Thursday, February 12th, 2009
Enquanto o governo brinca de tudo bem no reino de Lulinha Paz e Amor e Dilma Barbie o resto do mundo sofre com a crise. Notícia da Reuters que circula pelos jornais e sites de hoje:
A produção industrial da zona do euro registrou uma queda recorde em dezembro, mostraram dados nesta quinta-feira, apontando para um aprofundamento da recessão na região e aumentando os argumentos favoráveis a um corte mais forte da taxa de juro pelo Banco Central Europeu (BCE) no próximo mês.
A produção das indústrias nos 15 países que usam o euro como moeda teve uma queda mensal em dezembro de 2,6% e um tombo de 12% na comparação anual, a queda mais acentuada desde que os dados começaram a ser coletados em 1990, informou a a agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat.
Economistas consultados pela Reuters esperava uma queda mensal de 2,1% e um recuo anual de 8,9%. Leia mais .
Se não for o suficiente, a Espanha entra oficialmente em recessão:
O PIB (Produto Interno Bruto) da Espanha registrou queda de 1% no quarto trimestre de 2008 em relação ao período anterior, na segunda baixa consecutiva, o que faz o país entrar oficialmente em recessão pela primeira vez desde 1993, segundo estimativas do INE (Instituto Nacional de Estatísticas) divulgadas nesta quinta-feira.
O PIB do quarto trimestre caiu 0,7% na comparação com o mesmo período de 2007, segundo o INE.
“A queda do índice acontece em consequência de uma contribuição negativa da demanda nacional que foi compensada, em parte, pelo aporte positivo do setor externo”, explicou o instituto em um comunicado.
A queda do PIB no terceiro trimestre foi de 0,2% em relação ao segundo trimestre. Dois trimestres de contração do PIB (Produto Interno Bruto) definem uma economia em recessão, segundo economistas.
Os dados do quarto trimestre deixam o crescimento econômico espanhol no conjunto de 2008 em 1,2%, contra 3,7% registrados em 2007, que foi o maior em muitos anos, acima da média da zona do euro.
No último dia 28, o Banco da Espanha (BC do país) já havia informado que a economia espanhola entrou em recessão, com uma contração de 1,1% no trimestre passado, na comparação com o terceiro –quando também houve queda, de 0,2%, em relação a um trimestre antes.
Para este ano, o FMI (Fundo Monetário Internacional) prevê que a economia da Espanha sofrerá uma contração de ao menos 1%. Para o Fundo, a recuperação do país depende da aplicação de reformas profundas. Em novembro, Zapatero anunciou que o governo destinará 11 bilhões de euros para obras e equipamentos públicos como intuito de criar postos de trabalho e recuperar a economia.
No mês passado, o número de desempregados na Espanha subiu em 198.838 pessoas e agora está na marca recorde de 3.327.801 pessoas, segundo o Ministério do Trabalho e Imigração. Desde janeiro de 2008, o desemprego subiu 47,12%, enquanto de dezembro de 2008 até o mês passado teve alta de 6,35% no país.
E a oposição, de olho em 2010 não fala da crise sobre o tamanho que tem. Por quê? Oras, ninguém gosta de notícia ruim, então ficaria a oposição falando de crise e o Lula de bonança. Além do que, Lula é adepto do bushismo tupiniquim: os que estão contra mim estão contra o Brasil. E a oposição deixa que ele venda esse discurso autoritário. Eu realmente não entendo essa gente.
Tags: crise, espanha, europa, lula
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Thursday, February 5th, 2009
Mino Carta se “retirou” da blogosfera. E? E nada. Vazio. Coisa nenhuma. Seu blog inexistia como repercussão por conta de sua próprias escolhas recentes.
Mino foi provavelmente o maior criador de veículos de imprensa da história brasileira. Está em seu currículo ter dirigido as equipes que criaram o Jornal da Tarde, Quatro Rodas, Veja, IstoÉ e CartaCapital.
E também era de uma sinceridade pública por vezes acachapante. Lembro de uma entrevista sua em que foi perguntado sobre a profissão de jornalista nos anos de chumbo da ditadura com os censores fungando em seu cangote. Mino Carta não repetiu a ladainha normal de quem vivenciou o período atrás da máquina de escrever (nenhum demérito nisso, muito pelo contrário), sua resposta foi algo como: a censura existiu para os pequenos jornais de esquerda, que foram fechados e muitos jornalistas presos, e para o Estadão (O Estado de São Paulo), os outros nem precisavam de censor, pois só publicavam o que sabiam que não ofenderia os ouvidos governamentais.
