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Kátia Abreu: pingos nos “i”s

Wednesday, November 10th, 2010

A senadora Kátia Abreu possui um mérito raro no cenário político brasileiro: defende suas posições. E, justamente por ter postura, foi uma voz quase solitária na oposição ao lulo-petismo. Como bem sabem os Mercadantes e Patruses Ananias da vida, quem adere ao lulismo abdica de possuir opinião própria. Não tenho dúvida que se houver de fato investigação dos acontecimentos desses últimos anos, os oposicionistas de fato colherão os frutos da sua coragem.

Vale muito a leitura da entrevista concedida pela senadora à Folha de São Paulo. Uma análise bastante clara da relação entre agronegócio e preservação ambiental, do cenário político e da interpretação dos fatos pela população.

Na Folha de São Paulo

Otimista com Dilma Rousseff, mas firme na oposição. Assim se descreve a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

Eduardo Anizelli/Folhapress

“Dilma passou por dissabores por não conseguir unir a burocracia ambiental à realização das obras do PAC”, afirma Abreu, 48.

Em entrevista, ela diz que o PT perdeu em várias regiões onde o agronegócio é forte “porque tivemos a maior insegurança jurídica nesses oito anos” e reclama que falta estratégia para deixar o campo mais produtivo, mas “sobra ideologia”. E afirma que a CNA não é contraponto ao MST. “O contraponto ao MST é a Constituição.”

DISSABORES DE DILMA

A presidente eleita Dilma Rousseff teve dissabores imensos com relação à questão ambiental na execução das obras do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]. Então, ela tem a experiência, além da teoria, ela conhece as mesmas dificuldades que temos no setor rural. Tanto eu, quanto a Dilma e todos os brasileiros se preocupam com o meio ambiente. Isso não é uma reserva de mercado e nem um patrimônio exclusivo da ex-ministra [do Meio Ambiente] Marina Silva. É o mesmo que discutir a Lei da Gravidade. Eu sou contra e você é a favor da Lei da Gravidade? Então, eu acredito que Dilma, por essas experiência negativa de não conseguir compatibilizar a preservação com a execução das obras, poderá trazer à luz um debate com mais bom senso e racionalidade e buscar, repito, a ciência.

FREIO À GASTANÇA

Espero que Dilma implemente uma política econômica de diminuição de gastos públicos. Ela tem a grande chance de dar uma freada na gastança pública.

Se nós estivéssemos promovendo uma gastança pública que trouxesse melhorias para a população, ninguém aqui precisava dizer nada.

A minha filha, que tem 22 anos, sempre me pergunta: mãe, por que o imposto no Brasil é tão caro e tudo é tão ruim?

A saúde não tem qualidade. Os patrões, apesar de pagarem seus impostos e os trabalhadores, quando adoecem se o patrão não der uma força, uma mão, passam dificuldade. Um exame de papanicolau, o mais simples possível, leva de oito meses a um ano para dar o resultado para uma mulher.

Educação está aí. O PNUD com os resultados terríveis com a mudança de cálculo. O PNUD colocou a educação no Brasil como o principal fator para a pobreza.

A Segurança está aí. Acabei de ver o “Tropa de Elite 2″, que demonstra bem a realidade brasileira. Então, os serviços essenciais são de baixa qualidade e uma taxa tributária alta. Isso só vai ter conserto se a gastança pública diminuir. Outra mágica não existe.

ARROCHO POPULAR

Espero que Dilma possa trazer um arrocho fiscal saudável para o Brasil, inclusive, com medidas populares. Nesse quesito quero dizer que votarei a favor. Votarei com ela. Porque eu não estarei votando no governo. Estarei votando pela preservação das instituições, de uma situação econômica regular e tranquila. Não tenho nenhuma dificuldade em estar junto numa votação dessa, ao mesmo tempo que não terei nenhuma dificuldade para votar contra a CPMF.

