economia, política e blog ‘n’ roll

Yeda Crusius, o PSOL e Franz Kafka

Friday, March 20th, 2009

Certa vez ouvi que o mundo é um lugar melhor porque Franz Kafka viveu. Concordo. Seus livros foram parte importante de deliciosos momentos da minha adolescência e vinte e poucos anos. Entre suas principais obras está “O Processo”.

A história de um sujeito que recebe uma visita de oficiais de justiça sendo convocado a comparecer a uma corte. Lá, descobre que está sendo investigado. O interessante é que o processo corre em sigilo, o famoso segrede de justiça, e por isso nem o próprio acusado tem o direito de saber de quais crimes é acusado! A situação fica insuportável e finalmente… tá bom, não vou estragar o livro. É leitura mais que recomendável.

A governadora do RS, Yeda Crusius, vive situação que lembra bastante o romance do autor tcheco. O PSOL, aquele partido que lava mais branco e puro do que o famoso sabão em pó, diz ter entregue ao ministério público do estado documentos comprovando corrupção envolvendo secretários, o filho da governadora e a própria Yeda.  Sabe o que responde o MP? Afirma que não tem nada em suas mãos, desconhece os documentos e a denúncia. E assim segue, a governadora é massacrada por Luciana Genro (a filha do ministro que concedeu asilo ao assassino Cesare Battisti), deputada pelo PSOL, sem ter como se defender de sabe-se lá o quê!

Não consigo deixar de enumerar ao menos duas perguntas.

  1. alguém já viu político (no caso o PSOL) negar à imprensa informações contra adversários?
  2. estaria a deputada motivada pela provável campanha de seu pai ao cargo de governador, em que deve enfrentar Yeda?

Boa parte das denúncias envolveria supostos grampos telefônicos ilegais. Pois bem, a juíza eleitoral de Lajeado, Nara Cristina Neumann Cano Saraiva, confirmou que autorizou as escutas em5 de setembro de 2008.

É Yeda culpada ou inocente? Não tenho como saber, até agora tudo indica uma aliança da oposição gaúcha para inviabilizar o governo tucano. O que sei é que parte da imprensa já fez o seu juízo e isso é grave.Ao procederem dessa forma, alinham-se a uma conduta de mais de 200 anos e que não levou a nada senão sofrimento.

Condenar antes de julgar é o modus operandi da esquerda. Nunca é demais lembrar que Robespierre, na revolução francesa, dizia que o país não precisava de mais juízes, precisava de mais guilhotinas. Quando um “verdadeiro esquerdista”, como a sra. deputada Luciana Genro, faz uma denúncia, todo cuidado é pouco.

Tags: , , , , ,

Errata, os cubanos têm família no Globo Esporte

Monday, March 2nd, 2009

Disse em outro post que um dos pugilistas cubanos que Tarso Genro atirou aos leões foi diplomático por ter família (filhos) em Cuba. Erro meu, aparentemente os dois possuem descendência na ilha.
O que se comenta é a declaração de Lara que concede entrevista ao Estado de São Paulo dizendo que não pediram o regresso a Cuba, a versão do ministro da justiça e, dias depois, aparece no Globo Esporte afirmando o contrário, que pediram sim para voltar para a ilha. O que seria estranhíssimo, pois pouco mais de 1 ano depois já estão os dois fugidos do “paraíso castrista”.
Parênteses: fica-se com a impressão que fugir de Cuba para o Mexico ou para a Flórida é como ir até a esquina comprar um pão. Não é. Os levantamentos sobre isso mostram em torno de 80.000 (oitenta mil!) mortos na tentativa. É sempre uma operação de risco.

Pois bem, comentando o caso do boxer que ora diz uma coisa, ora diz outra, com uma conhecida minha, que mantém um blog “pirata” desde Havana, recebi a seguinte resposta: “veja, até os brutus têm famílias.”

Para bom entendedor meia palavra basta, para pai, filho, irmão, etc… também.

Tags: , ,

Os lutadores cubanos, o assassino italiano e Genro, o carniceiro

Tuesday, February 24th, 2009

Como se adjetiva alguém que manda a força policial ir atrás de duas pessoas cujo único crime é tentar fugir de uma ditadura? E mais, com a possibilidade de oferecer liberdade a essas pessoas, oferece suas cabeças de bandeja a um regime que informa OFICIALMENTE já ter enviado mais de 3.000 pessoas ao paredón, a maioria por crimes de consciência, que se traduz por discordar do regime autoritário do país. Essa é a história de dois boxeadores cubanos, Guillermo Rigoundeau e Erislandy Lara, e do ministro da (in)justiça, Tarso Genro.

