Mino Carta foi e ninguém viu que estava aqui
Thursday, February 5th, 2009Mino Carta se “retirou” da blogosfera. E? E nada. Vazio. Coisa nenhuma. Seu blog inexistia como repercussão por conta de sua próprias escolhas recentes.
Mino foi provavelmente o maior criador de veículos de imprensa da história brasileira. Está em seu currículo ter dirigido as equipes que criaram o Jornal da Tarde, Quatro Rodas, Veja, IstoÉ e CartaCapital.
E também era de uma sinceridade pública por vezes acachapante. Lembro de uma entrevista sua em que foi perguntado sobre a profissão de jornalista nos anos de chumbo da ditadura com os censores fungando em seu cangote. Mino Carta não repetiu a ladainha normal de quem vivenciou o período atrás da máquina de escrever (nenhum demérito nisso, muito pelo contrário), sua resposta foi algo como: a censura existiu para os pequenos jornais de esquerda, que foram fechados e muitos jornalistas presos, e para o Estadão (O Estado de São Paulo), os outros nem precisavam de censor, pois só publicavam o que sabiam que não ofenderia os ouvidos governamentais.
CartaCapital é seu trabalho após o último, melhor seria não ter existido. Explico. Em seus editoriais nas eleições de 2002, o jornalista dizia poder apostar em Lula, defendia a tese. Até aí tudo bem, discordava, mas ele tinha seus argumentos. Quando o governo petista ficou 1 ano sem fazer absolutamente nada, Mino criticou. Ao aparecerem os primeiros sinais do que seria o mensalão, a revista começou a tomar uma postura de “defesa” de Lula, chegou mesmo a apresentá-lo como vítima, discurso que o próprio Lula encamparia mais tarde, dizendo-se traído. Nessa época a revista minguava. Eram pouquíssimos os anunciantes e os números cada vez mais finos. Sim, eu era leitor de CartaCapital. O absurdo chegou quando a revista passou a “ignorar” o ocorrido. Estranhei bastante. No número seguinte, pouco material sobre o assunto e, comecei a notar, aumento significativo de anúncios de estatais.
Dizer que a opinião da revista deveu-se aos anúncios governamentais seria tão leviano quando afirmar que os anúncios existiam por conta das opiniões da revista. Não faço ilações, apenas deixei de ser leitor de CartaCapital e admirador de Mino Carta.
Voltando ao início, o blog de Mino era como sua revista, alguém leu?
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