CartaCapital é seu trabalho após o último, melhor seria não ter existido. Explico. Em seus editoriais nas eleições de 2002, o jornalista dizia poder apostar em Lula, defendia a tese. Até aí tudo bem, discordava, mas ele tinha seus argumentos. Quando o governo petista ficou 1 ano sem fazer absolutamente nada, Mino criticou. Ao aparecerem os primeiros sinais do que seria o mensalão, a revista começou a tomar uma postura de “defesa” de Lula, chegou mesmo a apresentá-lo como vítima, discurso que o próprio Lula encamparia mais tarde, dizendo-se traído. Nessa época a revista minguava. Eram pouquíssimos os anunciantes e os números cada vez mais finos. Sim, eu era leitor de CartaCapital. O absurdo chegou quando a revista passou a “ignorar” o ocorrido. Estranhei bastante. No número seguinte, pouco material sobre o assunto e, comecei a notar, aumento significativo de anúncios de estatais.
Dizer que a opinião da revista deveu-se aos anúncios governamentais seria tão leviano quando afirmar que os anúncios existiam por conta das opiniões da revista. Não faço ilações, apenas deixei de ser leitor de CartaCapital e admirador de Mino Carta.
Voltando ao início, o blog de Mino era como sua revista, alguém leu?
Tags: lula, mensalao, Mino Carta, pt
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Monday, January 5th, 2009
Todos se lembram como o governo do Messias de Garanhuns sempre preferiu jogar contra o governo democraticamente eleito da Colômbia e apoiar as FARC, o bando miliciano que há decadas aterroriza a população daquele país. Mas na minha opinião essa sequer foi a maior aberração do Lula para externos. O pior foi a recusa a censurar o governo do Sudão, promotor de uma genocídio estimado entre 200mil e 300mil pessoas e 3 milhões de refugiados. Não basta? Que tal o apóio a Robert Mugabe, que comanda o Zimbábue desde 1986 e vê o país assolado por fome, miséria, guerras etnicas e descontrole total da economia?
Pois bem, mais uma vez eles condenam veementemente os ataques israelenses, mas eu não me lembro de ter ouvido nem um pio condenando o Hamas pelo seu constante disparo de mísseis contra o território israelense. Ahh - diria o justo - mas eles mataram cinco israelenses e o ataque na faixa de Gaza já matou 500! Pra mim, uma única morte é uma tragédia - sem pieguice - mas quem deveria ter pensado melhor na desproporção da força é o agressor inicial, no caso, o Hamas.
É impossível negociar com o Hamas porque a política do grupo e não reconhecer o estado de Israel. Para eles, os judeus não possuem o direito de estar naquelas terras.
O erro do Itamaraty, e da União Européia, é esquecer que na diplomacia os dois lados devem ceder. Querer um cessar-fogo unilateral israelense enquanto o Hamas promete futuras agressões assim que estiver recomposto é, no mínimo, infantilidade. E lugar de criança que não aprende é na escola.
Tags: guerra, Hamas, Israel, lula, palestina
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Wednesday, October 29th, 2008
Abaixo, trechos de reportagem da Folha enunciando declarações do messias. Meus comentários em azul.
Sem citar nomes ou instituições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar ontem os empresários que apostaram na especulação…
Não foi à toa que não citou nomes, com eles a imagem não ficaria tão bem caracterizada. Lula revive o bicho-papão dos esquerdistas, desde a revolução francesa é assim: o burguês (empresário) sanguinolento. Essa imagem está bem colada na cabeça da população, todos são capazes de imaginar esse mosquito da dengue atuando em seus bolsos.
e disse que chegou a hora de os políticos entrarem em ação para defender que o sistema financeiro ganhe dinheiro aplicando em coisas que gerem riquezas, produtos e empregos.
O que também impresssiona é a total incapacidade (ou seria intencional?) de compreender gestão financeira de uma empresa. Para quem foi presidente de um grande sindicato isso é quase impensável. O dinheiro não entra no caixa e vai para “investimentos produtivos”, seja lá o que for isso. Pode ser redirecionado para o custeio da empresa, para formar caixa vizando um investimento futuro, etc… E fazer o que durante todo esse tempo? Guardar embaixo do colchão? Ah, tenha a apócrifa paciência! (a paciência santa, como se sabe, é reservada ao messias) O dinheiro irá para o mercado (óbvio!), ganhando ou perdendo até chegar a hora de ser usado.