DEMÔNIOS

Agora, precisa dar praticidade e parar de demonizar essa situação. “Ou você pensa como nós ou você é um demônio.” “Ou você é contra a Amazônia ou você é contra o meio ambiente.” Essa ditadura ideológica precisa ter um fim. Meio ambiente é um assunto a ser discutido democraticamente. Claro que totalmente embasado na ciência. A gente não tem como fugir desse embasamento científico. Dá tranquilidade a todos nós.

PRAGAS E EROSÃO

Quem é que quer produzir arroz de altíssima qualidade, cometendo crime ambiental, sabendo que vai trazer prejuízos ao país e à sua propriedade rural? Não conheço ninguém que produz sem água. A erosão baixa a produtividade. Se você não tiver o equilíbrio na biodiversidade as pragas vêm arrasadoramente tanto na produção de grãos quanto nas doenças dos animais. Então, é muito engraçado colocar o produtor contra o meio ambiente, porque nós vivemos dele mais do que qualquer um, porque dói no bolso, que é o órgão mais sensível.

NOVO MINISTRO

A CNA [Conferação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil] nunca foi ouvida com relação a nenhum ministro em nenhum governo. E, ao mesmo tempo, sempre tivemos um ótimo relacionamento com todos os ministros, especialmente, no governo Lula. Roberto Rodrigues [da Agricultura] e Reinhold Stephanes [ex-ministro da pasta] frequentavam, como se diz na expressão popular, de dentro da nossa casa, nós trabalhávamos juntos, eles tiveram todo apoio da CNA. A única coisa que nós não gostaríamos de ver no Ministério da Agricultura é o óbvio, alguém que não defendesse a produção.

CHEFE DE TORCIDA

Na Inglaterra, o Ministério da Agricultura e do Meio Ambiente é um só, inclusive, com o mesmo ministro. Se aqui no Brasil nós pedíssemos uma situação dessas seria a execração total, imaginar que nós queríamos destruir o Ministério do Meio Ambiente e não o da Agricultura, com a união dos dois, mas para dizer que no ministério, em qualquer ministério do Brasil, nós não podemos permitir que tenha representante de classes nos ministérios.

Representantes de classe: não me roube meu papel, esse é meu. Assim como as pessoas que presidem as ONGs, as ambientalistas, representam uma ideia, representam uma bandeira, cada um na sua.

Ministro de Estado não pode ser chefe de torcida nem dos ruralista e nem dos ambientalistas. Ele precisa pensar no país, no Estado Brasileiro e fazer com que as coisas possam acontecer de forma republicana, vendo os interesses do país.

É impossível que o ministro do Meio Ambiente não conviva com o ministro da Agricultura. Os dois precisam pensar juntos o país. Por isso a Inglaterra colocou as duas ações num ministério só, porque não vê incompatibilidade. Como ficar fora o Ministério do Meio Ambiente sem discutir a produção?

Eu repito: nós queremos fazer as coisas corretas. Nós não queremos fazer nada errado pelo lucro e pelo plantio. Nós temos áreas de sobra para fazer produção no lugar certo e preservar o meio ambiente, onde for preciso nas áreas precisas.

CLAREZA DE MARINA

Não acredito que a votação de Marina Silva tenha sido por uma questão ambiental. A Marina teve, diferentemente dos outros candidatos, uma maior clareza nas suas ideias. Eu gosto muito de citar a primeira Carta de Paulo aos Coríntios, ele diz assim: “O som da flauta tem que ser de flauta e assim sucessivamente, dos outros instrumentos, da cítara, tem que ser de cítara”.

Então, a Marina teve o som da flauta, não teve ambiguidade no seu discurso. É o que eu procuro fazer: o som da minha flauta é de flauta. Eu toco flauta. Não toco cítara. Quem toca cítara é quem pensa diferente de mim.

Esta clareza é muito importante no debate político. Quando você leva para um debate político, você é de direita ou esquerda. É a soberba absoluta de candidatos que imaginam que a população vive em função dela ou em função de conceitos filosóficos.

A população sequer sabe ou compreende. É porque não quer entender. Se ela quisesse entender, ela entenderia. É porque não faz parte das suas vidas, não faz parte dos seus interesses, não faz parte da sua luta.

