Sunday, February 15th, 2009
Está na capa do Uol uma entrevista com o filósofo italiano Toni Negri, que se posiciona a favor da decisão do ministro Tarso Genro em conceder asilo político a Cessare Battisti. Entre seus argumentos está a absoluta falta de coerência. Como se sabe, isso (manter a coerência) é desnecessário quando se é um esquerdista defensor de tudo que é bom, belo e justo.
Negri defende que a Itália vivia na década de 1970 um estado de exceção, baseado no fato que a prisão preventiva poderia ser feita a qualquer momento e durar anos. Esquece de informar que se tratava de prisão preventiva exclusivamente para combater o terror. Note que Negri também “esquece” de informar que a regra ajudou a acabar com o terrorismo de esquerda, de direita e com a máfia.
Mas por que incoerente? Sim, vamos a isso. Negri foi preso, fugiu para a França, foi julgado, retornou a Itália e cumpriu sua pena. Hoje é professor universitário em Florença e defende que os julgamentos (dele, Battisti e outros) não foram justos. Mas o que é o ato falho. Lá pelas tantas, para mostrar que não é um monstro, diz que, entre outras coisas, foi acusado de participar do sequestro e assassinato de Aldo Moro e que FOI INOCENTADO DA ACUSAÇÃO. Por quem? Pelo mesmo sistema jurídico que ele acusa de injusto. Não é lindo, o sujeito é filósofo e não consegue manter uma linha de raciocínio em uma conversa que não deve ter demorado mais que 15 ou 30 minutos.
Bem, sua incoerência não é linda, não. Negri participou de grupos que atentaram contra a democracia italiana e pagou um preso (cadeia) por isso. Foi julgado, com TODO o direito de defesa, e condenado em um tribunal COMUM, exatamente como Battisti. A beleza está em conseguir combater a violência com leis. Houve exageros por parte de autoridades italianas? É claro que sim, mas foram episódios e não regra. Querer recontar a história para transformar crimes em atos heróicos e um ato de pura mesquinharia intelectual.
Tags: Cesare Battisti, Itália, Tarso Genro
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Saturday, February 14th, 2009
E por aqui, de olho nas eleições, o governo continua com aquele papo “conosco está tudo bem”.
“sexta-feira 13″ da União Europeia (UE) confirmou as previsões que vinham sendo feitas pelo mercado. O Produto Interno Bruto (PIB) do maior bloco comercial do mundo recuou 1,5% no quarto trimestre de 2008, em relação ao trimestre anterior, quando havia decrescido 0,2%. O mesmo porcentual foi registrado na zona do euro, configurando a maior recessão dos países da região nos últimos 50 anos. Os dados foram divulgados ontem pelo Escritório Estatístico das Comunidades Europeias (Eurostat).
No conjunto do ano de 2008, o PIB da zona do euro cresceu 0,7% e o da União Europeia, 0,9% - segundo projeção parcial. Em relação ao mesmo período de 2007, a taxa também foi negativa: 1,1%. “A economia da zona do euro começa a sucumbir com a queda brutal do preço das ações das grandes multinacionais, a redução dos investimentos e a produção industrial em recuo, em especial na Alemanha”, disse ao Estado o economista Sylvain Broyer, analista do banco Natixis, em Frankfurt.
Dos 27 países-membros, 15 divulgaram dados ontem. Sete estão em recessão, dentre os quais cinco das maiores economias: Alemanha, Reino Unido, Itália, Espanha e Holanda. Na Estônia, a atividade se contraiu 9,4% no quarto trimestre, uma queda inédita na história do país.
A mais grave queda foi, de acordo com o Eurostat, a da Alemanha, cujo PIB recuou 2,1% - o pior desempenho desde a reunificação do país, em 1990. No terceiro trimestre, a economia alemã, cujos bancos foram muito atingidos pela crise do sistema financeiro internacional, já havia regredido 0,5%. “A situação se degrada rápido porque o país é grande exportador para mercados que enfrentam recessão severa, como os Estados Unidos, o Japão e a Rússia”, explica Broyer.
O Eurostat também confirmou a recessão no Reino Unido, onde o recuo foi de 1,5% no quarto trimestre, ante 0,6% no terceiro. A Itália também se afundou na recessão: queda de 1,8% do PIB, após recuo de 0,6%. Leia mais.
