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A nome da agência é Maior, já as idéias…

Saturday, January 17th, 2009

Existe uma tal de agência Carta Maior. Trata-se de uma agência de informações de esquerda, afiliada a coisas como “New Left Review”, que se propõe a “pensar” o mundo pelo viés canhoto.

Pois bem, sobre a questão palestina, publicam um texto do intelectual português Boaventura de Souza Santos. Boaventura é um dos heróis do Fórum Social Mundial (aquela reunião de gente de primeira como Chavez e as Farc) e busca analisar o mundo sob a perspectiva de uma “Sociologia das Emergências”. Por favor, caros leitores, não me perguntem o que é isso, até hoje só ouvi falar. Comento abaixo as pérolas.

Está ocorrendo na Palestina o mais recente e brutal massacre do povo palestino cometido pelas forças ocupantes de Israel com a cumplicidade do Ocidente, uma cumplicidade feita de silêncio, hipocrisia e manipulação grotesca da informação, que trivializa o horror e o sofrimento injusto e transforma ocupantes em ocupados, agressores em vítimas, provocação ofensiva em legítima defesa.
Como é? Manipulação grotesca da informação?! O que sugere Boaventura, que a mídia internacional só mostra material favorável a Israel? Não leio (quase) nada que sequer tente parecer imparcial. A mídia e seus pensadores de esquerda adotaram os terroristas do Hammas como vítimas, junto do povo palestino.

As razões próximas, apesar de omitidas pelos meios de comunicação ocidentais, são conhecidas.
Quem ocultou o quê? A esquerda é tão contra a livre circulação da informação que acusa os outros do que gostaria de fazer.

Em novembro passado a aviação israelense bombardeou a faixa de Gaza em violação das tréguas,
Está errado, o Hammas violou a trégua primeiro.

o Hamas propôs a renegociação do controle dos acessos à faixa de Gaza, Israel recusou e tudo começou.
Notaram como o Hammas fez todo o possível pela paz? O tal “controle dos acessos” é uma brandura da entrada e saída da faixa de gaza para que o grupo terrorista tivesse mais facilidade de contrabandear as armas utilizadas para atacar… Israel. A proposta é basicamente a seguinte: Você finge que não tá vendo nada, até que eu tenha armas o suficiente pra cair em cima de vocês!

Esta provocação premeditada teve objetivos de política interna e internacional bem definidos: recuperação eleitoral de uma coligação em risco; exército sedento de vingar a derrota do Líbano; vazio da transição política nos EUA e a necessidade de criar um facto consumado antes da investidura do presidente Obama. Tudo isto é óbvio mas não nos permite entender o ininteligível: o sacrifício de uma população civil inocente mediante a prática de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade cometidos com a certeza da impunidade.
1. Já expliquei que não foi provocação, foi “falta de burrice”. 2. O argumento da coligação é o menos pior, simplesmente porque toda coligação política está sempre em risco, mas não foi o caso. No máximo o argumento político pode ser utilizado para justificar um programa mais austero de defesa do território, mas sequer foi isso o que aconteceu. 3. Esse é outro ranço das esquerdas, nunca se esqueça de culpar as forças armadas de alguma coisa. exceto o exército vermelho, claro. A campanha no Líbano realmente não alcançou todos os objetivos, mas sobretudo porque não há como controlar a fronteira norte. Mas se fosse um fracasso por que o Hezbollah teria desmentido com tanta celeridade e ênfase sua participação nos ataques a partir daquela região que aconteceram essa semana? Fácil, porque ainda não se recuperaram totalmente do estrago feito. Já a companha na faixa de Gaza é completamente diferente. A única fronteira é com o Egito, que já demonstrou não querer que o contrabando de armas iranianas entre por suas terras.
E no final Boaventura apela para o estilo “nós somos os justos” que caracteriza as esquerdas : o sacrifício da população inocente. Em nenhum momento cita a barbaridade covarde de se utilizar civis como escudo humano.

É preciso recuar no tempo. Não ao tempo longínquo da bíblia hebraica, o mais violento e sangrento livro alguma vez escrito.
Se isso não é anti-semitismo então deve ser ignorância. A tal “bíblia hebraica, o mais violento e sangrento livro” é mais violento e sangrento do que o Mahabharata (o livro sagrado do hinduísmo) ou a maioria dos livros e mitos religiosos em quê? O ponto a ser deixado aqui por Boaventura (nada subliminar) é que os  Hebreus são violentos e sangrentos desde a sua origem, como esperar outra coisa deles então?

Basta recuar sessenta anos, à data da criação do Estado de Israel. Nas condições em que foi criado e depois apoiado pelo Ocidente, o Estado de Israel é o mais recente (certamente não o último) ato colonial da Europa. De um dia para o outro, 750.000 palestinos foram expulsos das suas terras ancestrais e condenados a uma ocupação sangrenta e racista para que a Europa expiasse o crime hediondo do Holocausto contra o povo judeu.
Para tirar um pouco da má impressão da frase anterior, Boaventura faz questão de frisar que considera o holocausto um crime hediondo. Isso é como dizer que a maça de Newton caiu pra baixo, é o óbvio ululante. Ainda culpa toda a Europa por vários crimes coloniais. Primeiro, seria interessante encontrar uma potência que não cometeu “crime” algum. Segundo, o que faz aqui é exercitar outro velho hábito da esquerda européia: quem não aceitou o socialismo bom sujeito não é. Como a maioria dessas população REFUTOU O COMUNISMO NO VOTO, na visão da esquerda, devem ser ruins da cabeça E doentes do pé.