A sua luta é a luz e a água no final do mês, é a escola do seu filho paga, é ter saúde decente. Está lá preocupada o que é esquerda, o que é direita. Quem do eleitorado brasileiro perguntou isso? Qual eleitor perguntou para o candidato: candidato Serra o senhor é direita ou esquerda? E isso virou uma polêmica, como se fosse a coisa mais importante do Brasil. Ou você é liberal ou neoliberal?

Chega a ser ridículo esses conceitos. A Marina saiu de tudo isso dando um exemplo, ela falou tudo isso. Não significa que tudo o que ela defende é o que eu defendo, mas eu tenho que reconhecer que ela teve clareza, principalmente, em princípios que a população brasileira acredita.

MARINA CONSERVADORA

A população brasileira é religiosa. A sua grande maioria é católica, se não for católica é evangélica, se não for evangélica é espírita. E, normalmente, as pessoas que possuem religião, são pessoas controladoras em seus princípios. Não significa que não mude com a evolução da humanidade, da ciência, mas aquilo que é, aquilo que faz parte e fundamenta os seus princípios.

A Marina se mostrou apesar de dita de esquerda, com princípios conservadores e isso agradou a população. Então, a presidente Dilma, em alguns momentos ou em vários momentos, tentou contradizer pontos que ela tinha dito no passado, como o caso do aborto, como o caso da invasão de terra. O Serra, em muitos momentos, não teve clareza com relação a esses princípios e a essas ideias, que virou pauta, ninguém tem culpa disso, virou uma pauta de eleição. Filosoficamente, pode estar errado, o conteúdo programático pode estar errado, a população quer saber, ela tem o direito de ouvir.

DIREITA/ESQUERDA

Tanto o candidato Serra quanto a candidata Dilma discutiram assuntos que não dizem respeito à sociedade. A sociedade não estava interessada em direita, esquerda, neoliberal. Faça pesquisa popular para ver se alguém se interessa por esses temas, do que é liberal ou neoliberal. O que é direita, o que é esquerda.

RURAL VS. URBANO

Não pode persistir um direito à prioridade urbana, mas um não direito à propriedade rural. O direito à propriedade é um só, está na Constituição e precisa ser respeitado. Há concentração no setor de supermercados, há no setor de bancos, mas parece que só a grande propriedade rural é vilã.

BNDES

Não é a escolha de grandes conglomerados de carnes que vai deixar a economia mais competitiva e nisso sou crítica [o banco injetou recursos em frigoríficos como Marfrig e JBS para financiar aquisições]. É o investimento em pesquisa e em tecnologia que vai nos dar mais produtividade. Quando vejo o anúncio desses grandes créditos, sempre penso como foi a escolha dos preferidos e quem são os excluídos de quem tem acesso ao crédito. Quando comparo os investimentos em educação e pesquisa de China e Coreia com os do Brasil, vemos o quanto precisávamos investir nessa área.

REFORMA AGRÁRIA

Não podemos debater o crime, que são as invasões. Podemos discutir o que é melhor, aonde há produtividade, porque os assentamentos são pouco produtivos. O menor não é o melhor. Você precisa ter renda alta, você não transfere renda com patrimônio.

Estamos concluindo um estudo com a FGV que demonstra que 70% do valor bruto da produção no país está em 4,5% das propriedades rurais. Só que o Censo Agropecuário de 2006 demorou quatro anos para ser divulgado e, como o IBGE foi aparelhado, querem fazer crer que é a pequena propriedade a mais produtiva. A grande massa das propridades rurais, 1,5 milhão delas no país, não tem renda nenhuma.

POLÍTICA AGRÍCOLA

O que precisamos é de portos, estradas, trens e aeroportos eficientes, qualificação da mão de obra. As grandes propriedades rurais se autoprotegem e conseguem financiamento da iniciativa privada. As propriedades menores precisam de acesso ao crédito, logística.