De acordo com o presidente, o Estado volta a ter um “papel extraordinário” em meio à crise econômica mundial. “Todas essas instituições, que passaram três décadas negando o papel do Estado, na hora que tem uma crise procuram o Estado em que não confiam para socorrê-las das crises provocadas por elas mesmas”, afirmou.
E lá vamos nós, de novo. Como se vê, a cada oportunidade surgida o petismo tenta “reforçar” o estado e seu “papel extraordinário”. Parece até que os estados não são parte do sistema financeiro internacional. Fica-se com a impressão que os governos não investem o seu dinheiro em outros mercados. Quanto às empresas procurarem o estado, isso é uma meia-verdade. No caso do sistema financeiro o estado vai ao encontro porque é melhor gastar agora do que colher uma década de depressão econômica (leia a lição japonesa), o que representa menos impostos recolhidos.
“Não podemos permitir que alguém fique rico trocando apenas papéis. Às vezes, os papéis perpassam oito, nove, dez instituições, todas ficando ricas, sendo que poucas vezes se gerou a produção de um paletó”
Por partes. Ficar rico “trocando apenas papéis” é mais do legítimo, é necessário. Quando alguém compra papéis de uma empresa, na prática, financia essa empresa. Agora, eu também sou contra a farra dos derivativos, alguns desses papéis parecem simplesmente jogos de azar, mas dai a tentar controlar o fluxo dos papéis em geral é apenas uma tentativa de controlar o fluxo de capitais. Foi esse mesmo fluxo de capitais que nas últimas duas décadas, mas sobretudo na última, retiraram mais pessoas da miséria do que em toda a história da humanidade.
Em seguida, o presidente afirmou que o Brasil não precisaria sofrer com a crise e explicou por que o Brasil “vive sinais da crise”. “Porque alguns setores da economia brasileira resolveram investir numa coisa chamada derivativos. Não era fazer hedge [instrumento para se proteger de possíveis oscilações cambiais]. Resolveram ganhar um pouco mais, tentando construir um cassino após o hedge para ganhar com a especulação da desvalorização do dólar e da valorização do real. Portanto, quem foi para a jogatina perdeu”
Peraí, na semana passa apostavam contra o Real e agora apostavam a favor? Presidente, quem é seu consultor econômico, o Mantega? Mas enfim, decorou bem o discurso: quem foi pra jogatina perdeu ou ganhou, está na regra. E quem com sua perda coloca todo o sistema financeiro em risco deve ir pra cadeia, exatamente como no Proer que Lula e sua turma não cansaram de atacar, mas que nas últimas semanas citaram como exemplo do Brasil para o mundo. Ahh, sim, se banqueiros e gestores irresponsáveis da época do Proer ainda não estão, e talvez nunca estarão, atrás das grades, envie a conta para os partidos políticos, como o do presidente, que não votam leis penais mais severas. E olhe que eles são maioria no congresso há 6 anos.
Com se vê, Lula volta ao discurso esquerdista de mais estado, mais estado e um pouco mais de estado. Claro, afinal, eles, os iluminados, é que nos dirão o que é certo ou errado. O que é investimento produtivo ou não. O que é hedge ou não. E no final, quando percebemos, o que pode ser escrito ou não.
Tags: bancos, crise, esquerda, lula
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Tuesday, October 28th, 2008
O texto a seguir é um tanto longo, mas a sua leitura deverá trazer à luz uma série de conceitos. Assim espero.
Creio estar na hora de acabar com uma fábula corrente no noticiário econômico brasileiro, a de que a alta taxa de juros existe para controlar a inflação de mercado, aquela dos preços nas prateleiras dos supermercados. Ah, sim, existe pra isso também. Mas o principal fator para o exorbitante valor nominal do juro oficial no Brasil é o volume de dinheiro gasto pelo estado.
História recente dos gastos públicos
O primeiro mandato de FHC foi marcado pela consolidação do equilíbrio econômico. O país ainda era uma bagunça generalizada, vinha de três desastres consecutivos: Figueiredo, Sarney e Collor. A situação começa a melhorar quando Itamar delega o comando do país ao tucano, que monta a equipe responsável pelo plano Real, uma das mais bem sucedidas políticas de controle de inflação da história, criativa e ortodoxa ao mesmo tempo.Também foi nesse período que ocorreu o Proer, Programa de estímulo à reestruturação e ao fortalecimento do sistema financeiro nacional, que saneou o sistema bancário nacional.
