Futebol: um negócio falido
Monday, January 21st, 2008
Tá, eu sei que “falido” soa alarmista, mas explico contando uma historinha pessoal. A primeira vez que fui exposto ao mundo do capital, tive que responder à seguinte pergunta: -A inflação no período foi de 10% e seu investimento deu um retorno de 20%, foi um bom negócio? “Claro que sim”, respondi confiante. O rebote? -Peraí, você acha que ganhou 10%, mas o investimento do seu concorrente obteve um retorno de 30%, portanto, comparado a ele, você deixou de ganhar (que é quase a mesma coisa que perder) 10%.
Com o futebol se dá o mesmo caso. No Brasil os times querem ser como os grandes europeus. Mas convenhamos, tirando a copa deles, a Champions League, os campeonatos nacionais, com raras exceções, são uma chatice. Na Itália, apenas dois times, Milan e Juventus, disputam 8 em cada dez campeonatos. A Inter às vezes belisca algum, o Fiorentina, até o meu Napoli já ganhou, mas fica quase sempre entre os dois. Na Espanha, então, o que dizer? Real Madrid e Barcelona levam 90%. Na frança, o Lyon caminha para o heptacampeonato. Hepta mesmo, sete seguidos! O campeonato inglês, tido como um dos mais equilibrados, teve o Liverpool mandando na década de 80, o Manchester na de 90 e com a chegada do Chelsea as coisas pareciam mais parelhas, mas o Manchester já começa a dar o ar da graça novamente. Eu poderia ir de país em país, listando cada campeonato e seria a mesma coisa.
-Sei, e qual a alternativa?
Olhar para quem entende de showbiz, os americanos. Eu gosto muito de basquete, mas com as bestas que administram esporte no Brasil o basquete nacional foi pro buraco, com isso minha atenção foi cada vez mais dirigida à NBA, tenho até um time: o Boston Celtics. Sabe como foi o Boston na última temporada? O pior time da liga, isso mesmo, o pior de todos. Foi um vexame atrás do outro. De dar dó. Sabe como está o Boston na atual temporada? O melhor time da liga, um show seguide de outro. Não tem pra ninguém. Como é que pode? É simples, lá, na NBA, o que vale é o espetáculo. As pessoas compram ingressos, camisas, assinam o pay-per-view, enfim, consomem porque sabem que o campeonato começa difícil de prever. E como fazem isso? Lá há regras para tudo. Os dois melhores exemplos são o teto salarial para jogadores, evita uma corrida armamentista e times prometendo o que não podem cumprir, e sobretudo a divisão da renda dos direitos de TV, que prevê uma diferença máxima do time que menos recebe para o que ganha mais de apenas 20%. Se o time A foi mal e receberá na atual temporada apenas 100 patacas, o time B, que foi o bicho-papão, levará 120 patacas. A diferença de ganhos vem de alguns contratos de publicidade e da torcida, que pode consumir mais ou menos produtos licensiados e comprar ou não todos os ingressos da temporada regular entre outras coisas, mas os times giram valores próximos, isso garante um equilíbrio e um bom campeonato.
Com isso, o futebol europeu pode estar bem, mas poderia estar muito melhor. Já o futebol brasileiro ainda está no paleolítico e podemos nos dar ao luxo de escolher um modelo de negócio. Afinal , qual modelo iremos adotar, o europeu ou o americano da NBA? Meu voto já ficou claro, e o seu?