O primeiro lutador, Lara, já havia fugido para o México, de onde seguiu para Hamburgo, na Alemanha, e hoje vive em Miami e segue carreira de lutador profissional. Agora lemos que Rigoundeau também escapou da tirania castrista fazendo um percurso parecido, que começa no México e terminou em Miami. Lara havia sido discreto em suas declarações, dizendo que gostou muito do Brasil e da sua gente e que um dia poderia voltar. Tudo muito diplomático, sem nunca responder diretamente se foi pediu pra voltar a Cuba ou não.  Rigoundeau resolveu falar. Conta que NUNCA PEDIU PRA VOLTAR PRA CUBA, foi enfiado a força em um camburão da polícia e, sem chance de defesa, atirado de volta nas garras dos irmãos Castro. Na ilha caribenha a vida dos dois se tornou um inferno e sua carreira de esportista foi interrompida.

Aí pode perguntar o leitor porque o primeiro lutador deu declarações “diplomáticas” e o segundo foi na “veia”? Simples, Lara tem filhos em Cuba e sabe que deve tomar cuidado com o que diz. Rigoundeau tem a coragem dos solteiros.

Para nós brasileiros essa declaração é importante para descobrirmos que é Tarso Genro, esse senhor que possa de humanista ao abrigar o assassino CONDENADO por um tribunal italiano e com pena confirmada por uma corte européia. Na opinião desse senhor, a Cuba castrista é um regime justo, mas a Itália e a Europa são regimes autoritários que não oferecem justas possibilidades de defesa. Como Genro não é um idiota para acreditar nessa bobagem que suas ações contam, deve achar que somos um bando de imbecis. Aqui não, ministro!

Tags: , , , ,

Caso Battisti: quando a coerência é desnecessária

Sunday, February 15th, 2009

Está na capa do Uol uma entrevista com o filósofo italiano Toni Negri, que se posiciona a favor da decisão do ministro Tarso Genro em  conceder asilo político a Cessare Battisti. Entre seus argumentos está a absoluta falta de coerência. Como se sabe, isso (manter a coerência) é desnecessário quando se é um esquerdista defensor de tudo que é bom, belo e justo.

Negri defende que a Itália vivia na década de 1970 um estado de exceção, baseado no fato que a prisão preventiva poderia ser feita a qualquer momento e durar anos. Esquece de informar que se tratava de prisão preventiva exclusivamente para combater o terror. Note que Negri também “esquece” de informar que a regra ajudou a acabar com o terrorismo de esquerda, de direita e com a máfia.

Mas por que incoerente? Sim, vamos a isso. Negri foi preso, fugiu para a França, foi julgado, retornou a Itália e cumpriu sua pena. Hoje é professor universitário em Florença e defende que os julgamentos (dele, Battisti e outros) não foram justos. Mas o que é o ato falho. Lá pelas tantas, para mostrar que não é um monstro,  diz que, entre outras coisas, foi acusado de participar do sequestro e assassinato de Aldo Moro e que FOI INOCENTADO DA ACUSAÇÃO. Por quem? Pelo mesmo sistema jurídico que ele acusa de injusto. Não é lindo, o sujeito é filósofo e não consegue manter uma linha de raciocínio em uma conversa que não deve ter demorado mais que 15 ou 30 minutos.

Bem, sua incoerência não é linda, não. Negri participou de grupos que atentaram contra a democracia italiana e pagou um preso (cadeia) por isso. Foi julgado, com TODO o direito de defesa, e condenado em um tribunal COMUM, exatamente como Battisti. A beleza está em conseguir combater a violência com leis. Houve exageros por parte de autoridades italianas? É claro que sim, mas foram episódios e não regra. Querer recontar a história para transformar crimes em atos heróicos e um ato de pura mesquinharia intelectual.

Tags: , ,

STF PODE rever decisão sobre Battisti

Thursday, February 5th, 2009

Os amigos do Genro, uma nova classe político-imprensista surgida, defendem que o STF não pode rever a decisão do ministro sobre a guarida ao assassino Battisti. Há importantes vozes contrárias à tese. Leia texto que vai no Estadão, por Mariângela Gallucci:

O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, disse ontem que não haverá incoerência se o tribunal mudar a sua jurisprudência e decidir julgar a extradição do extremista italiano Cesare Battisti, apesar de ele ter obtido refúgio graças a uma decisão do ministro da Justiça, Tarso Genro. A atual jurisprudência sobre o assunto é totalmente favorável a Battisti: em 2007, a corte concluiu que a concessão do refúgio impedia o julgamento da extradição.