Uma propriedade grande vai vender uma caixa de laranjas a US$ 3 porque teve acesso aos melhores defensivos, adubos, técnicas; a propriedade menor, no mesmo espaço, só vai conseguir vender essa caixa a US$ 5.

GERGELIM LUCRATIVO

O Brasil precisa importar 80% do gergelim que consome e é um produto de nicho, com margem de lucro alto. A pequena propriedade rural deveria se dedicar a esses produtos de nicho, a partir de pesquisa de mercado. Se você produzir soja em 50 hectares, você dificilmente terá lucro. Comida de pobre tem que ser produzida por rico, com muita terra; o pobre, se produzir comida de rico, lucra.

ITAMARATY

Nossa diplomacia tem sua competência, mas faltou prioridade para se promover o produto brasileiro no exterior. Crescemos na Ásia e minguamos na Europa. Por que não conseguimos manter os dois mercados grandes? Depois de dez anos de promessas, as embaixadas brasileiras receberam adidos agrícolas, mas eles são tratados como a quinta categoria das embaixadas, sem a menor importância, quando deveriam ser os juízes de pequenas causas que socorrem exportadores e desembaraçam a burocracia.

LEIS RELATIVIZADAS

O governo brasileiro deveria ter uma legislação mais clara quanto ao chamado trabalho escravo. No mundo, há o conceito de “trabalho forçado”, aqui aumentamos e há a relativização das leis disfarçada de bandeira social. Elas não servem apenas para defender o trabalhador, mas para também punir o patrão rural. É ideológico. Por que não tem trabalho escravo na pequena propriedade?

VOTO RURAL

José Serra venceu em vários Estados e regiões onde o agronegócio é mais forte. Não somos apenas arroz e feijão, há uma cadeia grande de produção que viveu na maior insegurança jurídica da história nos últimos oito anos. A CNA não é contraponto ao MST. O contraponto ao MST é a Constituição.

TERRA PARA ESTRANGEIRO

Não dá para barrar chinês que quiser comprar terras no Brasil. Tem contrato de gaveta, laranjas, a lei pode ser burlada. O que precisamos saber é o que eles farão aqui e se podemos competir com eles. É o que acompanha as discussões sobre o conteúdo nacional. Por que não damos condições ao produtor local para competir? Geramos empregos lá fora porque aqui cobramos 40% de carga tributária. Se o brasileiro fizer um produto pior ou não conseguir competir, tudo bem, mas as condições têm quer similares.

CÂMBIO

O câmbio afeta muito a agricultura. Os Estados Unidos não têm outra opção a não ser despejar dólares para reanimar sua economia, e o Brasil apoia a China, que mantém sua moeda desvalorizada artificialmente. A indústria brasileira e também o produtor primário sofrem com essa competição chinesa. Mas a única maneira de reduzirmos os juros para que menos dólares venham para cá é com uma política fiscal mais austera, com um forte corte no gasto público.

OPOSIÇÃO FIRME

Resultado das urnas para mim é missão. O político tem o risco de ganhar e perder. Eu adoro ser política, amo isso, e a oposição precisa aguentar firme, fazer o seu papel. O Serra excluiu os aliados, não teve lideranças do DEM, não teve o Bornhausen [Jorge Bornhausen, ex-senador e ex-presidente do DEM], ele tentou fazer tudo sozinho. E como você vai criar ilusões sozinho? O DEM precisa ter candidato próprio em 2014.

Leia mais.

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Caiu a ficha. Governador de São Paulo: ‘oposição é para fazer oposição’

Sunday, November 7th, 2010

Entrevista com o governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB) sobre o papel do partido nesse terceiro mandato petista.

No Estadão.