Já no segundo mandato o principal ponto foi o equilíbrio fiscal, que entrou em vigor em maio de 2000. De forma resumida, o estado não pode gastar mais do que arrecada. A lei do equilíbrio fiscal cutuca a ferida, se for desobedecida o punido é o político e não o burocrata de carreira. Leis assim “pegam”. E mesmo com esse gargalo (necessário!) foi possível criar e ampliar os programas de assistencia social, esses mesmos que garantem a popularidade de Lula.
No entanto, o governo federal ainda gastava mais do arrecadava, sobretudo pela ineficiência da gestão e défict da previdência social. Esses problemas começaram a ser atacados na gestão FHC, mas necessitavam de continuidade. Não foi o que ocorreu. Vieram os anos do lulismo.
História recentíssima da gastança pública
Lula foi um deputado sem projetos de leis. Basicamente não fez nada. E depois desse único mandato nunca mais se candidatou ao legislativo. Diz que não é a dele. Provavelmente porque gosta de ser protagonista. A única coisa que realmente parece fazer sem titubear é campanha política e, em um dos poucos momentos que considero sincero nesses 6 anos, disse que a campanha começa no dia seguinte ao da posse. E é isso que tem feito, campanha política disfarçada de gestão, com o dinheiro do contribuinte.
Diz que ampliou os programas sociais de FHC, na verdade os transformou em assistencialismo. O governo não se empenha em cobrar as contrapartidas dos beneficiados (comprovar assiduidade escolar, requalificação profissional, etc…). E melhor entregar as beneces simplesmente porque se é bonzinho, o novo paizinho dos pobres.
Também tornou o governo a alegria dos companheiros. Sim, nuncaantesnessepaís foram criados tantos cargos de confiança. Tem pra todos os aliados, de primeira e de segunda hora. Esse tipo de coloção mina por demais a eficiência da gestão, e gasta-se muito e mal.
A conta não fecha
Como o governo gasta mais do que arrecada, precisa emitir dinheiro pra fechar a conta. Mas se colocasse as máquinas da casa da moeda a todo vapor, geraria uma tremenda inflação. A solução é captar dinheiro da iniciativa privada ou do exterior. Como faz isso? Emitindo títulos públicos. Basicamente é uma nota promissória. O governo se compromete a pagar um determinada valor em uma data futura.
Claro que quem precisa de muito precisa oferecer muito em troca, e faz isso aumentando a taxa básica de juros, a tal da Selic, Sistema especial de liquidação e de custódia. Com a Selic a 14%, por exemplo, o governo está dizendo: -Ei, empresta R$ 100,00 que em x de janeiro de 20yy eu te pago R$ 114,00
Como fica claro, esse dinheiro tem um custo, o juro, e é uma bola de neve: quanto maior o buraco, mais fundo ele será. A solução? Apenas uma, diminuir os gastos. Como vimos, o inverso do que fez o lulismo.
Controlando a inflação
Com essa altíssima taxa de juros, o governo absorve a maior parte dos recuros destinados a empréstimos, por isso, e também pela forma como os bancos se organizam, os empréstimos bancários são tão caros no Brasil.
Também há no país uma demanda reprimida muito grande. Ainda há muito geladeira ser comprada/trocada, automóvel novo a ser vendido, etc… As pessoas precisam se financiar pra isso, mas se todo o dinheiro circulante for parar nas ruas, a inflação sobe. Uma outra medida de controle da liquidez são os empréstimos compulsórios. O Banco Central determina que X% de tudo o que for depositado em um banco, até caderneta de poupança!, deverá ir para o caixa federal e será devolvido após determinado tempo.
Lembra-se do congelamento de contas correntes do plano Collor? Foi um empréstimo compulsório. O dinheiro, claro, quando foi devolvido havia sido corroído pela inflação, virou pó. A situação atual não é tão dramática, mas persiste.
Pois bem, a média mundial em paises com sistemas financeiros consolidades é de um compulsório de 10%, no Brasil pré-crise chegou a 55%! Então não venham me dizer que há excesso de consumo, a maior parte do dinheiro dos brasileiros está retida no caixa do governo e não pode voltar na forma de financiamento.
