaro Uribe, em 2002.
“A inteligência militar calcula que nas fileiras rebeldes deve haver entre 6.000 e 8.000 homens”, declarou o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, ao jornal El País da cidade de Cali. Informou ainda que “Perderam importantes cabeças. Somente no ano passado cerca de 2.500 combatentes deixaram o grupo (…) Hoje seus líderes não dormem tranqüilos duas noites em um mesmo local. Enfrentam desabastecimento, falta de comunicações, perda de comando e controle”. Ainda segundo o ministro, as Farc foram infiltradas pelas tropas de segurança “muito mais do que imaginam”.
É como eu havia escrito, bandido deve ser tratado como bandido, terrorista com terrorista. Se algum dia tiveram alguma legitimidade social, seja lá o que for isso quando se trata de atirar contra a população, hoje as Farc se resumem a uma gigantesca operação de proteção ao tráfico de drogas, industria de seqüestros, extorsão e assassinatos. Seus líderes não tentam algum tipo de acordo envolvendo anistia porque sabem que a população colombiana não aceitaria. Lá, sentindo na carne, não há bossalismo canhoto suficiente que proteja as intenções dos terroristas. Assim, seguem “combatendo” e provavelmente irão até o fim. Se em 2000 não havia expectativa do fim dessa sangria, hoje podemos trata-los como um futuro Sendero Luminoso, guerrilha maoísta peruana, que após a captura de seu líder, Abimael Guzmán, ficou reduzida a uma única facção, “Proseguir”, com algo em torno de 100 militantes. Enfim, mais uma quadrilha do que uma guerrilha.
Tags: Alvaro Uribe, FARC
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Monday, January 14th, 2008
Enquanto o mundo cobrava do governo colombiano uma posição de maior diálogo para a “boa vontade” das FARC, que libertaram dois reféns após 6 anos de cativeiro (6 anos presos e acorrentados!), os próprios bandidos não se agüentaram e voltaram à carga: sequestraram 6 turistas no departamento (o equivalente a estado) de Chocó, oeste da Colômbia.
O que são as FARC, afinal? Simplesmente bandidos que vivem do tráfico de drogas. Sequestram, matam e aterrorizam populações. Estão loucos para negociar porque seu poder diminui a cada ano. Com Uribe, o governo da Colômbia endureceu com os guerrilheiros e conta com suporte logístico e financeiro dos EUA, interessados em combater a trilha de drogas das FARC. Apesar de não existir nenhuma estatística confiável, estima-se que seu número caiu de um máximo de 20.000 integrantes para algo em torno de 5.000.
Eu acredito em recuperação para o ladrão de galinhas ou o trombadinha. Sempre há aquele caso do sujeito que entra no supermercado e tenta furtar um pacote de macarrão. Não é justificável mas é compreensível, a sociedade deve aplicar uma pena e oferecer uma saída que dependa de esforço próprio. Mas querer comparar mega-traficantes com o desempregado, o alcoólatra, etc… é burrice ou má intenção.
A liderança dessa guerrilha não possui interesse na paz definitiva porque sabe que não há lugar para si que não seja apodrecer na cadeia ou morrer “combatendo”. Continuarão a seqüestrar, roubar, traficar, estorquir e tantos outros crimes enqüanto tiverem condições para isso.
Tags: colombia, FARC
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Friday, January 11th, 2008
Na Folha Online, pela France Presse.
A ex-refém colombiana Clara Rojas, libertada quinta-feira pela guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), revelou nesta sexta-feira que tentou fugir de seu cativeiro junto com a franco-colombiana Ingrid Betancourt, mas que as duas se perderam na selva.
“Planejamos a fuga e aproveitamos a primeira oportunidade que tivemos para escapar”, relatou Clara Rojas em entrevista à rádio colombiana La W.
“Não conseguimos ir muito longe porque fugimos de noite e nos perdemos”, acrescentou.
…
Quando recapturados, os reféns eram castigados pelos guerrilheiros, que os acorrentavam. “Os que tentavam fugir ficavam acorrentados durante 15 dias seguidos, e depois só na hora de dormir”, relatou.
Ahh, claro. Eu havia esquecido. É perdoável, sequestrar, torturar, acorrentar. Afinal, eles são de esquerda, lutam por uma causa. É, isso sim, de enojar cada vez que leio alguém tratando esses traficantes como um grupo socialmente importante. São apenas narco-terroristas.
Tags: colombia, FARC, ingrid betancourt
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