Como será a oposição no terceiro governo seguido do PT. Será mais forte, mais fraca?
Oposição tem de fazer o papel de oposição. Quem perde a eleição fica fora do governo, analisa o governo. Nós não temos nada a ver com o passado velho, do velho PT contra tudo e contra todos. Podia ser a melhor coisa ou a pior coisa para o povo que eles iam ser contra. Vamos fazer diferente. Não pensamos assim. Fui líder e vice-líder da oposição no primeiro governo Lula na Câmara. E teve várias matérias que ajudamos o governo a aprovar. Matéria muito específica sobre legislação de florestas. Que tinha a (ex-ministra do Meio Ambiente e ex-candidata do PV) Marina, ela se empenhou muito para fazer. Eu que ajudei a provar. Eram matérias que a gente achava corretas. Aquilo que a gente acha que não está correto tem de se opor mesmo. Se opor com toda combatividade. Não é fazer de conta. Não é meio termo.

Essa responsabilidade da oposição pode facilitar uma coalizão com o governo federal?
Não tem nada de coalizão. Oposição é para fazer oposição. O povo determinou que você fizesse oposição, que não fosse governo. Isso não significa que o povo quer que a gente aja ao contrário dos interesses do País.

O PSDB de São Paulo sai enfraquecido desse pleito?
Não. Há um certo tempo o PSDB de São Paulo não elegia um senador. Agora elegeu um senador, elegeu o governador. Teve maioria dos votos para a Presidência da República em São Paulo. Aqui ganhamos todas. O que vamos querer mais? Em São Paulo fizemos toda a lição de casa.

Mesmo com Aécio Neves despontando como nome forte do PSDB para 2014?
O PSDB de São Paulo ganhou a eleição nos dois níveis (para o governo do Estado e para o Senado). O PSDB de Minas ganhou a eleição nos dois níveis. Como aqui, Minas ganhou o governo do Estado e fez um senador. E na coligação fez outro senador, que foi o Itamar Franco. O governo de Minas também saiu vitorioso. O PSDB do Paraná também saiu vitorioso. Se você começar a diferenciar por Estado, você não chega a lugar nenhum. Aqui é um País. Um País único. O partido é nacional. Tem mais força aqui, menos força ali por questões regionais. Mas é um partido nacional. O PSDB tem hoje sua maior força, é verdade, nas áreas de concentração onde você tem o maior volume de pessoas. Somos majoritários em quase 60% do eleitorado nacional. Fomos majoritários na maioria das capitais. De 27 capitais elegemos 14. Elegemos todas as capitais do Sudeste e do Sul, menos o Rio de Janeiro. Temos presença forte no PIB nacional. Ganhamos as eleições nos Estados que representam 60% do PIB nacional. É um partido forte.

Há fragilidades, onde?
Sim, ele tem suas fragilidades. Tem áreas onde é muito frágil, como junto às pessoas mais simples, mais humildes e carentes. Nós perdemos (a eleição) onde vivem as pessoas mais humildes.

Leia aqui.

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Como esvaziar a oposição 2: dividir para conquistar

Saturday, November 6th, 2010

Leia primeiro o post sobre Aécio na presidência do Senado.

O plano governista de dividir para conquistar a ausência de oposição no país parece estar indo de vento em popa. Independente de Aécio aceitar a jogada ou não, a cicatriz com a aparente falta de empenho do mineiro no segundo turno dessas eleições tende a se aprofundar. Veja o que vai no site do jornalista Bob Fernandes.

Serristas tentam esvaziar Aécio e manter controle do PSDB

Marcela Rocha

A ala do PSDB ligada ao ex-presidenciável José Serra se articula para ficar com a liderança na Câmara dos Deputados e assumir a linha de frente na oposição ao governo Dilma. Para isso, sabe que é preciso manter o poder do diretório de São Paulo na sigla. Os serristas esperam reduzir eventuais danos causados pela aproximação do ex-governador mineiro Aécio Neves à base governista para tentar concorrer à presidência do Senado.

Ao mesmo tempo, o grupo mais próximo a Serra busca uma forma de mantê-lo em evidência no cenário nacional. Uma das opções apontadas seria nomeá-lo para a presidência do Instituto Teotônio Vilela, órgão de estudos e formação política do PSDB.