Agora, com a crise mundial de crédito, o BC liberou uma fatia dos compulsórios. Disse aos bancos -peguem esse dinheiro e emprestem para as empresas montarem capital de giro. Como ninguém tem confiança sobre quem conseguirá honrar ou não os pagamentos, o que fizeram os bancos? Deram uma bela banana aos empresários e botaram a dinheirama em títulos do governo. Tinham tudo parado e agora receberam de brinde 7% de taxa real ao ano. Quer saber, estão certos. O governo não pára de gastar dinheiro, porque teriam de ser os bancos os bonzinhos da história?
Resumo da ópera
A taxa Selic é alta, os empréstimos compulsórios altíssimos e o juro praticado nos bancos é exorbitante. Todos tem uma causa comum: o estado brasileiro gasta mais do que pode. E o governo Lula, ao invés de aproveitar o momento mágico da economia mundial para terminar a arrumação da casa, só fez crescer o buraco.
Apertem os cintos, o piloto sumiu e há uma tempestade à frente.
Tags: BC, economia, FHC, lula, responsabilidade fiscal, selic
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Monday, October 27th, 2008
Uma série de políticos e articulistas que “colavam” as eleições municipais de 2008 à presidencial de 2010 parecem ter mudado de idéia. Estavam tão empolgados com a idéia que o messias de Garanhuns elegeria até um poste, que embarcaram nessa. E agora mudaram de idéia. Por que? Simples, o lulo-petismo foi derrotado nas eleições municipais.
-ahh, mas elegeu “montes” de prefeitos na G-79 (cidades com segundo turno)! É verdade, mas não nos locais importantes. Primeiro, perdeu a jóia da coroa, São Paulo. E só isso já bastaria para configurar sua derrota. Aliás, ter apostado na vitória em SP já foi mostra de excesso de fé. A cidade não é muito chegada a Lula, que nunca venceu por aqui. No RJ, não deu nem pro cheiro. Ficou fora do segundo turno. Aliás, participou do primeiro? Em BH, desistiu de concorrer à prefeitura embarcando no sonho aecista de PT+PSDB em 2010. Nessa, Aécio perdeu pouco, mas o PT mineiro perdeu muito! Porto Alegre, com quase 20 pontos de diferença!, ratificou o fora PT de 2004, depois de 16 anos no poder. Em Curitiba apostaram alto e veio a mais emblemática derrota do lulo-petismo, 80% a 20%!
Ganhou no Recife, e aí é a vitória desse grupo, sim. E não venceu em Fortaleza, como se sabe, Luizianne é quase uma candidatura pirata. Os caciques petistas não a queriam em 2004 e continuavam não querendo em 2008. Lula não teve nada a ver com essa vitória.
Portanto, saem derrotados os caciques gaúchos. Dilma Rousseff e Tarso Genro participaram da campanha e não evitaram o vexame. Não são capazes de transferir os votos que nunca tiveram ou não possuem mais.
Em SP, Marta sonhava em ir da cadeira de alcaide direto para o palácio do planato. Nos braços do povo paulistano seria páreo duro na briga com Dilma pela indicação da candidatura presidencial do PT. Ficou sem a primeira cadeiara e não deve nem ser cogitada para a segunda.
Em BH, Patrus Ananias perdeu antes da eleição começar: era contra a aliança tucano-petista. A aliança se deu e Patrus se deu mal. E Aécio? Bom, esse ganhou mas não levou. Deveria ter vitória esmagadora no estado, e não foi isso que se viu. O PSDB encolheu. Fica um pouco mais difícil lutar pela indicação tucana. Claro que no seu caminha sempre a possibilidade, agora um pouco mais improvável, de se mudar de mala e cuia para o PMDB.
Ciro Gomes investiu muito na candidatura da sua ex-mulher Patricia Saboya, não chegou sequer ao segundo turno do seu principal reduto eleitoral. Sai enfraquecido.
Vencedor mesmo foi Jose Serra. O PSDB cresceu ainda mais em SP, que detem praticamente 1/3 do colégio eleitoral do país, e seu aliado, Gilberto Kassab, venceu de forma esmagadora na capital. De quebra, Aécio enfraquecido e Alckmin fragorasamente derrotado, nesse momento, não fazem sombra ao governador.
Resumindo, eu nunca disse por aqui que seriam transferidos votos de 2008 direto para 2010, mas, como vimos, algumas candidaturas foram enterradas domingo. Mas não mudei de idéia só porque desejei, ops, “previ” errado, como fizeram alguns tantos.
