O eterno “Plano Cruzado” dos planos de saúde
Sunday, January 13th, 2008A maioria se lembra do plano cruzado, promovido no governo de Jose Sarney, o Perdido. O método para derrotar a cavalar inflação que assolava o país foi tentar destruir o mercado. O governo decretou o congelamento de todos os preços para todos os produtos. Era proibido aumentar ou cobrar fora de uma tabela. Que eu me lembre foi o mais próximo que estivemos do “sovietismo”. O resultado obtido (e esperado) foi o desabastecimento e uma enorme pressão sobre os preços. Sete meses depois (e uma massacrante vitória nas eleições) o plano já estava morto.
O mesmo acontece com os planos de saúde. O governo não diz o quanto deve cobrar, menos mal, mas determina o que deve ser oferecido ao consumidor. Agora a lista aumentou um pouco mais e, como não podem aumentar os preços, a tendência é cair ainda mais a qualidade do serviço que oferecem. E ela pode realmente despencar simplesmente porque o governo não faz a sua parte. Fosse o atendimento público de saúde bom, haveria enorme pressão sobre os planos de saúde, mas como é um lixo (a atendimento do SUS), qualquer coisa que os planos ofereçam ainda será melhor. NaAlemanha o atendimento público é pago (como um plano de saúde) e bom. As empresas privadas tem que suar a camisa para ganhar sua fatia do mercado.
O importante seria promover a concorrência efetiva entre as empresas, deixar que o consumidor vá do plano A para o plano B simplesmente por valor cobrado ou qualidade do serviço oferecido. Mas hoje estamos presos a uma empresa, mantidos reféns pela “carência” a ser cumprida. Via de regra, paga-se dois anos para ter acesso a todos os serviços. Quem quiser mudar e se sentir protegido é obrigado a pagar dois planos por dois anos. Conheço gente que possuia um plano, foi contratado para uma empresa que oferece um plano de saúde e continua a pagar o original. Apenas os planos mais fracos “compram a carência”. Falta de fato um cadastro positivo na área da saúde privada.
Isso se torna pior com as decisões estapafúrdias da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANSS). Entre elas, é essa é das “melhores”, estão as diferentes “inflações”. Dependendo da sua faixa etária a agência determina uma inflação diferente para a correção. Ei, já informaram para os caras que existe o IGPM?
Como se vê, não há incentivo à livre concorrência, o governo não oferece um serviço mínimo na área e quer posar de Robin Hood e a agência reguladora é kafkaniana.
O melhor é não pegar nem um resfriado.
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