Para tucanos paulistas, a movimentação do PSB junto à ala aecista do PSDB e do DEM seria apenas uma tentativa de pressionar Dilma e assim aumentar a influência deles na partilha do governo. Mostrando que tem diálogo com setores da oposição, o PSB aumentaria seu poder de barganha junto à petista, que precisa dividir os ministérios com o aval do PMDB.

Integrantes do PSDB de São Paulo dizem que o PMDB não permitirá Aécio na presidência do Senado, o que não significa que ele não se candidatará à vaga. Tucanos ligados a Serra esperam também que Aécio dispute a presidência do partido ou a liderança em uma das Casas, e já costuram de modo a garantir a liderança na Câmara.

Entre os nomes cogitados numa lista já preparada, estão os deputados eleitos Mendes Thame (SP), Luiz Carlos Hauly (PR) e César Colnago (ES), que coordenou a campanha de Serra em seu Estado. Os serristas defendem organizar esse foco de resistência a partir de São Paulo, contando com a reaproximação entre o ex-presidenciável e o governador eleito Geraldo Alckmin (SP).

Outra forma de ampliar o campo de influência de Serra no comando do partido seria, de acordo com aliados, defender a manutenção do senador Sérgio Guerra (PE) na presidência da sigla. Para eles, seria uma maneira de evitar a entrada de um aliado de Aécio, ou dele próprio.

Embora Serra tenha tido problemas com Guerra durante a campanha, ele aposta que o pernambucano adotaria uma linha mais crítica em relação ao governo Dilma no Congresso. Linha que, para os tucanos paulistas, seria evitada por aecistas.

Serra está na França e ainda não se sabe quando voltará. O tucano viajou acompanhado de seu filho e palestrou em um seminário sobre a Europa e a América Latina em Biarritz.

Leia a matéria aqui.

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Como esvaziar a oposição: Aécio e a presidência do senado

Saturday, November 6th, 2010

A situação sabe o que aconteceu esse ano: venceram as eleições presidenciais e, pela primeira vez desde o mensalão, o país voltou a ter oposição. Há dois líderes importantes muito bem instalados, Aécio Neves e Geraldo Alckmin.

Alckmin batalhou duro no segundo turno e ajudou Serra a abrir uma diferença que beirou os dez pontos percentuais em São Paulo, quase dois milhões de votos. Já Aécio, apesar de ter percorrido mais de 70 municípios mineiros, segundo sua assessoria, pareceu trabalhar mais na própria campanha para 2014, andando por regiões fora de sua principal área de influência.

Para esse governo, uma aproximação com Alckmin é mais complicada, as diferenças de estilo são muito grandes. Já com Aécio, vale tentar a sedução… e foi o que fez o governador do Ceará, Cid Gomes.

Texto apresentado no Estadão.

Cid Gomes defende Aécio na presidência do Senado

04 de novembro de 2010 | 13h 46

CAROL PIRES - Agência Estado

O governador reeleito do Ceará, Cid Gomes (PSB), defendeu hoje que a presidente eleita, Dilma Rousseff, acerte um pacto entre os partidos da base aliada para levar o tucano Aécio Neves, eleito senador por Minas Gerais, à presidência do Senado. “Seria um belo aceno”, disse Cid Gomes.

Segundo Cid Gomes, não se trata de “cooptar” a oposição, e sim de fazer um “pacto” pela governabilidade. “Não estou falando em cooptar a oposição, em trazer o DEM e o PSDB para o governo. Falo em fazer um pacto para que estruturas do Poder possam ser compartilhadas”, disse.

Gomes fala em discutir propostas que a oposição tenha para o Brasil e incluí-las - em parte ou totalmente - no projeto governista. Em contrapartida, a oposição ajudaria a aprovar projetos de interesse do governo. “Oposição por oposição, sinceramente não acho que tem que ter isso, não. Nós temos que ter propostas para o Brasil”, disse.

Para Cid Gomes, existem vários tipos de oposição, a raivosa, a ideológica, e a bem-intencionada. “Oposição sempre existirá, mas tem que estar num patamar abaixo das preocupações fundamentais com o País”. Cid Gomes e outros governadores eleitos pelo PSB participam hoje de reunião da Executiva Nacional do partido, em Brasília, para fazer um balanço das eleições.