“Não há incoerência. O STF tem procedido a uma ampla reavaliação de sua jurisprudência em diversas matérias e dado passos significativos no sentido de alterar. O processo extradicional, como qualquer processo, tem conteúdo eminentemente dialético. Então, há teses em conflito e caberá ao Supremo analisá-las”, afirmou o ministro. Por motivos pessoais, ele não participará do julgamento.

Há um movimento no STF, capitaneado pelo presidente do tribunal, Gilmar Mendes, para que seja mudada a jurisprudência, permitindo a análise dos pedidos de extradição mesmo quando o estrangeiro obtiver o status de refugiado. Ganha corpo a tese de que o refúgio foi fixado por lei e a competência do STF para julgar extradições está na Constituição, texto superior hierarquicamente às leis.

No julgamento de 2007 em que foi fixada a jurisprudência favorável a Battisti, Mendes ficou sozinho. Por 9 votos a 1, o tribunal concluiu que o fato de o colombiano Olivério Medina ter obtido o refúgio era determinante para a extinção do processo de extradição. Medina, acusado de integrar a Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), se livrou da extradição.

Se o entendimento do tribunal for modificado, desfavoravelmente a Battisti, o Supremo poderá analisar o pedido de extradição apresentado pela Itália, onde ele foi condenado à prisão perpétua, acusado de envolvimento com quatro assassinatos na década de 70.

No caso de haver julgamento no STF, Celso de Mello explicou que o tribunal terá de decidir se os crimes foram políticos. Se forem políticos, o italiano não será extraditado. Mas, se o tribunal concluir que foram atos de terrorismo, Battisti deverá ser entregue ao governo italiano. Leia mais.

Tags: , ,

Do blog da Sonia Racy, sobre o assassino Battisti

Wednesday, January 21st, 2009

Publico atrasado ótimo texto do blog da jornalista Sonia Racy sobre o caso do assassino Battisti.

É bem mais duro do que se imagina o texto da carta mandada pelo presidente italiano Giorgio Napolitano ao presidente Lula. A avaliação é do especialista Walter Maierovich, que diz ter recebido telefonema de uma alta figura daquele País, interessado em entender “de onde saiu” a decisão brasileira de dar refúgio a Cesare Battisti. Para a coluna, Maierovich ressaltou aspectos do caso pouco esclarecidos até agora do caso. Alguns deles:

A comparação do caso Battisti com o de Salvatore Cacciola, feita por Tarso Genro, não faz sentido. Cacciola tem cidadania italiana e, por lei, a Itália jamais extradita seus cidadãos.

A França nunca deu refúgio a Battisti. Ele apenas contou com a boa-vontade do governo Mitterrand para “ir ficando” no País. E fugiu para o Brasil quando a Justiça francesa, já no governo Jacques Chirac, aceitou o pedido da Itália para extraditá-lo.

O Tribunal Internacional Europeu, em Estrasburgo, rejeitou seu pedido de proteção, entendendo que era criminoso comum.

Os quatro assassinatos foram praticados em um país democrático, onde inúmeros partidos atuavam, havia eleições livres, parlamento funcionando e nenhuma ditadura ou lei de exceção.

Todos os outros 8 ou 10 extremistas do grupo de Battisti, detidos e condenados, já cumpriram pena e estão em liberdade.

Maierovich acusa Tarso de “contar as histórias pela metade” e de ter destratado não só a Justiça da Itália como a da França. E arremata: “Ele teria dificuldades de passar em um exame da OAB”.

Tags: , , ,

O ministro sem graça e a colunista do balacobaco

Friday, January 16th, 2009

Leia o que vai no blog da Barbara Gancia. Postei um aperitivo aí embaixo, mas no final da coluna ela conta um pouco sobre as “relações” da sua família com as brigadas vermelhas, grupo terrorista italiano, na década de 1970. Imperdível.