Atualização: esqueci de mencionar o governador Jacques Wagner. Esse conseguiu o milagre, só poderia se dar na Bahia graça de tal monte, de unir Geddel e ACM neto. Pois bem, perdeu e viu seus créditos desabarem.
Tags: Aecio Neves, DEM, Dilma Rousseff, eleicoes, Jose Serra, Kassab, lula, Marta Suplicy, Patrus Ananias, PMDB, psdb, pt
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Monday, October 20th, 2008
Um ditador é, substancialmente, aquele que sabe o que é “melhor para o povo”. Faz uma licitação ilícita aqui, prende uns baderneiros aqui, fuzila uns outros tantos acolá. Mas sempre no melhor interesse do “povo”. População que tão bem representada pelo seu déspota esclarecido sequer precisa votar em outros. Que bem faria? Vai que o populacho escolhe errado, né não?
Pois bem, o psol do Maranhão mostrou a sua cara. O partido recomendou aos seus eleitores que votem nulo no segundo turno. Basicamente isso: olha, nós é que sabemos o que é melhor pra vocês, mas como já erraram, é melhor não escolher outro. Agora sim haverá uma revolução, já imaginou se TODOS OS 0,53% resolvem votar nulo? E não, eu não errei a posição da vírgula, o número é ZERO vírgula cinquenta e três porcento.
Felizmente a população brasileira já começou a podar os que tentam surrupiar a democracia. Por isso que o messias de garanhuns retirou a proposta de terceiro mandato, mesmo a bordo da sua popularidade de trocentos pontos nos ibopes e census da vida.
Pena que ainda não percebemos o aparelhamento de estado. Mas chegaremos lá.
Tags: eleicoes, lula, Maranhão, psol
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Monday, October 6th, 2008
Lula se entregou de corpo e alma em algumas campanhas, e não levou NENHUMA delas. Natal era um dos pontos de honra, afinal Agripino Maia é provavelmente a principal voz de oposição no país. E na capital potiguar quem venceu foi Micarla de Souza (PV), apoiada por Agripino.
Tags: Agripino Maia, DEM, eleicoes, lula, Micarla Silva, pt, PV
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Monday, October 6th, 2008
Capilaridade
Tanto se fala do poder eleitoral de Lula. Oras, o PT foi bem nas capitais do norte e nordeste, onde a penetração do bolsa-família é maior. Mas nem isso garantiu a capilaridade do partido do presidente. O gráfico abaixo representa o número de prefeituras por partido (conquistadas no primeiro turno) e reflete, em sua maioria, as pequenas cidades.

Repare que o PT, sob esse critério, é menor até que o PP e apenas pouco maior que o DEM, seguide de perto pelo PTB. Os três são os partidos mais à direita do espectro político brasileiro e ainda que PP e PTB sejam da base governista no plano nacional, atrevo-me a dizer que votarão com o próximo presidente, seja ele quem for. Em resumo, não contam como tendência pró ou anti-lula.
Já o DEM o PSDB são a oposição. Como também é parte, ainda que pequena, do PMDB. Em termos de prefeituras a disputa em 2010 começa razoavelmente igual.
Mais tarde farei um mapa das capitais
Tags: DEM, eleicoes, lula, PP, psdb, pt, PTB, Serra
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Thursday, October 2nd, 2008
Imperdível a coluna de Demétrio Magnoli no Estadão. Começa traçando um paralelo entre a deportação dos pugilistas cubanos e a arapongagem federal e segue em frente mostrando como o messias de Garanhuns acredita que a imprensa deve agir em conjunto com o estado, ou seja, submissa a ele.
Eis um aperitivo:
Quando Tarso Genro ordenou a captura e deportação dos pugilistas cubanos, nos Jogos Pan-Americanos de 2007, converteu-se em herdeiro político legítimo de Alfredo Buzaid, seu antecessor no Ministério da Justiça nos tempos de Garrastazu Médici. Não há surpresa na sua iniciativa de suprimir do projeto de lei destinado a frear a farra dos grampos uma cláusula que protegia o direito jornalístico de divulgar o conteúdo de escutas vazadas de investigações policiais. Nem na sua negativa em admitir a intenção do governo de restringir a liberdade de informar. Afinal, ninguém esqueceu que o ministro do Arbítrio substituiu, ex post facto, o termo de deportação dos pugilistas por um documento de repatriamento. Leia mais.
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