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A face autoritária de Dilma

Tuesday, November 2nd, 2010

Já começou. Na verdade, estamos no terceiro turno da face autoritária do “Dilmismo”. A mulé do messias de Garanhuns excluiu o PMDB da estratégia inicial da campanha. Colocou alguns caciques para trabalhar no plano de governo que foi jogado no lixo. No segundo turno, nem participaram das reuniões. Agora, na fase de transição, os trabalhos começaram e, surpresa!, só petistas.

Dilma “lutou”, como eles gostam de dizer, no Colima e no VAR-Palmares, duas organizações que ambicionavam instituir a ditadura do proletariado no país. Em seguida, não teve uma carreira política. Ocupou um cargo de secretária e ministérios, mas nunca foi chefe de articulação política, não aprendeu a negociar, e negociar, e negociar… O resultado disso, já recebeu, via imprensa, um alerta do PMDB. Segue matéria publica na Estadão.

João Domingos e Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - Mesmo com o vice na chapa, o PMDB foi alijado da primeira reunião da presidente eleita, Dilma Rousseff, realizada ontem de manhã e à tarde na casa da petista, no Lago Sul, um dos bairros nobres de Brasília, quando foram escolhidos os primeiros nomes da equipe de transição.

Essa equipe será comandada pelo presidente do PT, José Eduardo Dutra, e pelo ex-ministro Antonio Palocci. Só foram convidados para a reunião com a presidente eleita os petistas mais próximos e cada um recebeu a sua missão para a futura equipe de transição.

Entre os peemedebistas, notava-se um misto de decepção pela ausência de um representante do partido na reunião com a presidente eleita, e a certeza de que o partido será tratado assim mesmo, à distância, porque os lugares mais próximos a Dilma estão reservados aos petistas.

Mas ficou no ar também um recado, o de que o PMDB saberá dar o troco sempre que for necessário. “Eles não vão governar sozinhos, vão governar com todo mundo”, disse o deputado Eduardo Cunha (PMDB-SP). Leia mais.

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Estadão: o mal a evitar

Friday, October 29th, 2010

reproduzo aqui editorial do Jornal Estado de São Paulo. Texto exemplar, escancara os motivos que levam qualquer democrata a se levantar, principalmente com o próprio voto, contra os continuados ataques do lulo-petismo à democracia.

A acusação do presidente da República de que a Imprensa “se comporta como um partido político” é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre “se comportar como um partido político” e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.

Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.

Efetivamente, não bastasse o embuste do “nunca antes”, agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.

Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa - iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique - de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.

Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia - a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o “cara”. Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: “Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?” Este é o mal a evitar.

Leia aqui o texto no site do Estadão.

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Raciocínio Lógico

Friday, July 23rd, 2010

Não resisto a reproduzir esse post do blog do jornalista Augusto Nunes:

Raciocínio lógico

“É muito estranho atribuir um vazamento da Receita à minha campanha. Não há provas disso. Qualquer vazamento tem que ser apurado. Vejo uma tentativa de usar isso contra mim num processo eleitoral”.

Dilma Rousseff, achando muito estranho que não seja atribuído a José Serra o vazamento de informações sobre declarações de imposto de renda do vice-presidente do PSDB, incluídas num dossiê forjado por militantes do PT para deixar mal no retrato o candidato do PSDB,

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Em campanha política, baixo nível é não abordar todos os temas

Friday, July 23rd, 2010

Trecho de um artigo de José Dirceu, esse epitáfio da postura petista. Volto em seguida.

Por um debate elevado

A pouco mais de dois meses para o primeiro turno das eleições presidenciais de 2010, reitero minha expectativa de que, acima de tudo, nesse processo de reflexão sobre os rumos do nosso Brasil, prevaleça um debate sério, profundo e exclusivamente voltado à discussão programática. Porque essa é a melhor forma de os candidatos se submeterem de fato ao julgamento de cada brasileiro, fazendo das eleições o verdadeiro ápice da democracia.