Uma leitura atenta dos textos dos sionistas fundadores do Estado de Israel revela tudo aquilo que o Ocidente hipocritamente ainda hoje finge desconhecer: a criação de Israel é um ato de ocupação e como tal terá de enfrentar para sempre a resistência dos ocupados;
Aí parte-se da premissa que existia um estado palestino antes de Israel, o que não é verdade. A resolução da ONU era sobre a criação de DOIS ESTADOS, UM PALESTINO E UM JUDEU. Eu posso até concordar que o reassentamento foi mal planejado, mas colocar a culpa da não existência do estado palestino única e exclusivamente em Israel é esquecer que desde o começo os outros países da região foram contra a criação dos dois territórios.

não haverá nunca paz, qualquer apaziguamento será sempre aparente, uma armadilha a ser desarmada (daí, que a seguir a cada tratado de paz se tenha de seguir um ato de violação que a desminta); para consolidar a ocupação, o povo judeu tem de se afirmar como um povo superior condenado a viver rodeado de povos racialmente inferiores, mesmo que isso contradiga a evidência de que árabes e judeus são todos povos semitas; com raças inferiores só é possível um relacionamento de tipo colonial, pelo que a solução dos dois Estados é impensável; em vez dela, a solução é a do apartheid, tanto na região, como no interior de Israel (daí, os colonatos e o tratamento dos árabes israelenses como cidadãos de segunda classe); a guerra é infinita e a solução final poderá implicar o extermínio de uma das partes, certamente a mais fraca.
Depois de todo esse discurso sobre a maldade imperial e preconceituosa de Israel, vale lembrar que foi assinado um acordo com Arafat, que determinava os dois estados, ficando a Cisjordânia e a Faixa de Gaza com controle palestino. E essa conversa que não haverá paz nunca é tentar resumir em um período de 60 anos uma história complexa. E já que Boaventura se dá ao luxo de ser Pitonisa e prever o futuro, farei o mesmo: não haverá extermínio de povo algum, mas a progressiva e gradual “fusão” (miscigenação) entre as duas etnias. Por quê? Simples, é sempre assim quando duas populações complexas e em grande número se encontram. Significa que seja simples e fácil? Não, geralmente é sangrento e doloroso, mas é sempre assim. Como sei disso? Explico. Um dos mistérios da ciência era a homogeneidade dos homo sapiens, somos todos muito parecidos, em qualquer lugar do mundo, e falo aqui da pré-história. O que se sabe hoje é que isso aconteceu pela enorme tendência de miscigenação. Há até indícios de mistura com outra espécie de humanóides, o homem de Neandertal.

O que se passou nos últimos sessenta anos confirma tudo isto mas vai muito para além disto. Nas duas últimas décadas, Israel procurou, com êxito, sequestrar a política norte-americana na região, servindo-se para isso do lobby judaico, dos neoconservadores e, como sempre, da corrupção dos líderes políticos árabes, reféns do petróleo e da ajuda financeira norte-americana.
Pronto, agora listou-se toda a maldade do mundo: judeus, americanos, neoconservadores, líderes árabes, etc, etc, etc… Não é bom ser de esquerda e poder apontar o dedo a torto e a direito, digo, a esquerdo.

A guerra do Iraque foi uma antecipação de Gaza: a lógica é a mesma, as operações são as mesmas, a desproporção da violência é a mesma;
Ligou Gaza com Iraque? A única semelhança entre elas é que as duas populações eram (os palestinos ainda são) governadas por tiranos.

até as imagens são as mesmas, sendo também de prever que o resultado seja o mesmo.
Como assim os resultados são os mesmos? Os americanos já sairam do Iraque? Que eu me lembre, ainda não. Portanto não há resultado, não há desfecho.

E não se foi mais longe porque Bush, entretanto, se debilitou. Não pediram os israelenses autorização aos EUA para bombardear as instalações nucleares do Irã?
Os israelenses CLARO QUE COMUNICARIAM AOS AMERICANOS UM ATAQUE AO IRÃ, mas pode apostar que, se considerassem necessário, atacariam à revelia. Felizmente, pois Israel é uma democracia e o Irá e controlado por um maníaco.

É hoje evidente que o verdadeiro objetivo de Israel, a solução final, é o extermínio do povo palestino.
Está errado. A única CERTEZA é que o Hammas declara que Israel deve ser riscado do mapa e não o contrário.

Terão os israelenses a noção de que a shoah com que o seu vice-ministro da defesa ameaçou os palestinianos poderá vir a vitimá-los também? Não temerão que muitos dos que defenderam a criação do Estado de Israel hoje se perguntem se nestas condições - e repito, nestas condições - o Estado de Israel tem direito de existir?
E finalmente a última frase vem com a solução final: O estado de Israel tem direito de existir? Mas claro que o professor não é anti-semita, apenas parece ter dificuldade com a existência do estado judeu. Claro.

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