Tarso Genro vive no passado

Questionado, semanas atrás, sobre os motivos que o levaram a escolher o Brasil para se refugiar, o então fugitivo da Justiça italiana Cesare Battisti respondeu: “O Brasil, sem uma ditadura, era a imagem de um país sensível aos valores democráticos e de garantias dos direitos fundamentais”. Bonito, não? Se fosse menos bronco, Ronald Biggs teria dito a mesma coisa sobre o país que o recebeu de braços abertos -e que até hoje figura no imaginário do cinema como porto seguro para bandidos em fuga.
Para quem conhece o Brasil, a impressão é a de que o italiano condenado à prisão perpétua por assassinato estava falando da Suécia. Arrisco dizer que os dois atletas cubanos que buscaram asilo no país (depois do Pan no Rio) e acabaram deportados com violência inédita não seriam capazes de descrever o país com o lirismo usado por esse senhor que agora é um de nós.
Mesmo que fossem, duvido que compartilhem da visão de Cesare Battisti. Aliás, sou capaz de apostar um picolé de limão como os boxeadores Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux foram embora achando que o país não oferece garantia nenhuma de direitos. Infelizmente, não pudemos ouvi-los para saber o que pensavam, uma vez que, chegando a Cuba, eles foram imediatamente detidos, não é mesmo?

Leia a coluna toda

PS: para os mais novinhos que não sabem o que é balacobaco, segue o Houaiss: Substantivo Masculino; 1 qualidade ou beleza excepcionais

Tags: , , ,

Brasil é o país da impunidade (também para os italianos)

Thursday, January 15th, 2009

Se perguntarmos nas ruas qual o maior problema do Brasil, provavelmente a resposta mais comum será uma variante de “impunidade”.

  • Alta criminalidade: está ligada à impunidade muito mais do que à miséria
  • Corrupção: alguém tem dúvida que é 100% impunidade?
  • etc…

Pois o ministro Tarso Genro resolveu estender o conceito a um assassino reconhecido por duas cortes. Cesare Battisti estava indignado com o rumo tomado pela Itália na década de 1970. Ora, era um direito que lhe cabia, a Itália era, e ainda é!, uma democracia. O que fez Battisti? Juntou-se a algum partido político que expressava idéias próximas às suas e disputou eleições? Não, ele se uniu a grupo de esquerda que tentava implementar o comunismo na Itália. Como ninguém é tolo de eleger comunistas (que realmente queiram implementar alguma forma de marxismo-leninismo), a única forma era a violência. E foi o que fizeram. Doce irônia, seu grupo era conhecido como PAC - Proletari Armati per il Comunismo (Trabalhadores Armados pelo Comunismo).
O “elemento” (sim, a linguagem policial é apropriada, como veremos) é acusado de quatro assassinatos, sendo que um deles (e talvez o mais famoso) foi o de Pierluigi Torregiani, um joalheiro italiano que era “acusado” de se defender contra um assalto promovido pelos terroristas. Basicamente, entraram armados e dispostos a tudo dentro da loja de Torregiani que se defendeu a acabou por matar um dos assaltantes. A vingança dos “justos” veio breve e ele foi assassinado na frente do filho de 13 anos, que também recebeu tiros mas sobreviveu.

A mesma história se deu com outra vítima, Lino Sabadin, dono de um açougue.

Battisti foi julgado na Itália por um tribunal comum, sendo um país que saíra do fascismo, os tribunais especiais forma extintos. Foi um processo penal como outro qualquer com uma condenação à prisão perpétua (não há pena de morte). O resultado seguiu, anos mais tarde, para uma corte européia que confirmou a sentença.

Assim, quando o ministro Tarso Genro utiliza o nome de todo o país para abrigar esse terrorista e assassino, ele não acusa apenas a democrática Itália de perseguição política, faz o mesmo com toda a comunidade européia.

Tags: , , ,

Demétrio Magnoli - Dos pugilistas cubanos aos arapongas

Thursday, October 2nd, 2008

Imperdível a coluna de Demétrio Magnoli no Estadão. Começa traçando um paralelo entre a deportação dos pugilistas cubanos e a arapongagem federal e segue em frente mostrando como o messias de Garanhuns acredita que a imprensa deve agir em conjunto com o estado, ou seja, submissa a ele.

Eis um aperitivo:

Quando Tarso Genro ordenou a captura e deportação dos pugilistas cubanos, nos Jogos Pan-Americanos de 2007, converteu-se em herdeiro político legítimo de Alfredo Buzaid, seu antecessor no Ministério da Justiça nos tempos de Garrastazu Médici. Não há surpresa na sua iniciativa de suprimir do projeto de lei destinado a frear a farra dos grampos uma cláusula que protegia o direito jornalístico de divulgar o conteúdo de escutas vazadas de investigações policiais. Nem na sua negativa em admitir a intenção do governo de restringir a liberdade de informar. Afinal, ninguém esqueceu que o ministro do Arbítrio substituiu, ex post facto, o termo de deportação dos pugilistas por um documento de repatriamento. Leia mais.

Tags: , , , ,