Mas tem me preocupado dois movimentos paralelos, e intercalados, que tenho presenciado. O primeiro é o rebaixamento do nível do debate eleitoral pela oposição. O segundo é o de preparar o terreno para jogar a decisão das urnas nas mãos do Judiciário. Ambos representam riscos à democracia.

Um dos mais antigos truques dialéticos é desqualificar tudo o que lhe é negativo. Uma forma simples de direcionar conversas. Ora, é o que tenta a máquina petista. Até aí, isso é do jogo. Agora, se cairemos ou não nessa, é outra história.

O PT tenta por que tenta qualificar suas ligações com as FARC como baixaria. Ora, estiveram juntos no tal Foro São Paulo, há emails indicando a proteção a membros da FARC (Dilma Rousseff solicitou a transferência de Mona, mulher de Oliverio Medina, para o Ministério da Pesca).

À época do Forum São Paulo e à dos emails, as FARC, além de sequestrar e matar, também já estava envolvidas com o narcotráfico. Quando dirigentes petistas, Lula entre eles, aconselha o grupo a abandonar a luta armada e ingressar na vida política, “esquece” convenientemente de mencinar a cocaína. É o mesmo que sugerir que os crimes do Marcola sejam relevados e ele possa se candidatar a algo aqui no Brasil. Para, sei lá, lutar pelos direitos da população carcerária em presídios de segurança máxima.

A baixaria não está no que se diz agora, mas no que os petistas disseram e fizeram no passado.

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Os princípios de Dilma ou Dilma, a principiante

Saturday, July 10th, 2010

“Em princípio, eu sou contra prisões por crimes políticos ou ideológicos”.

A frase acima pertence a Dilma Rousseff. Resumidamente, a candidata disse que até é contra as prisões políticas, mas pode mudar de idéia.

Isso que nos separa. Sou contra. Ponto.

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O combate à imprensa nas eleições 2010

Sunday, April 11th, 2010

Um texto no blog GeneracionY, da filóloga/jornalista/blogueira cubana Yoani Sánchez, é exemplar para compreender como se dá e se dará a atuação  contra a liberdade de expressão nas eleições de 2010. Como não há argumento que prospere  contra o óbvio, a “luta” não se dará nas idéias, mas na continua tentativa de desqualificar o interlocutor.

Entre las estrategias más usadas por el discurso oficial en Cuba está la de separar aEntre las estrategias más usadas por el discurso oficial en Cuba está la de separar a los ciudadanos en compartimentos no conectados. En la medida que cada uno se niega a escuchar al otro, no pueden constatar que tienen observaciones afines sobre su realidad y deseos confluentes de mejorar el país. Por eso se sataniza al crítico y se le impide a los periodistas oficiales invitarlo a los estudios de la televisión a participar en esos paneles aburridos donde todos tienen el mismo punto de vista. Se repite la táctica de “echar a pelear” a personas que sentadas frente a una taza de café confirmarían sus afinidades en lugar de ahondar en sus diferencias. Siempre que escucho denigrar a alguien con adjetivos encendidos al estilo de “mercenario” o “vendepatria” me percato de que el emisor de tantas calumnias teme –en su interior– que en un debate no pueda dejar los gritos y argumentar sus ideas. Los que ofenden son, generalmente, los que temen a la sana polémica por estar carentes de razones.

Está tudo aí. A tática exposta até o osso. Primeiro tentam separar a população entre pobre e ricos, petistas e tucanos. Os que querem o bem do Brasil e os que são contra a nação. Parênteses. O que prova que não combatiam o maniqueísmo durante os anos Médici, combatiam apenas o governo Médici. Fecha parênteses. Todo aquele que discordar será “acusado” de tucano ou demo. É a lógica do socialismo pragmático, qualquer um que não for do partido será tratado como criminoso.

Já começou. E cabe a quem acredita na democracia por fim a essa “era”.

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