Tags: Alemanha, crise, espanha, europa, holanda, Itália, recessao, reino unido
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Wednesday, January 21st, 2009
Publico atrasado ótimo texto do blog da jornalista Sonia Racy sobre o caso do assassino Battisti.
É bem mais duro do que se imagina o texto da carta mandada pelo presidente italiano Giorgio Napolitano ao presidente Lula. A avaliação é do especialista Walter Maierovich, que diz ter recebido telefonema de uma alta figura daquele País, interessado em entender “de onde saiu” a decisão brasileira de dar refúgio a Cesare Battisti. Para a coluna, Maierovich ressaltou aspectos do caso pouco esclarecidos até agora do caso. Alguns deles:
A comparação do caso Battisti com o de Salvatore Cacciola, feita por Tarso Genro, não faz sentido. Cacciola tem cidadania italiana e, por lei, a Itália jamais extradita seus cidadãos.
A França nunca deu refúgio a Battisti. Ele apenas contou com a boa-vontade do governo Mitterrand para “ir ficando” no País. E fugiu para o Brasil quando a Justiça francesa, já no governo Jacques Chirac, aceitou o pedido da Itália para extraditá-lo.
O Tribunal Internacional Europeu, em Estrasburgo, rejeitou seu pedido de proteção, entendendo que era criminoso comum.
Os quatro assassinatos foram praticados em um país democrático, onde inúmeros partidos atuavam, havia eleições livres, parlamento funcionando e nenhuma ditadura ou lei de exceção.
Todos os outros 8 ou 10 extremistas do grupo de Battisti, detidos e condenados, já cumpriram pena e estão em liberdade.
Maierovich acusa Tarso de “contar as histórias pela metade” e de ter destratado não só a Justiça da Itália como a da França. E arremata: “Ele teria dificuldades de passar em um exame da OAB”.
Tags: Cesare Battisti, crime, Itália, Tarso Genro
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Thursday, January 15th, 2009
Se perguntarmos nas ruas qual o maior problema do Brasil, provavelmente a resposta mais comum será uma variante de “impunidade”.
- Alta criminalidade: está ligada à impunidade muito mais do que à miséria
- Corrupção: alguém tem dúvida que é 100% impunidade?
- etc…
Pois o ministro Tarso Genro resolveu estender o conceito a um assassino reconhecido por duas cortes. Cesare Battisti estava indignado com o rumo tomado pela Itália na década de 1970. Ora, era um direito que lhe cabia, a Itália era, e ainda é!, uma democracia. O que fez Battisti? Juntou-se a algum partido político que expressava idéias próximas às suas e disputou eleições? Não, ele se uniu a grupo de esquerda que tentava implementar o comunismo na Itália. Como ninguém é tolo de eleger comunistas (que realmente queiram implementar alguma forma de marxismo-leninismo), a única forma era a violência. E foi o que fizeram. Doce irônia, seu grupo era conhecido como PAC - Proletari Armati per il Comunismo (Trabalhadores Armados pelo Comunismo).
O “elemento” (sim, a linguagem policial é apropriada, como veremos) é acusado de quatro assassinatos, sendo que um deles (e talvez o mais famoso) foi o de Pierluigi Torregiani, um joalheiro italiano que era “acusado” de se defender contra um assalto promovido pelos terroristas. Basicamente, entraram armados e dispostos a tudo dentro da loja de Torregiani que se defendeu a acabou por matar um dos assaltantes. A vingança dos “justos” veio breve e ele foi assassinado na frente do filho de 13 anos, que também recebeu tiros mas sobreviveu.
A mesma história se deu com outra vítima, Lino Sabadin, dono de um açougue.
Battisti foi julgado na Itália por um tribunal comum, sendo um país que saíra do fascismo, os tribunais especiais forma extintos. Foi um processo penal como outro qualquer com uma condenação à prisão perpétua (não há pena de morte). O resultado seguiu, anos mais tarde, para uma corte européia que confirmou a sentença.
Assim, quando o ministro Tarso Genro utiliza o nome de todo o país para abrigar esse terrorista e assassino, ele não acusa apenas a democrática Itália de perseguição política, faz o mesmo com toda a comunidade européia.
Tags: impunidade, Itália, pt, Tarso Genro
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