economia, política e blog ‘n’ roll

Crise: a lição japonesa

Thursday, October 9th, 2008

Na década de 1990, o sistema bancário japonês estava podre por dentro. Má gestão levou os bancos do país a uma situação calamitosa. O resultado foi uma quebradeira de várias instituições financeiras, alguns suicídios e uma década de recessão.

Pouco depois, foi a vez do Brasil. Também por culpa da má gestão, algumas instituições (o caso mais famoso é o do Banco Nacional) estavam super-alavancadas (grosso modo, deviam mais do que podiam) e certamente iriam quebrar. A solução brasileira foi evitar a crise sistêmica e a descofiança no sistema financeiro. Para isso foi criado o PROER. Consistia basicamente em utilizar dinheiro do contribuinte para evitar quebras e “corrida” (todos os correntistas querendo sacar seu dinheiro ao mesmo tempo). Algumas instituições foram “estimuladas” a absorver outras, caso do Unibanco que ficou com o Nacional. Deu certo, o Brasil escapou do tsunami japonês e em poucos anos já possuia um sistema financeiro novamente saudável. Condição que se mantem até hoje.

Agora a mesma situação está nos EUA e Europa. Cada país, de forma diferente, faz o seu “proer”. Alguns, como Alemanha e Irlanda, garantem a totalidade dos depósitos bancários (estancam a corrida). Outros, como a Inglaterra, compram ações ordinárias dos bancos, que na pratica equivale a capitalizar essas instituições, dando fôlego e margem de manobra a elas.  Em todos, instituições à beira do abismo são repassadas, de uma forma ou de outra, para grupos mais sólidos.

Ao contrário do que acreditam alguns esquerdistas pós-adolescentes, crise no sistema bancário não é bom para ninguém. Nem é divertido.

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Crise mundial traz investimentos da Hyundai para o Brasil

Wednesday, September 17th, 2008
Cifrao e dolar

Cifrao e dolar

Nos últimos dias as bolsas operaram em baixa o dólar em alta no mercado brasileiro por conta da crise financeira nos países ricos. Vários investidores tiraram o seu dinheiro do Brasil vendendo suas ações e outras posições. Como essa enxurrada de venda aumentou a oferta, o preço por ação na bolsa caiu. Após a venda, esses investidores são obrigados a ir ao mercado de câmbio trocar seus reais pela moeda americana, o que provoca um aumento da demanda e a consequente alta do dólar.

Isso se deu no mercado financeiro. A economia real, não gosto muito dessa expressão, opera de forma diferente. Nesse caso, as mercadorias e serviços possuem um valor que pode ser mensurado mais facilmente. Além disso, o resultado é medido efetivamente por vendas, é necessário vender. E com a crise de crédito na Europa e EUA, os BRIC (Brasil, Russia, Índia e China) ficam ainda mais atraentes.

Um exemplo disso é a montadora coreana Hyundai, que anunciou a intenção de construir uma fábrica no Brasil, perto de São Paulo. A capacidade estimada será de 100 mil veículos/ano, e visa principalmente os mercados brasileiro e sulamericano.

Interessante o fenômeno que ocorre, após um forte crescimento dos BRICs (se bem que eu deixo o Brasil de fora do “forte”) alimentando EUA, Europa e Japão, chegou a vez de suprir uma população interna que obteve um aumento real de renda e pode consumir mais. É bem provável que os quatro ajudem o sistema financeiro internacional se “curar” de forma mais rápida, ou menos lenta.

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