O apagão do Lula, porque falar é fácil.
Sunday, January 13th, 2008Provavelmente o principal fator para que Fernando Henrique Cardoso não fizesse o sucessor foi a crise do apagão entre 2001 e 2002. A campanha de Lula utilizou insistentemente o tema e garantiu que um planejamento energético sério seria feito. Pois bem, leia abaixo trecho de uma matéria do Estadao, por Renée Pereira:
A salvação do setor elétrico brasileiro pode estar num racionamento de gás natural para a indústria ou automóveis. Se as chuvas não encherem os reservatórios nas próximas semanas, a solução para evitar cortes de eletricidade, conforme decretou o presidente Lula, seria acionar todas as térmicas existentes, com capacidade para 10 mil megawatts (MW). O problema é que, além da escassez de água, falta gás para atender a todos os mercados. leia mais.
Há ainda as declarações da ministra Dilma Rousseff sobre planejamento energético, vale lembrar que era ela a ministra das minas e energia antes de assumir a casa civil. Na Folha, por Ana Paula Ribeiro:
“Eu não disse que nunca tivemos planejamento. O que eu disse é que não fizeram planejamento nos últimos dez anos. O governo anterior destruiu o planejamento que tínhamos”, afirmou a ministra em audiência pública na Câmara dos Deputados. leia mais.
Essa declaração foi dada no final de dezembro, portanto em um período de 6 anos de governo Lula. Vale a pergunta: quantas usinas o governo Lula construiu ou licitou? Ahh, humm, e isso aí. As duas principais bandeiras, as do rio Madeira, ainda não movimentaram nenhum tijolinho. E no que aposta Lula pra evitar um apagão ao consumidor e uma inevitável surra eleitoral esse ano? Nas termoelétricas construidas na gestão FHC.
A ministra tem razão quando critica o planejamento energético de FHC. Deve-se, no entanto, lembrar que o PT e aliados tentavam embargar tudo, seja no congresso ou por meios legais, e o Brasil estava no olho do furacão de uma crise global. Mas o que impressiona é que o atual governo consegue ser ainda pior em termos de planejamento, e isso com um cenário muito favorável.
Já não se discute se haverá ou não apagão, apenas se será sentido no interruptor de casa ou da indústria. Provavelmente nos dois. Prova disso é o MWhora que começou sua vida em leilões a pouco mais de R$ 17,00 já está sendo negociado acima de R$ 500,00! E só parou porque o governo estipulou um teto máximo de venda ao consumo. É provável que a população não sinta o racionamento de energia em 2008, mas não é tão provável que não sinta os cortes de empregos caso a indústria tenha que diminuir o ritmo.
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